5 Avkastningskrav
5.2 Avkastningskravet til egenkapitalen
A autogestão é um conceito essencial para o movimento institucionalista, que nela concebe sua força motriz. Refere-se à produção de grupos sujeitos, protagonistas de suas ações, que interferem de forma ativa tanto nos produtos que criam como no processo através do qual eles mesmos são produzidos, apropriando-se dos saberes/práticas em questão, num exercício de permanente reflexão sobre as condições de efetuação de suas ações, em seus limites e possibilidades (ROCHA, M., 2006a).
A construção da autogestão é como percorrer trilhas em uma colocação12; não é um caminho simples e linear, pois funcionamos em quase todos os espaços sob a heterogestão, geridos por outrem, com relações de poder bem demarcadas e vivenciadas como fato natural da vida cotidiana. Coletivizar ações implica criar espaços onde os diretamente envolvidos possam apropriar-se de todo o material produzido. Isso é mais do que aderir ao empreendimento de outros ou participar da execução de tarefas. É, como diz Rocha, M. (2007), um movimento construído por cada um e por todos, em sua dimensão histórico- político-desejante, afirmando outros possíveis.
Um projeto autogestionário está necessariamente associado à construção/utilização de analisadores e à análise das implicações. O analisador, produto de uma situação que age sobre ela, é o que permite revelar a estrutura da instituição, provocá-la, obrigá-la a falar (LOURAU, 2004c, p. 132). Quer seja um dispositivo, pessoa, prática, fenômeno ou acontecimento, manifesta a não conformidade com o instituído, indicando como os acontecimentos aparentemente secundários, os desvios, as crises, revelam as forças sociais não “representadas” ou que não se reconhecem nas representações que as instituições produzem e garantem.
É então revelador e ao mesmo tempo catalizador do não dito, do “recalque político”, do impensado, da ordem estabelecida, geralmente coercitiva e arbitrária, e deve dissolver o
que há de rígido e institucionalizado, inclusive no processo analítico/interventivo e nos seus analistas/interventores. Assim fazendo, pode modificar as relações de força constitutivas das formas da representação instituída, liquefazendo a cena natural de um cotidiano estratificado, aparentemente estático.
O analisador coloca em xeque a própria pesquisa-intervenção, questionando a centralização do pesquisador/intérprete e o próprio "ato de interpretar", de fazer valer algo que "fale por todos" (AGUIAR; ROCHA, 2007, p. 655).
A implicação refere-se ao grau de envolvimento do analista para com o objeto estudado, e vai de encontro à famosa neutralidade herdada do cientificismo positivista e suas pretensões de objetividade. Uma nova concepção do papel do intelectual decorre da ênfase depositada neste conceito.
Conforme Lourau (1993, p. 16), “é a relação que o pesquisador mantém com seu objeto, o prático com seu campo, o homem com sua vida”. Ele acrescenta que o escândalo da Análise Institucional talvez esteja nesta proposição, posto que quase todo saber científico baseia-se na noção de não implicação, de um observador externo e distanciado de seu objeto de estudo.
O autor considera que a análise da implicação constitui uma superação tanto da sociologia positivista quanto da branda crítica fenomenológica. E vai além:
Se o intelectual “comprometido” (Sartre) se define por sua ligação voluntária com uma causa, uma tese, uma doutrina; e se o intelectual “orgânico” (Gramsci) se define objetivamente por sua adesão pública a uma organização política que lhe possibilite, real ou imaginariamente, participar de um empreendimento histórico cuja concepção ultrapassa seu intelecto individual, o intelectual “implicado” se define pela vontade subjetiva de analisar até o limite as implicações de seus pertencimentos e referências institucionais, bem como pelo reconhecimento do caráter objetivo deste conjunto de determinações (LOURAU, 2004c, p. 147).
A implicação focaliza o lugar que cada sujeito ocupa nos grupos, na comunidade, na sociedade, e a forma como estes são atravessados pelas relações sociais. Estar implicado é mais do que envolver-se ou participar, é admitir a interpenetração, a interprodução: admitir que somos produzidos, objetivados, tanto quanto protagonizamos a produção. Assumir que pesquisador e pesquisado, objeto e objetivação, pesquisa e intervenção se constituem em processo, sem hierarquias ou determinações de um sobre o outro, e que ao transformar, também se transformam.
A análise das implicações qualifica as relações sociais como elementos que fazem parte da história e dos processos de institucionalização, marcados por tensões, movimentos e
incertezas. E remete o pesquisador praticante a investir em modos de intervenção que priorizem a elucidação das determinações transversais.
Acopla-se nesta imbricação a transversalidade. Criado por Guattari na formulação teórica da psicoterapia institucional, relaciona-se à produção de outros modos de ser, afetar/afetar-se e fazer, pela superação do plano cartesiano, e pela potencialização de novos agenciamentos, de alternativas ao desejo (GUATTARI, 1987). Propõe-se como possibilidade de ampliação das comunicações com vistas à superação dos impasses da verticalidade - relações sociais institucionalizadas, hierarquizadas – e da análise da horizontalidade – relações imediatas, informais nos diferentes estratos – que atravessam os diversos modos de composição do socius.
Na perspectiva dos socioanalistas, trata-se do atravessamento de indivíduos, grupos, organizações e estabelecimentos pelo conjunto de funções e/ou instituições que produzem e reproduzem as relações sociais dominantes/instituídas (LOURAU, 2004c). Somos atravessados por instituições, e este entrecruzamento de pertencimentos e referências sociais, políticas, econômicas, ideológicas, está posto em circulação nas diferentes composições que são traçadas no cotidiano dos espaços vividos.
Com os conceitos de implicação e transversalidade, o trabalho de pesquisa-intervenção assume que todo conhecimento se produz em um campo diversificado, determinado por relações de força, e se processa no devir, ou seja, envolve movimento e transformação da realidade, e abertura para ser atravessado, para potencializar novos encontros. Um encontro pode ser limitado, dentro de linhas duras em que já se espera o que decorrerá, ou, se o índice de transversalidade aumenta, pode possibilitar que outros sentidos surjam.