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Este estudo permitiu encontrar evidência empírica permitindo explorar a natureza das imperfeições do mercado de capital português no âmbito do financiamento dos projetos de IDE das PMEs portuguesas, bem como possíveis consequências na atividade das mesmas.

Apesar de, na perceção da Banca, as PMEs constituírem um segmento de negócio atrativo, foi demonstrada, por parte das empresas analisadas, uma preferência pelo financiamento interno na realização dos seus projetos de IDE, refutando a Proposição 1. Na impossibilidade de obtenção de cash flows internos suficientes, estas empresas optariam pelo financiamento alheio, nomeadamente financiamento bancário nacional, comprovando a Proposição 2. Esta predisposição seria mais intensa no caso de investimentos domésticos, comparativamente a projetos de IDE.

Esta opção sugere que as empresas da amostra possuem uma situação financeira equilibrada, optando por reinvestir os lucros em detrimento da distribuição de dividendos pelos acionistas. Os resultados sugerem, assim, que as decisões relativas à estrutura de capital das PMEs analisadas tendem a orientar-se de acordo com os pressupostos da Teoria Pecking Order.

No entanto, é importante referir que as PMEs da amostra podem não ser representativas das PMEs portuguesas em geral. De facto, ao incluirmos na análise apenas empresas que já realizaram IDE, podemos estar a considerar PMEs com caraterísticas muito particulares, que as dotam de uma especificidade enquanto PMEs. Daí ser surpreendente o facto de, mesmo dispondo de particularidades que, à partida, as poderiam configurar como clientes bancárias apetecíveis e credíveis, estas empresas

se encontrarem tão dependentes do financiamento próprio na realização dos seus projetos de investimento, não aproveitando o seu possível poder negocial para com a Banca.

Em contrapartida, esta aparente relutância das PMEs portuguesas no recurso a financiamento alheio não encontra correspondência na disponibilidade para abrir o capital social a novos acionistas. De facto, os empresários não se mostram dispostos a ceder parcelas de controlo na administração como o preço a pagar para a realização de IDE. Esta questão surge, também, associada à falta de incentivos fiscais, na esfera privada, para que efetivamente os empresários deem esse passo.

Ainda assim, e segundo as PMEs analisadas, o recurso a financiamento bancário no país de origem das PMEs poderá ser constrangido pela natureza das exigências de colateral/contragarantias e pela natureza restrita do património das PMEs. O recurso a financiamento bancário no país de destino do IDE parece estar constrangido essencialmente pelas contragarantias excessivas exigidas por tais Bancos e pelas elevadas taxas de juro aplicadas. Estes resultados sugerem, então, que as exigências de colateral são percecionadas pelas PMEs como mecanismos substitutos nos esforços de monitorização, por parte da Banca, desses projetos de investimento das PMEs clientes, o que lhes poderá dificultar a obtenção de crédito.

Os resultados obtidos apontam ainda para alguma variabilidade nos critérios de análise de crédito da Banca para projetos de IDE das PMEs portuguesas. Foram, também, registados alguns hiatos relevantes no que toca à possibilidade de alinhamento das perceções das PMEs portuguesas e da Banca relativamente a esse processo. Os aspetos mais sensíveis versaram a concetualização do colateral/contragarantias na monitorização dos projetos, a existência de um processo de análise de crédito standard ou costumizado (em específico, a eventual importância atribuída às caraterísticas dos administradores das PMEs) e a relevância da parte do crédito coberta por capitais próprios da PME cliente. Este último aspeto, segundo a perceção dos funcionários bancários inquiridos, será sensível na possibilidade dinamização da relação de financiamento entre tais partes. Por outro lado, maior convergência foi observada na relevância das considerações relativas à estrutura financeira da empresa cliente (comprovando a Proposição 5) e à qualidade do plano de negócio. Relativamente à Proposição 6, a relevância da localização geográfica do destino do IDE provou-se apenas suplementar, comparativamente aos aspetos acima referidos.

Não foi registado um consenso quanto à relevância da dimensão da empresa no processo de análise de crédito da Banca para projetos de IDE, não se conseguindo dispor de informação que permita

concluir acerca da Proposição 3. Mais relevantes serão as caraterísticas do projeto de investimento, prevalecendo maiores barreiras financeiras quando este consiste em IDE, conforme a Proposição 4. À semelhança da abertura do capital social da empresa a novos acionistas, o recurso a capital de risco parece surgir, na perceção das PMEs, como última opção de financiamento para o desenvolvimento de projetos de IDE. Esta será uma via ainda desconhecida, por isso pouco utilizada, sendo a principal barreira (na perceção das PMEs analisadas) o elevado retorno exigido por esses parceiros financeiros, face ao reduzido nível de risco que estarão dispostos a aceitar.

Por parte das PMEs, verifica-se uma perceção generalizada das fraquezas do sistema financeiro português, pois reportaram uma certa inadaptação da Banca perante as reais necessidades deste segmento de negócio e o seu contexto de atividade internacional. Todavia, os funcionários bancários revelaram, em geral, uma capacidade de resposta relativamente eficiente, por parte da Banca, às necessidades das PMEs, estando conscientes da necessidade de constante evolução desse processo. Esta situação demonstra a existência de um grau de conhecimento entre as partes ainda pouco desenvolvido. A conjugação das perceções de ambos os agentes sugere que a Banca poderá, ainda, não estar a conseguir uma ação eficiente na cadeia de negócio das PMEs, pois o seu potencial não estará, porventura, a conseguir ser explorado a níveis eficientes.

Foi obtida evidência que sugere a existência de falhas no mercado para o financiamento dos projetos de IDE das PMEs portuguesas. Os retornos voláteis associados a tais projetos, os problemas de assimetria de informação que caraterizam a relação PMEs-Credores, bem como a tradicional questão da proteção da propriedade pessoal por parte dos empresários portugueses são apontados como possíveis motivos. As maiores dificuldades à dinamização eficiente de tal mercado prendem-se com aspetos informacionais, dado um ainda insuficiente intercâmbio de informação entre as partes, bem como uma relativa impreparação das equipas de gestão das PMEs, que faz com que, mesmo que existam instrumentos financeiros alternativos, estas se considerem dependentes da Banca tradicional no acesso a financiamento alheio. No entanto, verifica-se que, dada a hipotética preferência pelo financiamento interno e a disponibilidade de meios na empresa para tal, não transparece que as dificuldades de obtenção (e o custo) do financiamento bancário formem um sério entrave à expansão internacional das PMEs portuguesas via IDE, nem que tenham impacto negativo no seu crescimento, pois, mesmo que existam tais entraves, a disponibilidade de fundos internos parece supri-los.

A par destas considerações, parece, também, depreender-se a possível existência de outros aspetos, além do financeiro, potencialmente mais relevantes como barreiras na implementação dos projetos de

IDE das PMEs. Estas conclusões decorrem da peculiaridade da amostra de PMEs (especificamente no que concerne à sua maturidade e equilíbrio financeiro), o que se traduziu na não perceção de impactos significativos das hipotéticas falhas no mercado de capital na sua atividade, sobretudo internacional. Comparativamente à realidade belga, aparenta, entre os dois países, haver maior convergência no que toca à realidade empresarial. Contudo, regista-se uma variabilidade no que concerne à configuração e dinâmica dos sistemas financeiros, observando-se no conhecimento e na relevância do capital de risco um claro exemplo. Este aspeto poderá ter influenciado a diferença entre os resultados obtidos nas duas investigações.