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Conforme mencionamos, ao movimentar-se pelas redes da Internet, o usuário percorre links e regiões de sentido. O hipertexto oferece uma multiplicidade de caminhos a seguir, e o leitor, exercendo um papel ativo, faz as suas escolhas, inserindo informações novas. Ele desfruta, portanto, de uma oportunidade diferente daquela que se apresenta a um leitor de texto impresso.

Reforçamos que o hipertexto traz em si uma multiplicidade de caminhos a seguir, portanto não oferece apenas a possibilidade de uma leitura linear. Nele, o leitor constrói seu percurso de leitura por meio de buscas, descobertas e escolhas que irão levá-lo à produção de um sentido possível, entre muitos outros. Em outras palavras, no hipertexto, a multiplicidade de leituras é característica de sua existência: sua estrutura flexível e não-linear favorece buscas divergentes e o trilhar de caminhos diversos. Nessa leitura, a conexão múltipla entre blocos de significado constitui o elemento dominante, em virtude do fato de que, como ressalta Elias (2005), a tecnologia de programação

característica da máquina (html) torna o princípio de conectividade, por assim dizer, natural, desimpedido, imediato e sem problemas de tempo e distância.

Segundo Marcuschi (2000), o leitor hipertextual move-se de um bloco de texto a outro, rapidamente e não sequencialmente; cabe a ele escolher os links a serem percorridos, por isso ele possui certa liberdade de escolha. Dizemos “certa”, pois é o produtor do hipertexto quem decide disponibilizar ou não os links com outros hipertextos afins. Esse produtor produz uma série de previsões para ligações possíveis entre segmentos, que se tornam opções de escolha para os hipernavegadores. Nesse contexto, dificilmente haverá dois leitores que seguirão o mesmo percurso de leitura.

O teórico explica que, com o hipertexto, altera-se a noção de autor e leitor e surge a noção de uma autoria coletiva ou de uma espécie de coautoria. A leitura torna-se simultaneamente uma escritura, já que o leitor, ao determinar o conteúdo dos textos e fragmentos lidos, pode determinar a existência de uma versão textual bem diferente daquela imaginada pelo autor do hipertexto. Em outros termos, o leitor determina não apenas a ordem de leitura, mas também o conteúdo a ser lido. Ele não escreve o texto no sentido tradicional, mas determina o formato da versão final desse texto. Dessa forma, é quase impossível dois hipertextos idênticos.

Na leitura hipertextual, o hipernavegador faz do seu interesse pessoal o norte de seus caminhos, associando ideias e fazendo escolhas, produzindo uma navegação com um toque pessoal. A ele cabe também a tarefa de produzir a coerência entre as informações que percorre. Perceber o que é relevante vai depender muito das suas habilidades para seguir as pistas que lhe são oferecidas. Nesse processo, ele precisa ter sempre em mente o tópico tratado no hipertexto, o objetivo da leitura e o problema a ser resolvido. É necessário, então, buscar no hipertexto as informações, as opiniões, os argumentos relevantes para o alcance dos objetivos estabelecidos pelo hiperleitor.

de ler, escutar e olhar tudo simultaneamente, que está sempre em estado de prontidão, “conectando-se entre os nós e nexos, num roteiro multilinear, multissequencial e labiríntico que ele próprio ajudou a construir ao interagir com os nós entre palavras, imagens, documentação, músicas, vídeos etc.”.

No intuito de delinear o perfil cognitivo dos leitores imersivos, a autora aponta para três categorias de usuários da Internet, com base na aplicação de questionários e entrevistas a 45 informantes, todos com escolaridade acima do Ensino Médio:

 o novato: não é familiarizado com as tecnologias digitais, portanto, para ele, tudo é novidade;

 o leigo: não é um grande conhecedor da tecnologia, mas já domina algumas ferramentas;

 o experto: é familiarizado com o computador e com a web e navega sem encontrar obstáculos.

Após analisar as categorias acima, Santaella apresenta os seguintes perfis de leitores do meio virtual:

 leitor errante: corresponde ao usuário novato, que explora, de forma insegura, um campo de possibilidades abertas. “Sua experiência é típica de um explorador. Sem começo, meio e fim claramente definidos, a navegação é uma aventura. É a navegação em si mesma que lhe dá prazer, muito mais do que a chegada a um alvo pretendido” (SANTAELLA, 2004, p. 102). Ele não tem medo de errar e tenta adivinhar o que deve fazer. Esse tipo de leitor ganha confiança com as adivinhações bem-sucedidas e transforma-se em leitor-detetive;

 leitor detetive: corresponde ao usuário leigo, que aprende com a experiência e transforma a dificuldade em estratégia e adaptação. É fundamentalmente um experimentador, que perscruta as alternativas, dando atenção aos detalhes, testando-as como um legítimo investigador.

Ele procura desvendar estratégias rumo a um desenlace, alimentado pela confiança de que, passo a passo, vencerá os desafios que podem surgir em sua navegação;

 leitor previdente: corresponde ao usuário experto, que possui raciocínio dedutivo, conhecimento e estratégias para uma boa navegação, capaz de antecipar as consequências de cada um de seus procedimentos, porque já internalizou os procedimentos de operacionalização na rede. A sua navegação, via de regra, segue um percurso previsível, rotineiro e automático. Acreditamos que esse leitor também é proficiente em textos impressos, já que possui grande facilidade de raciocínio e conhecimento de estratégias leitoras.

Santaella (2004) afirma que o leitor imersivo possui características próprias e defende que o hiperleitor ideal é aquele que traz em si características dos três perfis mencionados. Contudo, ela enfatiza que a predominância de um perfil ou de outro dependerá muito dos objetivos estabelecidos para a leitura, bem como da capacidade do leitor de fazer escolhas e, por fim, de sua proficiência leitora. Acreditamos que o leitor que possui facilidade para compreender melhor textos impressos, estipular objetivos e organizar sua leitura nesse tipo de texto terá mais facilidade na leitura de textos virtuais, desde que possua familiaridade com esse suporte.