10 7 1) “Quando as palavras são difíceis ou não fazem sentido no texto”;
7 10 2) “Nem sempre existem palavras que conhecemos e nos confundimos com muita informação junta”;
4 3) “Existem informações estranhas, nada a ver com que procuro”;
3 4) “Não sei se as informações são todas verdadeiras, e apresenta opiniões diferentes em alguns sites”;
4 5)“Me distraio com outras coisas”.
3 6)“É que na Internet um texto leva a outro e não consigo entender”
1 7) “O olho de vez em quando cansa mais quando está lendo na tela do computador”;
Verificamos, assim, que a maior parte dos alunos [68%] que forneceram as respostas 1 e 2, disse ter dificuldade com o léxico e com a quantidade de informação. Quanto ao léxico, essa dificuldade também é comum no texto impresso. No entanto, apesar de apresentarem dificuldade com o significado das palavras, na pergunta 28D grande parte dos alunos [49%] afirma que costumam utilizar o dicionário. Na pergunta 2, os alunos têm consciência das dificuldades que o hipertexto pode oferecer devido ao imenso oceano de informação. Eles sentem o estranhamento em relação à organização hipertextual da informação na Internet.
Os alunos das respostas 3 e 4 [14%] nos mostram que os alunos têm consciência de que nem sempre as informações podem ser verdadeiras. No entanto, como apontamos na questão 9D em que 38% do 9º ano respondeu que não verifica se o site é confiável, mostra que muitos não utilizam estratégias para solucionar tal dificuldade. Entendemos que a Escola precisa estimular o desenvolvimento dessas estratégias.
Os alunos que forneceram a resposta 5 [15%] percebem o aspecto dispersivo da Internet e do hipertexto. Dessa forma, acreditamos que o estabelecimento de objetivos e roteiros de leitura, podem auxiliar o aluno nessa dificuldade. A resposta 6 correspondente a 6% dos alunos nos faz pensar que eles percebem que o hipertexto possui uma estrutura que pode causar dificuldades de leitura, como a organização reticular, conforme apontou Levy (1999) (1999). A resposta 7 [2%] é uma dificuldade física. A resposta 8 [1%] apresentada por um aluno não ficou clara para nós. Acreditamos que ele se sinta perdido no meio das informações.
Pudemos observar a partir das respostas apresentadas que muitas vezes os alunos são conscientes que podem encontrar algumas dificuldades para ler os hipertextos, no entanto, nem sempre ativam as estratégias de leitura que possam amenizar eventuais dificuldades.
Conforme explicitamos em vários momentos neste trabalho, tanto a leitura de textos impressos quanto a leitura de hipertextos exigem do leitor algumas estratégias cognitivas e metacognitivas. Rouet e Levonen (1996) reforçam que o que parece estar dentro de um consenso geral é que a leitura de hipertextos é diferente, ao menos em alguns aspectos, da leitura de textos impressos, pois requer habilidades e estratégias de leitura específicas para o meio digital. Entendemos que essas habilidades devem ser desenvolvidas na Escola para que nossos alunos atinjam a proficiência leitora também nos hipertextos.
Nesse capítulo, procuramos responder nosso objetivo principal, investigando as estratégias de leitura utilizadas por nossos alunos em momentos de pesquisas escolares. Após análises feitas, percebemos que a Escola pode contribuir para que nosso aluno se torne letrado também na leitura de hipertextos. Relembrando que Foucambert (1994) afirma que a escola deve criar eventos de letramento que possibilitem a aprendizagem dos aspectos discursivos de leitura, de modo a tornar os alunos cidadãos mais críticos. Dessa forma, não basta saber usar a tecnologia de acesso a eles. O leitor precisa ser capaz de construir significado e posicionar-se diante do que lê. Tais habilidades devem ser consideradas em aulas de leitura.
4. 3. Discussão de resultados
Nesta seção, fazemos uma discussão dos resultados da pesquisa, propondo- nos a refletir sobre as considerações feitas com base nas respostas obtidas na aplicação do questionário utilizado. Temos consciência de que, apesar do nosso insistente pedido para que os alunos fossem sinceros nas respostas, nem sempre as respostas estão de acordo com o que realmente acontece quando eles pesquisam. Apesar dessa limitação que o questionário nos impõe, as respostas nos forneceram dados importantes para nossas reflexões.
Primeiramente, observamos os dados que condizem com as estratégias referentes ao momento anterior à leitura. De modo geral, observamos que os alunos utilizam algumas estratégias também utilizadas na leitura do texto impresso, outras específicas para a leitura de hipertextos; no entanto, algumas estratégias ainda não são constantes na sua prática de leitura em todos os momentos: antes, durante e após a leitura.
Inicialmente, sobre as estratégias utilizadas antes da leitura, notamos que muitos alunos estipulam objetivos que devem ser atingidos. É de senso comum entre os autores da perspectiva sociocognitiva-interacionista que essa estratégia é fundamental para todo o percurso de leitura, pois são os objetivos que guiam o leitor nas suas escolhas. Por outro lado, os alunos não organizam nenhum roteiro de leitura que possa guiá-los. Também observamos que eles nem sempre têm consciência da formulação de hipóteses sobre a leitura que farão. Entendemos que tais práticas podem ser estimuladas durante as atividades pedagógicas na leitura de textos impressos, assim como na leitura de hipertextos.
Lembramos que duas perguntas nortearam nossa pesquisa. A primeira delas foi: quais os caminhos que os alunos percorrem na leitura hipertextual realizada para o desenvolvimento de um trabalho de pesquisa? Pensando nessa questão, também procuramos responder a essa pergunta em alguns momentos do questionário, inclusive antes da leitura dos hipertextos. Constatamos que os
estudantes procuram um site de busca que os leva para a leitura do tema a ser pesquisado.
Em outro momento, durante a leitura, questionamos sobre a quantidade de sites que eles pesquisam, e suas respostas limitaram-se a 2 ou 3. Percebemos que o número de sites consultados pode não ser suficiente para uma pesquisa consistente. No entanto, ainda são jovens leitores, e estão em processo de formação da competência leitora em desenvolvimento na escola. Notamos, ainda, que muitos escolhem o primeiro site que encontram para sua leitura e não verificam se as informações são confiáveis.
A estratégia skimming proposta por Nuttall (1996) para a leitura de textos impressos foi observada entre as estratégias utilizadas pelos alunos, pois eles rolam a barra de rolagem para observar o conteúdo geral do hipertexto. Eles procuram ler alguns trechos da homepage e notam as outras mídias, porém, nem sempre observam todo o conteúdo da homepage como também possuem dificuldade de concentração durante a leitura, em muitos momentos, inclusive quando retornam à homepage. No entanto, mesmo perdendo a concentração, nem sempre voltam a ler o texto.
Embora entendamos que o leitor tem a liberdade de escolher o seu percurso de leitura, sabemos que ele necessita ter consciência de que essas escolhas influenciam suas pesquisas e que conteúdos não observados por decisão ou desatenção podem constituir um prejuízo significativo para seus objetivos.
Outro ponto a observar foi sobre suas escolhas lexicais. Ao clicar em hiperlinks que apresentam palavras parecidas ao seu tema, os alunos contribuem para a compreensão da sua própria leitura, pois segundo Koch (2009), os hiperlinks, amarram informações por meio de palavras-chave, geralmente pertencentes a um mesmo campo semântico. Foi uma ocorrência comum também entre as respostas que eles nem sempre clicam em palavras desconhecidas. Acreditamos que tal escolha é uma estratégia utilizada por eles para não se perderem no campo semântica da pesquisa.
Notamos que os alunos que participaram deste estudo possuem o hábito de fazer registros durante e depois da leitura, em programas como o Word. Tal estratégia pode fazer o aluno compreender melhor o texto lido e deve ser orientada nas práticas de leitura escolares. No entanto, nossa preocupação é que essas anotações limitem-se apenas à cópia, pois eles admitem que copiam alguns trechos, e não parafraseiam o que leram, nem durante e nem após a leitura. Dessa forma, entendemos que, ao apenas reproduzirem o que autor escreveu, não estão produzindo conhecimento para seu crescimento pessoal. Acreditamos que essa consciência necessita ser considerada na escola.
Sobre algumas práticas leitoras, também constatamos que eles não costumam imprimir os textos para a leitura nem durante e nem depois da leitura, o que nos leva a pensar que, realmente, nosso aluno é “leitor de tela”. Outras duas práticas observadas referem-se à leitura em voz alta e à consulta de dicionários. Verificamos que muitos têm o hábito de utilizarem a primeira prática citada na leitura de textos impressos e também muitos a aplicam durante a leitura dos textos em tela. Por outro lado, sabemos que, na leitura de textos impressos, não é comum o uso do dicionário, e isso também não acontece na leitura dos hipertextos. Entendemos, contudo, que qualquer prática que facilite a compreensão textual deve ser estimulada durante as atividades de leitura.
Também nos chamou atenção o fato de os alunos terem consciência de que ficam atentos em certos trechos dos textos lidos durante sua pesquisa. Essa estratégia é defendida por autores como Kato (2007), Serra e Oller (2003) e Goodman (1990), porque, ao fazer escolhas do que é relevante para ele, o leitor não se sobrecarrega com informações não importantes. Consideramos também a importância de relacionar o conteúdo lido com o conhecimento prévio. Muitos alunos possuem essa consciência de que relacionam conteúdos, porém, muitos não se dão conta disso. Portanto, essa estratégia que, muitas vezes acontece de forma inconsciente, também pode ser estimulada na escola.
No momento de pós-leitura, também observamos alguns dados relevantes para nossa pesquisa. Alguns deles já consideramos nessa discussão quando interpretamos questões em comum que foram aplicadas durante e após a
leitura. Neste momento, observamos outras estratégias de leitura como, por exemplo, a anotação do site pesquisado, que nem sempre é hábito entre os alunos.
Chamou-nos também a atenção as respostas sobre a estratégia de relembrar as informações lidas. A maioria dos alunos disse que costuma fazer isso, entretanto, para o projeto da escola, eles fazem uma apresentação oral. Diante disso, entendemos que eles apontaram essa estratégia devido a essa prática exigida pelo projeto. Observamos, por meio de nossa experiência como professora, que, em muitas pesquisas, eles não lançam mão dessa estratégia tão importante para a construção do conhecimento.
Após a leitura, também notamos que muitos alunos verificam se atingiram os objetivos propostos, mas também nesse caso pudemos verificar que há uma parcela significativa que não atenta para isso. Para nós, na escola, os alunos devem ser conscientizados que leem por um objetivo e a prática de verificar se conseguiram atingir esses objetivos pode ajudá-los a criar autonomia. Dessa forma, questionar seu próprio conhecimento e modificar suas estratégias de leitura são procedimentos importantes para realmente alcançarem os objetivos que propuseram.
Por fim, identificamos a visão que possuem sobre a leitura de hipertextos comparada à visão sobre a leitura de textos impressos. O que pudemos perceber é que muitos alunos acreditam que a leitura no mundo virtual é mais fácil, o que nos fez refletir que nem sempre eles têm consciência das dificuldades que podem enfrentar em leitura hipertextual. No entanto, notamos também que muitos alunos apontam dificuldades que possuem na leitura percorrida para suas pesquisas, devido à estrutura e às características do hipertexto.
Ao analisar os dados coletados, portanto, percebemos que, apesar de os alunos questionados apresentarem um bom desempenho referente à leitura, na avaliação do SARESP, eles estão em processo de formação leitora, e podem
pôr em prática as estratégias de leitura que possibilitam amenizar tais dificuldades. Entendemos, desse modo, que a escola precisa estar atenta para sempre aprimorar a competência leitora dos estudantes em todos os gêneros textuais. Essa atenção também deve existir na leitura dos hipertextos.
Sabemos que a Escola deseja formar leitores capazes de compreender criticamente os textos que leem para que atuem de forma autônoma na sociedade. Isso não é diferente na leitura dos hipertextos. Também nesse universo, os alunos precisam atingir a leitura que vá muito além da decodificação. No entanto, estrutura do hipertexto somada a quase instantaneidade da passagem de um nó a outro, pode fazer com o leitor se perca diante de tantas possibilidades, exigindo um leitor capaz de lançar mão de estratégias para que consiga atingir os objetivos propostos por ele antes da leitura. Pensando nisso, o presente estudo pretendeu investigar quais as estratégias utilizadas por alunos durante a leitura dos hipertextos para realizarem atividades de pesquisa.
À medida que novas tecnologias vão surgindo, não só surgem novos suportes de leitura, como também novos desafios que têm grande impacto na habilidade do indivíduo compreender o que lê. A constatação dessa realidade nos leva a reflexão se a Escola está correspondendo a esse desafio. É inevitável que a Escola sofra influências que demandam por mudanças, já que o aluno de hoje está em constante contato com leituras ligadas à tecnologia.
Sabendo disso, é necessário reconhecer que cada gênero textual, inclusive os advindos do meio tecnológico, exige diferentes conhecimentos para a construção de sentidos durante o ato de ler. Portanto, a leitura mobiliza conhecimentos linguísticos, enciclopédicos e interacionais como aponta Koch (2009). Como também, entendemos que o hipertexto, assim como o texto impresso, exigem estratégias específicas de leitura devido à sua estrutura.
Consideramos que essa estrutura do hipertexto pode levar o leitor a se perder diante de tantas possibilidades de percursos a serem seguidos, exigindo que ele lance mão de estratégias que o levem a alcançar os objetivos propostos antes da leitura. Nesta pesquisa, lidamos especificamente com as estratégias utilizadas por alunos dos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental durante a leitura de hipertextos, em atividades de pesquisa, de uma escola da rede municipal da cidade de Dois Córregos, no interior do Estado de São Paulo.
Duas perguntas nortearam este nosso estudo. A primeira delas relacionava-se aos caminhos que os alunos percorrem na leitura hipertextual realizada para o desenvolvimento de um trabalho de pesquisa. Já a segunda se referia às estratégias empregadas pelos alunos na leitura de hipertextos. Trata-se de questões de pesquisa que nos permitiram alcançar o objetivo definido, isto é, verificar quais as estratégias utilizadas pelos alunos durante a leitura de hipertextos para selecionarem informações em atividades de pesquisa.
Nosso aparato teórico foram os estudos de autores ligados à perspectiva sociocognitivo-interacional para o tratamento da leitura (principalmente Kleiman, Koch, Marcuschi e Solé), bem como os trabalhos de estudiosos do hipertexto
(tais como Levy, Marcuschi, Santaella, entre outros). Com base nos estudos de leitura de textos impressos, chegamos à estratégias de leitura que nos ajudaram a fazer o estudo sobre leitura de hipertexto. que podem contribuir para o universo acadêmico, já que ainda são poucos os trabalhos existentes relacionados a esse tema.
Esta investigação, de caráter exploratório-descritivo, foi realizada por meio da utilização do instrumento de pesquisa questionário, que foi aplicado aos alunos selecionados. Elaboramos e utilizamos dois questionários.
O primeiro valeu-nos para identificar o perfil dos alunos a serem investigados, já que o total de alunos das turmas existentes era de 108, entre o 8º e 9º anos. O caráter inicial desse questionário se justifica, pois precisávamos definir os alunos que possuíam, em casa, internet banda larga e acessavam à rede constantemente para atividades de pesquisa. Já o segundo, composto de 43 perguntas, foi respondido por 84 alunos que se adequaram ao perfil proposto.
Os dados obtidos nos permitiram verificar que os alunos utilizam algumas estratégias na leitura dos hipertextos que também são constantes na leitura de textos impressos. Entre elas, observamos que estabelecem objetivos, utilizam estratégias de seleção, levantam hipóteses, ativam o conhecimento prévio, consultam o dicionário e fazem registros sobre o que leram.
Mas também observamos que os alunos compreendem, muitas vezes, atividades de pesquisa como mera cópia de trechos, o que não faz com que eles se apropriem do conhecimento importante para a sua formação como cidadão atuante na sociedade.
Verificamos, ainda, que algumas estratégias utilizadas pelos alunos informantes são próprias do meio virtual, como clicar em outros links, observar outras mídias presentes na página, retornar ao texto de origem e rolar a barra de rolagem.
para facilitar a construção de sentidos na leitura do hipertexto. São exemplos a estratégia de organização de um roteiro de leitura e a de retomada de alguns trechos ou de links, sempre que necessário, em razão de a leitura do hipertexto envolver a navegação em links, nós organizados reticularmente, que podem levar o leitor a se perder ou a se dispersar, dada a imensa quantidade de informações encontradas na rede.
Notamos que muitos alunos entendem que encontram dificuldades para lerem os hipertexto, no entanto, nem sempre conseguem mobilizar estratégias de leitura que façam que superem tais dificuldades. Por outro lado, constatamos, com base nas respostas apresentadas, que nem sempre os discentes têm consciência das dificuldades que podem enfrentar na compreensão da leitura hipertextual. Sendo assim, podem não utilizar estratégias metacognitivas que são imprescindíveis para atingirem os objetivos que propuseram antes da leitura.
Sabemos que a leitura de hipertextos é uma prática constante para os alunos, principalmente em atividades de pesquisa propostas pela escola. Portanto, entendemos que reconhecer as estratégias de leitura utilizadas por eles nessas atividades deve ser parte do trabalho docente, pois somente assim nós, professores, poderemos desenvolver práticas voltadas para a formação de leitores autônomos, capazes de compreender e opinar diante de qualquer gênero textual.
Acreditamos que as descrições dos resultados obtidos e as reflexões sobre eles que aqui apresentamos podem vir a contribuir como subsídios para trabalhos futuros que visem ao desenvolvimento de estratégias para a leitura de hipertexto, em atividades pedagógicas. Isso poderá representar um importante auxílio ao trabalho do professor para a formação de leitores autônomos, que tenham consciência da importância de estratégias adequadas a variadas situações de leitura na sociedade contemporânea, na qual o texto virtual, o hipertexto, tem exercido um papel de destaque.