• No results found

Aumento y difusión de conocimiento sobre la prevención de la corrupción

3. La implementación del artículo 6: implicaciones para las políticas públicas

3.4. Aumento y difusión de conocimiento sobre la prevención de la corrupción

Com o propósito de investigar as práticas sócio-educativas que ocorrem entre adultos cuidadores e crianças abrigadas, não podia deixar de empreender também um estudo investigativo sobre práticas educativas que ocorrem em abrigos, considerando-o como um espaço de convivência familiar.

- Que sentido pode ser atribuído a “práticas educativas”? Parti, então, desse primeiro questionamento.

O termo ‘prática’ vem do grego praktikós; do latim ‘practicus’, segundo Abbagnano 52; esse termo nos dá o significado do que é a ação ou diz respeito à ação. Três significados são a ele atribuídos: 1º o que dirige a ação; 2º o que pode traduzir-se em ação; 3º o que é racional na ação”.

Das diferenças dos três significados, Abbagnano explica que o primeiro é “o significado filosófico tradicional”, cuja referência é de que prática é o que dirige a ação, apresentando características de ciência. Este significado prevalece até hoje no uso filosófico do termo e tem sido discutido entre filósofos ao longo da história. No segundo significado, “práticapertence à linguagem comum, mais que à filosófica”. Diz respeito a “tudo aquilo que é fácil ou imediatamente traduzível em ação, no sentido, por exemplo, de produzir sucesso ou proporcionar vantagem”. Neste sentido, uma ideia é chamada de prática porque pode ser concretizada e levar ao sucesso.

O terceiro significado “é o maisrestrito e foi empregado por Kant” justifica o autor, que entende por prática “tudo o que é possível por meio da liberdade”. São poucos os adeptos deste conceito, enquanto filosófico.

O que se abstrai do (s) significado (s) de ‘prática’ é que é uma ação ‘pensada’, é um agir a partir de um pensar reflexivo, seja em caráter mais ou

menos imediato, empregada pelo senso comum, pelo filosófico, e, como tal, um caminho de possibilidade(s).

O Dicionário Aurélio atribui ao termo vários e distintos significados, desde: 1- ato ou efeito de praticar. 2. Uso, experiência, exercício. 3. Rotina, hábito. 4. Saber provindo da experiência, técnica. 5. Aplicação da teoria. 6. Discurso rápido; conversação (...)”(p. 1125). Do latim, praticare, significa, agir, ‘tratar com as gentes’. Assim, a prática é um ato, uma ação experienciada entre seres humanos.

O sentido da prática enquanto ação, experienciada “no meio de outros homens, nos aporta às reflexões de Arendt desenvolvidas no início deste capítulo: como ação, é um ato de ‘mediação’, que se experiência no co-existir dos homens.

Se prática é, essencialmente, uma ação entre os homens, vejamos com o termo “educação:

Educação”, do grego

παιδεια,

do latim educatio. Em geral, designa-se ao termo “a transmissão e o aprendizado das técnicas culturais53 (...), mediante as quais um grupo de homens é capaz de satisfazer as suas necessidades, proteger- se contra a hostilidade do mundo físico e biológico e trabalhar em conjunto” (...). Abbagnano (Dicionário da Filosofia, pp. 305/306). atribui ao conjunto dessas técnicas como cultura: “uma sociedade humana não pode sobreviver se sua cultura não é transmitida de geração a geração”

Pelo exposto até aqui, subentende-se que o sentido dos termos ‘prática’ e ‘educação’, correspondem a ações que, tanto garantem ao homem a sobrevivência de suas experiências sócio-culturais, como a abertura a novas experiências, ao novo, em seu processo de humanização, no convívio com outros homens.

Minhas investigações caminharam a um novo percurso metodológico, centrando-me em trabalhos desenvolvidos sobre práticas educativas. Encontrei pesquisas bastante enriquecedoras e que ampliaram minha visão sobre as práticas que ocorrem tanto no contexto familiar, como em abrigos. Nesse

processo, verifiquei que são poucos os autores que se embasam na fenomenologia; geralmente, consideram diversos focos de interesses investigativos e percursos metodológicos.

Sobre práticas educativas familiares, citam-se os estudos de Montandon (2005), Ceconello (2003), Szymanski (2006), entre outros.

Montandon dedica-se a examinar como essas práticas (voltadas à educação parental) têm sido analisadas nas Ciências Sociais e introduz um ponto essencial a essa temática: o ponto de vista das crianças. Nesse processo, utilizam-se estudos de campo e de casos como postura metodológica, nos quais, a experiência da autonomia é valorizada entre as crianças, como processo de socialização. Destacou também alguns autores preocupados em classificar ‘estilos’ e ‘tipologias’ de atitudes nas relações entre pais e filhos, mas esses estudos não apontaram qual seria a melhor atitude que os pais devem assumir na educação dos filhos.

Cecconello (e col.), no artigo Práticas educativas, estilos parentais e Abuso Físico no Contexto Familiar, desenvolve uma análise dos fatores potenciais de proteção ou de risco para o abuso físico, que ilustram na relação entre pais e filhos, uma típica situação na qual existe uma concentração de poder na figura dos pais. Fundamenta-se na Teoria dos Sistemas Ecológicos54de Bronfenbrenner (1979/1996). Como Montandon, Cecconello trabalha com a questão da autonomia da criança no período de sua formação e desenvolvimento no ambiente familiar, adotando, também, as tipologias de atitudes’’ de Baumrind, (1966, 1997) e reformuladas por Maccoby e Martins55 (1983): Situação de ‘poder’; autenticidade; afetividade; responsividade; autoridade; coerção entre pais e filhos, são parâmetros discutidos no estudo.

54 Esta teoria, segundo a autora, considera a família como o primeiro ambiente (microssistema) do qual a

criança participa ativamente. Interagindo primeiramente com a mãe, aos poucos as relações vão se expandindo dentro do grupo familiar. Neste, a criança deverá desenvolver o senso de “permanência” e “ estabilidade”, a partir dos quais se estabelecerá três características relacionais: a reciprocidade, o equilíbrio de poder e o afeto.

55 Esses autores desmembraram os modelos de estilos parentais em: ‘autoritativo, autoritário, indulgente e

De certa forma, esses estudos demonstraram existir diferentes ‘formas de cuidar’ no relacionamento entre pais e filhos, tema discutido anteriormente e embasado nos aportes de Critelli.

Entre outras conclusões, Cecconello destaca que o determinante mais significativo para a prática abusiva é que pais severos vivenciaram punição quando crianças; o que confirmaria a existência do “ciclo da violência”56. Porém, este pode ser rompido pela existência de fatores mediadores como a rede de apoio familiar e social, a manutenção de relacionamentos amorosos e estáveis que venham a fornecer apoio e bem estar emocional aos seus componentes, a presença da coesão no compartilhamento de atividades e do diálogo, além de outras situações.

Estes estudos adquirem significação, considerando-se que muitas das crianças abrigadas, são encaminhadas a abrigos por questões de práticas abusivas ou de abandono – considerado como ato de violência - por parte de seus próprios pais biológicos. Fatores mediadores de apoio familiar e social são extremamente necessários para tais situações.

Os estudos de Szymanski (2006), Práticas Educativas Familiares e o Sentido da Constituição Identitária, de bases fenomenológicas, confirmam a existência do “ciclo da violência” no relacionamento entre pais e filhos. Fundamentada em autores mais recentes como Daggett, O’Brien, Zanolli e Peyton (2000), aponta: “mães com experiência de pais violentos que, com atitudes negativas em relação à sua própria vida e infância, também tendiam a tê-las em relação aos filhos, levando-as a ações controladoras, agressivas e até mesmo hostis”.

Os resultados de suas pesquisas revelaram que o sentido socializador que não somente pais biológicos, como cuidadores atribuíam às práticas dirigia-se para formar pessoas dóceis à ordem autoritária, recorrendo a práticas disciplinares violentas.

56 Este ciclo é explicado na Teoria de Aprendizagem Social ,desenvolvida por Bandura (1976): “pessoas

A contribuição de seus estudos repousa, singularmente, no sentido atribuído a praticas educativas. Para a autora, estas se concretizam em ações que revelam:

“inúmeros sentidos conforme os pais ou os cuidadores (grifo meu) compreendem sua condição socializadora e interpretam as reações dos filhos expressas verbal e não verbalmente. Subjaz às atitudes, o modo de ser do adulto com a criança, sua visão de mundo, suas crenças e valores; isto é: da leitura que o adulto faz do mundo podem explicar ou justificar as escolhas disciplinares ou educativas, em suas tarefas socializadoras” (idem).

Estará o leitor se perguntando: “que sentido têm esses estudos ao foco de minhas investigações?

Eles têm sentido e muito, eu diria. Embora casas de acolhimento tenham o caráter de provisoriedade, não deverão oferecer, segundo a legislação vigente, um ambiente o mais próximo possível, do familiar e que promova o bem estar e o desenvolvimento da criança? Um ambiente que tenha a presença de adultos como referenciais? Tal tarefa não significa que (as casa de acolhimento) devam apenas sustentar-se em bases assistencialistas, mas, se pretende educacional.

Até o momento em que realizei a pesquisa, me questionava sobre os motivos do abrigamento. Apontando-se a existência do ‘ciclo da violência’, o questionamento: afastar crianças dos pais biológicos não seria também um ato de violência?

Tal caminhar incitou-me a investigar os estudos que abordam sobre práticas sócio-educativas no interior de abrigos:

2.4 – PRÁTICAS SÓCIO-EDUCATIVAS ENTRE ADULTOS CUIDADORES E