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5 Analyse

5.2 Augmented Dickey-Fuller test på individuelle tidsserier

É muito difícil classificar a realidade das paróquias no Brasil, porém se podem identificar desafios comuns. Em si, a paróquia está unida a outras paróquias da diocese. Ao mesmo tempo, ela está inserida na sociedade, recebendo e oferecendo influências. “É falsa, portanto, a concepção de paróquia como sendo um todo em si mesmo, formando quase uma

comunidade autônoma” (CCNP 28).

No Brasil encontram-se paróquias que não assumiram a renovação proposta pelo Concílio. Falta-lhes um plano pastoral em sintonia com um plano diocesano e a evangelização fica reduzida à catequese de crianças, sem os processos de uma autêntica iniciação cristã.393 Toda a vida da paróquia fica concentrada no pároco, e a evangelização fica restrita apenas ao fortalecimento da fé daqueles que procuram a paróquia (CCNP 29).

Todavia, muitas comunidades e paróquias do País vivenciam experiências de profunda conversão pastoral. São comunidades que se preocupam com a evangelização, e a catequese ocorre como processo de iniciação à vida cristã. A liturgia é viva e participativa, há animação bíblica da pastoral, envolvimento e atuação por parte da juventude, dos ministérios exercidos por leigos, além da existência e atuação dos Conselhos Comunitários, do Conselho Paroquial de Pastoral e do Conselho de Assuntos Econômicos. As pessoas que participam dessas comunidades têm vínculos comunitários. Há interesse e empenho na busca dos afastados, e o que se percebe é que seus membros desenvolvem uma pastoral de comunhão e participação. Porém, com toda essa riqueza, nem sempre atingem a maior parte das pessoas de sua jurisdição, em vista da extensão territorial (CCNP 29-30). “Ainda lhes falta ampliar a ação evangelizadora, através de pequenas comunidades que, juntas, formariam uma única comunidade paroquial” (CCNP 30).

392 BRUSTOLIN, L. A. La conversión pastoral de la parroquia. Rivista Lateranum, Roma: Lateran University

Press, v. LXXX, p. 26, 2014/1.

393 “A iniciação cristã constitui um processo em vista de um encontro cada vez maior com o Filho de Deus (DA

289). Este processo se inicia por um encontro inicial com o Mestre de Nazaré através do anúncio salvífico (querigma) e da ação missionária da comunidade, o qual segue a resposta correspondente na mudança de vida (conversão) que se desenvolve gradativamente ao longo do discipulado, alimentado pela catequese e pelos sacramentos. Naturalmente, todo esse processo acontece na comunidade e deveria propiciar uma autêntica experiência eclesial, fortalecida pelo empenho apostólico (missão) do cristão” (DA 280). (MIRANDA, M. F. Conjuntura eclesial e Sínodo para uma nova evangelização. Revista Eclesiástica

Mas o grande desafio das paróquias é sair em missão, ou seja, deixar a rotina e sair ao encontro das pessoas. A Evangelii Gaudium anima a superar a mesmice: “A pastoral em chave

missionária exige o abandono deste cômodo critério pastoral: ‘fez-se sempre assim’” (EG 33).

O Papa Francisco convida “todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os

objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas paróquias” (EG 33). Continua o papa: “é preciso fomentar a mística do discípulo missionário, capaz de promover a paróquia missionária”. Porque “o que derruba as estruturas caducas, o que leva a mudar os corações dos cristãos é, justamente, a missionariedade”.394

O concílio provocou mudança no modo de a Igreja se entender; de uma Igreja preocupada em definir a si mesma e em firmar seu ser e essência, passou a uma Igreja capaz de olhar o mundo, perguntando pelos desafios do mesmo. Uma Igreja capaz de valorizar a atividade humana (GS 3) valorizando suas conquistas, respeitando sua autonomia, uma Igreja capaz de dar nomes às realidades do mundo, compreendendo que, a partir delas é que poderia levar a diante sua missão evangelizadora. Tornaram-se objetos de reflexão, mediante diferentes mediações, a economia, a política, a educação, o social, os problemas humanos, entre outras realidades, sem as quais o Reino de Deus não poderia viabializar-se e se concretizar.

A centralidade da história e o considerá-la como lugar da revelação divina “em atos e palavras intrinsicamente conexos entre si” (DV 2) mudaram o horizonte epistemológico da teologia e da pastoral. Não se podia continuar apelando somente para a autoridade como avalista da verdade. Foi necessário aceitar com decisão e coragem uma visão encarnada da revelação e que, para falar razoavelmente das realidades divinas, são necessárias mediações. Por isso, uma teologia da história e uma prática pastoral que partam do “ver” a realidade foram consequências lógicas dessa mudança epistemológica.395

O compromisso com a realidade humana não significou um olhar unidimensional; pelo contrário, a justa autonomia das realidades terrestres abriu caminho para uma recíproca fecundação que continua sendo um desafio até hoje. E não podia ser de outra maneira ao proclamar o concílio a autonomia da consciência retamente formada, o respeito às suas livres decisões e a urgente necessidade de proclamar os direitos humanos, como forma de garantir a dignidade de toda pessoa (GS 41).

Mais ainda: reconhecendo que para solucionar os problemas humanos é indispensável a contribuição das ciências, pois elas auxiliam na construção de valores “da verdade, da

394 PAPA FRANCISCO. Mensagens e homilias. Jornada Mundial da Juventude, p. 89-90.

395 CARO, O. C. V. A 50 anos do Vaticano II: luzes e desafios. Revista Eclesiástica Brasileira, Petrópolis:

bondade, beleza e juízos de valor universal” (GS 57). Consequentemente, foi legitimada a

autonomia da cultura, das ciências e de seus respectivos métodos. (GS 59). Também os leigos foram convidados a ter uma formação teológica adequada, para que pudessem contribuir com suas respostas à solução dos desafios do momento presente (GS 62). Em relação ao compromisso político, o Vaticano II afirmou a legitima diversidade e pluralidade de opções políticas e promoveu sua aceitação e tolerância, buscando garantir o bem comum. (GS 75).

Foi, porém, a centralidade dos pobres, assinalada no Vaticano II (GS 1, 63, 66, 69, 88, 90; LG 8, 38, 41; AG 5, 12; PC 13), que impulsionou decisivamente o caminhar da Igreja latino-americana e caribenha, manifestada nas conferências episcopais, especialmente a de Medellín e a de Puebla.396 Impulso esse confirmado na conferência em Aparecida, quando se afirmou que a “opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica” (DA 392), opção que foi destaque no Sínodo dos Bispos (2012) e ponto de referência na pauta da exortação apostólica Evangelii Gaudium (2013).

“Nuclearmente, tudo se centra, ontem como hoje, no modo como a Igreja vê a sua

relação com o mundo contemporâneo e seus contornos sociais e culturais, com a história

humana e suas evoluções”.397