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Au pair and mother

Paulo Freire nasceu em Recife, Pernambuco, no dia 19 de setembro de 1921. Seu pai, Themístocles Freire, nasceu em Natal e sua mãe, Edeltrudes Neves Freire, em Recife. Da união dos dois, nasceram quatro filhos, tendo sido Paulo o último deles.

Seu pai, militar de carreira, aproveitou os caminhos criados pelo governo da época para uma súbita ascensão na hierarquia do Exército. Foi, assim, promovido a tenente e logo após transferiu-se a capitão na Polícia Militar. Por questões de saúde, foi reformado em 1924, vindo a falecer em 1934, quando Paulo tinha treze anos de idade.

De acordo com os registros de sua mãe e do próprio Paulo Freire, apesar de ter iniciado seus estudos com D. Amália, foi posteriormente, com a professora Eunice Vasconcelos, que Paulo desenvolveu seus primeiros escritos completos,

suas primeiras sentenças inteiras. A respeito dessa experiência, ele destaca que seu processo de alfabetização foi interessante e repleto de motivação, pois a mestra utilizava palavras e situações de seu cotidiano, de sua experiência diária de vida.

Mas Freire também destaca que foi alfabetizado em sua própria casa e relembra os tempos em que o pai e a mãe o ensinavam na varanda de casa, com gravetos, escrevendo na terra que estava em sua volta.

À época desses primeiros estudos, o pai, já reformado, não conseguia sustentar as despesas mínimas de sobrevivência da casa e, por conta das dificuldades econômicas, a família perde a casa onde Paulo Freire nascera, vendo- se ainda obrigada a mudar-se para Jaboatão. Em muitos relatos, aparece com destaque a dificuldade de todos em aceitar a diferença de nível de vida familiar a partir de então, pois o padrão decai de classe média a um outro muito pobre, em uma “cidade do interior”.

Foi “nessa cidade do interior” - em Jaboatão - que Freire finalizou a chamada escola primária, após freqüentar, por algum tempo, o grupo Escolar Matias de Albuquerque, em Recife.

No entanto, foi na capital pernambucana que continuou seus estudos no nível secundário, pois não existiam, em sua cidade, escolas oferecendo esse nível de ensino, que só em 1930 passou a ser estabelecido e regulamentado pelo governo brasileiro.

Os estudos de Nível Médio, apesar de tê-los iniciado no colégio francês Chateaubriand, foram finalizados no Colégio Oswaldo Cruz, de propriedade de Aluízio Pessoa de Araújo. Nesse educandário, cuja importância nesse período de sua vida Freire sempre destacou, ele realizou os estudos secundários, de 1937 a 1942.

Em seguida, Paulo Freire optou pela Faculdade de Direito do Recife. Não só por seu desejo, enquanto ser humano, de poder contribuir para um mundo melhor, mas também porque não existia então o curso superior de formação de professor secundário. Essa oferta restringia-se apenas à capital do país naquela época, o Rio de Janeiro. Além disso, muitos optavam por Direito, pois, além de ser um curso que diziam ser muito “humanista”, ainda possibilitava o aprofundamento na Língua Portuguesa, o que impulsionou ainda mais o professor Paulo Freire.

Durante o período em que cursou a Faculdade de Direito, Paulo Freire lutou para destituir a ditadura vigente em nosso país e a decadência econômica que há dois séculos assolava o nordeste brasileiro. Formou-se em 1947, ainda em plena ditadura de Vargas, uma época difícil e chamada de “época de redemocratização do Brasil”.

Apesar de sua formação, Paulo Freire nunca chegou a exercer o ofício de advogado. Segundo suas próprias palavras, algumas situações fizeram com que mudasse de idéia em relação à profissão que seguiria. No entanto, sempre afirmou que, mesmo se não tivesse escolhido essa profissão, ele a consideraria fundamental, desde que pautada na ética e no respeito ao ser humano.

Sua carreira como educador iniciou-se na própria escola em que fez o curso do Ginásio. Após um período como “auxiliar” de disciplina, passou a lecionar Língua Portuguesa na mesma instituição. Depois, com seu jeito de ser, foi sendo contratado por outras instituições do Recife.

Após esse período, Paulo Freire foi trabalhar no SESI, órgão criado pela confederação das indústrias. Aí conheceu um público de jovens e adultos, com necessidades educacionais e sociais específicas. Iniciou como assistente de divisão e foi alcançando a diretoria, sendo, posteriormente, recomendado para estar à disposição do órgão nacional, não apenas em virtude de sua experiência e conhecimento, mas também da necessidade do país na época. A exoneração desse cargo só aconteceu um longo tempo depois, quando Freire já se encontrava exilado no Chile.

Uma série de trabalhos importantes de que Paulo Freire participou de maneira relevante e direta poderiam ser enumerados aqui, mas entendemos não ser de imediato nosso objetivo. Contudo, merece destaque sua participação no MCP6,

pois ela é fundamental para a compreensão de sua conduta e postura educativa: sua atuação nesse movimento foi muito importante para o país e para sua contribuição como teórico e pensador da educação.

O Movimento de Cultura Popular iniciou-se, segundo alguns autores, com a criação da Sociedade de Arte Moderna do Recife. O próprio Paulo Freire, em Cartas

a Cristina (p. 142), destaca que o movimento se originou da vontade de alguns

      

intelectuais e políticos, comprometidos com o desejo de uma sociedade mais justa e voltada para a completa formação do ser humano. Um de seus objetivos principais era proporcionar a homens e mulheres do Nordeste maior integração em um processo real de libertação política, social e econômica. E, de fato, entre muitas realizações, o movimento criou escolas, centros de artes plásticas etc.

Durante o período em que Paulo Freire se dedicou ao movimento, trabalhou intensamente na alfabetização de adultos, criando, inclusive, um método que se tornou muito conhecido no Brasil e no exterior.

E foi justamente no espaço público do Movimento de Cultura Popular que Paulo Freire testou seu método. Reconhecidamente uma experiência rica em sua formação de educador, a ela pode ser associada a experiência de Angicos, no Rio Grande do Norte, que também colaborou para que ele ficasse ainda mais conhecido.

Nessa oportunidade, a pedido do próprio governo, no sentido de acabar com os altos níveis de analfabetismo, o educador iniciou seu trabalho mais específico em alfabetização, com uma taxa de 75% de adultos analfabetos na cidade de Angicos.

Com efeito, na medida em que os primeiros alunos que fizeram parte dessa experiência foram alfabetizados em poucos dias, algumas pessoas começaram a dizer que o método reduzia-se a ser um “Método de alfabetização em 40 horas”. Apesar da real eficiência e rapidez de resultados, Paulo Freire jamais o definiu como “método em 40 horas”.

Em 1963, Paulo Freire foi convidado pelo Ministro Paulo de Tarso a realizar um programa nacional de alfabetização (PNA), que ficou responsável pela alfabetização/conscientização de adultos por todo o Brasil. Tal programa foi revogado após o Golpe de Estado de 1º de abril de 1964, tendo sido determinada a recolha de materiais do projeto, e este, deixado a cargo do Ministério da Educação.

Com o resultado político e social que se anunciava após o Golpe e também por motivos médicos, Paulo Freire afastou-se do cargo em que estava. Perseguido pelo governo militar por acreditar na libertação das classes populares em relação ao papel que desempenhavam no mundo, teve que seguir e permanecer no exílio por mais de quinze anos. Nem mesmo para assistir ao enterro de sua mãe, Paulo Freire foi autorizado a voltar ao país.

Seu exílio passou-se na Bolívia, Chile, Estados Unidos, Suíça e África do Sul. Durante todo o tempo em que ficou fora, escreveu textos e livros, participou de muitos debates e conferências sobre educação, contribuiu com projetos de educação nos países em que viveu, além de lecionar em importantes universidades. Recebeu mais de 20 títulos de Doutor Honoris Causa, escreveu livros de autoria exclusivamente sua e, em muitos, dialogou com diversos autores. Além disso, teve seus livros publicados em diversas línguas.

Poderíamos aqui destacar muitas páginas sobre sua vida, mas nossa intenção é outra: refletir sobre suas idéias sobre educação e a formação do ser humano, estabelecer relações entre elas e as tecnologias de informação e comunicação e, além disso, abrir espaço para a discussão dos seus aspectos mais relevantes.

3.2 PAULO FREIRE E SUA EXPERIÊNCIA NA SECRETARIA MUNICIPAL DA