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Attitudes, perception and the choice for a healthcare system

CHAPTER 4 43

4.2 Review of relevant literature

4.2.2 Attitudes, perception and the choice for a healthcare system

A partir dos dados coletados, por meio das entrevistas, no universo pesquisado, foi possível analisar o sofrimento psíquico patogênico acarretado pelo Estresse Ocupacional, identificando seus agentes estressores, sintomas e as doenças acarretadas nos sujeitos, como demonstra o gráfico a seguir

Gráfico 4

Os principais aspectos relacionados ao Estresse Ocupacional:

Fonte: Elaborado pela autora.

Foi possível identificar, na amostra estudada, que em relação aos 15 Psicólogos Clínicos entrevistados somente 12 relataram terem acompanhado sujeitos com queixa de Estresse Ocupacional, sendo possível constatar a presença do Stress nos ambientes organizacionais e sua relação com o sofrimento psíquico patogênico, uma vez que os sujeitos necessitaram buscar uma ajuda especializada. Flach et al (2009, p.199),

“salienta a importância de procurar auxílio profissional em situações de estresse ou conflitos para que o estado emocional não interfira em outras áreas do trabalho.”

De acordo com os 12 profissionais, foram constatados casos de sujeitos estressados com o trabalho, por meio de diversos agentes estressores, apresentando um sofrimento psíquico patogênico intenso, podendo ser verificada a presença tanto de doenças como de sintomas físicos e psíquicos perturbadores do equilíbrio da mente e do corpo, interferindo na relação entre sujeito e trabalho.

No gráfico seguinte, são demonstrados os resultados coletados referentes aos agentes estressores que se apresentaram interligados aos gêneros masculino e feminino.

Gráfico 5

Os agentes estressores e sua relação com os gêneros

Fonte: Elaborado pela autora.

Os agentes estressores presentes no âmbito do trabalho, relacionados ao Estresse Ocupacional, que acometeram ambos os gêneros (masculino e feminino) foram identificados como: pressão intensa, carga-horária excessiva, sobrecarga física, cobrança intensa, aposentadoria, sobrecarga de volume de trabalho, desvio de função e relacionamento com a chefia.

Relacionados apenas ao gênero feminino, encontraram-se, como agentes estressores, a instabilidade e a desvalorização profissional, a falta de demanda de trabalho, o assédio sexual, o atendimento ao público, a demissão, a sobrecarga emocional, o clima organizacional, o relacionamento interpessoal.

Comparados ao gênero masculino, se apresentaram mais predominantes nas mulheres, podendo ser associado ao fato destas estarem atribuídas a um maior número de funções, responsabilidades e tarefas, em decorrência da sua entrada nos ambientes INSATISFAÇÃO FINANCEIRA

INSATISFAÇÃO COM O TRABALHO LUTO ASSÉDIO MORAL FALTA DE RECONHECIMENTO FALTA DE PERSPECTIVA DE CRESCIMENTO INSTABILIDADE e DESVALORIZAÇÃO PROFISSIONAL

FALTA DE DEMANDA DE TRABALHO ASSÉDIO SEXUAL ATENDIMENTO AO PÚBLICO DEMISSÃO SOBRECARGA EMOCIONAL CLIMA ORGANIZACIONAL RELACIONAMENTO INTERPESSOAL PRESSÃO INTENSA

CARGA HORÁRIA EXCESSIVA SOBRECARGA FÍSICA COBRANÇA INTENSA APOSENTADORIA

SOBRECARGA DE VOLUME DE TRABALHO DESVIO DE FUNÇÃO

RELACIONAMENTO COM A CHEFIA

MULHERES

HOMENS

organizacionais e das mudanças socioculturais acarretadas, principalmente, nesta era globalizada, sendo possível considerá-las mais vulneráveis ao Estresse Ocupacional. Na literatura, tal fato é apontado por Sadir; Bignotto; Lipp (2010, p.78) na seguinte citação:

“[..] devido a um número crescente de mulheres incorporado à população ativa e ocupando postos de trabalhos tradicionalmente desempenhados pelos homens aumenta a necessidade de analisar a influência do gênero [...] stress no trabalho, por serem expostas a muitas fontes estressoras.”

Os agentes estressores descritos com relação ao gênero masculino foram a insatisfação financeira e com o trabalho, o luto, o assédio moral, a falta de reconhecimento e de expectativa de crescimento.

A literatura, ainda, confirmando os dados coletados, aponta diferenças entre os gêneros frente à suscetibilidade ao Stress, ao relatarem, Sadir; Bignotto; Lipp (2010, p.75), que “as mulheres, no ambiente de trabalho, geralmente, apresentam maior Stress

se comparadas aos homens”.

Rinaldi (2007) apud Sadir; Bignotto; Lipp (2010, p.78) confirma estes dados ao afirmar que “tanto em países emergentes quanto em países desenvolvidos as mulheres

geralmente apresentam maior Stress, se comparadas aos homens.”

Levi (1999) apud Sadir; Bignotto; Lipp (2010, p.79) completa os autores acima citados ao relatar que “[...] a combinação entre ser mulher e ter excesso de trabalho, uma situação econômica menos favorecida [...], faz com que as mulheres apresentem

um maior nível de stress do que os homens”.

Já os dados referentes aos sintomas decorrentes do Estresse Ocupacional são confirmados por meio da literatura, através de Balassiano et al (2011, p. 757), ao citarem que o Estresse Ocupacional pode se encontrar relacionado a sintomas como, por exemplo, “distúrbios do sono, dificuldade de manter a atenção e fastio.”

Rossetti et al (2008, p.110) segue nesta perspectiva ao considerar que o Stress resulta em “[...] cansaço mental, dificuldade de concentração e perda de memória

[...].” Além de ressaltar que, devido à dificuldade do sujeito de resistir ou adaptar-se ao

agente estressor, doenças podem surgir.

Paschoal e Tamayo (2004, p.51) ampliam as afirmativas dos autores acima, ao mencionarem que “a literatura tem apontado frequentemente os efeitos negativos do

estresse, tanto para a saúde e o bem-estar individual quanto para a efetividade

organizacional.”

Conforme demonstrado no gráfico a seguir, os sintomas relacionados ao gênero masculino, neste estudo, foram insônia, dificuldade de alimentação, aumento da agressividade e dos sintomas obsessivos. Em contrapartida, no gênero feminino foram relatadas a angústia, a rouquidão, a queda de cabelo e a tensão maxilar e acometendo ambos os gêneros, os principais sintomas encontrados foram perda de memória e a fadiga intensa.

Gráfico 6

Sintomas x Estresse Ocupacional

Fonte: Elaborado pela autora.

Mota; Tanure; Neto (2008), concordam com Rossetti et al (2008), ao afirmarem que o Stress, quando em excesso e de forma crônica excessivo, pode acarretar problemas de saúde.

Os gráficos, a seguir, demonstram quais doenças foram verificadas na coleta dos dados, separando-as de acordo com os gêneros acometidos por cada uma destas.

SINTOMAS STRESS HOMENS SINTOMAS OBSESSIVOS INSÔNIA PERDA DE MEMÓRIA DIFICULDADE ALIMENTAR AUMENTO DA AGRESSIVIDADE FADIGA INTENSA MULHERES ROUQUIDÃO ANGÚSTIA TENSÃO NO MAXILAR PERDA DE MEMÓRIA QUEDA DE CABELO FADIGA INTENSA

Gráficos 7 e 8

Doenças x Estresse Ocupacional

DOENÇAS PRESENTES EM AMBOS OS SEXOS

Fonte: Elaborado pela autora

A pesquisa apontou doenças relacionadas ao Estresse Ocupacional. Algumas se apresentaram presentes em ambos os gêneros, sendo a Depressão, a Hipertensão Arterial e os Transtornos de Pânico e de Ansiedade. Outras, porém, apresentaram-se

MULHERES DEPRESSÃO TRANSTORNO DO PÂNICO TRANSTORNO DE ANSIEDADE HIPERTENSÃO ARTERIAL COMPULSÃO AO ÁLCOOL TOC AVC PORFIRIA TRANSTORNO ALIMENTAR GASTRITE

HOMENS

DEPRESSÃO TRANSTORNO DO PÂNICO TRANSTORNO DE ANSIEDADE HIPERTENSÃO ARTERIAL TRANSTORNO DISSOCIATIVO ARRITMIA CARDÍACA DISFUNÇÃO SEXUAL DIABETE

relacionadas somente ao gênero masculino, que foram a Disfunção Sexual, a Diabete, a Arritmia Cardíaca e o Transtorno Dissociativo.

As que se apresentaram relacionadas somente ao gênero feminino, foram a Gastrite, os Transtornos Alimentar e Obsessivo-Compulsivo, o AVC (Acidente Vascular Cerebral), a Porfiria e a Compulsão ao Álcool.

Tanto os sintomas como as doenças relacionadas ao Stress podem ser considerados como consequências dos agentes estressores. Tal suposição é confirmada por Paschoal e Tamayo (2004, p.48) quando relatam que “variáveis como problemas gastrointestinais, disfunções cardíacas, insônia, insatisfação no trabalho [...] ansiedade e irritação, por exemplo, têm sido apontados como consequências de estressores organizacionais”.

Em relação aos tipos de Organizações, o Estresse Ocupacional apresentou-se mais frequente nas empresas de médio porte e, predominantemente, nas organizações públicas, sobrepondo-se às empresas de grande e pequeno porte, às organizações militares e às ONGs, em decorrência do grande número e presença contínua dos agentes estressores, provavelmente pela forma que se dá a sua estruturação do trabalho.

Os trabalhadores autônomos, mesmo sem estarem vinculados aos ambientes organizacionais, também, demonstraram-se relativamente estressados.

Assim, conforme os dados coletados, os agentes estressores se mostraram presentes em distintos tipos de organizações de trabalho, razão que, segundo Couto (1987) diverge de autores como Selye (1965) e Lipp (2000) ao propor a nomenclatura de agentes agressivos e não agentes estressores quando se encontram relacionados ao ambiente de trabalho por considerá-los mais críticos, uma vez que não há como evitá- los.

Quanto à faixa-etária acometida pelo Estresse Ocupacional e seus agentes estressores, a análise dos dados demonstrou que sua incidência abrangeu os indivíduos entre 20 e 60 anos, não sendo verificados achados significativos em relação aos gêneros.

As faixas etárias nas quais o Estresse Ocupacional apresentou-se mais frequente estabeleceram-se entre 23 e 55 anos, o que pode ser atribuído ao fato de ser, nesse período, que os sujeitos adquirem maiores responsabilidades por assumirem novos papéis através do casamento, independência financeira, constituição de família, etc.

Vale ressaltar que estes dados tornam-se relevantes ao demonstrarem que o surgimento do Stress relacionou-se ao período que os sujeitos adentram ao mercado de trabalho, permanecendo presente até a faixa etária dos 65 anos, idade limite para sua

aposentadoria. Foi possível verificar que o Estresse Ocupacional apresentou-se relacionado ao afastamento temporário do trabalhador e/ou sua incapacitação permanente para o trabalho, tendo sido verificado a ocorrência de elevado sofrimento psíquico patogênico nos sujeitos presente nos ambientes organizacionais.

Sadir e Lipp (2009) consideram necessário identificar quais são as fontes estressoras presentes no ambiente organizacional para que seja possível impedir que estas interfiram no bem-estar e no desempenho individual.

Assim, de acordo com a demonstração dos dados coletados neste estudo, verificou-se que o Estresse Ocupacional, por meio dos agentes estressores, é capaz de interferir em diversos aspectos relacionados aos sujeitos, acarretando consequências negativas tanto para estes como para os ambientes organizacionais, uma vez que, de acordo com Sadir e Lipp (2009, p. 115), “o Stress na sociedade preocupa devido as suas consequências para a saúde, qualidade de vida em nível pessoal e [...] para as empresas e para a sociedade”.