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CHAPTER 5: STUDY FINDINGS

5.4 Attitude toward unsafe sex and teenage pregnancy

consideramos cada fragmento como parte de um recipiente independente, podendo assim os fragmentos decorados ser analisados no seu total, como que uma outra amostra (diferente do NMI) de entre o universo cerâmico recuperado.

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1993a, p.132; SENNA-MARTINEZ, 1993c, p.118), para a qual contribui a presença de fragmentos de um possível caldeirão em bronze (SENNA-MARTINEZ et al., 1993a, p.131) e a semelhança com as amostras das estruturas de combustão referidas e com o nosso conjunto; (2) ou um espaço doméstico de habitação temporária ou de função económica complementar ao CSR, apoiado pela lareira, restos de fauna e recipientes de olaria grosseira com marcas de fuligem (IBIDEM, p.132). A ser um espaço doméstico,

considerando a quase ausência de grandes vasos de armazenagem (Formas 41 e 42) e o predomínio de cerâmica fina, o seu conjunto seria um «(…) “conjunto funcional” representando actividades distintas das praticadas nos dois ambientes estudados de CSR (…)» (SENNA-MARTINEZ, 1993c, p.118).

Sem mais evidências será difícil perceber qual das hipóteses se aplica ao abrigo, no entanto, no que concerne às amostras das estruturas de combustão [57/58 e 110], somos levados a considerar as duas hipóteses como simbióticas, ou seja, é possível estarmos perante conjuntos em contexto de actividades económicas – metalurgia, torrefacção de bolota – às quais é atribuído um cariz ritual. Como foi possível verificar através do mundo funerário destas comunidades, o fogo tem um papel simbólico que poderá aqui ser associado também às estruturas de combustão usadas nessas actividades. Nesse sentido, mais relevantes serão o caso da “fornalha” e do nosso conjunto onde se acrescenta o cariz ritual do próprio acto de produção metalúrgica.

A ideia de que o trabalho metalúrgico seria uma actividade ritualizada vem da transformação “mágica” da matéria-prima que resulta em objectos simbólicos de alto valor político-social que terminam com a sua deposição votiva – tal como nos ilustra a deposição de um machado nas fundações do murete Sul da “cabana” – e com a sua representação em estelas. Pouco sabemos sobre os protagonistas desta actividade, sobre as suas crenças, rituais e ciclos; se seriam itinerantes ou sedentários; que estatuto teriam na sociedade. Ficamos sempre com a ideia, no entanto, de que as comunidades do Bronze Final seriam animistas e que, como tal, os metalurgistas seriam figuras “místicas”, de destaque social e talvez religioso, pois os conhecimentos e experiencia necessários para esta actividade distinguia os indivíduos com essa capacidade, “poder mágico”, dos restantes. Seriam, portanto, artesãos especialistas que eventualmente trabalhariam apenas para as elites, caso não fossem eles as próprias elites. Bettencourt (1999, p.1086) notou, na bacia do Cávado, que frequentemente os vasos de largo bordo horizontal apareciam em associação a zonas de refundição e produção de objectos metálicos e que a mesma

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tipologia de cerâmica se encontrava também frequentemente nos monumentos funerários do período. Segundo a autora (IBIDEM, p.1088) tal poderá indiciar um possível alto valor simbólico destes recipientes que poderiam estar associados aos metalurgistas o que, por sua vez, conferiria a estes um status diferente.

A implantação/estruturação da área de metalurgia poderá ajudar-nos também a compreender o significado desta actividade dentro do povoado. Tal como em COCB foram identificadas duas “fornalhas”, uma por cima da outra, o que demonstra que seria, afinal, usual (e natural, julgamos) substituir a certo momento a “fornalha” por uma nova. Procurámos perceber se à orientação da abertura da “fornalha” superior [57/58] se poderia associar qualquer ponto da paisagem. O único ponto relevante que conhecemos a Sudoeste, na linha de orientação da abertura, encontra-se a 6km de distância: as Minas do Círio, já referidas. A exploração do estanho durante a II Guerra Mundial poderá ser um indicativo da sua exploração em tempos antigos, podendo assim a abertura da fornalha estar orientada para a fonte da matéria-prima, numa lógica simbólica já apontada para os depósitos, onde há um retorno do metal à sua origem, fechando-se assim um ciclo (ALVES

eCOMENDADOR REY,2009, p.42-43).

A própria área de metalurgia tem uma implantação sugestiva. Tal com em CCOB, encontra-se no “coração” do povoado, mas ao mesmo tempo na periferia da elevação, junto ao declive. Sendo uma área rodeada de afloramentos, o campo de visão é dado essencialmente pelo lado do murete e, eventualmente, pela área por escavar a Oeste. Desta forma, olhando para a paisagem visível desde aquela área, existem alguns pontos que se destacam: uma vez mais as minas para SO; o vale da ribeira da Caniça a SE; e sensivelmente na mesma direcção, o ponto mais alto da Serra da Estrela. O vale da Caniça poderá eventualmente estar relacionado com a importância e simbologia da nascente e corrente de água onde eventualmente se poderiam fazer depósitos rituais; ou, mais provavelmente, com uma tradicional via de passagem e transumância. Essa via vai de encontro à Lagoa Comprida, ao lado da qual se encontra a Lagoa Escura que foi também alvo de exploração de estanho e volfrâmio no século passado, e ao ponto mais alto da Serra da Estrela que seria um ponto de destaque na paisagem e que permitiria a ligação aos caminhos que dariam acesso à Beira Interior e seus recursos, nomeadamente o cobre.

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ASERRA, AS ESTRELAS E O SOL: UMA INTERPRETAÇÃO

Várias são as lendas sobre a origem do nome da Serra da Estrela, mas todas se baseiam na ideia de um pastor do Vale do Mondego que observa uma estrela nascer sobre a grande serra no horizonte e decide tentar ir ao seu encontro. Tal encontra paralelo nos movimentos transumantes das comunidades neolíticas da mesma região que, segundo a investigação de Fábio Silva (2012; 2013), construíram os seus monumentos megalíticos orientados para o nascimento heliacal da estrela Aldebarã (e eventualmente a Betelgeuse) sobre a Serra da Estrela em finais de Abril/inícios de Maio. Procurámos saber mais precisamente em que zona do perfil da serra se daria esse nascimento da estrela e percebemos, com a confirmação dos cálculos de Fábio Silva, a quem agradecemos muito a disponibilidade em realizá-los e em cedê-los, que o Buraco da Moura de S. Romão e o seu povoado sobranceiro encontram-se exactamente na linha do nascimento da Aldebarã e ao centro do campo de visão da abertura dos monumentos megalíticos à altura da sua construção, como se pode ver no MAPA 5. Segundo o mesmo investigador, o percurso

mais curto entre, por exemplo, o dólmen dos Fiais da Telha (Carregal do Sal) e o ponto mais alto da Serra da Estrela segue a orientação da mesma estrela e passa pelo povoado aqui em estudo. Ora, em algumas das lendas, o pastor chegando ao cimo da serra ali se instalou (SILVA, 2015). Poderemos, por isso, imaginar que «(…) estas comunidades Neolíticas, após vários anos de transumância sazonal entre o baixo Mondego e a Serra onde ele nasce, ditada pelo nascimento heliacal da estrela Aldebarã, (…)» (SILVA, 2015, p.32) tenham acabado por se instalar na própria serra, neste caso, naquele preciso ponto que já seria conhecido e simbólico para aquelas comunidades – provavelmente começando com a pequena ocupação calcolítica de BMSR que vai evoluindo até, no Bronze Final, ocuparem o topo do cabeço.

Ao longo do tempo, como explica Silva (2012, p.108-109), a declinação da estrela foi-se alterando, pelo que por tempos do Bronze Final o seu nascimento heliacal já não seria o mesmo. No entanto, as lendas que nos chegaram até hoje são testemunho da forte carga simbólica daquele ponto na paisagem, pelo que nos parece natural que tal continuasse a ter algum peso nas comunidades do Bronze Final. Talvez por aí se possa explicar também os motivos solares exclusivos de CSR e BMSR. Não sabemos como se desenvolveria o nosso motivo D10, mas o exemplar de BMSR conta com um “sol” rodeado de motivos circulares concêntricos que poderão remontar para outros astros (estrelas?). Poderá este motivo reproduzir uma paisagem celeste nocturna onde, talvez,

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se destaque uma estrela em particular? Ou até representar a passagem da noite para o dia com o nascer do sol45? Estes símbolos solares já eram também recorrentemente usados

na arte megalítica da Beira Alta (SENNA-MARTINEZ et al., 1993a, p.130), inclusive nos mesmos monumentos megalíticos estudados por Fábio Silva (ex. Orca de Santo Tisco) e para os quais já havia sido anteriormente verificada uma orientação para o nascer do sol sobre a serra por volta do solstício de Inverno (SENNA-MARTINEZ, 1996; LÓPEZ PLAZA e

SENNA-MARTINEZ, 1998). Desta forma, talvez possamos associar a implantação do

povoado de CSR a esta tradicional sacralidade daquele ponto na paisagem e à observação dos astros celestes, reflectindo-se e mantendo-se na memória daquelas comunidades do Bronze Final através de um motivo decorativo que lhes é particular. Tal ideia não passa, contudo, de uma hipótese de trabalho a explorar mas que, dificilmente, poderemos alguma vez comprovar.

Ainda relativamente aos motivos solares, porém, é pertinente que o nosso exemplar surja então num contexto de cariz aparentemente ritual (como o de BMSR) cuja orientação/campo de visão seja o do nascer do Sol durante os meses de Inverno. O outro motivo solar de CSR referido por Jessica Reprezas (2010, p.49)46 deverá estar associado

a uma lareira o que por si só é também sugestivo da sua simbologia.

APROXIMAÇÃO ÀS FUNCIONALIDADES

Com esta contextualização podemos também tentar aproximarmo-nos mais das funcionalidades dos nossos recipientes. Naturalmente, caso as nossas U.E.s correspondam a uma “lixeira” geral do Sector, os seus recipientes terão diversas funcionalidades e serão o testemunho das mais variadas actividades domésticas sem que nos seja possível associá-los directamente aos seus contextos originais.