CHAPTER 2: LITERATURE REVIEW
2.8 Adolescent pregnancy and it’s contributing factors
(KALB,1994,p.417), sendo frequentes desde os inícios da Idade do Bronze (SENNA-MARTINEZ
e VENTURA, 2008, p.343). No entanto, este é um assunto que levanta ainda muitas questões pertinentes: serão mesmo reutilizações, parasitagens ou intrusões/violações (CRUZ e VILAÇA, 1999,p.79)? Significará isto uma continuidade da sacralidade daqueles lugares e do tipo de culto funerário ou um simples reaproveitamento ou redescoberta destes (KALB,1994,p.416)? E serão as cerâmicas e metais deixados nos dólmens indício de uma reutilização funerária ou apenas um depósito ritual (CRUZ eVILAÇA,1999,p.79)?
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datações radiocarbónicas apontam para o Bronze Inicial/Médio, o que veio contrariar a ideia de que a incineração só teria chegado ao extremo ocidente da Península Ibérica nos finais da Idade do Bronze, com a influência de comunidades exógenas como as dos “Campos de Urnas” (CRUZ et al.,1998a,p.392). Na necrópole do Paranho foi possível demonstrar que em cada cista preservada estava um individuo adulto cujo género foi impossível de determinar e que foi submetido a uma incineração realizada poucas horas ou dias após a sua morte, com temperaturas que rondavam os 400ºC/600ºC e que atingiam os 700ºC em algumas partes do corpo (SILVA eCUNHA,1997,p.117-118). Segundo Silva
e Cunha (1997, p.118) a incineração aconteceria num local próprio e próximo dos monumentos, sendo depois os restos ósseos e respectivos elementos de adorno recolhidos e depositados nas urnas ou directamente nas cistas. Porém, a maioria das vezes é difícil de perceber se os vestígios carbonosos são o resultado de uma cremação em que os ossos já se perderam por completo ou se são o resultado da queima ritual de produtos vegetais. Vilaça e Cruz (1999, p.155) acreditam que os cairns serviriam para depositar no seu centro os resíduos das incinerações, por isso, apesar de na maioria das vezes não se encontrar mais do que o espaço funerário e algum espólio nos monumentos, estes são considerados os locais de deposição dos mortos. No entanto, essa ausência de restos ósseos poderá também significar que muitas outras soluções se poderão ter aplicado aos corpos, inclusive deitar as cinzas ou corpos à agua, como sugere Domingos Cruz (1997, p.108) e que, portanto, esses monumentos serão cenotáfios, ou seja, estruturas erguidas em honra dos defuntos, testemunhos de um culto aos mortos e não de rituais fúnebres.
De qualquer forma, o fogo e a arte rupestre parecem ter um papel especial neste mundo funerário. As lajes insculturadas têm um caracter simbólico e ritual evidente que se estende tanto ao mundo dos mortos como ao dos vivos, sendo conhecida uma laje insculturada em Canedotes (VILAÇA e CRUZ, 1999, p.87-88). O caso da Travessa da
Lameira de Lobos, por exemplo, parece demonstrar toda uma encenação e ritualismo ligado ao culto dos mortos. A identificação de fragmentações in situ de recipientes cerâmicos em áreas concentradas no monumento vêm ainda ajudar à reconstrução hipotética de toda uma cerimónia funerária. Os Monumento 2 da necrópole do Rochão e 3 da Casinha Derribada contam também com uma laje insculturada, tendo sido esta última criteriosamente escolhida ou afeiçoada para que selasse por completo a fossa, e sobre a qual terá sido realizada uma pequena fogueira, talvez num ritual de libação (CRUZ,GOMES
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eCARVALHO,1998b,p.51-54). Estas lajes poderão ainda ser interpretadas como tabuleiros de jogos (IBIDEM,p.52).
Este mundo funerário é, assim, definido por uma diversidade de testemunhos que assentam em soluções fúnebres e tradições cultuais muito generalizadas. Essa diversidade poderá ter diversas razões: diferenças étnicas, culturais, económicas, sociais ou cronológicas (IBIDEM,p.51). Torna-se difícil perceber quais os factores mais influentes
quando as necrópoles surgem distantes dos povoados que se conhecem do Bronze Final ou quando as datações para os monumentos não vão de acordo com os momentos de ocupação desses povoados, embora os fragmentos cerâmicos remetam para esses mesmos sítios (IBIDEM,p.62-63; CRUZ eVILAÇA,1999, p.159). Estas necrópoles poderão estar
relacionadas com pequenos casais nas suas proximidades e poderão funcionar como um ponto de encontro, onde as várias comunidades se reúnem para cultos religiosos, funerários ou até mesmo políticos ou lúdico-sociais (CRUZ,GOMES eCARVALHO,1998b,
p.63). No entanto, segundo Cruz et al. (1998b, p.63; CRUZ, 2001, p.322) enquanto
necrópoles como a do Paranho, de sepulturas individuais em contexto colectivo, serão o reflexo de sociedades tribais organizadas, de unidades familiares, as grandes necrópoles de núcleos de cairns parecem ser o reflexo de uma individualidade que se generaliza no Bronze Final com a ascensão de elites.
A PROBLEMÁTICA DO COLAPSO
Os monumentos funerários datados do Bronze Final têm um terminus ante quem de finais do séc. IX a.C. ao mesmo tempo que os povoados parecem ter sido abandonados antes do final do século seguinte. Verifica-se, portanto, possível que ainda durante o séc. VIII a.C., se tenha assistido na Beira Alta ao colapso das sociedades do Grupo Baiões/Santa Luzia. A verdadeira razão desse colapso permanece uma questão em aberto. Sabe-se que em meados do séc. VI se verificou uma crise temporária no sistema de trocas de todo o Mediterrâneo relacionada com a queda de Tiro e a desvalorização do estanho (SENNA-MARTINEZ,2011,p.293). Acreditou-se durante algum tempo que o abandono dos
povoados tivesse sido o resultado desse forte declínio na circulação de metal (SENNA-
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Ana Bettencourt (1999,p.1233), por exemplo, propõem um esgotamento dos solos26,
o que juntamente com a alteração climática verificada na «(…) transição entre os períodos Sub-boreal e Sub-atlântico, substituindo o anterior clima quente e seco por um mais frio e húmido (LÓPEZ-SAEZ et al, 2009: 91; 97)» e o «aumento da pluviosidade e consequente erosão dos solos, (…) aliada a uma crescente desflorestação (Ibidem: 96), terão tido um enorme impacto na economia de comunidades cuja subsistência dependia da agricultura e pastorícia» (FERNANDES, 2013, p.124). Raquel Vilaça (2008,p.399)
acredita que as razões do colapso «(…) devem ser procuradas mais nas contradições internas dos sistemas gerados do que em quaisquer longínquos acontecimentos, como a queda de Tiro (…)» até porque «(…) o abandono ou destruição da maioria desses sítios parece ter ocorrido bem antes da conquista de Nabucodonosor». Já Senna-Martinez (2013a,p.181) relaciona-o com Santa Olaia e uma captação de escravos. Segundo o autor, os investimentos da colónia fenícia nos contactos com as comunidades interiores e ricas em estanho terão falhado visto que o caracter doméstico da produção metalúrgica da Beira Alta é um indicativo de que o metal explorado seria, na verdade, escasso (IDEM). Assim,
Senna-Martinez (IDEM) defende que Santa Olaia se tenha visto obrigada a recorrer à captação de escravos para se sustentar enquanto exploraria localmente o metal (ferro) – escravos que terá captado, directa ou indirectamente, entre as populações da Beira Alta, desestruturando-as. No entanto, cremos que as razões para o colapso dificilmente nos serão conhecidas/comprovadas sem que hajam mais investigações.
A ideia de abandono dos povoados vem do facto de a grande maioria dos sítios conhecidos não apresentarem uma continuidade de ocupação, alguns só voltando a ser ocupados, como é o caso do Castro de S. Romão, já no período romano. O Castelo dos Mouros parece ser o único com uma clara continuidade para a Idade do Ferro, altura em que a sua ocupação se intensifica (PEDRO,1995,p.48-49;ALMEIDA,2005,p.115), além
de Vila Cova-à-Coelheira que foi abandonado já após um momento de transição do Bronze Final para a Idade do Ferro (ALMEIDA,2005,p.116).
Poderá também ter existido uma continuidade nos castros de Santa Luzia e Senhora da Guia de Baiões onde alguns dos materiais poderão ser considerados como da Idade do