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- ATMOSFÆRISK KORROSJON OG MILJØ

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UTVEKSLING SOm. VIND 25m

FAKTAMATERIALE 6 - ATMOSFÆRISK KORROSJON OG MILJØ

Foucault (1969) concebe os discursos como uma dispersão, como sendo formados por elementos que não estão ligados por nenhum princípio de unidade. Cabe a Análise do Discurso descrever essa dispersão, a fim de compor e reger regras capazes de reger a formação dos discursos. Tais regras são chamadas por Foucault de “regras de formação”, pois determinam os elementos que compõem o discurso, a saber: os objetivos que aparecem, coexistem e se transformam em “espaço comum” discursivo; os diferentes tipos de enunciação que podem permear o discurso, os con- ceitos em suas formas de aparecimento e transformação em campo discursivo, rela- cionados em um sistema comum; os temas e teorias, o sistema de relação entre di- versas estratégias capazes de dar conta da formação discursiva, permitindo ou exclu- indo certos temas e teorias.

Essas regras que determinam a formação discursiva se apresentam sem- pre como sistema de relações entre objetos, tipos enunciativos, conceitos e estraté- gias. A partir do conceito de discurso como conjunto de enunciados que se remetem à mesma formação discursiva, o discurso é o conjunto de enunciados que tem seus princípios de regularidade na mesma formação discursiva; para Foucault, a análise de uma formação discursiva consistirá, então, na descrição dos enunciados que os com- põem. Para ele, enunciado não é o conjunto de frases, mas a unidade elementar, básica, que forma o discurso. Assim, o discurso passa a ser concebido como família de enunciados pertencentes à mesma formação discursiva.

Para Foucault (1969), o enunciado apresenta quatro características consti- tutivas:

A primeira diz respeito a relação do enunciado e seu correlato, chamado por ele de referencial. O referencial é aquilo que o enunciado manifesta, a condição

de possibilidade do aparecimento, diferenciação e desaparecimento dos objetos e re- lações que são designados em frases. Por sua condição de existência, o enunciado relaciona as unidades de signos que podem ser proposições ou frases com um domí- nio ou campo de objetos, podendo assim, permitir o aparecimento de conteúdos con- cretos no tempo e no espaço.

A segunda característica é a relação do enunciado e seu sujeito. Foucault critica a concepção de sujeito como fundadora da linguagem. Segundo ele, o sujeito fundador está encarregado de animar diretamente, “com seu modo de ver”, as formas vazias da língua e sua relação com o sentido concerne à ideia de o sujeito fundador dispor de signos, de marcas, de traços de letras, mas não tem a necessidade, para que haja sua manifestação, de estar presente na instância do discurso.

Foucault rompe, portanto, com a ideia de continuidade evidente e presente na história e instaura a nova visão que se vale da ruptura e da descontinuidade, cons- truindo-se uma série de mutações inaugurais nas quais não há lugar para projeto di- vino ou humano, pois a análise pautada na descontinuidade histórica não estabelece a referência a teologia ou a subjetividade fundadora, nem cabe a análise pautada na relação leitor e autor, descrevendo assim uma formulação como enunciado à finali- dade de compreender a intencionalidade autoral, ou no que ele não quis dizer, di- zendo, mas em determinar qual é a posição que pode e deve ocupar todo indivíduo, que o ocupará ao formular enunciado, evitando assim qualquer concepção unificante do sujeito.

O discurso não é atravessado pela unidade do sujeito, mas por sua disper- são decorrente das várias posições possíveis de serem assumidas por ele no dis- curso, “as diversas modalidades de enunciação em lugar de remeter à síntese ou à função unificante de um sujeito, manifestam sua dispersão” (FOUCAULT 1969: 69). Essa dispersão reflete a descontinuidade dos planos de onde fala o sujeito que pode, no interior do discurso, assumir diferentes estatutos. Esses planos “estão ligados por um sistema de relações, o qual não é estabelecido pela atividade sintética de uma consciência idêntica a si, muda ou prévia a qualquer palavra, mas pela especificidade de uma prática discursiva” (FOUCAULT 1969: 70)

Assim, o sujeito é visto como uma função vazia, um espaço a ser preen- chido por diferentes indivíduos que o ocuparão, e a concepção de discurso como um campo de regularidades, em que diversas posições de subjetividades podem se ma- nifestar, redimensiona o papel do sujeito no processo de organização da linguagem,

eliminando-o como fonte geradora de significações, não sendo, portanto, causa, ori- gem ou ponto de partida do fenômeno de articulação escrita ou oral de um enunciado, nem a fonte ordenadora, móvel e constante das operações de significação que os enunciados viriam manifestar na superfície do discurso.

A terceira característica diz respeito à existência de um domínio, de um “campo adjacente” ou “espaço colateral”, associado ao enunciado integrando-o ao conjunto de enunciados, já que, ao contrário da frase ou proposição, não existe enun- ciado isoladamente. Não existem, portanto, tipos de enunciados, mas sempre um enunciado fazendo parte de uma série ou de um conjunto, desempenhando papel no meio de outros, apoiando-se neles e se distinguindo deles: ele se integra sempre no jogo enunciativo.

A quarta característica constitutiva do enunciado é aquela que o faz emergir como objeto: refere-se à condição material e para caracterizar essa materialidade, Foucault distingue enunciado de enunciação. O enunciado se dá toda vez que alguém emite um conjunto de signos; enquanto a enunciação se marca pela singularidade, pois jamais se repete, o enunciado pode ser repetido. Em perspectiva hipotética, enunciações diferentes podem encerrar o mesmo enunciado. Todavia, como a repeti- ção de um enunciado depende de sua materialidade, que é de ordem institucional, depende de sua localização no campo institucional, pois uma frase dita no cotidiano, num romance ou inscrita em qualquer outro tipo de texto, jamais será o mesmo enun- ciado, pois, em cada um desses espaços, possui função enunciativa diferente e espe- cífica.

Foucault traz muitas contribuições para estabelecer diretrizes para a Aná- lise do Discurso, mas verificar como se concretizam essas diretrizes, ele deixou sob a responsabilidade dos linguistas e o faz por seu objetivo não se enquadrar na esfera discursiva.

Vemos assim, no cerne do discurso, concepções ligadas ao signo, às re- presentações, às instâncias de poder, marcadas pela ideologia e pela enunciação. Tais aspectos se relacionam ao presente estudo, à medida que todos os atos repre- sentados no gênero discursivo roteiro, que vinculam e orientam o fazer material do jogo. São, assim, justificados por esses elementos tão presentes na Análise do Dis- curso e que serão mais bem elucidados no decorrer do trabalho sob a perspectiva teórico-analítica. Todavia, além desses aspectos supracitados, convém pontuar al- guns procedimentos referentes à prática da leitura e interpretação de texto, sobretudo

no que concerne à representação dos valores, comportamentos e da cultura vincula- dos à construção de roteiros baseados em obras literárias.

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