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3. METODE

3.2 M ATERIELL OG GJENNOMFØRING AV TESTENE

O mistério, no sentido lato, com o qual subjetiva a dimensão teológica, é um desvelamento, um “tirar o véu”, à medida que se compreende o fenômeno; ele é continuo e nunca total. Não se trata de algo obscuro, que não se possa conhecer, apesar de guardar a semântica do absoluto; ao contrário, trata-se da chegada da luz, do discernimento e da compreensão amorosa de quem busca fazer a experiência do divino ou se deixa tocar por ele como algo real e presente.

Neste caso, é a reflexão sobre o mistério da vida de Jesus em Nazaré, que significou para Charles de Foucauld uma intuição única e apaixonante, ao qual se debruçou toda a sua vida, mesmo em diferentes circunstâncias, mas ele guardou a fidelidade a esse primeiro amor de sua vocação religiosa.

Concretamente, seguir Jesus, sim! Porém, de que maneira? Motivado pelo seu diretor espiritual, Foucauld empreende uma viagem à Terra Santa, pois Pe. Huvelin sabia da necessidade quase palpável do neófito de incluir tudo no amor e de viver como Jesus viveu.

Após percorrer os lugares sagrados da vida de Jesus, a cidade de Nazaré proporcionou- lhe uma experiência de Deus única, ao entrever lá o modo de vida que correspondesse à vontade de Deus para si e no sentido pelo qual iria se dirigir a sua vocação. Nazaré foi o lugar donde obteve uma intuição bastante peculiar, caracterizada pela “vida escondida” de Jesus em Nazaré da Galileia, ou seja, durante os trinta primeiros anos de sua vida, Jesus viveu naturalmente entre os seus, sem alardear sua missão, de acordo com a narração bíblica:

Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem,humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz! (Filipenses 2, 6-8).

Segundo a tradição cristã, o mistério da encarnação de Deus deu-se na pessoa do Jesus histórico. O anonimato da vida de Jesus na cidade de Nazaré, anterior à sua vida pública, qualifica-se pela ausência de pregação, cura de enfermos ou atividade política de transformação social explícita; mas pela força do testemunho e da presença amiga e fraterna partilhava a vida comum do povo com seus desafios e esperanças. De modo que, viver o cotidiano das relações constitui a tônica da mística de Nazaré.

Esta vocação de viver como Jesus viveu em Nazaré constitui o fio condutor de todas as opções realizadas pelo Irmão Carlos e, por extensão, das Fraternidades futuras; cito algumas características do Nazaré geográfico ao Nazaré espiritual que podem nos ajudar a compreender esta intuição6:

6 Extraído da monografia, não publicada, intitulada: “Deserto na cidade: a prática da leitura orante da Bíblia no

contexto eclesial do protagonismo da juventude”, e que tive a satisfação de apresentar no Curso de Especialização em Assessoria Bíblica (DABAR), sob a orientação do Prof. Dr. Luís Dietrich, em 2004, oferecida numa parceria entre o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) e a Escola Superior de Teologia (FACULDADES/EST) de Confissão Luterana.

O que fez Jesus em Nazaré durante tantos anos na companhia da sua família e no seu contexto social e religioso? Certamente Jesus soube desfrutar dos encontros, das rodas de amigos, das festas, do trabalho e do estudo das escrituras com as quais interpretava o mundo dos impérios da dominação romana, da cultura grega e do comércio, mas, sobretudo, indignando-se diante da ideologização da religião em função da exploração dos mais pobres. Nazaré da Galileia era um povoado, uma cidade pequena afastada dos centros de poder: “De Nazaré pode sair coisa boa?” (Jo 1,45). Ali, Jesus, assume a condição humana do trabalhador, irmão, amigo e filho, vivendo a espiritualidade das pequenas coisas, tecendo relações; em Nazaré, o humano se torna divino e Deus já não é mais o mesmo. Nazaré é símbolo de uma espiritualidade do cotidiano, fermento na massa, onde o ordinário se torna extraordinário, onde a tradição oral narra o reverso da história dos pobres como acontecimento salvífico. (FERREIRA NETO, 2004, p. 31) Restava-lhe encontrar uma ordem religiosa onde pudesse viver o seu ideal da vida escondida de Jesus em Nazaré; inicialmente optou pela vida monástica da Trapa de Nossa Senhora das Neves, na França, sendo imediatamente transferido para a Trapa recém-fundada em Akbés na Síria, donde a vida ascética dos monges beirava à penúria.

Mesmo assim, não lhe era suficiente tal radicalidade, se comparado à vida dos trabalhadores ao redor. Permaneceu sete anos na Trapa, e somente com a permissão do superior desligou-se para ir viver o ideal do anonimato da vida de Jesus em Nazaré, numa mínima casa de ferramentas, como jardineiro das Irmãs Clarissas em Nazaré.

Ali passava horas, dias e noites em meditação da Palavra de Deus, com a utilização do método da Leitura Orante e da Escrita Orante da Bíblia, anotava seus diálogos com Jesus, em profunda intimidade espiritual. A coletânea dos escritos nesse período (não preparados para publicação por ele mesmo) resultou numa obra posterior denominada “Escritos Espirituais” ou “Textos Espirituais” (1958).

O Irmão Carlos de Jesus era um homem de projetos, a tudo se detinha com detalhes. Desde a Trapa, ansiava pela criação de um grupo de religiosos que levasse adiante o ideal de Nazaré: “Não haveria um meio de formar uma pequena congregação para seguir essa vida, para viver unicamente do trabalho de nossas próprias mãos, como fazia Nosso Senhor [...]” (FOUCAULD apud ANNIE DE JESUS, 2004, p. 43). Categoricamente o desaconselha seu diretor espiritual: “[...] Não pense em agrupar almas ao seu redor, nem, sobretudo, em dar a elas uma regra. Viva a sua vida. Depois, se vierem almas, vivam juntos a mesma vida, sem nenhuma regra. Sobre este ponto, sou bem claro.” (HUVELIN apud ANNIE DE JESUS, 2004, p. 46).

No entanto, a superiora das Clarissas em Jerusalém o animara ao sacerdócio, que lhe veio como uma necessidade, uma vez que alimentara espiritualmente sua opção de vida na

mesa da Palavra (Bíblia) e na mesa do Pão (Eucaristia), mas sobretudo desejara fazer da Eucaristia um banquete de vida pelo testemunho da acolhida e da fraternidade entre os mais pobres. Para este fim regressou à França e durante meses preparou-se para o sacramento da ordem com retiros na Trapa de Nossa Senhora das Neves, o que veio a realizar-se em junho de 1901.

Após três anos entre Nazaré e Jerusalém, o sacerdócio significou para Foucauld um novo desafio; voltar à Argélia saariana não mais como oficial militar, mas como religioso. Viver a vocação da vida de Jesus em Nazaré num país mulçumano importa novos desafios. Uma vez sacerdote, podia garantir a presença eucarística na fraternidade, dado que naquela região o sacerdote mais próximo encontrava-se a trezentos quilômetros de distância.