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4. Results

4.3 Perioperative changes of ICP following FMD (Paper III)

4.4.5 Association between ICP measures and MRI findings

No final da década de 1960, porém, houve uma mudança de atitude por parte do movimento operário, que adquiriu uma feição revolucionária76. Isso é explicável pelo fato dos

ideais do princípio da comunidade terem se deslocado para novos movimentos sociais que se insurgiram contra as formas tradicionais de poder, centrando sua ação na demanda por novas liberdades, principalmente das minorias, cujo foco não visava, em princípio, a melhores condições de vida, como no movimento operário, mas à defesa de sua identidade cultural, sua forma de vida, que se traduzia, em última análise, na proteção aos membros dos grupos discriminados (movimento da contracultura)77.

Influenciados por essa nova tendência cultural, os jovens, principalmente os estudantes universitários, adotaram uma postura radical, numa perspectiva revolucionária, suas idéias anticapitalistas ecoaram no movimento operário. Na verdade, os novos movimentos sociais tiveram o efeito de despertar os trabalhadores para velhas idéias repaginadas, agora mais coloridas e atraentes. Se as condições materiais dos trabalhadores haviam melhorado, era preciso dar à luta de classes um novo viés, no qual a expressão “exploração econômica” fosse substituída por “dominação ideológica”. Como conseqüência, violentas greves foram deflagradas na Europa e nos Estados Unidos, afetando, sobretudo, as empresas assentadas no modelo de produção fordista (automóveis, principalmente, de Detroit a Turim), cuja dependência de trabalhadores semiespecializados era mais pronunciada.

76 Nesse mesmo período no Brasil, uma série de turbulências políticas culminou no golpe militar de 1964, que

sufocou as reivindicações da classe trabalhadora tanto pela via dos partidos políticos de esquerda (a maioria deles proibidos de atuar) quanto pelos sindicatos, manietados pela força do Estado. Nessa conjuntura, a unicidade sindical e a contribuição sindical compulsória foram instrumentos eficazes na cristalização das relações de trabalho nos moldes fascistas.

No entendimento de Herbert Marcuse78, filósofo da Escola de Frankfurt79 de formação

marxista, cuja obra inspirou os jovens estudantes, o “capitalismo de monopólio” atuaria como um mecanismo contra-revolucionário por produzir um “homem unidimensional”, ou seja, incapaz de vez além da superficialidade das coisas. A melhoria das condições de vida do operariado dissiparia a formação da consciência de classe pela satisfação “guiada” proporcionada, ocasionando uma postura até mesmo anti-revolucionária entre os trabalhadores, devido à submissão ideológica experimentada:

O predomínio da consciência não-revolucionária – ou melhor, anti-revolucionária – na maior parte da classe trabalhadora é um fato notório. É certo que a consciência revolucionária sempre se expressou apenas em situações revolucionárias; a diferença consiste, agora, em que a situação da classe trabalhadora na sociedade em geral milita contra o desenvolvimento de tal consciência. A integração da maior parte da classe trabalhadora na sociedade capitalista não é um fenômeno superficial; tem suas raízes na própria infra-estrutura, na economia política do capitalismo de monopólio: os benefícios são conferidos à classe trabalhadora metropolitana graças aos excedentes, à exploração neocolonial, ao orçamento militar e às gigantescas subvenções governamentais. Dizer que essa classe tem muito mais a perder do que seus grilhões pode ser uma afirmação vulgar mas também é correta 80.

Tal perspectiva exigiria uma postura pragmática dos opositores do capitalismo no sentido de subverter a ordem estabelecida através de greves e ocupações de fábricas e edifícios públicos:

Deve ser estabelecida uma distinção entre violência e força revolucionária. Na situação contra-revolucionária de hoje, a violência é a arma das instituições; opera por toda a parte, nas organizações, no trabalho e nas diversões, nas ruas e nas estradas, e no ar. Em contraste, a força revolucionária seria a ação de massas ou classes capazes de subverter o sistema estabelecido, a fim de construir uma sociedade socialista. Seriam exemplos a greve geral ilimitada, a ocupação e encampação de fábricas, a ocupação de edifícios governamentais, centros de comunicação e transporte, numa ação coordenada81.

No entanto, a postura revolucionária brevemente adquirida pelo movimento operário por influência da contracultura não sobreviveu às crises do capitalismo ocorridas nos anos 1970, que desestruturaram a classe operária como sujeito histórico de transformação social, circunstância a ser analisada no Capítulo II.

78 MARCUSE, Herbert. A ideologia da sociedade industrial. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1967.

79 A Escola de Frankfurt foi o nome dado a um grupo de filósofos alemães que se insurgiu contra a massificação

da cultura, dentre eles: Jürgen Habermas, Franz Neumann, Friedrich Pollock e Theodor Adorno.

80 MARCUSE, Herbert. Contra-revolução e revolta. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1973. p. 15. 81 Ibid., p. 58.

Portanto, após a Segunda Guerra Mundial, uma conjuntura de paz relativamente estável combinada com a reestruturação do capitalismo mediante a aplicação de métodos mais produtivos e a implementação de políticas econômicas coordenadas pelos Estados, tanto internamente quanto no plano internacional, propiciaram o desenvolvimento social, político e econômico nos países capitalistas desenvolvidos. O movimento operário, nesse contexto, numa tendência predominantemente reformista, contribuiu decisivamente para a expansão do papel do Estado na regulação da atividade econômica.

O capitalismo organizado gerou um equilíbrio inédito entre as forças do poder: os princípios do Estado, do mercado e da comunidade se fortaleceram e se articularam entre si originando uma espécie de pacto. O modo de produção fordista, representativo do princípio do mercado, em articulação com as políticas econômicas keynesianas (princípio do Estado), foram fundamentais para a sustentação e expansão do Welfare State, que constitui um conjunto de políticas de regulação destinada a apaziguar o movimento operário (princípio da comunidade), permitindo, por sua vez, a expansão sustentável do capitalismo. Esse equilíbrio entre as forças do poder foi rompido pela exacerbação do intervencionismo estatal, pois as formulações de bem-estar social suplantaram a capacidade do Estado de custeá-las, a propiciar a reação do princípio do mercado mediante a propagação da ortodoxia neoliberal a partir da década de 1970.

Na segunda parte desse trabalho, serão novamente abordadas as teorias de reestruturação do capitalismo e do Welfare State, realizando-se uma leitura paralela entre o modelo adotado nos países desenvolvidos e aquele aplicado no Brasil, cujo desenvolvimento industrial tardio mediante uma série de políticas sociais capitaneadas pelo Estado, cercadas de artificialismo, visavam à desestruturação política do movimento operário brasileiro.

No capítulo seguinte, abordar-se-ão as transformações experimentadas pelo movimento operário nas três décadas seguintes em decorrência do fenômeno da globalização.

CAPÍTULO II - OS REFLEXOS DA GLOBALIZAÇÃO SOBRE AS RELAÇÕES