1. Introduction
1.4 Assimilation Theory
Figura 9 - Comparabilidade das informações
Uma das principais críticas relativas à norma de informações por segmento, e principalmente ao management approach, relaciona-se à questão da comparabilidade das informações entre as empresas de um determinado setor, e ao trade-off entre comparabilidade e relevância do relatório. De fato, a preocupação com a comparabilidade fez-se presente nas respostas dos entrevistados, pois acreditam que a possibilidade de a empresa escolher o tipo de segmentação a divulgar em seu relatório, pensando no critério que utiliza para a tomada de decisões internas, possa prejudicar a comparabilidade entre empresas de um mesmo setor ou mesmo entre setores diferentes. Reinaldo Guerreiro explica que “o relatório não dá para ser comparado, a não ser que empresas do mesmo ramo façam o mesmo tipo de segmentação”.
Outro fator que impossibilita a comparabilidade, segundo entrevistados, é o excesso de informações do relatório. Segundo Vanessa Miranda, analista de crédito do Banco do Brasil, “analistas não gostam de muitos detalhes. A informação detalhada dificulta a comparabilidade”. Amador Rodriguez, da Serasa, também concorda com esse ponto e acrescenta que “existem escalas diferentes de detalhamento de informações, e isso pode ser um ponto preponderante na comparabilidade de informações entre as empresas”.
A dificuldade de comparação é ainda acentuada com a possibilidade de confeccionar o relatório usando critérios de mensuração internos. De acordo com o Prof. Reinaldo Guerreiro, “isso leva à total impossibilidade de comparação. Só se comparam coisas padronizadas”. Para resolver essa questão, será preciso uma nota explicativa bem detalhada com a conciliação entre as informações gerenciais apresentadas e as políticas contábeis do IFRS.
O posicionamento do Professor coincide com o ponto de vista do EFRAG. Para esse órgão, as mudanças na norma relativa aos critérios de mensuração interno diminuem a comparabilidade. Porém tal critério não deve ser visto de forma isolada e restrita. O trade-off entre relevância e comparabilidade deve ser aceito.
Muitos respondentes consideraram que a percepção particular de cada empresa sobre a “relevância” das informações divulgadas é mais importante que a questão da “comparabilidade”. O IASB define que uma informação tem a qualidade de ser relevante quando influencia a decisão econômica dos usuários.
Bruno Salotti, professor da USP, acredita que “no curto prazo, o relatório de Informações por Segmentos será incomparável. Nesse caso, a relevância, entendida como a administração toma as suas decisões, é mais importante que a comparabilidade”. Reinaldo Guerreiro acrescenta: “para pessoas ligadas à área de contabilidade gerencial, a relevância é mais importante que a comparabilidade. Deve-se comparar com grandes números e não com detalhes”.
Sobre essa mesma questão, Vanessa Miranda e Welington Rocha também consideram que a relevância é preferível em relação à comparabilidade. Porém o Prof. Bruno Salotti lembra que “a estrutura conceitual do IASB considera que as informações qualitativas não devem ter peso, todas devem possuir a mesma importância”
A grande maioria dos respondentes deste trabalho acredita que no futuro o problema da comparabilidade estará resolvido, pois as empresas preparadoras identificarão qual o critério de segmentação que está sendo utilizado pela maioria das empresas do mesmo setor e farão os seus relatórios da mesma maneira.
Além disso, haverá uma pressão do mercado, por meio dos analistas de crédito e investidores, para se divulgarem informações utilizando-se de um critério de identificação dos segmentos comparável.
De acordo com o Prof. Ariovaldo dos Santos, “com bom senso, as empresas farão coisas semelhantes. Empresa de saneamento, por exemplo, vai segmentar por água e esgoto. Há uma tendência de uniformidade no longo prazo. Isso dependerá da importância da empresa, Ltda, S/A de capital aberto, porte, etc”.
“Em um primeiro momento, a relevância será importante, uma vez que as empresas não possuem informações sobre as outras. Depois, o mercado irá pressionar para que empresas que publicam de uma maneira diferente passem a fazer esse relatório da mesma forma que o setor. As informações incomparáveis podem ser mal interpretadas pelo mercado, podendo trazer prejuízo na avaliação da empresa” (BRUNO SALOTTI).
Muitos analistas possuem acesso à área de relações com investidores das empresas preparadoras de demonstrações financeiras e conseguem pedir certas alterações nas informações que serão divulgadas: “nas empresas de capital aberto, a área de relações com investidores escuta muito as nossas sugestões. Geralmente os bancos, agências de rating, investidores começam a pedir certas informações, e quando estas se tornam constantes, passam a ser divulgadas anualmente. Tal área, quando funciona corretamente, tenta sempre aprimorar o nível de informação divulgada”, considera o analista da Standard & Poor's.
Um problema que surge dessa pressão por homogeneização no que tange à identificação dos segmentos está ligado à perda do principal benefício trazido pelo management approach. As empresas, dessa maneira, deixarão de segmentar o negócio seguindo a mesma estrutura adotada gerencialmente e passarão a segmentá-lo seguindo uma tendência de mercado.
Dessa forma, a vantagem do enfoque gerencial, que é poder fazer a segmentação de forma que reflita a essência das atividades da empresa, será reduzida com a homogeneização a longo prazo, fruto da pressão do mercado por comparabilidade.
Outros respondentes acreditam que o problema da falta de comparabilidade poderia ser resolvido caso a empresa divulgasse as suas informações utilizando-se de mais de um critério de segmentação. Marcelo Costa considera que “por experiência própria, creio que as empresas devem ter outras formas de fazer a segmentação, não apenas a maneira como divulga. A empresa divulga por produto, mas internamente tem por cliente, região, etc”.
O analista da Serasa também concorda com essa afirmação e ressalta que “as empresas fazem internamente diversas segmentações, elas poderiam divulgar relatórios com segmentação por produto, cliente, região, mas com um grau de detalhamento menor. Não apenas escolher uma única forma de segmentação”.
Porém essa sugestão esbarra em questões, como o problema encontrado pelas empresas em relação à divulgação de informações privilegiadas, aumento dos gastos de preparação e disclosure do relatório, além da dificuldade de análise trazida pelo excesso de informações. Para Reginaldo Alexandre, entretanto, não haverá perda de comparabilidade com a aplicação do IFRS 8. O analista da APIMEC considera que existirão outras maneiras de fazer a comparação dos relatórios.
Reginaldo acredita que será possível comparar a informação consolidada com os seus diversos segmentos, comparar os segmentos entre si, e ainda comparar um segmento com uma empresa especialidade neste tipo de serviço. Para o analista, os usuários ganharam comparabilidade.
4.2 Analisar a qualidade das informações contábeis e identificar possibilidades de