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2. Racial- and Ethnic Identities

2.3 Arab-American Racial History and Historiography

Empreendimentos sociais podem ser caracterizados por três componentes principais: (1) a capacidade de identificar um equilíbrio estável, mas inerentemente injusto que provoca a marginalização e exclusão de um segmento da humanidade, (2) a capacidade de identificar uma oportunidade nesse equilíbrio injusto e desenvolver uma proposição com valor social, e (3) a busca de medidas para conseguir um novo equilíbrio estável que libere ou alivie o sofrimento do grupo-alvo e mesmo da sociedade em geral. (MARTIN; OSBERG, 2007; MAKHLOUF, 2011).

São iniciativas que não se limitam ao espaço físico de uma organização formal. Eles adquirem diversos formatos, assumindo características tangíveis e intangíveis de localização, espaço, infraestrutura, recursos e modelos de gestão. Um dos principais fatores distintivos do empreendedorismo social é a sua vocação para reduzir fronteiras organizacionais e estreitar relações de colaboração, de modo que a ação resultante seja uma “simbiose” do desempenho dos atores aliados (SEKN, 2006).

Essa simbiose é um dos principais fatores geradores de valor, notadamente o social, o qual não deriva, simplesmente, da interação entre os indivíduos, mas das ações coletivas orientadas por uma consciência comunitária, as quais influenciam o sistema econômico e as relações de produção, como propôs Schumpeter (1908-9) no início do século XX.

Por decorrência da organicidade sistêmica que caracteriza os empreendimentos sociais, constata-se que uma das principais características deste tipo de organização é um entrelaçamento entre as dimensões política, econômica e social. Paradoxalmente, um dos

maiores desafios enfrentados por este tipo de empreendimento no Brasil é a criação de contextos favoráveis a essa organização socioeconômica e política entre cidadãos, uma vez que seus empreendedores compartilham mais carências do que recursos para criar e sustentar iniciativas de tamanha complexidade (GODÓI-DE-SOUZA, 2010).

Com sua ênfase na busca de soluções e na inovação social, empreendimentos sociais reduzem as tradicionais fronteiras entre os setores privado, público e o Terceiro Setor, e enfatizam modelos híbridos de atividades com e sem fins lucrativos. Promover a colaboração entre setores é inerente ao empreendedorismo social, assim como o desenvolvimento de novas e radicais abordagens para resolver antigos problemas. Essa conceituação sugere que, formalmente, empreendimentos sociais podem assumir uma grande variedade de formatos, incluindo organizações sem fins lucrativos, negócios com finalidades sociais (como bancos de desenvolvimento) e organizações híbridas que conjugam atividades com e sem fins lucrativos (como cooperativas de catadores de materiais recicláveis) (DEES, 2001; JOHNSON, 2000).

Desde a década de 1990, pesquisas centradas na colaboração intersetorial vêm sendo desenvolvidas em diversas partes do mundo e sinalizam que embora as parcerias entre empresas, organizações sem fins lucrativos e instituições ou empresas públicas existam há décadas, sua formação tem sido intensificada recentemente nos diversos continentes. Dentre os fatores associados a esta expansão estão a revisão dos papéis desempenhados pelo Estado, aliada à globalização econômica, o crescimento do número e das atividades desempenhadas pelas organizações da sociedade civil, e a disseminação de práticas vinculadas à responsabilidade social empresarial (FISCHER et.al., 2003). Austin (2001, p.17) caracteriza as alianças estratégicas como o resultado da migração progressiva das relações de cooperação tradicionalmente filantrópicas, estabelecidas entre organizações com e sem fins lucrativos, para “novas forma de trabalhar em conjunto para atingir seus objetivos e contribuir para a sociedade”. O Copenhagen Centre utiliza o termo “new social partnerships” para caracterizar essas parcerias, pautadas pelo benefício mútuo e pela combinação de recursos e competências. (NELSON; ZADEK, 2001, p.14). O fortalecimento das alianças intersetoriais parece ter um contexto estimulante para a criação dos empreendimentos sociais.

A inexistência de fronteiras claras e a premência da colaboração entre atores distintos fazem com que os empreendimentos sociais se lancem para horizontes bem mais longínquos do que a filantropia ou a responsabilidade social. Elas buscam: incrementar o desenvolvimento

socioambiental de localidades esquecidas pelo crescimento econômico capitalista; tornar a sociedade inclusiva para aqueles que foram despojados das condições físicas, sociais e econômicas necessárias a sua inserção como pessoas, consumidores e cidadãos; ampliar as oportunidades para que cada qual se emancipe por sua própria conta, gerando renda e tendo liberdade para escolher o estilo de vida que prefere e o destino que propiciará ao seu filho; assegurar que as próximas gerações tenham direito de nascer e viver em liberdade e com acesso aos recursos naturais que a biodiversidade oferece à vida humana (FISCHER, 2011).

Deste modo, as iniciativas empreendedoras descartam definitivamente os conceitos de assistencialismo e dependência, inserindo os de emancipação e cidadania. Não se trata apenas de modernização terminológica, mas de uma mudança radical nos valores que sustentam a atuação social. Pois não basta prover benesses; é preciso equalizar as condições sociais no que concerne à liberdade pessoal que, na visão de Amartya Sen (2000), é o fator condicionante para a existência de qualquer processo de desenvolvimento.

A construção de um novo paradigma para as organizações sociais a partir da transformação do assistencialismo em empreendedorismo é vista por alguns autores como o grande desafio contemporâneo para organizações que operam no campo social (COMMUNITY WEALTH VENTURES, 2003). Nesse contexto, o empreendedorismo social emerge como uma forte tendência associada à sobrevivência destas organizações, e a questão central passa a ser: as organizações sem fins lucrativos estão prontas para assumir o desafio do empreendedorismo social? Sob esta ótica, o empreendedorismo implica em uma mudança na cultura organizacional como extensão da oportunidade econômica, a qual torna a organização mais nítida e focada, capaz de "vender" ideias e ideais para um público muito mais amplo (STRICKLAND JR., 2003).

Atualmente, outra importante discussão no contexto do empreendedorismo social é a escala que o impacto dessas iniciativas pode alcançar. Empreendimentos sociais devem e podem causar mudanças em larga escala? Devem e podem influenciar políticas públicas? Como esse processo acontece?

Há muitos casos de empreendimentos sociais que criam mudanças em grande escala nos países em que operam, sobretudo em se tratando daqueles mais pobres e com equipamentos e

políticas públicas insuficientes, como Haiti e muitos países da África e Índia. Isso pode levar alguns autores, como Osberg (2010), a citar exemplos desses países como a prova de que impactos de larga escala são inquestionáveis.

Outros argumentam que alguns empreendimentos alcançam mudanças em larga escala, mas são a exceção, não a regra. Com este olhar, Dees (2010) acrescenta que os benefícios do empreendedorismo social podem ser ampliados e aperfeiçoados, desde que o ecossistema seja favorável a isso. É necessário ter em mente a importância da cultura, da infraestrutura e do ambiente político em que os empreendedores sociais operam.

Quadir (2010), fundador de Grameenphone, empresa social que proporciona acesso a telefonia celular de baixo custo em Bangladesh, defende que apenas os empreendimentos com fins lucrativos têm a escala e o escopo necessários para solucionar as causas mais profundas dos problemas sociais. O lucro é necessário para conseguir escala e apenas os empreendimentos com fins lucrativos têm capacidade para enfrentar os problemas sociais.

Light (2010) questiona a capacidade que empreendedores sociais necessitam ter para alcançar mudanças em larga escala de uma forma suficientemente rápida para resolver as questões que ameaçam nosso mundo. Esse tipo de impacto, argumenta, só é possível através da construção de parcerias e alianças intersetoriais. Elkington (2010), por sua vez, reconhece que a força dos empreendedores sociais reside na conexão que mantêm com a comunidade e sua cultura. É profundamente cético a respeito de parcerias com empresas privadas, pelo risco de desvirtuamento dos empreendimentos sociais. E aponta que as iniciativas de algumas megaempresas, como Nike, Nestlé etc. têm potencial para gerar mudanças em escalas muito maiores do que os empreendimentos sociais mais expressivos. Isso porque a escala implica em mudanças sistêmicas em toda a economia, ou seja, a criação de um novo paradigma econômico.

Os empreendimentos sociais que atuam na América Latina têm dificuldade para gerar impactos de larga escala, e uma das causas deste fato pode ser o perfil do empreendedor que predomina no continente. Geralmente orientados para a busca de soluções locais e para a inovação, estes líderes criam soluções descasadas das políticas públicas e com baixo grau de replicabilidade. Por outro lado, tais empreendimentos apresentam alto potencial para geração

de valor social, o qual pode ser definido como propõem os pesquisadores da rede SEKN (2006):

[...] a busca de progresso social por meio da remoção de barreiras que dificultam a inclusão, da ajuda àqueles temporariamente debilitados ou que carecem de voz própria, e da mitigação dos indesejáveis efeitos secundários da atividade econômica. (SEKN, 2006, p.264)

O estudo realizado pela SEKN junto a empreendimentos sociais que operam na América Latina com foco em iniciativas de mercado socialmente inclusivas exemplifica este tipo de geração de valor social. Tais empreendimentos propiciaram o aumento da renda e redução da pobreza, ainda que de forma insuficiente para mitigá-la; o acesso a bens e serviços de qualidade por meio da redução de preços, da flexibilização do crédito e da oferta local; a construção de cidadania, ou seja, a possibilidade exercer direitos e deveres; e o desenvolvimento do capital social. (SEKN, 2010)

Conclui-se que a região, o país e o contexto influenciam não apenas as características que o empreendimento social vai adotar, mas também o escopo, a escala de sua atuação e o tipo de resultado obtido. Daí a riqueza e a grande diversidade de iniciativas que se inserem neste campo, tornando-o profundamente heterogêneo e composto por soluções moldadas de acordo com o ecossistema no qual se inserem.