6. Assessing the conformity and/or suitability for use of the constituents and verifying the subsystems 37
6.3. Control-Command and Signalling Subsystems
6.3.3. Assessment requirements for an On-board Subsystem
Todo o esforço de explicitação de dados anteriormente expostos tentou situar os livros didáticos de EJA, nosso objeto de estudo, em relação aos demais produtos editoriais no circuito produtivo de duas Editoras. O fato de, no momento da realização da pesquisa, só duas das empresas classificadas no ranking das Editoras como “grandes” produzem esse tipo de material, já revela em si relativo desinteresse por esse projeto.
A pulverização de publicações destinadas à EJA em outros tipos de instituições, comerciais ou não, expressa a política de terceirização que vem sendo adotada pelos governos em relação a aspectos de destinação social, entre eles a educação. Essa tendência veio ao encontro dos movimentos sociais que se configuraram no país a partir dos anos 1980, que instituíram a ação de formas organizativas, como entidades sem fins lucrativos, associações de moradores de bairro, na efetuação de funções antes restritas aos poderes públicos. Da confluências de tais movimentos e do interesse das gestões de políticas neoliberais, institucionalizaram-se essas organizações não-governamentais, delegando-se a elas as atribuições antes respondidas por esferas governamentais. E a existência de grande número de títulos de EJA distribuídos de forma não-sistemática, diferentemente da veiculação dos demais produtos editoriais, é um aspecto dessa conformação política.
A análise das duas coleções de EJA das duas únicas Editoras que apresentavam esse produto no período do desenvolvimento deste trabalho mostrou que elas foram elaboradas a partir de materiais pré-existentes, configurando-se como um subproduto.
A estratégia de recortar e colar não é tão nova assim. Nesse sentido, as duas únicas Editoras que se prestam a se lançar nesse nicho de mercado — no momento da realização desta pesquisa, é sempre importante ressaltar —, eram também as duas maiores empresas do ramo, não usaram de ações inovadoras. Curioso que a opção de “vulgarização” de obras já consagradas, sua facilitação a um público economicamente menos favorecido já foi uma estratégia usada por editores franceses há mais de três séculos — refiro-me aos editores de Troyes na composição da Biblioteca Azul, publicando-se versões mais baratas e de
circulação popular de textos já editados168. E, se as nossas Editoras atuais não estão sendo
inovadoras nas estratégias adotadas no projeto, tampouco estão sendo nas intenções que as mobilizaram a ele. Redimensionando espaço, tempo e sujeitos, percebemos a permanência da estratégia editorial — baseada na concepção de um público leitor sem identidade temporal, espacial e como sujeito da história.
Se de fato a política pública do PNLD melhorou a qualidade dos livros didáticos, talvez o mesmo possa se vislumbrar em relação aos livros de EJA se se instalar uma política específica. Para o bem ou para o mal, do ponto de vista dos editores, que poderão reclamar do valor negociado pelo produto com o governo, talvez as revisões que se fizeram sobre as idéias pedagógicas, a prática pedagógica, o estudante, a criança de sete a quatorze também tenha sua contrapartida a aspectos atinentes ao público de EJA. O aspecto singular é que, se a política der certo, ela será relativamente breve, de curta duração, pois terá disseminado a escolarização a esse público que sempre esteve à margem das prioridades educacionais, que com a ação educativa terá deixado de existir ou ao menos se reduzido consideravalemente.
168
A esse respeito, ver, entre outras obras: CHARTIER, Roger. Do livro à leitura. In: CHARTIER, Roger (org.).
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