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Para investigar os conteúdos ministrados durante as aulas de Artes Visuais, foi impera- tivo conhecer os docentes da disciplina Arte em todos os campi; por isso foi realizada uma seleção dos sujeitos por meio de um questionário estruturado, utilizado também em outros momentos da pesquisa. Preocupei-me em investigar os docentes interessados em participar do trabalho. Além desse critério, os professores selecionados deveriam:

1. Ter como foco de trabalho o ensino de Artes Visuais;

2. Serem licenciados em Artes Visuais ou Educação Artística, habilitados em Artes Plásticas ou Desenho;

3. Trabalharem como professores de Artes Visuais do IFPI.

Os resultados foram obtidos por meio de uma pesquisa qualitativa de caráter colabora- tivo e exploratório, utilizando o método de Grupo Focal. A pesquisa qualitativa busca respos- tas a questionamentos cujo interesse é compreender “como” e “por quê” o fenômeno aconte- ce.

Na abordagem qualitativa, a pesquisa tem o ambiente como fonte direta dos dados. O pesquisador mantém contato direto com o ambiente e o objeto de estudo em questão, necessitando de um trabalho mais intensivo de campo (PRODANOV, 2013, p. 70).

A produção coletiva do conhecimento, como ocorre na pesquisa colaborativa, possibi- lita a (re)elaboração de conceitos e saberes associados à (des)construção da prática pedagógi- ca dos docentes envolvidos e permite a troca de vivências entre os membros do grupo. Assim, na trajetória desta investigação, a construção do conhecimento deverá advir do diálogo entre os docentes de diversos campi do IFPI e de seus saberes, adquiridos por meio de suas vivên- cias pedagógicas e cotidianas.

Foram realizados seis (06) encontros para avaliarmos como tem sido trabalhada a ar- te/educação no 1º ano do EM do IFPI e para construirmos a proposta.

O estudo contou com o uso de fontes documentais, tais como análise dos planos de curso e de aula dos sujeitos, análise da proposta pedagógica dos campi em questão, consulta aos arquivos com atividades realizadas durante as aulas, fotografias e avaliações aplicadas durante o ano letivo.

Apliquei como instrumentos para coleta de dados um questionário estruturado acerca da formação dos professores da área, e entrevista informal aberta, momento no qual colhi in- formações que me possibilitaram identificar qual concepção os sujeitos da investigação têm sobre o EAV. O questionário é um instrumento cuja finalidade é obter elementos com vistas a possibilitar a coleta de informações necessárias à pesquisa acerca dos sujeitos investigados.

Anterior à fase de aplicação dos questionários, foi realizada a aplicação de um pré- teste junto a um grupo de professores de Arte de quatro campi para a realização de possíveis ajustes no instrumento. Segundo Prodanov, “todo questionário a ser enviado deve passar por uma etapa de pré-teste, num universo reduzido, para que possamos corrigir eventuais erros de formulação” (PRODANOV, 2013, p. 108).

O questionário inicial foi entregue a nove professores de nove campi do IFPI. Apenas sete devolveram o questionário respondido. Desses sete, todos têm formação em Educação Artística e trabalham com Artes Visuais. No entanto, os encontros do Grupo Focal foram fre- quentados por apenas cinco desses profissionais.

O primeiro encontro ocorreu no dia 15 de dezembro de 2014, com a participação de 50% do total de professores de Arte da instituição (ao todo são 18, nove estavam no encontro inicial). Todos foram convidados por meio de ofício enviado a todos os campi do IFPI via e- mail.

No primeiro momento, foi feita uma breve apresentação de cada docente, momento no qual cada um falou sobre sua formação, suas experiências profissionais e expectativas com

relação ao grupo focal. Em seguida, explicitei o foco da pesquisa, abordando o grupo focal, os objetivos e as metodologias: pesquisa colaborativa e a/r/tografia. Após essa apresentação, oito integrantes presentes aceitaram participar da investigação. Nessa reunião, elaboramos o ca- lendário dos próximos encontros do grupo; em comum acordo, definimos a realização de dois encontros mensais.

Após a definição das datas, começamos com a leitura do livro A Pedagogia Libertária na História da educação Brasileira (2008), de Neiva Beron Kassick e Clovis Nicanor Kas- sick. Optei por iniciar o trabalho com os conceitos de Pedagogia Libertária (PL) e seus princi- pais pensadores; desta maneira, o grupo teria condições de, já no início, conhecer os princí- pios que regem a pesquisa, e assim serem capazes de analisar a aceitação ou não de sua parti- cipação. Foi exatamente isso que aconteceu: na primeira reunião, uma professora que havia ingressado no mestrado em educação na UFPI manifestou claro desinteresse, e revelou que os autores apresentados divergiam de suas ideias e princípios pedagógicos. Entretanto, não escla- receu quais eram esses princípios, mesmo após ter sido questionada.

O restante do grupo mostrou-se interessado pelo tema e debateu de forma entusiasma- da durante toda a leitura, concluída naquela mesma tarde do dia 06 de fevereiro de 2015. Por opção dos participantes, cada um deles é identificado pelo próprio nome e seus respectivos campi de atuação profissional.

O estudo consta ainda de um breve histórico acerca dos IFs, abordando o percurso pe- lo qual passou a educação profissional no país. Essa contextualização é importante para a compreensão de como o ensino tecnológico dos IFs passou a ser priorizado no governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva (2003 – 2011), tendo continuidade no atual governo da presidente Dilma Rousseff (desde 2011), bem como para compreendermos as iniciativas dos gestores nas mudanças do Ensino Médio e suas repercussões no EAV.

Após situar historicamente os IFs, busquei entender como o EAV se insere nessas ins- tituições e como vem sendo desenvolvido o trabalho em sala de aula.

Considero impossível dissociar o ensino de seus contextos políticos, sociais, econômi- cos e culturais, por isso achei necessário também situar as relações entre trabalho e ensino existentes na contemporaneidade, sobretudo em relação ao ensino tecnológico, foco deste estudo.

Atrelado ao ensino técnico está o desenvolvimento econômico do país, por meio da crescente industrialização, ainda incipiente no período do Brasil Império e, mas com mais vigor, nos anos de 1930, sendo, portanto um período de grande relevância para a contextuali- zação da problemática aqui levantada, mesmo porque o EAV também passou por transforma- ções durante esse período, tendo sido iniciado nos anos 1930, com a construção de ideias e metodologias modernistas no ensino de arte influenciadas pelo filósofo norte-americano John Dewey (BARBOSA, 2008, p. 1). Essa problemática é abordada no capítulo referente às meto- dologias de arte/educação.

Para situar o leitor, faz-se necessária a contextualização política que originou a refor- ma no EM e profissional, bem como as leis e diretrizes nacionais responsáveis por tais refor- mas.