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Many Aspects of Development Research

Passemos a uma análise do texto, “Oração Eucarística da Vigília Pascal.” Analisaremos do ponto de vista da linguagem, da teologia, do estilo, tentando mostrar que é um texto adaptado e fiel ao que a liturgia da Igreja propõe. Destacaremos o trecho analisado.

“ - O Senhor esteja com vocês... - Corações ao alto...

- Demos graças ao Senhor Nosso Deus... ”

A introdução inova com o uso da forma pronominal menos formal, mais usada no cotidiano brasileiro, “com vocês”. Embora sabendo que a liturgia oficial optou pela forma, “convosco,” esta não é uma forma pronominal usada no dia a dia, na linguagem usual. O pronome “vocês”, parece ser mais acessível e aproximar mais os interlocutores.

“Bendito sejas nosso Pai, Aleluia! Pois Jesus ressuscitou, Aleluia!”

Este refrão que funciona como resposta da assembléia a cada parte da Oração Eucarística, torna-se um mantra que perpassa todo o texto após cada duas estrofes. É um louvor, bendizendo a Deus pela ressurreição de Jesus, já que é uma oração para a Vigília Pascal. Nas adaptações previstas a serem feitas pelos ministros na celebração, este refrão poderia ser cantado também em outras partes da celebração, até porque a melodia ajuda na contemplação e no louvor.

“Ó Pai santo tão querido, Aqui vimos te agradecer, Pelo Cristo nosso Senhor. Filho do teu bem querer.”

Destaca-se nesse trecho a linguagem íntima, carinhosa e filial das filhas e dos filhos que se dirigem ao Pai Santo, “tão querido” pelos seus, e traz a figura do filho de Deus em quem o Pai concentra o seu “bem querer”.

“Nesta noite memorável, Em que Cristo ressurgiu, Te louvamos com alegria, O cordeiro nos remiu.”

O louvor continua, já que esta parte da oração corresponde ao prefácio. A assembléia reunida louva ao Pai pelo cordeiro que “remiu” o mundo.

“Jesus amando até à morte, Toda morte destruiu, Ressurgindo deu-nos vida, Vida nova garantiu.”

Recorda-se aqui o mistério de amor da entrega de Jesus para nos salvar, destruindo a morte e garantindo-nos “vida nova” e eterna.

“Profundamente contentes, Pelo dom da salvação, Com todos anjos e santos Te ofertamos louvação.”

Ainda em estilo prefacial de louvor, convida a todos para entoar o cântico de louvor ao Pai, proclamando-o santo, “profundamente contentes”. A palavra “louvação,” que é muito usada nas liturgias populares, é sinônima, de louvor.

“Santo, santo, santo...” 146

“ Suplicantes te pedimos, Teu Espírito derramar, Santifica as oferendas Pra teu povo saciar.”

146 O texto em análise não contempla uma letra própria para o canto do Santo. Deixa aberto para letras já existentes e/ou outras que possam surgir.

“Que se tornem para nós Corpo e sangue de Jesus, Que nos una num corpo E nos banhe tua luz.”

Este é o momento de invocação do Espírito Santo sobre as oferendas, para que elas sejam transubstanciadas. Este momento chamado epiclese, parece nos fazer entrar mais profundamente no mistério. Destaque para o pedido de “saciar” o povo, e para que a “luz”, o esplendor do Pai, “banhe” a todos.

“Pois chegando a sua Páscoa Em suas mãos tomou o pão, Deu-te graças, repartiu-o Declarando aos irmãos:”

“TOMEM E COMAM TODOS VOCÊS, ISTO É O MEU CORPO QUE SERÁ ENTREGUE POR VOCÊS!”

“E ao fim daquela ceia Tomou o cálice nas mãos, Deu-te graças e o serviu Declarando aos irmãos:”

“TOMEM E BEBAM TODOS VOCÊS, ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA E ETERNA

ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VOCÊS E POR TODAS AS PESSOAS PARA A REMISSÃO DOS PECADOS.

FAÇAM ISTO EM MEMÓRIA DE MIM!”

A narrativa da ceia e da consagração se dá de forma singela e em termos de conteúdo, muito fiel ao texto oficial, colocando as palavras introdutórias na forma de rima e poesia.

Nas palavras da consagração, que não são cantadas, também usa a forma pronominal “vocês” e usando uma linguagem mais inclusiva, de gênero, diz: “...que será derramado por todas as pessoas,” o que não altera o conteúdo original.

“Eis, irmãs e irmãos, o mistério da nossa fé!”

“De Jesus a sua páscoa, Sua memória revivemos, Ó Pai santo te damos graças, Estes dons te oferecemos.”

“Sim, ó Pai te agradecemos Por estar aqui reunidos E cantar em tua presença, O louvor dos redimidos.”

“Unifica em teu Espírito Esta família reunida

Para sempre em nossa vida.”

Os versos acima compõem o que chamamos anamnese, a memória que se faz do Cristo, destacando sua paixão e gloriosa ressurreição, isto é, o mistério pascal. Nela está contida também a oblação, “estes dons te oferecemos,” momento em que a Igreja pede que as pessoas ofereçam a hóstia ao Pai, mas também se ofereçam a si mesmas como hóstias vivas. Merece destaque a lembrança de cantar “o louvor dos redimidos” em Cristo. Contempla a assembléia e o ministro presidente, como “família reunida”, e o pedido de que a páscoa seja eterna.

“Vela ó Pai por tua Igreja Presente no mundo inteiro, Que ela seja servidora, Pois Jesus serviu primeiro.”

“Pelo Papa e nosso bispo E por todos os pastores, As mulheres e os homens De teu povo servidores.”

Nas intercessões, pede-se que a Igreja seja “servidora”, imitando o próprio Jesus que veio para servir. Ao pedir por aqueles que devem ser servidores do povo, além do papa e dos bispos, enquanto na oração oficial se pede por todos os ministros do povo de Deus, aqui também usando linguagem inclusiva, se explicita que há ministras e ministros, mulheres e homens que servem ao povo de Deus, numa comunidade eclesial sempre mais ministerial.

“Pelas pessoas falecidas Te pedimos ó Senhor,

Tenham parte na herança De teu reino de esplendor.”

“E que um dia a tua face Nós possamos contemplar, Com Maria e todos os santos Teus louvores celebrar.”

Concluem-se as intercessões contemplando os mortos e o vivos, igreja celeste e terrestre. Mais uma vez a linguagem inclusiva, “pelas pessoas falecidas”. Pede-se que os que aqui estão possam “um dia” “contemplar” a face de Deus e, com a Igreja celeste, “celebrar” os “louvores” eternos.

“Toda honra e toda glória A ti Deus Pai e Senhor Por teu Filho Jesus Cristo No Espírito de amor.”

Amém...

A doxologia final glorifica o Pai, por Cristo, no Espírito Santo e é concluída pela aclamação do povo dizendo ou cantando, Amém!

Ressaltamos ainda como característica deste texto, o uso do pronome pessoal “tu”, e do possessivo “teu”, “tua”, que em algumas regiões do país são bastante usados, como linguagem mais informal e íntima. Alguns verbos estão no modo imperativo afirmativo: “tomem”, “comam”, “bebam”, “unifica”, “vela”, o que torna a linguagem mais incisiva.

Tradicionalmente assimilamos que o modo verbal imperativo parte sempre de alguém superior. Aqui, o Pai, o Cristo e o povo, se comunicam, conjugando o verbo no mesmo modo, igualmente.