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2. ROLLER OG IDENTITET

2.2 M ASKESPILL

O progresso tecnológico tem contribuído para o avanço da complexidade das necessidades humanas. Cada vez mais as informações se multiplicam com uma rapidez sem precedentes na história. Da mesma forma, essas informações podem ser transportadas de um lugar para outro em questão de milésimos de segundos.

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) estão alavancando um progresso exponencial no desenvolvimento de estradas e redes no ciberespaço que permitem acessar informações e processar conhecimentos em tempo real e em escala planetária, bem como aprender colaborativamente e compartir co-criativamente desse processo global, aparentemente caótico, de gestação, processamento e difusão de conhecimento – que deverá, cada vez mais, fazer parte do nosso dia-a-dia, tanto no nível pessoal como nos níveis coletivo e organizacional. (GUEVARA, apud ROSINI, 2007)

A sociedade cada vez mais complexa exige também indivíduos mais preparados para processar essas informações.

Mas como a sociedade está preparando esses indivíduos? As instituições de ensino estão preparadas para educar os sujeitos para serem os agentes que devem continuar a construção dessa sociedade? O que se observa é que as instituições de ensino no Brasil e em outros países em desenvolvimento têm uma deficiência enorme. Muitas ainda são resistentes às tecnologias. Outras estão totalmente despreparadas para recebê-las.

O pior de tudo é que ainda existem milhões de cidadãos sem acesso à educação nenhuma. Precisamos primeiramente fazer com que nossos cidadãos tenham acesso à educação. Em segundo lugar, essa educação deve ser de qualidade. As instituições de ensino devem preparar esses cidadãos para enfrentar com autonomia as adversidades da vida. Esse deve ser crítico tanto no trabalho, quanto na compreensão da realidade cotidiana.

34 Trindade (1992 apud BELLONI, 1998) diz que as sociedades contemporâneas precisam de um novo tipo de indivíduo e de trabalhador em todos os setores sociais e econômicos. Esse indivíduo deve possuir habilidades múltiplas. Deve adaptar-se às novas situações. Esse autor destaca a autogestão, a capacidade para resolver problemas e de se adaptar e ser flexível diante das situações de trabalho, a responsabilidade de aprender por si só, ou seja, ser autônomo no processo de aprendizagem.

Belloni (1999) diz que os desafios para a educação superior são muito grandes. Deve- se primar pela aquisição de habilidades de aprendizagem e interdisciplinaridade, buscando-se desenvolver o espírito científico, a competência para a pesquisa e a formação ao longo da vida.

Além disso, vê-se cada vez mais a procura pelos cursos superiores, ao mesmo tempo em que nossas instituições de ensino se apresentam sem condições de expandir a oferta de vagas, pela total falta de infraestrutura e de docentes qualificados.

Para Belloni (1998), sem mudanças profundas no modelo de ensino praticado será difícil atingir níveis consideráveis de expansão, de modo a permitir o acesso maciço de cidadãos à educação superior.

Tal expansão e tais mudanças na estrutura de ensino parecem dificilmente realizáveis sem transformações profundas no atual modelo de ensino superior, baseado o no uso intensivo de mão-de-obra altamente qualificada (o professor na sala de aula, com um número reduzido de alunos). (Idem, p. 23)

Há necessidade de um modelo que possibilite o aumento da produtividade do sistema educacional. Isso requer novas metodologias e o uso das ferramentas da informática, ou seja, é necessário muito investimento em tecnologia.

Rosini (2007) diz que no mundo globalizado e do conhecimento as inovações tecnológicas são peças-chave para o progresso social e econômico de uma nação. A direção apontada por ele está baseada nas redes de aprendizagem e inovação. Esse autor destaca que é necessário fazer sinergia entre as instituições com o objetivo de se tirar o máximo de vantagens dessas tecnologias.

Segundo esse autor, o surgimento de um novo indivíduo é necessário para conduzir esse mundo complexo de globalização e inovação tecnológica, porém, para isso, é necessário também “o desenvolvimento de novas organizações, de um novo modelo de sistema educacional e de uma nova educação transdisciplinar para a sociedade, com uma nova mentalidade e capaz de atuar de forma ética.

35 A palavra de ordem, então, é aproveitar todo esse arsenal tecnológico em algo que seja produtivo para os seres humanos. Para que tanta tecnologia, se ela não pode ser utilizada para a expansão do acesso à educação? A Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que o indivíduo precisa ter liberdade de expressão, direito à educação e acesso à informação. Nunca foi tão possível ter esses direitos assegurados quanto nesse início de século XXI. Nunca chegamos tão próximos de construir a sociedade do conhecimento. (DELLORS, 2000).

Vê-se, entretanto, que são necessárias políticas públicas que fomentem o uso das tecnologias para a expansão da informação e da educação.

No Brasil, milhares de crianças e adultos ainda não conhecem um computador. Não sabem ainda o que é navegar na Internet. Muitas escolas ainda não possuem laboratórios de informática. As que possuem, não têm profissionais preparados para lidar com tais ferramentas.

A educação tem necessitado cada vez mais do auxílio das ferramentas tecnológicas em seu cotidiano, porém as possibilidades do uso de tais instrumentos nem sempre são totalmente conhecidas pelos profissionais da área, minimizando a potencialidade de suas ações. (HARASIM et al, 2005, p. 7)

Pretto (1998) aponta uma grande contradição no Brasil. Ao mesmo tempo em que este país está plenamente inserido nos mercados mundiais, apresentando tecnologias de ponta em muitas áreas, inclusive no mundo da comunicação e informação, vê-se que existe um distanciamento muito grande entre o mundo da informática e da comunicação com o mundo da educação.

Esse autor destaca ainda a importância da tecnologia para o Brasil:

Estes novos paradigmas tecnológicos, com a informatização veloz e quase generalizada da sociedade está presente em todo o mundo e, mesmo em países como o Brasil, onde as desigualdades sociais e regionais são muito grandes, ele é determinante, principalmente em termos de mercado de trabalho nos grandes centros urbanos. (PRETTO, 1998).

Entretanto, a introdução das tecnologias da informação e comunicação no sistema educacional não garante o acesso à educação de qualidade e nem à construção do conhecimento básico. Ou seja, A infraestrutura física e as tecnologias não são suficientes para transformar o sistema educacional e torná-lo compatível com a realidade vivida hoje. Para esse autor, a escola deve estar “conectada, interligada, integrada, articulada com a rede, passa a ser mais um elemento vital deste processo coletivo de produção de conhecimento”. (Idem, 1998)

36 Portanto, a transformação que se vislumbra no sistema educacional é bastante profunda. Envolve uma consciência coletiva e requer políticas educacionais coerentes com as transformações da sociedade.

4.2 Definição de EaD

Antes de se falar em Universidade Aberta, considera-se importante trazer para este estudo a definição do conceito de EaD, partindo do conceito constante do Decreto 2.494/1998, seguindo-se as definições de estudiosos importantes sobre o assunto.

Desta forma, de acordo com o Decreto 2.494/1998, tem-se a seguinte definição sobre a EaD:

Forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação. (BRASIL-MEC, 1998).

Hoje, quando se fala em educação a distância, logo se pensa em educação através dos meios da informática, com o uso do computador e da Internet, tão grande foi a evolução dessa tecnologia e seu uso pela educação. Mas, como se viu na definição do Decreto 2.494 e como se verá na definição de outros autores, a educação a distância pode ser realizada através de vários tipos de mídia.

Aretio (1987) diz que nos últimos tempos se multiplicaram as definições sobre este tema. Ele diz que o “ensino aberto” é sinônimo de educação a distância e também é uma expressão imprecisa que está sujeita a que vários autores deem suas próprias definições.

Para Restrepo (1977), a educação a distância é aquela que se utiliza de diversas tecnologias educacionais para levar o ensino a pessoas distantes geograficamente, numa “relação não-presente”.

Por educação a distância ou teleducação costuma-se considerar o sistema de insumos e processos que visam levar o ensino a uma população geograficamente dispersa e, portanto, através de uma relação não-presente. (Idem, p. 10)

Para Vitorino (2006), o conceito de a educação a distância “mais abrangente inclui todas as formas de ensino-aprendizagem nas quais os alunos e-ou professores se comunicam de qualquer maneira além de reuniões em sala de aula”.