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6. DRØFTING

6.1 ASHA (2005)

Existem três vertentes da Sociolinguística: a Sociolinguística Variacionista de Labov, a Interacionista de Gumperz e a Etnografia da Comunicação de Hymes (DUCROT; SCHAEFFER, 1972, [1995]).

O foco principal aqui versará sobre a Sociolinguística Variacionista e tomaremos algumas contribuições relevantes da Sociolinguística Interacionista.

A Sociolinguística em geral significa a inter-relação entre língua e sociedade, ou seja, são os usos diversos realizados pelas comunidades de fala. São aspectos sociais influenciando nas mudanças da língua, sejam elas fonético- fonológicas, semânticas, morfo-sintáticas, etc.

A Sociolinguística Variacionista provou, com os estudos quantitativos realizados por Labov, que a língua, na verdade, não é um “caos”, pois suas mudanças têm sistematicidade, organização e explicação quando se verifica e correlaciona fatores como sexo, idade e profissão, como afirma Faraco (1991).

A Teoria da Variação define em seu método de coleta dos dados premissas que devem ser seguidas para se obter dados fidedignos. Tarallo (2005) explica que, em um estudo sociolinguístico, o pesquisador deverá coletar a fala

controlando as variáveis estipuladas e para isso poderá estimular o falante para tal procedimento (entrevista sociolinguística).

Tarallo (2005, p. 21-22) orienta que a entrevista sociolinguística tem o propósito:

De minimizar o efeito negativo causado pela presença do pesquisador na naturalidade da situação de coleta de dados [...] através de um roteiro de perguntas, o qual objetiva homogeneizar os dados de vários informantes para posterior comparação, controlar os tópicos de conversação, e, em especial, provocar narrativas de experiência pessoal [...] A palavra língua deverá ser evitada[...], pois o objetivo é que o informante não preste atenção a sua própria maneira de falar [...] por isso, são explorados tópicos a respeito da história do falante, sobre risco de vida, namoro, casamento, entre outros.

Desta maneira, foi com as contribuições de Labov, por volta dos anos 1960 e 1970, que as pesquisas sociolinguísticas tornaram-se mais reconhecidas e valorizadas, pois os resultados estatísticos provaram a organização e sistematização das variações linguísticas condicionadas aos fatores sociais. Por isso, toda pesquisa Sociolinguística Quantitativa necessita de cálculos estatísticos.

A Sociolinguística era uma área que apresentava apenas dados qualitativos e subjetivos e, por isso, a Sociolinguística Variacionista teve seu reconhecimento e credibilidade devido aos resultados que comprovavam a mudança objetivamente. Assim explica Fernández (1998, p. 318), sobre o método variacionista:

O método variacionista procura a probabilidade matemática de traços linguísticos mediante situações linguísticas, sociológicas e contextuais específicas. É a partir da frequência dos dados recorrentes em um grupo de falantes, que se cria um modelo teórico formado pelas probabilidades, do qual se encontra os fenômenos que concorreram em diversas circunstâncias. A estatística se encarrega de precisar até que ponto as probabilidades calculadas são verdadeiras e quais são as circunstâncias que, ao ocorrerem simultaneamente, podem explicar melhor um feito linguístico.

Antecedendo a essa etapa estatística deve-se, então, definir numa pesquisa Sociolinguística, as variáveis linguísticas e suas variantes, bem como as variáveis sociais. Como afirma Tarallo (2005, p. 8) “variantes linguísticas são, portanto, diversas maneiras de se dizer a mesma coisa em um mesmo contexto, e com o mesmo valor de verdade. Para um conjunto de variantes dá-se o nome de

variável linguística”. O mesmo ocorre com as variáveis sociais, que, de acordo com Mollica (2004, p. 27), “as variáveis, tanto linguísticas quanto as não linguísticas, não agem isoladamente, mas operam num conjunto complexo de correlações que inibem ou favorecem o emprego de formas variantes semanticamente equivalentes”.

Mollica (2004) levanta questões bastante discutidas recentemente com relação às variáveis sociais, afirmando que não há só ó o sexo, o nível de escolaridade, a idade, e sim, outros aspectos sociais que podem interferir na comunidade de fala. Fato motivador para inserção, nesta pesquisa, de variáveis sociais pouco pesquisadas, como a naturalidade dos pais e o tempo de exposição.

É o que corrobora Mollica (2004, p. 29) quando afirma que “as evidências estatísticas [...] sugerem que renda, valor de mercado, mídia e sensibilidade linguística, conjuntamente com outros parâmetros, podem ser bons indicadores sociais”.

Além do mais, a Sociolinguística, por conceber que a fala é heterogênea, ou seja, que a fala é resultado do enlace social com linguístico, deverá, mesmo num estudo variacionista, considerar aspectos interacionais, os quais revelam a importância da identidade e da aculturação.

A identidade para Dubar (1991) é construída e reconstruída por toda a vida sendo resultado de reflexões individuais e de interações coletivas, de trocas de experiências.

A respeito da aculturação, Chianca (2010) advoga, que ao contrário do que se pensa, ela ocorre quando há absorção de traços característicos do outro, sendo possível através do contato entre diferentes grupos de forma contínua e duradoura.

Por isso, pode-se numa pesquisa Sociolinguística acrescentar uma entrevista direcionada apenas para a percepção do falante, objetivando analisar aspectos relacionados à sua identidade (atitude linguística diante das construções e reconstruções em desenvolvimento), bem como, verificar traços que apontem aculturação, os quais poderão ser revelados em segmentos fonéticos, em expressões, na entonação, nos gestos.

Esses aspectos podem, dependendo do tempo de exposição do falante e de sua atitude linguística (concepção de prestígio sócio-político-econômico e cultural), aparecer primeiramente em expressões locais, ou na entonação, ênfases, intensidade vocal dadas na fala e/ou nos segmentos consonantais, de vogais, dentre outros, característicos do local em que vive.

Após breve explanação a respeito da Sociolinguística e Teoria Variacionista, será abordada a Teoria da Acomodação, a qual é parte imprescindível para esta pesquisa.