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10.2 Publications in English from the Institute of Women's Law 1990-2001

10.2.2 Articles

Entre julho e agosto de 2015, foram aplicados 934 questionários junto aos visitantes que permaneceram nas filas para ver a Exposição Picasso e a modernidade espanhola. Entre abril e junho de 2016, foram aplicados 607 questionários nas filas da exposição ComCiência, Patrícia Piccinini.

A utilização de questionários do tipo survey50 nessa etapa da pesquisa partiu da avaliação de que a amostragem possibilitaria uma relação capaz de assegurar que a generalização dos resultados formasse um conjunto de informações suficientemente confiável para se traçar um perfil dos frequentadores das exposições escolhidas. Os resultados poderiam ser utilizados como material para verificar em que medida as teses sobre o perfil de público de museus

50A pesquisa survey é indicada para a obtenção de informações sobre características, ações e opiniões de

determinado grupo de pessoas, representante de uma população-alvo, por meio de um instrumento de pesquisa, normalmente um questionário (Tanur apud Pinsonneault & Kraemer,1993) in FREITAS, H; OLIVEIRA, M; SACCOL,A; MOSCAROLA, J. O método de pesquisa survey. Revista de Administração. São Paulo.v.35, n.3, p.105-112/julho/setembro2000. Disponível em: http://www.utfpr.edu.br/curitiba/estrutura- universitaria/diretorias/dirppg/especializacoes/pos-graduacao-dagee/lean-manufacturing/PesquisaSurvey012.pdf. Acesso em: 17 abril 2017.

reveladas por outras pesquisas realizadas no país e no exterior e já mencionadas neste trabalho se aproximam e se distanciam do perfil apurado nas exposições do CCBB.

Para se permitir a comparação entre os resultados apurados nas duas exposições, foram adotados procedimentos idênticos em todas as fases da pesquisa. O mesmo questionário foi administrado, em condições similares, isto é, nas filas de espera para entrada dos dois eventos. O preenchimento levava em torno de dez minutos e em ambas as exposições os respondentes demonstraram interesse em participar. Alguns até se ofereceram para responder as 25 perguntas fechadas que versavam sobre questões que aferiam o perfil sociodemográfico e psicográfico do visitante.

Os questionários foram preenchidos pela equipe do CCBB, que respeitou um intervalo entre os respondentes de cerca de 10 pessoas na fila, a alternância de gênero e a idade mínima de 14 anos. Não foram feitas pesquisas com grupos escolares. O preenchimento dos questionários respeitou ainda uma escala de horários e um número máximo de entrevistas por dia para que se pudesse obter representantes do público de dias da semana e horários diversos. Os critérios estabelecidos tiveram o objetivo de garantir a amostra mais aleatória e diversa possível.

O intervalo de 10 pessoas entre os respondentes foi determinado, assim como a alternância de gênero, para evitar algum possível viés na abordagem pela equipe que aplicou o questionário, uma vez que, inconscientemente, pode-se gerar algum desvio por uma maior facilidade de aproximação do entrevistador com determinado gênero. Em resumo, a determinação arbitrária do intervalo reduz a interferência do entrevistador na seleção dos entrevistados.

A distância entre os respondentes também visou impedir que as respostas dadas por um entrevistado interferissem nas do participante subsequente. Além disso, evitou-se entrevistar indivíduos de um mesmo grupo familiar ou de amigos, fato que poderia induzir a desvios nas respostas, como a assunção de certos padrões ou hábitos prevalecentes no grupo ou a inibição quanto às características sociodemográficas individuais e familiares.

Cerca da metade das perguntas versou sobre as características sociodemográficas, como estado civil, ocupação, renda familiar mensal, cor ou raça, religião. Para a definição da renda, foi apresentado aos respondentes uma cartela contendo as faixas de renda mensal familiar e

solicitado que eles dissessem a letra da resposta que correspondia à sua faixa. Dessa forma, procurou-se minimizar o desconforto de se revelar a renda diante de estranhos numa fila. O método teve boa aceitação, ocorrendo pouquíssimos casos de negação de resposta.

Quanto à auto declaração de cor ou raça, embora a pergunta mencionasse que se estava utilizando as categorias utilizadas pelo IBGE, a categoria “preto” gerou um certo incômodo em alguns respondentes que afirmavam preferir se autodeclararem “negros”. Com esse pequeno residual, se optou por escrever a palavra negro no questionário e contabilizá-lo na categoria “preto” na apuração final.

Por ser item bastante importante para o resultado da pesquisa, além do próprio nível de escolaridade, o respondente também foi questionado em relação ao nível educacional de seus pais, pois pesquisas anteriores no exterior e no Brasil, como a dos pesquisadores Isaura Botelho e Maurício Fiore (2004), já apontaram a importância dos pais na transmissão do hábito de consumo cultural.

O restante do questionário constou de perguntas a respeito do modo como o pesquisado soube da exposição, sua motivação para participar do evento, que meio de transporte utilizou e com quem veio ao CCBB. O interesse em atividades culturais para preenchimento do tempo livre foi aferido através da menção de atividades como “ir a museus; ir a concertos; ir ao teatro e outros” numa escala em que era solicitado ao entrevistado apontar se tinha muito interesse, pouco interesse ou nenhum interesse. Logo em seguida, a real frequência a esses eventos foi apurada a partir da menção às mesmas atividades, mas para que o entrevistado apontasse se costumava participar delas com muita frequência, pouca frequência ou nenhuma frequência.

Também foi aferido o grau de frequência dos participantes ao próprio CCBB. Aos respondentes que estavam no CCBB pela primeira ou segunda vez foi solicitado que deixassem e-mail e telefone para um posterior contato. De maneira geral, houve boa receptividade ao pedido, embora aqueles que optaram por deixar somente e-mail tenham sido em número bastante superior. Por outro lado, houve um contingente bem expressivo de pessoas que, mesmo fora dos critérios de estarem na primeira ou segunda visita, faziam questão de deixar seus contatos.

A partir da apuração do resultado das duas pesquisas foi possível conhecer as principais características e hábitos dos visitantes de grandes mostras de arte realizadas no CCBB e identificar os aspectos em que o público dos dois eventos se assemelhavam e aqueles em que se diferenciavam. Além disso, a análise também procurou comparar esses dados aos obtidos por outras pesquisas, como a denominada “perfil cultural dos cariocas”, realizada pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro no ano de 201551; a Pnad de 2011, a de 2014 e o Censo 2010.

Figura 5: Fila na exposição Picasso e a modernidade Espanhola Fonte: CCBB

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