A visão baseada em recursos tangencia o tema das competências relacionando-o à vantagem competitiva, porém não foca unicamente nele. Para Wernerfelt (1984), a VBR se refere a uma maneira diferente de conceber a firma, apreciando-a com enfoque nos seus recursos, não apenas em seus produtos. A ênfase da VBR está na vantagem competitiva
sustentável, que se constitui na implementação de uma estratégia de criação de valor que não
ou potenciais); essas firmas são incapazes de replicar os benefícios dessa estratégia porque eles são dependentes do histórico da organização, da sua cultura, do sistema de liderança e da mobilização de recursos únicos (BARNEY, 1991).
Muitos autores (Peteraf, 1993; Vasconcelos; Cyrino, 2000; Barney, 1991; Escrig- Tena; Bou-Llusar, 2005; Mosakowski; McKelvey, 1997, entre outros) mencionaram os trabalhos de Penrose (1959), que se referiu à firma como um “feixe de recursos”, e de Andrews (1971), que propôs o modelo SWOT de análise organizacional (Strenghs –
Weakness – Opportunities – Threats), como precursores da VBR. Os pressupostos da VBR
estão relacionados à heterogeneidade da distribuição dos recursos entre as firmas e, como esses recursos não se movem rapidamente de uma firma para outra e não são facilmente desenvolvidos, o modelo da VBR assume também a estabilidade dessas diferenças, isto é, a heterogeneidade pode ser duradoura (BARNEY, 1991).
Os indicadores de quais recursos organizacionais podem gerar vantagem competitiva sustentável dizem respeito ao quanto tais recursos são valiosos, raros, difíceis de imitar e possíveis de serem implementados pela organização (BARNEY, 1991; PETERAF, 1993). Vasconcelos e Cyrino (2000) lembraram que o que atrai a atenção dos pesquisadores da VBR são os recursos cuja oferta não pode ser aumentada a curto prazo. Wernerfelt (1984) definiu recurso como:
qualquer coisa que possa ser pensada como uma força ou uma fraqueza numa dada firma. Mais formalmente, os recursos de uma firma num determinado momento podem ser definidos como aqueles ativos (tangíveis e intangíveis) que estão associados de forma semipermanente à firma.
(WERNERFELT, 1984, p.172).
Seguindo a noção acima, Mills et al. (2002) exemplificaram os recursos tangíveis como prédios, instalações, equipamentos, licenças exclusivas, patentes, ações, terrenos, devedores e empregados. Quanto aos intangíveis, os autores apontaram para as habilidades, experiência e conhecimento dos empregados, conselheiros, fornecedores e distribuidores.
Barney (1991) reforçou que, numa análise estratégica tradicional, os recursos de uma firma são forças usadas para conceber ou implementar a estratégia; assim, nem todos os recursos são estrategicamente relevantes. Complementando o enfoque estratégico, o autor utilizou definição feita por Daft (1983), que incluiu nos recursos da firma “ativos, capacidades, processos organizacionais, atributos, informação, conhecimento, etc, controlados
pela firma, os quais a capacitam a conceber e implementar estratégias que melhorem sua eficiência e efetividade.”
Barney (1991) identific
capital físico, recursos do capital humano e recursos do capital organizacional. Segundo o autor, os recursos de capital físico de uma firma incluem a tecnologia física, equipamentos e instalações, localização geográfica e o acesso
se referem a treinamento, experiência, julgamento, inteligência, relacionamentos, e “insight” de gestores individuais (destaque do autor) e trabalhadores da firma. Recursos de capital organizacional englobam a estrutura formal da empresa, seu planejamento formal e informal, sistemas de controle e coordenação, assim como relações informais entre grupos dentro da firma e entre a firma e outros grupos de seu ambiente (BARNEY, 1991). Embora o autor tenha usado terminologia diversa, as noções de recursos de capital humano e de capital organizacional, somadas, se aproximam do conceito de competências
conforme será visto mais adiante.
Para a VBR, apesar de não ser evidente a preocupação quanto à disti
competências organizacionais dos demais recursos de uma organização, existe uma premissa central de que os recursos (e as competências) são determinantes para o estabelecimento da estratégia (BARNEY, 1991; PETERAF
devem adotar estratégias que os seus recursos possam sustentar; a tarefa crítica é, dessa forma, usar os recursos disponíveis em todo o seu potencial.
adaptado a partir de Barney (1991), a fim de demonstrar
recursos da firma e a estratégia, direcionada à vantagem competitiva sustentável
Figura 2.1 – A relação entre recursos e estratégia conforme a Visão Baseada em Recursos Fonte: adaptado de Barney (1991)
pela firma, os quais a capacitam a conceber e implementar estratégias que melhorem sua
Barney (1991) identificou três categorias de recursos organizacionais: recursos de capital físico, recursos do capital humano e recursos do capital organizacional. Segundo o autor, os recursos de capital físico de uma firma incluem a tecnologia física, equipamentos e instalações, localização geográfica e o acesso a materiais brutos. Recursos de capital humano se referem a treinamento, experiência, julgamento, inteligência, relacionamentos, e “insight” (destaque do autor) e trabalhadores da firma. Recursos de capital a estrutura formal da empresa, seu planejamento formal e informal, sistemas de controle e coordenação, assim como relações informais entre grupos dentro da firma e entre a firma e outros grupos de seu ambiente (BARNEY, 1991). Embora o autor minologia diversa, as noções de recursos de capital humano e de capital organizacional, somadas, se aproximam do conceito de competências
conforme será visto mais adiante.
, apesar de não ser evidente a preocupação quanto à disti
competências organizacionais dos demais recursos de uma organização, existe uma premissa central de que os recursos (e as competências) são determinantes para o estabelecimento da
BARNEY, 1991; PETERAF, 1993). Conforme observou Peteraf
devem adotar estratégias que os seus recursos possam sustentar; a tarefa crítica é, dessa forma, usar os recursos disponíveis em todo o seu potencial. A Figura 2
adaptado a partir de Barney (1991), a fim de demonstrar a relação proposta pela VBR entre os recursos da firma e a estratégia, direcionada à vantagem competitiva sustentável
A relação entre recursos e estratégia conforme a Visão Baseada em Recursos Fonte: adaptado de Barney (1991)
pela firma, os quais a capacitam a conceber e implementar estratégias que melhorem sua
nizacionais: recursos de capital físico, recursos do capital humano e recursos do capital organizacional. Segundo o autor, os recursos de capital físico de uma firma incluem a tecnologia física, equipamentos e a materiais brutos. Recursos de capital humano se referem a treinamento, experiência, julgamento, inteligência, relacionamentos, e “insight” (destaque do autor) e trabalhadores da firma. Recursos de capital a estrutura formal da empresa, seu planejamento formal e informal, sistemas de controle e coordenação, assim como relações informais entre grupos dentro da firma e entre a firma e outros grupos de seu ambiente (BARNEY, 1991). Embora o autor minologia diversa, as noções de recursos de capital humano e de capital organizacional, somadas, se aproximam do conceito de competências organizacionais,
, apesar de não ser evidente a preocupação quanto à distinção das competências organizacionais dos demais recursos de uma organização, existe uma premissa central de que os recursos (e as competências) são determinantes para o estabelecimento da Peteraf (1993), as firmas devem adotar estratégias que os seus recursos possam sustentar; a tarefa crítica é, dessa 2.1 apresenta esquema a relação proposta pela VBR entre os recursos da firma e a estratégia, direcionada à vantagem competitiva sustentável.
É importante notar que, mesmo estando diretamente relacionados à vantagem competitiva sustentável, conforme exposto na Figura 2.1, os recursos são encarados pela VBR como elementos em potencial (PETERAF, 1993), um estoque à disposição da organização, mas o fato de existirem não faz necessariamente que se revertam em desempenho. Considerando as competências organizacionais dentro do esquema proposto, pode-se dizer que estariam incluídas, ainda que não diferenciadas, no bloco dos recursos na Figura 2.1.