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Arealstatus på 3Q-flater ettersom arealet er eid, leid eller ikke registrert i drift

Moreira, Nico e Tomita (2007) apontam que aspectos geográficos podem estar relacionados de diferentes formas com aspectos da saúde bucal da população, como a própria condição de saúde bucal, a localização de serviços de atenção odontológica e as formas de acesso a esses serviços (locomoção e transporte), a localização de equipamentos sociais (escolas, centros comunitários e áreas de lazer), a infraestrutura local como provedora de condições mínimas de bem-estar para a população (saneamento básico, energia elétrica, moradias adequadas e segurança pública) e toda a rede de suporte social.

O perfil epidemiológico da saúde bucal no Brasil é complexo e heterogêneo (ARANTES; SANTOS; FRAZÃO, 2010) e, na faixa de fronteira, não é diferente. No Arco Norte, a maior ruralidade da população estabelece maiores dificuldades no atendimento à saúde agravadas pela falta de estradas e transportes velozes e pela dependência dos rios e seus meandros para o acesso à saúde de populações ribeirinhas (PEITER, 2005). Neste arco, há grupos com níveis de ataque de cárie muito altos, como os Kinsedje e Ikpeng, no Xingu (ALVES FILHO; SANTOS; VETTORE, 2013). Por outro lado, existem grupos, como os Yanomami do oeste da Amazônia (na fronteira do Brasil com a Venezuela), que apresentam baixa prevalência de cárie, com uma dieta com pouca presença de açúcar refinado e outros alimentos industrializados (ARANTES; SANTOS; FRAZÃO, 2010).

Porém, esta problemática não se restringe a esse arco, reproduzindo-se também em áreas específicas do Arco Central, o qual apresenta uma situação mais heterogênea com sub-regiões com características próximas às do Arco Norte e outras às do Sul em relação à situação do atendimento em saúde (PEITER, 2005). Um exemplo disso são os Xavante, uma das maiores etnias indígenas existentes no país, com mais de 10 mil pessoas, cujas terras estão localizadas no Mato Grosso, que experimentam uma transição em saúde bucal. Nessa população, os níveis muito baixos da doença observados nas primeiras décadas de contato permanente com a sociedade não-indígena contrastam com o quadro atual, caracterizado pelo

elevado número de dentes cariados e vários elementos dentários perdidos, com focos de infecção e dor (ARANTES; SANTOS; FRAZÃO, 2010).

Os autores supracitados destacam, ainda, evidências de desigualdades entre índios e não-índios no que diz respeito ao acesso a serviços de atenção à saúde bucal e a métodos preventivos regulares, o que deixa as populações indígenas mais vulneráveis em relação à cárie e suas complicações, bem como a outros problemas bucais. Essa população, geralmente, apresenta-se com baixa quantidade de dentes tratados, indicando a existência de uma baixa oferta de serviços restauradores e uma exposição a práticas odontológicas mutiladoras. Além disso, os serviços básicos de atenção à saúde bucal oferecidos têm sido realizados de forma descontínua, com baixa cobertura e distribuição irregular entre as diferentes comunidades.

No tocante à atenção secundária em saúde bucal dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), além da Região Norte possuir o menor percentual de serviços implantados, estes centros enfrentam dificuldades no cumprimento das metas relativas à quantidade de procedimentos informados nos sistemas de informação, sobretudo nos municípios de menor porte populacional e desenvolvimento humano (GOES et al., 2012).

A faixa de fronteira representa uma região geográfica de interface entre nações, por onde ocorrem intercâmbios entre culturas tradicionais e modernas, trocas comerciais legais e ilegais, migrações humanas temporárias e permanentes, que, além de promover o contato entre as pessoas, possibilitam a transmissão de doenças, como a AIDS (RODRIGUES-JÚNIOR; CASTILHO, 2010), que é um dos temas de destaque na relação entre saúde e fronteira (PEITER, 2005). Esse aspecto atrai atenção para a importância da saúde bucal nas políticas de saúde na fronteira, haja vista que as manifestações orais são os mais precoces e importantes indicadores da infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), além de poderem prever a progressão da infecção pelo HIV à AIDS e a necessidade de terapia antirretroviral, o que explica o peso dado a estas lesões na prevenção da AIDS e em programas de intervenção (COOGAN; GREENSPAN; CHALLACOMBE, 2005).

Lesões orais podem estar presentes em até 50% de pessoas infectadas com HIV e em até 80% dos pacientes com diagnóstico de AIDS e, em geral, são claramente visíveis, podendo ser diagnosticadas com segurança a partir das características clínicas apenas. São relatadas sete lesões fortemente associadas à infecção pelo vírus: candidíase oral, leucoplasia pilosa, sarcoma de Kaposi, eritema gengival linear, gengivite ulcerativa necrosante, periodontite ulcerativa necrosante e linfoma não-Hodgkin (COOGAN; GREENSPAN; CHALLACOMBE, 2005; PETERSEN et al., 2005).

Isso enfatiza a importância de um exame oral completo em todas as fases do diagnóstico e tratamento dos pacientes HIV positivos, bem como daqueles em suspeita ou risco de infecção (COOGAN; GREENSPAN; CHALLACOMBE, 2005). Além disso, os serviços e profissionais de saúde bucal podem contribuir de forma eficaz para o diagnóstico precoce, prevenção e tratamento, assim como para o controle do HIV/AIDS através de educação em saúde, assistência ao paciente, controle de infecção e vigilância efetiva (PETERSEN, 2006).

Outro fator de relevância da saúde bucal para a saúde na fronteira é a demanda que se apresenta em virtude das repercussões negativas na saúde bucal da infecção pelo HIV (PETERSEN et al., 2005; PETERSEN, 2006), necessitando de cuidados de saúde oral, incluindo cuidados imediatos e encaminhamento, o tratamento das manifestações orais da doença, a prevenção de problemas e a promoção da saúde (PETERSEN et al., 2005). Essa situação pode ser exemplificada pelo estudo de Rodrigues-Júnior e Castilho (2010), o qual evidencia a presença marcante da candidíase nas notificações dos casos de AIDS, principalmente, da candidíase oral e esofágica, provocada pela deficiência imunológica.

As manifestações orais do HIV/AIDS são consideradas um desafio importante para a melhoria da saúde no futuro, particularmente em países em desenvolvimento, haja vista que países na África, Ásia e América Latina têm falta de profissionais de saúde bucal, e a capacidade dos sistemas é geralmente limitada ao alívio da dor ou cuidados de emergência. Logo, é necessário que os profissionais de saúde bucal tenham acesso a programas de educação continuada para melhorar os seus conhecimentos e habilidades na assistência de pacientes infectados pelo HIV e prevenir a infecção cruzada em estabelecimentos de assistência à saúde (PETERSEN, 2006).

Práticas culturais específicas para cada região podem ser um dos obstáculos para a melhoria de atitudes e práticas de saúde bucal, porém estratégias específicas e culturalmente apropriadas precisam ser implementadas a fim de reduzir-se a carga de doença bucal da população (BOURGEOIS; LLODRA, 2014). De modo que as ações em saúde devem ser pensadas, articuladas e executadas de forma intersetorial, pois é impossível admitir que medidas, somente no campo da saúde bucal, sejam suficientes à resolução das iniquidades na distribuição do processo saúde-doença oral (MOREIRA; NICO; TOMITA, 2007).

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