Nas entrevistas ficou evidenciado que os profissionais de segurança pública reconhecem que o uso das estatísticas criminais está cada vez mais inserido na sua
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rotina e que isto acaba se refletindo na questão da capacitação dos envolvidos, principalmente dos diretamente responsáveis pelas análises criminais.
Então é uma situação, é uma ferramenta de trabalho que a gente está aprendendo a utilizar. (E8)
(...) E que pelo menos saiba ler os dados, não basta você ter os números, você tem que saber ler os números. Então hoje a estatística não tem jeito, a gente tem que trabalhar em cima de números. (E12) Estamos sempre fazendo cursos. Pelos menos pretendemos sempre estar nos aprimorando, isso com certeza ocorre aqui. (E10)
Foi levantada nas entrevistas a questão de quanto maior a capacitação dos profissionais de segurança pública usuários das análises provenientes das estatísticas criminais, maior a qualidade dos pedidos solicitados ao ISP.
Mas a qualificação das pessoas lá da ponta que estão usando, conforme ela melhora, aumenta a qualidade dos pedidos. Então aquela coisinha mais básica já não satisfaz o malandro, ele já quer um negócio melhor. (E22)
Mais uma vez a implantação do Sistema de Metas aparece como uma variável que estimula uma maior procura pela capacitação técnica no uso dos dados estatísticos criminais.
E sem dúvida, aí voltando a sua pergunta, as polícias não estavam preparadas para isso, tinham abandonado, claro, você dava estatística lá na academia, mas uma estatística meramente acadêmica, quer dizer, a aplicação daquele conhecimento cientifico no seu dia a dia isso não acontecia. Nós fizemos uma série de cursos de capacitação, o ISP já tinha um curso de metodologia quantitativa, que tinha alguma procura, mas também o cara voltava para a sua unidade e aplicava em que? Então até alguns por iniciativa própria, como nós fizemos esse curso em Minas Gerais, fizemos o curso de georeferenciamento, de métodos quantitativos, voltamos para o Rio de Janeiro, e aí, aplicar aonde isso, se não havia essa cultura (...) Então hoje você começa a dar uma lógica, a criar a necessidade, ter mais gente capacitada para lidar com metas quantitativas. (E19)
Foi chamado atenção, especificamente em relação à PMERJ, a inclusão recente87 da disciplina análise criminal ministrada pela equipe do ISP no último ano do curso de formação de oficiais.
A polícia modificou bastante no sentido de aproveitar essas informações, tanto que dentro da formação dos oficiais da Academia da onde eu vim, já está inserido no currículo, na malha da escola, análise criminal (...) (E8)
Só que como o número de cursos de capacitação de policiais aumentou muito, eles mesmos então começando a caminhar com as próprias pernas (...) Melhorou bastante, foi como eu falei, a gente está passando até um dado mais cru hoje em dia do que antigamente (...) (E26)
Bom, acho que a capacitação dos policiais melhorou bastante, como eu te falei, o curso está sendo dado no terceiro ano e os cursos que acontecem por fora ajudam eles a poder elaborar mais, trabalhar mais com os dados, entender melhor também como ocorre, como deve ser feito. (E26)
Eu vejo que a PM hoje já se prepara para isso, porque os garotos já saem da academia, qualquer aspirante que você pegar ele tem curso de técnicas quantitativas. (E13)
O enfoque nestes oficiais recém-formados é importante porque indica a percepção com a qual irão chegar sobre o uso das estatísticas criminais quando forem exercer suas funções.
Porque eles vão sair aspirantes e certamente eles vão trabalhar com isso. Porque eles vão trabalhar como adjunto da terceira seção e vai ser cobrado deles esta análise dos dados (...) A operação e as instruções que é o setor que faz o planejamento das operações. (E8) Aí dentro da P3 tem uma seção de estatística, que é quem deveria estudar (...) E assessorar o P3 para ele planejar em cima das manchas. E quem está assumindo essa seção de estatística são esses alunos que
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estão saindo lá do nosso curso da academia. Porque a seção de estatística geralmente é função de recém-formado. Aí os caras já estão chegando tudo com isso na cabeça, a gente fez questão do curso ser no terceiro ano exatamente para o cara já sair (...) (E22)
Foi observado na entrevista em grupo realizada com 15 alunos aspirantes a oficiais, que eles estão saindo da Escola com uma noção do que é estatística criminal e da sua importância para o planejamento das suas atividades. Isto indica que estes profissionais que estão indo para rua, já possuem uma percepção da aplicabilidade das estatísticas criminais moldada pelo seu processo de formação. Inclusive citam os trabalhos que precisaram fazer para a disciplina análise criminal que simulava o uso das estatísticas criminais no planejamento operacional.
No entanto, de acordo com os oficiais aspirantes da PMERJ participantes da pesquisa, embora já tenham ocorrido avanços na capacitação voltada para o uso das estatísticas criminais, ainda podem ser feitos ajustes na organização das disciplinas que são ministradas na APM, sendo indicadas deficiências, como na base em informática, com a necessidade de aulas mais práticas, e, a falta de conexão entre algumas matérias ao longo do curso, como estatística, informática e análise criminal.
Durante a entrevista com os aspirantes foi percebido que ainda que haja um consenso no conhecimento sobre os dados estatísticos e sua aplicabilidade no planejamento do policiamento, nem todos demonstraram o mesmo entusiasmo em relação a este tema. Isto é, embora saibam do que se trata e que podem ser cobrados a usar este instrumento em suas atividades, alguns policiais se mostraram mais interessados por este tema do que outros, sendo importante um acompanhamento futuro destes policiais que estão indo para rua para avaliar se estas impressões irão se refletir no trabalho destes profissionais.
Eles são os aspirantes, eles são distribuídos conforme a necessidade de tenentes nos batalhões. Agora todos eles estão com preparo bem razoável. É claro que, como toda turma tem os melhores e os piores. Tem os 15% excelentes, tem os 15% horríveis e os 70% medianos. (E22)
Em contrapartida, a capacitação não deve estar voltada apenas para os policias que estão se formando, pois de acordo com os entrevistados na prática ainda falta para
alguns profissionais de segurança uma compreensão maior das considerações técnicas necessárias ao uso das estatísticas criminais, indicando que a melhora na capacitação é um processo ainda em curso.
Isto se reflete na percepção presente no discurso de muitos entrevistados de que os policiais recém-formados estão mais bem preparados para utilizar as estatísticas criminais do que os policiais mais antigos. Assim, é preciso também atentar para a capacitação destes policiais já formados, que muitas vezes podem estar exercendo alguma função de gestor. Ou seja, o gestor também precisa estar capacitado para direcionar e entender este uso das estatísticas criminais.
O coronel fala para a P3, o subordinado dele solicitar. Aí ele veio aqui pedir, a gente falou: essa área a gente não tem numérica, não tem uma qualidade boa, não tem como fazer, porque não tem a numérica do fato, então qualquer informação que eu dê pra você vai ser tendenciosa, porque não vem número nessa área, não tem numérica. (...) Então é aquele negócio, às vezes o cara quer que a gente passa a informação para ele mesmo que seja tendenciosa, mesmo que seja irreal. Mesmo que não tenha qualidade. Aí foi uma das coisas que acontece. Então eu acho, como eu falei, não são todos, mas tem muitos que não sabem pedir, não sabem o que pedir (...) (E26)
Em relação à PCERJ, foi ressaltada a importância da capacitação dos profissionais que realizam o preenchimento dos registros de ocorrência. Este é um problema citado por muitos entrevistados que se reflete na qualidade dos dados e consequentemente no grau de detalhamento que pode ser obtido com as análises criminais.
E a gente sente ainda que existe a necessidade de atualização permanente com relação a essa capacitação, a essa sensibilização para na hora do preenchimento do RO, do registro de ocorrência. O quão esse policial tem que estar preparado para ouvir, para ouvir, para dialogar, para registrar, como ele tem que registrar, eu acho que assim, é um componente para toda e qualquer política pública. Eu acho que a gente ainda carece de um aperfeiçoamento tanto nessa parte de ter uma questão de educação continuada com esse pessoal que está nas delegacias, no próprio Instituto Médico Legal (...) (E20)
De acordo com as entrevistas, está em curso na SESEG um processo de revisão do ensino, tanto na PCERJ quanto na PMERJ, que considera a questão do uso das estatísticas criminais.
E tendo assim análise criminal, a questão da estatística como um ponto de partida, a gente percebeu a necessidade da revisão das malhas curriculares adotadas pelas instituições de ensino policial, aí estou falando academia, centro de formação, Polícia Militar, Polícia Civil (...) (E20)