ALFABÉTICO CAVALO BORBOLETA BOI GATO A BORBOLETA É COLORIDA. CADERNO INICIAL ESCRITA DO PRÓPRIO NOME APONTADOR LÁPIS GIZ
MEU CADERNO É BONITO
FOLLOW UP
BOI PEIXE
TARTARUGA
O PEIXE NADA NO RIO. ESCRITA DO PRÓPRIO
NOME:
O PRIMEIRO NOME
Aluno A3-VC
Na avaliação realizada antes do Coensino, meados de abril 2012, o aluno A3-VC encontrava-se nível silábico sem valor sonoro convencional com repertorio predominante das vogais A, O e I em todas as palavras. O número de letras variou de duas a quatros letras, o que corrobora com a afirmação de Ferreiro e Teberosky (1999) de que é preciso de duas a quatro letras para que uma palavra possa ser lida. Inclusive essa hipótese foi constatada também na escrita da frase, pois o aluno escreveu-a com três letras mantendo a repetição das vogais em posições diferentes.
Essa aplicação demorou em torno de 25 minutos, ocorreu na sala de leitura da escola e de forma individual. A3-VC mostrou-se envergonhado, demorou a começar escrever, dizendo que não sabia precisando ser estimulado a escrever da forma que achasse que era. Buscou auxílio nas figuras expostas na parede da sala, mas no final resolveu escrever da forma que ele achava que era a correta.
A3-VC tinha 13 anos e demonstrava entender que o que estava sendo escrito por ele não era a forma correta de escrever, disse que estava envergonhado e que ele era burro, pois estava na escola há muito tempo e não sabia escrever seu nome. [...] A3-VC perguntou se eu iria ajudá-lo a aprender escrever seu nome porque ele queria tirar a carteira de identidade. [...] Conversamos sobre esses assuntos, A3-VC ficou mais relaxado e realizou o teste. [...] chamou minha atenção o fato dele perguntar se seus colegas também iriam fazer o teste [...] relatei esse fato a P3 e ela mandou mais alunos para a sala de leitura para que eu realizasse o teste com eles também, por fim avaliamos a turma toda, assim como foi com a P1 e P2. (PEE/P)
Durante o ano letivo A3-VC realizou as três avaliações intermediárias. Aumentou o repertorio de letras, pois as consoantes passaram a fazer parte da sua escrita que antes era composta apenas por vogais.
Nas avaliações intermediárias A3-VC era um aluno completamente diferente daquele menino da primeira avaliação, sua auto estima havia melhorado, aumentou seu repertório de letras [...] queria saber no mesmo momento se o que escreveu estava correto e qual era a forma correta [...] Pedia para que eu não falasse nada com os colegas sobre os erros dele, não que em algum momento eu tivesse feito isso, mas ele tinha receio de ser motivo de chacota entre os colegas.[...]. (PEE/P)
Durante a avaliação final realizada no mês de dezembro de 2012 A3-VC apresentou uma escrita silábica alfabética com valor sonoro convencional passado do nível 2 ao nível 4 em transição para o 5 da linguagem escrita na classificação proposta por Ferreiro e Teberosky (1999, p. 214) que se caracteriza por um momento de conflito, isto é o aluno está passado da hipótese silábica para alfabética “[...] o conflito entre as formas gráficas que o meio lhe propõe e a leitura dessa formas em termos de hipótese silábica [...]”, conforme observa-se na escrita das palavras: PLANETA=PLEA; SOL=SOEL; SATÉLITE= SMIH e TERRA= TDRAE. Na escrita da frase A3-VC escreveu a palavra inicial corretamente “A”, seguida da mesma grafia das palavras escritas anteriormente: PLEA e TDRAE.
Essa aplicação durou cerca de 10 minutos, foi realizada individualmente e o aluno mostrou-se totalmente à vontade para escrever as palavras que estavam fazendo parte do conteúdo da disciplina geografia naquela unidade: sistema solar.
A evolução de A3-VC é impressionante, não só nos aspecto pedagógico, mas no comportamento [...] acredito que isso se deva ao fato do aluno ter deixado de realizar apenas atividades com vogais ou de coordenação para atividades com mesmo conteúdo da sua turma e em muitos momentos a mesma atividade. [...] A3-VC agora é um adolescente confiante, não saia mais da sala a todo instante, cuidava dos seus materiais, realizava avaliações adaptadas [...]. (PEE/P)
No follow-up, mês de abril de 2013, A3-VC foi reavaliado e constatou-se uma regressão em sua aprendizagem, pois passou do silábico alfabético com valor sonoro convencional no final do ano de 2012 para a uma escrita de nível silábico sem valor sonoro convencional em uma das palavras e com valor em outras, como por exemplo, nas palavras: PEIXE escreveu PABAI e BOI escreveu BOCA. Verificou-se também a grafia do til em quase todas as palavras, especificamente na vogal “A” que compunha seu nome e que também possuía o til.
Em 2013 durante o follow-up a fiquei sabendo que as avaliações adaptadas realizadas A3-VC não constavam da pasta dele e só não foram parar no lixo na faxina do final do ano da escola, porque o próprio aluno pegou e guardou em sua mochila. [...] A professora de A3-VC desse ano relatou que ele estava com mesmo comportamento do início do ano passado: não respeitava os colegas e não queria fazer as atividades. [...] na avaliação percebi que o aluno regrediu [...] marquei com a professora que iria até a escola mais vezes para tentar colaborar com ela e com esse aluno, mas no mês de maio
quando retornei novamente à escola A3-VC havia deixado a escola por causa de brigas entre ele e outros colegas. [...] procurei a mãe do aluno, mas ela disse que seu filho não iria mais, pois até aquele mês não havia feito absolutamente nada na escola e que os colegas estavam “pirraçando” ele [...]. (PEE/P)
O dessempenho do aluno A3-VC na avaliação inicial, intermediária, final e follow-up podem ser visualizados na Figura 9 a seguir e nos exemplos das provinhas.
0 1 2 3 4 5 6
Avaliação inicial Avaliação
intermediária Avaliação final Follow up