2 Det norske pensjonssystemet
2.2 Arbeidsmarkedsbaserte pensjonsordninger
O presente estudo se caracteriza como uma pesquisa qualitativa de caráter etnográfico- interpretativista (ERICKSON, 1986; WATSON-GEGEO, 1988; STARFIELD, 2010), que inclui procedimentos qualitativos e quantitativos, uma vez que tem por objetivo caracterizar a competência lexical com base na linguagem oral produzida por alunos-formandos em Letras de uma universidade estadual paulista, tanto em situação de sala de aula como em situação de avaliação de proficiência oral. A caracterização da produção oral de vocabulário durante aulas de língua inglesa envolve a apresentação de seminários e a caracterização da produção oral de vocabulário em situação de avaliação se utiliza de três testes de proficiência oral, sendo dois testes considerados consagrados (FCE e IELTS) e um teste em fase de elaboração e destinado a avaliar a proficiência oral de professores de ILE (TEPOLI). Com base na análise de
competência lexical, este estudo tem ainda por objetivo propor critérios de avaliação de vocabulário especificados claramente na escala de proficiência do TEPOLI.
Este estudo se fundamenta em um paradigma de cunho interpretativista, segundo Erickson (op. cit.), termo mais inclusivo do que etnográfico, por exemplo, pela questão da semelhança entre as várias abordagens de pesquisa na área de ensino e aprendizagem que se interessam pelo significado humano na vida social, pela elucidação e exposição por parte do pesquisador. Além disso, o termo interpretativista permite evitar a conotação de não- quantitativo quando se usa o termo qualitativo.
Neste enfoque teórico, a pesquisa qualitativa na área de Linguística Aplicada tem sido tradicionalmente direcionada aos aspectos da comunicação e atualmente se estende desde cenários de políticas do ensino de línguas a ambientes não linguísticos do comportamento da língua, segundo Holliday (2010). De acordo com o autor, o objetivo principal da pesquisa qualitativa é obter informações sobre os aspectos do comportamento social, que inclui o processo de ensino e aprendizagem como um de seus contextos. Dessa maneira, a presente pesquisa considera, primeiramente, as percepções dos alunos-formandos sobre o processo de ensino e aprendizagem de vocabulário, bem como sobre a questão de avaliação de proficiência oral. A produção oral de vocabulário em situação de sala de aula e em situação de avaliação foi considerada no escopo da produção oral de vocabulário apropriado de acordo com os temas abordados. Além disso, a análise a respeito da validação dos descritores de vocabulário também foi desenvolvida de maneira qualitativa.
A pesquisa qualitativa, de acordo com Holliday (op.cit.), tem seus fundamentos associados à antropologia social e cultural e à etnografia, sua disciplina-irmã. Do mesmo modo, Watson-Gegeo (1988) afirma que o termo pesquisa qualitativa envolve vários tipos de abordagens e técnicas de pesquisa, dentre os quais inclui-se a etnografia. Contudo, cabe
ressaltar que há mais de vinte anos, Watson-Gegeo (op.cit.) afirmava que etnografia não era sinônimo de pesquisa qualitativa.
Watson-Gegeo (1988, p. 38) define a etnografia como “o estudo do comportamento das pessoas em contextos naturais em andamento, com foco na interpretação cultural do comportamento43”. Nunan (1992) afirma que a etnografia voltada para o ensino implica o estudo das características e da cultura de um determinado grupo em contextos naturais. De acordo com Watson-Gegeo (op. cit.), o pesquisador tem o papel de desenvolver a descrição e o relato interpretativo-explicativo do que as pessoas fazem em um contexto, como, por exemplo, o que acontece com alunos em sala de aula, o resultado de suas interações e o significado que essas interações têm para os alunos e para o professor. No entanto, o termo etnografia não é aplicado em seu sentido estrito em pesquisas desenvolvidas em contextos de ensino e aprendizagem, tendo sido adaptado para tais contextos, gerando um novo termo: pesquisas de cunho ou caráter etnográfico, bastante empregado em pesquisas da área de Linguística Aplicada.
No entanto, Starfield (2010, p. 50) inicia seu artigo com a pergunta: “por que adotar a metodologia etnográfica para pesquisas em Linguística Aplicada?” 44
. A autora segue afirmando que dependendo das perguntas de pesquisa e o que o pesquisador considera por língua, aprendizagem e comunicação determina a escolha da metodologia. Ainda de acordo com Starfield (op.cit., p. 50), se é considerado que “escrita, leitura, produção oral e compreensão oral, bem como a aprendizagem de línguas como fundamentalmente moldadas por contextos sociais em que ocorrem” 45
e se o interesse é “descobrir o sentido que os
43No original: “(...) the study of people‟s behavior in naturally occurring, ongoing settings, with a focus on the cultural interpretation of behavior (...)”
44 No original: Why adopt an ethnographic approach to research in applied linguistics? 45
No original: (…) writing, reading, speaking and listening and language learning as primarily shaped by the social contexts in which they occur (…)
participantes destes processos trazem para os eventos comunicativos em que se engajam, então a etnografia pode ser uma metodologia apropriada” 46.
Nesse sentido, ressalta-se a utilização do termo etnográfico para este estudo, pois foram consideradas as percepções dos participantes para o processo de geração de dados. Considerou-se ainda a interação desta pesquisadora com o contexto pesquisado, uma vez que se promoveu uma ênfase ao vocabulário em aulas ministradas durante o processo de ação pedagógica (BYRNES, 2002).
Utiliza-se o termo ação pedagógica por não haver o desígnio de tratar um problema no contexto de sala de aula, como a intervenção pedagógica de Allwright e Bailey, (1991), uma vez que o vocabulário já era trabalhado pelo professor da disciplina. Neste caso, a ação pedagógica tem unicamente como escopo prover insumo de vocabulário, dar ênfase a este componente e incentivar sua produção em sala de aula e em ocasião de testes orais, para que o processo de produção oral do componente lexical pudesse ser verificado em tais situações. Dessa maneira, enfatiza-se que a ação pedagógica foi desenvolvida nesta pesquisa no sentido de intervenção pedagógica (ALLWRIGHT & BAILEY, op.cit.), uma vez que se fez necessário atuar no contexto de sala de aula, como professora-pesquisadora, para ampliar um trabalho com foco na importância do vocabulário com vistas ao desenvolvimento da competência linguístico-comunicativa dos alunos-formandos.
A utilização de técnicas e procedimentos etnográficos, segundo Erickson (1986), segue o senso que o pesquisador desenvolve a partir da participação intensiva no contexto da pesquisa, por meio de registros cuidadosos sobre o que acontece neste contexto. Holliday (2010) ressalta que “entrevistas, observações, diários e assim por diante, não são tipos de dados, mas maneiras de coletá-los” 47. Assim, os registros se dão por meio de notas de campo
46 No original: (…)uncovering the meanings that participants in these processes bring to the communicative events in which they engage (…)
47 No original: It needs to be noted here that interviews, observations, diaries and so on (…) are not really types of data, but means of collecting it.
e outros tipos de evidência, tais como gravações em áudio e vídeo, exemplos do trabalho desenvolvido pelos alunos, além da reflexão analítica subsequente sobre tais registros a partir de descrição detalhada. Além disso, de acordo com Holliday (op.cit.), se apropriado, desenvolve-se uma descrição por meio de quadros analíticos, tabelas e dados estatísticos, procedimentos desenvolvidos neste estudo.
Ressalta-se, portanto, a combinação de procedimentos quantitativos e qualitativos para que se analise cuidadosamente o que os dados revelam. Segundo Allwright e Bailey (op.cit.), por conta da diversidade de tipos de dados presentes em uma pesquisa, é mais apropriada à utilização de métodos qualitativos atrelados a métodos quantitativos para a análise dos dados. Assim, a produção oral de vocabulário em sala de aula e em situação de avaliação de proficiência oral foi analisada por procedimentos qualitativos e quantitativos.
De acordo com pesquisadores como Allwright e Bailey (1991) e também Wallace (1998), a questão que permeia a ideia de objetividade e subjetividade em relação à utilização de métodos quantitativos e qualitativos é bastante controversa, dada a dificuldade apresentada em lidar com esses termos. Tanto a objetividade como a subjetividade têm suas respectivas funções e, na prática, podem ser combinadas com os termos quantitativo e qualitativo, combinação que, muitas vezes não só é possível como também desejável.
Wallace (op. cit.) afirma que os dois métodos, quantitativo e qualitativo, não devem se opor, uma vez que dados quantitativos podem iluminar percepções qualitativas e vice-versa. Segundo Ellis (1994) e Allwright e Bailey (op. cit.), essa combinação dos métodos é denominada como pesquisa híbrida.
Percebe-se, que os pesquisadores trazidos para esta discussão concordam com a utilização de métodos combinados, ao invés de uma adesão rígida a um método ou outro. A combinação de métodos, no entanto, deve se adequar conforme ao objetivo da pesquisa e ao tipo de análise de dados desenvolvido, como foi o caso deste estudo.
Portanto, com a finalidade de auxiliar a discussão dos dados que caracterizam a produção oral de vocabulário de alunos-formandos em Letras tanto em sala de aula como em situação de avaliação para, assim, propor critérios de avaliação do componente lexical em um teste de proficiência oral para professores de ILE, este estudo engloba duas dimensões: uma, de natureza qualitativa, com foco no processo, e outra, de natureza quantitativa, que focaliza a competência lexical, ou seja, com foco no produto.
A seguir, apresenta-se a descrição do contexto e dos participantes. Cabe ressaltar que os participantes são mencionados no intuito de traçar um perfil dos mesmos, ainda que seus perfis não sejam considerados na análise.