Abrangeremos agora as questões direcionadas aos professores (2 professores) e iremos discorrer sobre suas implicações.
Ao questionarmos os professores de inglês que participaram dessa pequisa sobre se existem recursos tecnológicos na escola, para uso em sala de aula, eles nos informaram que existem recursos tecnológicos (datashow, caixa de som e computadores) que podem ser utilizados.
Neste quesito, perguntou-se ainda, em caso positivo, quais recursos seriam e onde estes se localizavam, e obtivemos as seguintes respostas:
Professor 1: Existe datashow, computador, TV, e caixa de som, e
estão localizados na sala de Recursos.
Professor 2: Existe Datashow, computador, TV, e caixa de som, e
estão localizados na biblioteca e sala de Recursos.
Questionou-se, ainda, quais os procedimentos para fazer uso desses equipamentos e os docentes nos responderam:
60
Professor 2 - Não respondeu essa questão no questionário, deixando
em branco
Como podemos verificar, a escola possui alguns equipamentos tecnológicos que podem ser utilizados em sala de aula, mas os mesmos não são de fácil acesso e nem em número suficiente, o que possivelmente explique o motivo de não serem utilizados com frequência.
Questionamos os docentes da escola sobre se eles utilizam recursos tecnológicos durante sua prática docente em sala de aula e os entrevistados disseram que usam datashow, notebook e dicionário em forma de aplicativo no celular.
Ainda sobre esse aspecto, perguntou-se quais recursos eram usados e como eles os utilizam, e nos foi respondido:
Professor 1- Datashow e notebook. Utilizo como forma de
complementar minha explicação.
Professor 2 – Uso o celular como dicionário.
Podemos perceber que os docentes utilizam os equipamentos disponíveis mas cremos que ainda os utilizam meramente como ferramentas substitutivas e não demonstram um conhecimento e/ou forma ou meio de utilizar mais efetivamente essas tecnologias durante sua prática docente, para que sejam incorporadas no processo de ensino-aprendizagem.
Questionamos se os professores consideravam essas ferramentas úteis em seu planejamento ou na execução das aulas e os resultados foram:
Professor 1 - Sim, são úteis, pois nós temos que acompanhar as novas
tecnologias adotadas dentro da educação.
Professor 2 - O uso da tecnologia permite meios de aprendizagem e
que chamam a atenção dos alunos, ou seja, é primordial o uso dessas ferramentas.
Os docentes têm ciência da importância das tecnologias digitais, pois elas facilitam ou tornam mais produtiva a preparação e execução das aulas, e tem ainda a capacidade de despertar o interesse dos alunos visto que esses são considerados os nativos digitais da nossa era.
Entretanto, verificamos que os docentes pouco utilizam as TDIC e ainda as utilizam simplesmente como substituto ao dicionário impresso, o que a nosso ver auxilia apenas na questão de agilizar o processo de procura
61
de um termo ou verbete, não contribuindo efetivamente para o processo de ensino-aprendizagem. Para que possamos entender melhor essa questão, podemos verificar que segundo o modelo SAMR4 , e de acordo com seu idealizador (PUENTEDURA, 2006) o professor está fazendo o uso mais básico da tecnologia, sem dar um uso mais significativo, fazendo apenas uma mera substituição, que é definida pelo SAMR como nível mais básico de interação tecnológica. Acontece quando um recurso como o celular ou aplicativo está sendo usado da mesma forma que um recurso analógico, ou seja, não exerce nenhuma alteração significativa no aprendizado. Para evoluir nesse sentido é preciso identificar como a atividade pode ser melhorada e ganhar novos aspectos, mais modernos.
Questionamos ainda se essas ferramentas facilitam o trabalho docente em sala de aula e verificamos os seguintes resultados:
Professor 1 – Facilitam porque são úteis e necessárias.
Professor 2 - O uso de aplicativos facilita tanto em sala de aula
quanto fora.
Como podemos perceber, os docentes têm noção da importância das TDIC no que se refere ao fato de facilitarem seu trabalho em sala de aula e poderem se estender além dos “muros da escola”. Aliado a isso, temos o fato dos alunos utilizarem muito certas tecnologias, como é o caso dos smartphones, então seria até natural se isso fosse incorporado no cotidiano de sala de aula. Infelizmente por questões de limitações e/ou falta de preparo, essas tecnologias não são utilizadas no ensino-aprendizagem com tanta frequência pelos docentes dessa escola.
Os entrevistados também foram questionados sobre se possuem seus próprios recursos tecnológicos: os mesmos responderam que sim e complementaram essa questão com as seguintes informações:
Professor 1 - Uso celular como dicionário, notebooks para
apresentação de vídeos com ajuda da caixa de som disponibilizada pela escola.
4 O modelo SAMR (The Substitution Augmentation Modification Redefinition Model), é uma teoria sobre o uso de tecnologia em sala de aula. Foi desenvolvido pelo Dr. Ruben Puentedura, consultor de tecnologia da educação. Tem como objetivo avaliar o impacto do mundo digital na educação através da análise de algumas atividades e dos diferentes níveis de engajamento nessas tarefas. Possibilita ainda aos professores medirem o quanto estão evoluindo em relação à interação tecnológica.
62
Professor 2 - Apenas respondeu que sim.
Referente a essa parte, perguntamos ainda se os mesmos utilizam estes materiais em sala, tendo em vista que são particulares, e obtivemos os seguintes resultados:
Professor 1 - Às vezes, porque na maioria das vezes uso na escola. Professor 2 - Utilizo como recurso próprio o celular (dicionários e
aplicativos referentes à disciplina) o notebook para auxiliar com conteúdos e alguns equipamentos da escola
Podemos verificar que os entrevistados possuem alguns recursos tecnológicos (pessoais) e por vezes os utilizam em sua prática docente, seja na preparação das aulas ou na execução das mesmas.
Perguntamos aos docentes qual era a formação acadêmica dos mesmos:
Professor 1 - Graduado em Letras e especializado em ensino de
gramática e cursei até o 6º módulo de pós-graduação em Língua Inglesa.
Professor 2 - Licenciatura em Letras
Interessante enfatizar nesta parte que, mesmo não respondendo aqui qual a habilitação, todos os entrevistados são habilitados somente em Língua Portuguesa, visto que o município da pesquisa até então só oferecia habilitação em Língua Portuguesa para os egressos dos cursos de Letras e atualmente oferece habilitação em Língua Inglesa através do Programa de Formação de Professores – PARFOR.
O fato de não ter uma habilitação para atuar na área, por vezes faz com que os docentes responsáveis por essa disciplina não tenham preparo adequado ou o conhecimento necessário para ministrar certos conteúdos da disciplina de Língua Inglesa.
Cabe ressaltar que, infelizmente, essa prática de distribuir a disciplina de Língua Inglesa para os profissionais formados em Letras – Apenas habilitados em Literatura e Língua Portuguesa - é comum no município, tanto que, empiricamente, só temos conhecimento de quatro (4) docentes no município que tem habilitação em Língua Inglesa e desses somente dois (2) trabalham na educação básica, visto que os demais são docentes lotados em uma Instituição de Ensino Superior.
63
disciplina:
Professor 1 - Leciono há 5 anos Professor 2 - Há 3 anos
Questionamos se os mesmos tinham interesse em fazer um curso de formação continuada que envolva o uso das TDIC como metodologia de ensino de Língua Inglesa e os mesmos responderam que:
Professor 1 - Sim, para obter mais conhecimento.
Professor 2 - Com certeza, a importância de se aperfeiçoar
profissionalmente nos engrandece. Deve-se buscar melhorias e nos qualificar com formações que envolvam o uso das TDIC, pois os alunos às vezes é mais conhecedor do que o próprio professor.
Durante nossa pesquisa de campo, pudemos constatar que os professores da Rede Pública da escola investigada utilizam as TIDC, em sua prática docente, como ferramenta de ensino de forma limitada. Ficou visível durante nossas observações que eles usam pouquíssimo e de forma muito aleatória, sem dar um nível de importância mais significativo, mas pudemos perceber que gostariam de usar mais, porém, supomos que falta encontrar um meio de aliá-las a sua prática docente. Mesmo que de forma ainda tão tímida, essas utilizações faziam com que suas aulas se tornassem mais interessantes para os alunos e fazia com que eles participassem mais das atividades propostas e é preciso buscar formas e meios de ampliar esses usos das TDIC no ensino-aprendizagem em sala de aula.
Ante o exposto, faz-se necessário que os professores sejam preparados para essa nova realidade, pois, mediante tantas mudanças, os educadores não podem continuar à margem do processo de utilização das tecnologias educacionais. Segundo Mercado (1999, p. 14) “a necessidade de formar os professores em novas tecnologias se dá principalmente pela significação que estes meios têm na atualidade”. Ou seja:
para que estas tecnologias sejam bem utilizadas é preciso que saibam [os professores] o que podem realizar no processo educativo, o que pode ser feito melhor com o auxílio delas e o que pode ser feito sem elas e, assim, os educadores terão as novas tecnologias servindo aos seus objetivos educacionais. (idem p. 114).
64
A soma dos métodos tradicionais com os novos desenvolvimentos tecnológicos aplicáveis ao ensino-aprendizagem faz com que o professor tenha um maior leque de ferramentas à sua disposição para o desenvolvimento das suas atividades curriculares. O educador precisa estar apto a enfrentar as mudanças no mundo globalizado.
O uso das TDIC no processo de ensino-aprendizagem de uma Língua Estrangeira (ou qualquer outra disciplina) demonstra ao aluno que o professor é capaz de inovar suas aulas, transmitir o conhecimento de forma atraente e ainda consegue com que os alunos procurem utilizar essas ferramentas para aprender fora da sala de aula, enriquecendo seu conhecimento, fazendo com que os mesmos utilizem esses recursos de forma mais proveitosa, ao invés de usá-los por simples modismo, no lugar de utilizar esse tempo extra no aprendizado.
65