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C omo reflexo direto da interferê ncia da qualidade das águas no processo de aquisiçã o e processamento das imagens, pode-se visualizar a disposiçã o final das imagens

utilizadas na determinaçã o da curva cota-área-volume (F igura 5). A s cinco imagens que possibilitaram a estimativa de área inundada variaram de 1209 ha a 3632 ha, sendo complementadas (i) pela batimetria simplificada do volume remanescente; e (ii) pela área inundada na cota máxima de vertimento, que deve sofrer pouca alteraçã o devido ao assoreamento (de A R A ÚJ O, 2003). A partir dos levantamentos, foram construídas as isolinhas topográficas do fundo do reservatório e determinadas as novas curvas cota- área- volume (F igura 6).

O volume atual (2009) do reservatório Pentecoste seria, segundo a batimetria convencional, de aproximadamente 360,0 hm³, cerca de 35,6 hm³ inferior ao volume inicial medido na década de 1950 (395,6 hm³ em 1957). Isso representa um volume 9% inferior ao inicial, o que resulta em uma reduçã o da capacidade de armazenamento de 1,8% por década. C omparativamente, no método proposto nessa pesquisa, tem-se que o volume atual estimado é de aproximadamente 320,0 hm³. A diferença encontrada em relaçã o à condiçã o inicial é da ordem de 65,6 hm³, o que representaria um volume 19% inferior ao inicial. D essa forma, a reduçã o por década seria da ordem de 3,3%. C omparando-se os métodos comtemplados na análise, pode-se observar que a diferença em termos da capacidade de armazenamento é de apenas 11%. E ntretanto, essa diferença representa um volume obsoleto de 40,0 hm³. A inda, observa-se que a diferença entre os métodos está associada a diferenças superiores a 90% em termos da massa assoreada e do volume assoreado (T abela 3).

Para de A raújo (2003), a taxa de assoreamento média em sete reservatórios no semiárido brasileiro foi, em média, 1,83% por década, sendo semelhante ao constatado nessa pesquisa por meio da batimetria clássica. No concernente à batimetria simplificada com uso de S R , as diferenças entre as taxas de assoreamento e aquelas medidas por de A raújo (2003) sã o mais evidentes. No entanto, mesmo com as divergê ncias, os valores encontrados apresentam a mesma ordem de grandeza dos demais, comprovando a aplicabilidade do método proposto.

E ssas diferenças constatadas podem ser atribuídas, em primeiro instante, ao fato de a batimetria clássica permitir captar profundidades mais específicas devido ao detalhamento da malha amostral. C om isso, verifica-se diferença na profundidade máxima, que é cerca de 1,30 m superior ao obtido pelo método proposto nesta pesquisa. E ssa diferença observada na profundidade máxima tem reflexo direto na capacidade de armazenamento do reservatório e, também, nas mudanças no padrã o das curvas cota-área-volume. Por sua vez, as

diferenças devido ao método utilizado ocorrem em funçã o da inexistê ncia de pontos de controle em regiões da bacia hidráulica que nã o podem ser corretamente representadas pelo método de interpolaçã o, resultando em uma profundidade máxima menor quando comparado ao método clássico de levantamento batimétrico ( T abela 3).

F igura 5 - E spelhos d’água do A çude Pentecoste obtidos a partir de imagens L andsat 5 T M

F igura 6 - C urvas cota-área-volume do reservatório Pentecoste E m trê s ocasiões: logo após sua construçã o (1957), segundo batimetria convencional (2009) e segundo método simplificado (2014)

F onte: E laborada pelo autor.

T abela 3 - Massa e volume assoreados no reservatório Pereira de Miranda (A çude Pentecoste)

C aracterística Unidade Método D iferenças ( %) projeto 1957 C lássico 2009 Proposto 2014 Profundidade máxima m 22,0 20,0 18,7 6,5

Á rea superficial máxima ha 5700 4849 5221 7,7

C apacidade de A rmazenamento hm 3

395,6 360,0 320,0 11,0 Peso E specífico A parente S eco t.m

-3

- 1,30 1,30 -

Massa A ssoreada Média ton.década -1

- 89.000 172.421 93,7 V olume A ssoreado Médio hm

3

.década -1

- 6,9 13,3 93,7

T axa A ssoreada %.década

-1

- 1,7 3,3 94,1

F onte: E laborada pelo autor.

A representatividade topológica do terreno apresenta distorções nas áreas de menor profundidade, localizadas próximas à s margens do espelho d’água, e em regiões isoladas conforme se pode visualizar nas F iguras 7 e 8. A menor cota de fundo do reservatório apresenta profundidade de aproximadamente 20,0 m e 18,7 pelo método clássico e com uso

de S R , respectivamente (F igura 7). R elativamente, a diferença é de aproximadamente 7% para a profundidade máxima, sendo a média e desvio padrã o iguais a 4,3% e 3,6%, respectivamente. A maior diferença constatada é de 28,6% em áreas isoladas na área bacia hidráulica, onde podem ter sido construídos, durante períodos de estiagem (em que o reservatório apresenta níveis d’água muito baixos) “poços” e “pequenos reservatórios” para o abastecimento hídrico dos moradores locais.

E m maiores profundidades as condições se assemelham, demostrando que as limitações na coleta dos dados pelo método com uso de S R sã o incapazes de provocar grandes distorções em locais de maior profundidade. Isso demostra um fator relevante para a utilizaçã o futura desse método, pois deixa claro sua viabilidade e representatividade para as feições do terreno responsáveis pelo maior acúmulo de água em um reservatório.

A nte a exposiçã o dos resultados referentes aos métodos utilizados nessa pesquisa, cabe uma discussã o acerca da complexidade da utilizaçã o do sensoriamento remoto na avaliaçã o do volume hídrico armazenado em um reservatório. C omo uma das etapas do processo refere-se à estimativa da área ocupada pelo espelho d’água em diferentes níveis, as características de ocupaçã o das margens no entorno do reservatório, associadas aos aspectos qualitativos da água armazenada, causam distorções na distinçã o e definiçã o exata dos limites das classes de uso e ocupaçã o, em especial dos corpos hídricos e da vegetaçã o, através da interpretaçã o e análise das imagens orbitais ( Z HA NG et al., 2016). Isso se dá, em primeiro instante, ao grau de eutrofizaçã o do reservatório, que promove alterações consideráveis no comportamento espectral da água ( L OD HI et al., 1997; R UD OR F F et al., 2007). E ssas distorções corroboram para a formaçã o de uma zona gradual estratificada que interliga o corpo hídrico as vegetações do entorno, que se torna mais proeminente quando, no reservatório há a presença de vegetaçã o aquática, macrófitas.

A disponibilidade hídrica, tanto em quantidade como em facilidade de acesso, associado à s potencialidades de solos existentes nas áreas adjacentes à bacia hidráulica do reservatório, favorecem a ocupaçã o e o desenvolvimento de atividades antrópicas que sã o contrários à legislaçã o em vigor. E m maior parte dos casos observados, constata-se que o uso desses recursos se desenvolve nas áreas de preservaçã o permanente, e sem atençã o à s práticas conservacionistas. A tividades potencialmente impactantes podem ser facilmente identificadas como, por exemplo, desmatamento, queimadas, pastagem para bovinocultura e agricultura de vazante.

F igura 7 - C urvas batimétricas e cotas do fundo do reservatório. (a) B atimetria clássica e (b) método com uso de S ensoriamento R emoto

F onte: E laborada pelo autor.

F igura 8 - D iferenças espaciais na topologia do fundo do reservatório. a) em percentual e (b) em metros

A lém disso, a urbanizaçã o das áreas próximas ao espelho d’água intensifica o processo de degradaçã o do corpo hídrico, acelerando a eutrofizaçã o do lago. E ssa aceleraçã o intensifica-se devido aos efluentes provindos das habitações que sã o lançados no lago, associados à presença de animais (principalmente bovinos), a carga de sedimentos contendo nutrientes (A ND R A D E et al., 2007; A ND R A D E et al., 2010; G IR Ã O et al., 2007; GUE D E S et al., 2012; L I; L I; Z HA NG, 2011) e a exploraçã o de piscicultura intensiva (ME IR E L E S et al., 2013). E ssa criaçã o intensiva de peixe pode ser um dos principais contribuintes para o aumento da concentraçã o de fósforo, já que até 30% da raçã o destinada à produçã o é desperdiçada ( B E V E R ID GE , 2004; PIL L A Y , 2004).

D e tal forma, a matéria orgânica nã o aproveitada e adicionada ao ecossistema aquático pode resultar no aumento do grau de trofia da água, devido à disponibilizaçã o no sistema aquático destes efluentes (HE NR Y S IL V A ; C A MA R GO, 2006). O aumento do grau de trofia da água reflete na qualidade das águas e, devido a isso, interfere no método proposto nessa pesquisa de forma quantitativa, devido ao menor número de imagens utilizáveis; e qualitativamente em funçã o da necessidade de correçã o dos contornos por parte do usuário do método.