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Os dispositivos móveis têm evoluído de forma notável nos últimos anos, revo- lucionando a comunicação e as rotinas jornalísticas. O jornalismo sempre

Adriana Gonçalves

85 viveu com a pressão do imediatismo e da instantaneidade, mas é o uso mas- sivo dos smartphones e da Internet que vem realçar estes conceitos, transfor- mando-os em valores no consumo da informação.

Os dispositivos móveis apresentam um conjunto de potencialidades e ferramentas, entre elas, câmara, acesso à Internet, editor de texto, áudio e vídeo. Este novo meio de comunicação revolucionou o ecossistema mediá- tico, acelerando o ritmo de produção, de difusão e de consumo de informa- ção. A produção de conteúdo noticioso é agora possível fora das redações e em tempo real. A difusão ultrapassa as barreiras do tempo e do espaço, uma vez que é possível produzir e partilhar um conteúdo imediatamente para todo o mundo, através da Internet e das plataformas digitais, como sites, blogues e redes sociais. O consumidor ou prosumer passa a receber uma quantidade enorme de informações ao segundo, através do smartphone, e por isso, as práti- cas de consumo alteram-se por completo. O público divide-se em segmentos, consoante os seus gostos e preferências.

Os dispositivos móveis incluem mecanismos e aplicações que recolhem dados sobre o utilizador e traçam o seu perfil. Essas ferramentas permitem que cada utilizador selecione as notícias que quer ler em função das suas pre- ferências. Entramos no campo da personalização de conteúdos que se tornam cada vez mais diversificados. A diversidade permite que sejam direcionados a nichos e não a um grande público, como acontecia nos tradicionais meios de massas.

“De um sistema altamente centralizado e controlado passou-se a um sistema onde os meios tradicionais disputam atenção do consumidor com milhões de outras fontes” (CanavIlHaS et al, 2019, p. 10). A fragmentação do público surge como uma das consequências dos dispositivos móveis e obriga a adoção de novas estratégias por parte do jornalismo para captar a atenção do público. A era da mobilidade exige novos olhares sobre as práticas do jor- nalismo, que têm de se adaptar essencialmente ao smartphone.

O SMARTPHONE

O dispositivo de maior relevância a nível mundial é o smartphone. Em 2018, segundo dados da revista Marktest, 6,9 milhões de portugueses já possuíam smartphones, representando uma taxa de penetração de 75,1 % deste dispositivo e com tendência a aumentar. As características de portabilidade, mobilidade e todas as potencialidades que se assemelham às de um pequeno computador, fazem do smartphone o dispositivo mais utilizado globalmente.

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Atualmente, a maioria das pessoas dispõe de um ou mais smartphones e o número destes aparelhos já superou o número de pessoas. Visto como uma extensão do corpo humano, uma segunda pele, o smartphone é um aparelho multifuncional do qual já não prescindimos. “Nenhum outro objeto do nosso quotidiano passa tanto tempo connosco ou tem com o seu proprietário a mesma proximidade que o telemóvel” (CanavIlHaS, 2012, p. 4) e por isso surge a necessidade de criar uma linguagem e um formato apropriados a este objeto.

A utilização do smartphone envolve muitos dos nossos sentidos e isso tor- na-o atrativo (CanavIlHaS, 2012, p. 4). Este pequeno objeto permite-nos estar permanentemente em contacto com o mundo, dando-nos uma sensação de conforto e segurança. É através dele que partilhamos e recebemos informação a qualquer momento, em qualquer lugar.

O smartphone possui características que o diferenciam de um simples tele- móvel e a proximidade com o utilizador cria um sentido de identidade. As características que distinguem este de outros dispositivos são as seguintes: (1) a hipertextualidade, interação entre diversos conteúdos, sejam eles texto, imagem, vídeo ou som; (2) a multimedialidade que é a convergência dos meios tradicionais num único meio, a Internet; (3) a interatividade, a capacidade que o público tem de interagir com os conteúdos noticiosos, através de comentá- rios, gostos e partilhas; (4) a personalização diz respeito à possibilidade que o utilizador tem para definir aquilo que lhe interessa e o modo como essa informação lhe chega, através da aceitação de notificações, por exemplo; (5) a memória, através da Internet é possível voltar a ver um conteúdo mais tarde, tudo fica registado e guardado; (6) a instantaneidade, que se trata da rapidez e da facilidade com que um conteúdo é difundido na rede (maRTInS, 2013, p. 6).

Através da mobilidade e portabilidade do smartphone, uma notícia está agora à distância de um simples toque. O fenómeno global do smartphone obriga à adaptação dos jornalistas e do jornalismo, que tem vindo a desen- volver estratégias para reajustar as suas práticas ao novo meio de distribuição e ao consumo ubíquio de conteúdos, sejam eles notícias ou de outro tipo. A ubiquidade é o conceito utilizado para definir o facto de existir informação em toda a parte e em todo o momento.

Depois da época do consumo de informação em grupo, em que as pes- soas paravam para ver o Telejornal a uma determinada hora, “o ecossistema mediático entrou numa nova era caracterizada pelo consumo individual e móvel onde o consumidor e a plataforma de receção tomam esse lugar de destaque” (CanavIlHaS, 2012, p. 5). Neste contexto em que todos consomem informação de forma individual, a personalização de conteúdos surge como uma das soluções para os meios de comunicação se aproximarem do público.

Adriana Gonçalves

87 Canavilhas (2012) realça a importância de perceber que o computador, o tablet e o smartphone têm diferentes características e diferente relação com o utilizador. Assim, o formato do jornalismo deve ter em conta as especifici- dades de cada dispositivo, “não caindo na tentação de distribuir os mesmos conteúdos para as três plataformas” (p. 8).