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april Nr. 606 2010

In document N ORSK L OVTIDEND (sider 141-149)

O sobreiro (Quercus suber L.) é uma espécie autóctone em Portugal Continental, de meia-luz, termófila e xerófila. A área de distribuição do sobreiro está centrada na região mediterrânica ocidental, encontrando-se as maiores extensões contínuas no sudoeste da Península Ibérica e nas costas magrebinas (Marrocos, Argélia e Tunísia). Encontra-se também na Europa atlântica (noroeste da Península Ibérica e Landes francesa), na costa mediterrânica de Espanha, França e Itália, nas ilhas do Mediterrâneo ocidental (Baleares, Córsega, Sardenha e Sicília) e pontualmente no Mediterrâneo oriental (ex-Jugoslávia, Albânia e Grécia) (Correia e Oliveira, 2002).

No elenco das espécies florestais representadas na floresta portuguesa prevalecem largamente as espécies autóctones, resinosas ou folhosas. No sul de Portugal Continental, prevalecem grandes unidades de vegetação florestal homogénea, dominadas por carvalhos perenifólios (Q. suber e Q. rotundifolia) que constituem, geralmente, o extracto arbóreo, pouco denso, de sistemas agro-silvo-pastoris (montados). Quando a utilização do sobcoberto não é viável constituem-se formações florestais mais típicas, acompanhadas por um sub-bosque muito variado (Morais e Pereira, 2000).

Em Portugal existem 592 301 ha de povoamentos florestais puros constituídos exclusivamente por sobreiros que correspondem a 72 % dos povoamentos (unicamente sobreiros mais povoamentos mistos) e que representam cerca de 21 % da área florestal do país. Os restantes povoamentos florestais são mistos com azinheira, pinheiro bravo, pinheiro manso ou outras árvores folhosas e resinosas, em que o sobreiro é a espécie dominante ou a dominada (Figura 2; Direcção Geral de Florestas, 2001).

O sobreiro encontra-se em todo o território de Portugal Continental, excepto nas regiões montanhosas mais frias do norte e centro, excessivamente húmidas, nas regiões salinas, junto ao litoral e nas zonas de acentuada aridez e continentalidade, caso das regiões fronteiriças do centro e sul (Figura 3, Direcção Geral de Florestas, 2001; Correia e Oliveira, 2002).

Figura 2. Áreas dos tipos de povoamento florestal em Portugal continental. Pb: pinheiro-bravo; Sb: sobreiro; Ec: eucaliptos; Az: azinheira; Cv: carvalhos; Pm: pinheiro-manso; Ct: castanheiro; of: outras folhosas; or: outras resinosas (Direcção Geral de Florestas, 2001).

Figura 3. Distribuição percentual dos tipos de povoamento florestal, por NUTS II (Nomenclatura

das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos). Pb: pinheiro-bravo; Sb: sobreiro; Ec: eucaliptos; Az:

azinheira; Cv: carvalhos; Pm: pinheiro-manso; Ct: castanheiro; of: outras folhosas; or: outras resinosas; LVT: Região Lisboa e Vale do Tejo (Direcção Geral de Florestas, 2001).

Quanto ao estado de vitalidade dos povoamentos de sobreiro, avaliado pela Direcção Geral das Florestas em 1997/1998, foi verificado que 56 % dos povoamentos apresentavam danos ligeiros, 6 % mostravam indícios de erosão e 1,5 % eram árvores mortas em pé (Direcção Geral de Florestas, 2001).

Q. suber é uma espécie de vida longa que, quando não é descortiçada, pode atingir 300 anos ou mais. A idade, normalmente, não ultrapassa os 120-150 anos de idade quando se realiza a tiragem da cortiça, começando a produção de cortiça a decair por volta dos 100 anos (Correia e Oliveira, 2002). O tronco é pouco elevado, com 10 a 20 metros e pode adquirir uma grossura até dois metros de diâmetro. A periderme é constituída por uma assentada geradora (felogénio, câmbio cortical ou assentada

geradora súbero-felodérmica) e pelos tecidos a que esta dá origem: a cortiça, tecido de protecção que substitui a epiderme e a feloderme, que constitui o prolongamento radial do córtice primário (Natividade, 1950). A copa inicia-se, nalguns casos, a 4 ou 5 metros, tem uma forma ampla, semiesférica e lobulada. A raiz central é aprumada, pode penetrar mais de um metro quando o terreno o permite e tem várias raízes laterais que possibilitam grande expansão no sentido horizontal (Moro, 2002). Nas raízes grossas, quando não estão enterradas, o felogénio radicular produz cortiça análoga à do tronco (Natividade, 1950). As folhas são perenes, alternadas e coriáceas, com orla não recortada, dentes espaçados pouco aguçados, com 10-14 nervuras secundárias, comprimento até 6 cm e largura de 1,5-3 cm, são verdes e velosas na página superior, revestidas de denso tomento na página inferior, com pecíolo veloso de 1 cm de comprimento (Moro, 2002). As folhas persistem em geral dois anos, às vezes três, nos terrenos mais frescos. Excepcionalmente, a árvore pode ficar desprovida de toda ou da maior parte da folhagem. O sobreiro floresce de Abril a Junho, mas nalgumas árvores este período pode prolongar-se devido à descontinuidade do crescimento dos ramos durante o ciclo vegetativo anual. As flores masculinas são carminadas, possuem 5-6 anteras e dispõem-se em longos amentilhos delgados, pendentes na axila das folhas e provêm de gomos da extremidade do lançamento do ano anterior ou de gomos da base do ramo do próprio ano. As flores femininas estão dispostas em curtas espigas de 2-5 flores e encontram-se na axila das folhas da parte média ou na extremidade do lançamento anual (Natividade, 1950; Varela e Valdiviesso, 1996). As glandes têm, tal como as folhas, tamanho e formas variáveis e estão protegidas, em parte, por uma cúpula granulosa ou escamosa, suspensa por um pedúnculo. O sobreiro começa a frutificar por volta dos 15- 20 anos de idade e a frutificação é alternada. O ciclo reprodutivo não é fixo e existem biótipos em que a maturação dos frutos é anual, biótipos em que é bienal e biótipos que possuem as duas formas (Bellarosa, 2002). A existência de mais do que uma estratégia reprodutiva na mesma espécie foi confirmada por Elena-Rossello et al. (1993), ao observarem a variabilidade fenológica intra-populacional e inter-populacional de três populações naturais de Q. suber, durante um período de três anos. Verificaram que o dispêndio de energia, na produção de estruturas reprodutivas masculinas e femininas e em funções vegetativas, varia de indivíduo para indivíduo dentro de uma mesma população, o que permitiu separar as árvores em quatro grupos: 1- árvores masculinas, que produzem poucas flores femininas e nunca produzem glandes; 2- árvores femininas, que produzem poucas flores masculinas ou em que o

amadurecimento destas flores não atinge a produção de grãos de polén; 3- árvores vegetativas que não têm inflorescências masculinas nem femininas e que possuem uma biomassa em folhas superior às outras; 4- árvores que produzem os dois tipos de inflorescência e em que a produção de glandes é elevada. Nas populações examinadas, o tempo requerido para a maturação das glandes ou seja, desde a polinização até à queda do fruto maduro, varia de população para população. Numa das populações ocorre o ciclo curto, que corresponde à maturação anual das glandes, noutra ocorre o ciclo longo, com a maturação bienal dos frutos e na terceira ocorrem os dois ciclos. A plasticidade fisiológica observada pode resultar da adaptação desta espécie a condições climatéricas variáveis e imprevisíveis que caracterizam o clima mediterrânico (Elena-Rossello et al. 1993). De um modo geral, e em virtude de ser muito prolongado o período de floração, as glandes não amadurecem todas ao mesmo tempo; o período de amadurecimento inicia-se em Setembro e vai até Janeiro (Moro, 2002). A produtividade média anual de glande de sobreiro nos povoamentos puros desta espécie, em Portugal, é de 343034 toneladas por ano ou 579 kg por hectare e por ano (Direcção Geral das Florestas, 2001). No momento da disseminação natural, a maior parte das glandes com proveniência na mesma população está no mesmo estado de maturação morfológica e fisiológica. O seu conteúdo em água varia entre 44 % e 47 % e a taxa de germinação é em regra superior a 92 %. O tempo de germinação das glandes é, no entanto, lento e explica-se pela existência de um estado de dormência embrionário que parece depender da árvore produtora. A diferença de atitude germinativa apresentada pelas glandes pode ser expressão da heterogeneidade genética que caracteriza o sobreiro (Merouani, et al., 2001).

A temperatura média anual óptima para o sobreiro é de 15-19 ºC, não suportando bem temperaturas inferiores a -5 ºC. Os valores óptimos de precipitação situam-se entre 600 e 800 mm, não vegetando com precipitações inferiores a 400 mm. Resiste bem à seca estival, desde que a humidade relativa seja de, pelo menos, 50 %. Os bioclimas mediterrânicos em que vegeta são o semi-árido, nas variantes de invernos frescos ou temperados; o sub-húmido, nas variantes de invernos frios, frescos ou temperados; o húmido, nas variantes de invernos frios a quentes; o per-húmido, nas variantes de Invernos frescos a quentes (Sauvage, 1961, cit. por Correia e Oliveira, 2002). Vegeta em todo o tipo de solos, com excepção para os excessivamente argilosos ou dos que apresentam hidromorfismo acentuado, em altitudes de 500 a 600 m. Vegeta mal nos solos com fraca capacidade de retenção para água, caso das texturas arenosas. É nos

solos profundos de subsolo permeável que o sobreiro encontra as melhores condições de desenvolvimento. Não tolera os solos excessivamente calcários e os derivados de arenitos, em que os nutrientes se encontram predominantemente nos primeiros 10-15 cm, sendo praticamente vestigiais a maiores profundidades (Correia e Oliveira, 2002).

O sobreiro tem sido predominantemente explorado em montado ou em sobreiral. O montado é um sistema agro-silvo-pastoril com uma densidade de árvores por hectare que pode variar de 20 a 120 árvores e em que a produção de cortiça aparece associada à agricultura, silvo-pastorícia, cinegética e apicultura. O sobreiral caracteriza-se por densidades mais elevadas, que já não permitem a consociação com a agricultura, associando-se, geralmente, a produção de cortiça à cinegética, silvo-pastorícia e apicultura (Correia, 1993; Correia e Oliveira, 2002).

Os sistemas agro-silvo-pastoris ocupam, em área, o segundo lugar na floresta portuguesa e localizam-se, em Portugal, a sul do rio Tejo, nas regiões onde se juntam a influência climática mediterrânica e a continentalidade ibérica (Figura 4, Correia, 1993).

Dominância de: Quercus suber Quercus rotundifolia Quercus pyrenaica Dominância de: Dominância de: Quercus suber Quercus rotundifolia Quercus pyrenaica

Nas zonas onde se verifica a influência atlântica, o domínio pertence ao sobreiro, na sua expressão de massas densas denominados sobreirais e à medida que se progride para o interior, os povoamentos tornam-se mais abertos e adquirem a forma de montados onde o sobreiro coexiste com a azinheira. Nas condições de maior secura a azinheira ocupa as regiões florestais, com diversos graus de coberto, sendo raros os sobreirais (Almeida, 2000).

O clima na região sul é tipicamente mediterrânico, com Verões secos e longos, com temperaturas que ascendem aos 30-40 ºC e uma precipitação média de 500 a 600 mm, concentrada no período de Outubro a Março, distribuída de forma irregular e apresentando flutuações anuais significativas. Os solos desta região derivam do xisto ou granito, são pobres em matéria orgânica e têm pouca capacidade de retenção de água (Correia, 1993).

O funcionamento do montado pode ser ilustrado na forma de um sistema quase fechado, em que as actividades de agricultura e silvo-pastorícia estão presentes e se complementam (Figura 5, Correia, 1993).

Fertilização Limpeza arbustos

Animais (suínos; bovinos; ovinos e caprinos)

Carne; leite; pele

Frutos (castanhas; glandes) Rebentos Protecção Solo Carvalhos Madeira Cortiça 1/2 anos culturas 6/7 anos erva natural Fertilização Limpeza arbustos Animais (suínos; bovinos; ovinos e caprinos)

Carne; leite; pele

Frutos (castanhas; glandes) Rebentos Protecção Solo Carvalhos Madeira Cortiça 1/2 anos culturas 6/7 anos erva natural

Figura 5. Esquema que ilustra o funcionamento do montado como um sistema quase fechado, em que as componentes agro-silvo-pastoris estão presentes e se complementam (Correia, 1993).

A manutenção do equilíbrio destes sistemas é feita pelo homem, que retira como rendimento a madeira, a cortiça, os frutos que fazem parte da dieta dos animais que pastam, a carne, o leite, a pele e a lã. Em cada 6 a 8 anos, dependendo do tipo de solo, os animais são transferidos de local e os solos são cultivados durante um ou dois anos,

com predomínio para culturas de trigo, centeio, aveia, ou cevada. O número de animais por hectare de pasto deve ser equilibrado, de forma a preservar um certo número de rebentos novos de carvalhos e manter a reflorestação natural. Por seu lado os carvalhos beneficiam com a fertilização proporcionada pelos animais e com a eliminação de vegetação competitiva.

Os montados são também o habitat ecológico de uma grande variedade de animais selvagens (perdiz, pombo bravo, coelho bravo, lebre, mangusto, javali, sapo, etc) incluindo algumas espécies raras como a cegonha negra e a cegonha branca (Ciconia nigra; Ciconia ciconia), as águias (Hieraetus pennatus; Circaetus gallicus), os milhafres (Milnus migrans; Elanus caeruleus), veados e cervos (Dama dama; Cervus elaphus), o lince ibérico (Lynx pardina) e a doninha (Mustela nivalis) (Palma et al., 1985, cit. por Correia, 1993). Apesar das grandes vantagens deste sistema e da sua adaptação às regiões a sul do Tejo, o montado tem-se deteriorado nos últimos anos. O cultivo das terras tem-se tornado menos importante no sistema rotativo e em substituição, tem sido dado relevo à produção animal, com o uso dos solos apenas para a prática da pastorícia. A extracção da cortiça é quase sempre a primeira prioridade. Nalguns casos, os montados transformaram-se em terrenos de caça ou são usados para turismo rural (Correia e Mascarenhas, 1999). Os montados ficam predispostos a sofrer erosão se o número de animais for excessivo ou se as plantações foram muito frequentes (Shakesby et al., 2002). O abandono que se verifica nalguns montados e que causa o desenvolvimento de matas de arbustos, tem uma influência negativa na vitalidade das árvores porque a vegetação compete com os sobreiros e azinheiras pela água e pelos nutrientes. Os riscos de incêndio também aumentam (Correia e Mascarenhas, 1999).

A principal produção do sobreiro é a cortiça que é retirada do tronco e consiste num material biológico natural e renovável, com características únicas e que até ao momento não foi substituído por produtos sintéticos. A produção mundial de cortiça é de cerca de 380 000 toneladas por ano, sendo 51 % dessa produção de origem portuguesa (Ferreira et al., 2000). A produtividade média anual de cortiça de reprodução nos povoamentos puros de sobreiro é igual a 100 741 toneladas por ano ou seja, 170 kg por hectare e por ano (Direcção Geral das Florestas, 2001). O Alentejo constitui a região suberícola mais importante do país, com uma produção de cortiça no valor de 115 milhões de euros, sendo a cortiça o produto mais importante do sector primário da região. A principal aplicação da cortiça é como vedante, sendo também utilizada na construção civil, na indústria do calçado, do frio, naval, dos transportes, de

máquinas, têxtil, química e farmacêutica, pesqueira, artesanato, de embalagens, material escolar e aeronáutica espacial. Em 1998, a rolha de cortiça natural representou 59 % do valor exportado de cortiça, correspondendo estas exportações a 700 milhões de euros e cerca de 32 % do valor total das exportações florestais (Lopes e Ribeiro, 2000).

O ciclo de produção da cortiça compreende, normalmente, 9 a 10 anos de crescimento entre dois descortiçamentos, de modo a assegurar a espessura necessária para a produção de rolhas de calibre 27-32 mm e de 32-40 mm. A qualidade da cortiça é determinante para a sua utilização como rolha e para a valorização do produto, porque o rendimento e sobretudo, o perfil de qualidade da rolha, dependem da qualidade da prancha de cortiça utilizada (Ferreira et al., 2000). Durante a vida da árvore, sujeita a descortiçamentos sucessivos, a produção de cortiça aumenta no início, estabiliza e depois decresce, naturalmente, com a idade. A primeira cortiça retirada chama-se cortiça virgem, a segunda segundeira e a partir da terceira tiragem denomina-se amadia. O decréscimo no calibre começa por volta da 5 ª tiragem de cortiça amadia (cerca dos 70 anos de idade da árvore) e acentua-se muito depois da 12ª tiragem (cerca dos 120 anos de idade) (Natividade, 1950). As pranchas de cortiça são caracterizadas comercialmente em 6 classes de qualidade, por observação visual e são referidas como: 1ª-3ª boa qualidade; 4ª-5ª qualidade média; 6ª qualidade má (refugo). A qualidade da cortiça é estabelecida, principalmente, de acordo com a porosidade que resulta da presença de canais lenticulares que atravessam as pranchas. Ferreira et al. (2000) caracterizaram a cortiça produzida em 5 montados da região de Alcácer de Sal e verificaram que, em média, a espessura das pranchas é de 33,8 mm, pertencendo 75 % da cortiça analisada às classes comerciais superiores a 27 mm, estando aptas para a produção de rolhas. Foi observada uma grande variabilidade nos parâmetros da espessura total, densidade e produtividade, apresentando coeficientes de variação médios superiores a 20 % entre indivíduos de uma mesma população. A variação entre montados não é estatisticamente significativa. Em todos os montados existem árvores produtoras de cortiça de boa qualidade e árvores produtoras de cortiça de má qualidade. As características dos poros observados por análise de imagem são semelhantes em todas as amostras, com poros 4 vezes mais longos do que largos, com um contorno geralmente irregular e uma forma elipsoidal. Foi observada uma grande variabilidade entre amostras de cortiça colhidas no mesmo montado e entre montados diferentes, quer ao nível da porosidade total quer ao nível da porosidade correspondente às classes de dimensões dos poros (Ferreira et al. 2000).

Dada a grande importância económica da cortiça, tem-se tentado encontrar aspectos fisiológicos e morfológicos do sobreiro associados à produção de cortiça de boa qualidade. Courtois e Masson (1999) determinaram a composição mineral das folhas de sobreiro e da cortiça, com o objectivo de encontrarem uma relação entre o conteúdo de um ou mais elementos minerais e a qualidade da cortiça. Verificaram que o conteúdo em potássio da cortiça está associado à sua qualidade, mas que a qualidade da cortiça parece ser independente da composição mineral das folhas, que é considerada como um indicador da nutrição mineral do sobreiro.

O meio ambiente tem influência no crescimento da cortiça ao longo dos anos. A precipitação influencia de forma positiva o crescimento e a falta de água é um factor limitante. As chuvas durante o mês de Novembro e Dezembro têm uma influência positiva no crescimento da cortiça, no ano seguinte. A temperatura exerce, normalmente, um efeito negativo no crescimento da cortiça. No entanto, temperaturas moderadamente baixas contribuem para um aumento do crescimento da cortiça, excepto nos meses de Janeiro e Fevereiro e no início da actividade do felogénio (Abril a Maio). Durante os meses de Abril e Maio, o crescimento da cortiça é estimulado por um aumento da temperatura, mas no final da Primavera, quando a temperatura começa a subir e atinge valores elevados no Verão, ocorre um abrandamento do crescimento até ao início do Outono (Caritat et al., 2000).

In document N ORSK L OVTIDEND (sider 141-149)