CONTEXTUALIZAÇÃO
Em 2017 a APPC-Leiria integrou a Comunidade Impacto Social (CIS) – “o ecossistema de referência para a gestão de impacto social em Portugal e uma plataforma de debate, partilha e capacitação, para um conjunto diversificado de organizações”(Comunidade
72 Impacto Social, n.d.) – participando no programa IS_beta. Este programa contemplava um ciclo de webinares (ISweb), workshops presenciais e 3 meses de mentoria intensiva. Com a pontuação obtida na fase ISweb, que decorreu entre junho e julho desse ano, a APPC-Leiria conseguiu ficar entre as 10 finalistas do programa. Esta classificação permitia às organizações vencedoras passarem por um programa de capacitação intensiva, entre setembro e dezembro, para medição do potencial de impacto futuro dos seus projetos de intervenção, na ótica do retorno que poderiam oferecer a investidores e parceiros.
No entanto, com a consciência de que naquele momento a organização não dispunha da disponibilidade e dos recursos necessários à implementação de um estudo com aquela magnitude - que exigia o mapeamento da intervenção, a identificação dos recursos e atividades, a demonstração de mudanças e valor, o apuramento do impacto, o cálculo do SROI e a comunicação dos resultados no ISfórum – foi tomada a decisão de não participar nesse processo de ISprototipagem.
Não obstante, tanto a Direção da Organização como a equipa técnica ficaram a partir daquele momento despertos para a importância da avaliação de impacto social da sua intervenção, continuando desde então a acompanhar os materiais disponibilizados para e pela Comunidade e a discutir internamente processos que se poderiam eventualmente aplicar de forma autónoma.
No início de 2019, a investigadora começou a escrever a sua tese de mestrado em torno da temática da avaliação de impacto social. Inicialmente a sua ideia era aplicar na APPC- Leiria uma ou duas das ferramentas disponíveis para o efeito. No decorrer da revisão teórica sobre a matéria, percebeu que o tempo seria um constrangimento (dado os processos de AIS implicarem a análise de mudanças a longo prazo), e deparou-se com a existência de centenas de instrumentos, tornando-se muito difícil a escolha dos mais adequados ao contexto das organizações da Economia Social.
Quando soube que a 4Change, uma das promotoras da CIS, iria apresentar um Toolkit com instrumentos para as organizações da sociedade civil medirem e reportarem o seu
73 impacto social, a investigadora, que se encontrava num impasse, tomou a decisão de ir conhecer o referido Toolkit e perceber se faria sentido aplicá-lo na sua investigação. A 21 de novembro participou no Workshop de apresentação do SIM Toolkit, em Lisboa. Embora o Toolkit não se encontrasse fechado, carecendo ainda de uma fase posterior de revisão, melhoria e lançamento efetivo, a investigadora rapidamente percebeu que esta seria uma oportunidade para testar alguns dos instrumentos apresentados, e assim ultrapassar o impasse com que se deparava na sua investigação, contribuir para o início de um ciclo de avaliação de impacto na APPC-Leiria, e dar feedback aos promotores do Toolkit. Nesse sentido, foi feita uma primeira abordagem com um dos elementos da 4Change que acabou por demonstrar interesse na partilha que poderia resultar desta parceria.
Numa fase posterior, foi feita uma apresentação do projeto de investigação e um resumo sobre a apresentação do SIM Toolkit à Diretora Técnica e Coordenadora da Equipa Técnica da APPC-Leiria que desde logo manifestaram também interesse na parceria com a 4Change e na colaboração para a implementação do SIM Cycle. Foram dadas as devidas autorizações para a organização de reuniões com os colaboradores a envolver e para a aplicação dos instrumentos. Ficou desde logo decidido que o SIM Cycle seria aplicado na sua totalidade com feedback contínuo para a 4Change. No entanto, devido a constrangimentos relacionados com os prazos de entrega desta dissertação, para a investigação optou-se por considerar e aplicar apenas as primeiras duas etapas do processo. Antes de iniciar o ciclo, a Equipa Técnica foi informada e sensibilizada a manter-se disponível e participativa.
A metodologia de trabalho consiste na aplicação das ferramentas propostas para a concretização dessas etapas. Os resultados dessa aplicação são apresentados no capítulo seguinte. Cronologicamente, o processo foi aplicado da seguinte forma:
ETAPA 1 DO SIM CYCLE: DEFINIR O PROBLEMA SOCIAL ABRANGENTE 1.1. Definição do território e do âmbito do problema
• 25/11/2019: Reunião/Focus Group com a investigadora, Diretora do Centro, Contabilista e Coordenadora de Equipa Técnica para definição do método de
74 trabalho a adotar pelo grupo de trabalho para a definição do território e âmbito do problema;
• 29/11 a 05/12/2019: Recolha de informação através da análise de documentos oficiais
• 06/12/2019: Reunião/Focus Group com a investigadora, Diretora do Centro, Contabilista e Coordenadora de Equipa Técnica para apresentação da definição do território e discussão sobre o âmbito do problema dentro das dimensões de bem-estar propostas pela OCDE.
• 07 a 10/12/2019: Elaboração de relatório final com definição do território e do âmbito do problema
ETAPA 2 DO SIM CYCLE: MAPEAR RECURSOS E NECESSIDADES 2.1. Avaliação da capacidade da organizacional
• 29/11 a 05/12/2019: Exploração - revisão de documentação para estabelecer um perfil inicial da organização e seu contexto
• 09/12 a 20/12/2019: Autodiagnóstico - aplicação de questionário OA2 a alguns colaboradores, estruturado para avaliar as capacidades críticas da organização • 07/02 a 14/02/2020: Autodiagnóstico - realização de autodiagnóstico
organizacional no âmbito da Comunidade Impacto Social, aplicado a todos os colaboradores
• 04/03 a 07/03/2020: Discussão - análise dos dados recolhidos em colaboração com stakeholders internos. Focus Group com a investigadora, Diretora do Centro, Contabilista e Coordenadora de Equipa/Psicóloga
• 09/03 a 13/03/2020: Proposta - apresentação de um documento com as conclusões gerais e recomendações para desenvolvimento de capacidade
2.2. Mapeamento de beneficiários ou outros stakeholders
• 17/02 a 21/02/2020: Aplicação do Cerise SBS (Questionário) – scorecard com análise de sete dimensões, duas das quais se focam na atitude da Organização perante os beneficiários e parceiros (Público e Parcerias).
75 • 22/02/2020 e 07/03/2020: Reuniões de trabalho da Investigadora com Coordenadora da Equipa Técnica com análise do questionário CERISE para completar as etapas previstas para esta fase:
o Identificação dos stakeholders (beneficiários da intervenção e outros) por diferentes critérios (o seu número, como estão relacionados com o assunto, qual a sua situação social, como contribuem para o projeto, como beneficiam do projeto, como comunicar com eles);
o Mapeamento das interconexões entre estas pessoas, grupos, organizações;
o Identificação dos papéis, necessidades, riscos, forças, etc. destes stakeholders;
o Planeamento do seu envolvimento na iniciativa (canais de comunicação e nível de envolvimento);
o Seleção dos outcomes e impacto ligados aos stakeholders e a sua medição através de indicadores.
• 09/03 a 13/03/2020: Redação e apresentação de um documento com as conclusões e recomendações gerais.