As sugestões a serem expostas e descritas neste item são, em geral, de componentes ou de partes da prótese, já tendo passado por uma análise preliminar de exeqüibilidade física. Ou seja, não necessariamente as sugestões devem ser de uma solução completa do produto neste momento. Este fato foi muito observado no brainstorming, em que a maioria das sugestões foi de uma parte ou de um componente da prótese.
As sugestões do brainstorming que passaram pela análise preliminar mencionada foram as seguintes:
- Para se atender á função “substituir membro”: ímã, gancho, transplante, pinça, mão artificial, máquina, equipamento
eletrônico, mini-computador, alicate, vassoura, tubo de borracha, réplica em borracha, robô, pneumático, silicone, braço artificial inteligente, secador de cabelo, laser para apresentação em palestras, mouse, retroprojetor, leque, escova, pegador à distância, leitura de código de barra, canivete suíço, implante, telefone celular, ciborg (braço biônico), relógio, rádio relógio, martelo, lanterna.
- Para se atender à função “fixar prótese”: engate rápido, ímã, cola, amarrar, camisa, parafuso, cola silicone, rosca, vácuo, garra de pressão, encaixe, gesso, ventosa, ajustes de alça de mala, prender no ombro, cola biológica, resina, luva de borracha.
- Para se atender à função “fornecer conforto”: meia, roupa, espuma, espuma de plástico, borracha, inflável, silicone, almofada, mola, roupa de manga comprida, colchão de água, relógio, cooler (resfriador), pele de látex, sensor de pressão, sensor de temperatura, capas removíveis, roupas para prótese, palm top, pêlo opcional, rigidez controlada, controle de força, anti-derrapante, secador para o suor, sistema de refrigeração, leve, interface digital, controle remoto universal, lanterna, macio, suave, liso, mole, características do dono, equilíbrio.
Entre as sugestões recebidas em conversas com usuários, destacam-se as seguintes:
- Um sistema nos tirantes das próteses de membros superiores que seja similar ao observado em cintos de segurança de automóveis, com regulagem de posição e da tração da correia. Esta sugestão foi feita por um usuário em uma conversa realizada em uma visita na AACD (não é um dos usuários que tiveram sua entrevista descrita neste trabalho), e o motivo fornecido por ele foi que, quando se está sentado, os tirantes
ficam frouxos e o esforço efetuado pelo usuário para movimentar a prótese aumenta consideravelmente, em relação ao realizado pelo mesmo quando está em pé e os tirantes ficam tracionados.
- O terceiro usuário entrevistado neste trabalho sugeriu que, para seu coto de braço, fosse confeccionada uma prótese menor, sem o cotovelo, que obviamente não teria uma boa estética, mas seria funcional e muitas vezes o auxiliaria a pegar objetos mais facilmente, ainda mais no caso dele, com amputação bilateral. A ausência do cotovelo nesta prótese certamente tornaria seu uso mais simples. Pode-se dizer que existe um caso análogo para as próteses de membros inferiores – são os stubbies, que são próteses de membros inferiores sem a articulação correspondente ao joelho, utilizadas geralmente para o treinamento de amputados em sua adaptação às próteses. Eles auxiliam na preparação dos mesmos para que aprendam primeiramente a andar com uma prótese mais simples e venham a poder utilizar com sucesso uma prótese completa de membro inferior posteriormente (Boccolini, 2000).
- O terceiro usuário entrevistado também sugeriu o seguinte sistema para encaixe da prótese: o coto ficaria fixo a um encaixe, que por sua vez entraria em contato com a prótese. Neste caso, haveria algum movimento relativo entre a prótese e o encaixe fixo ao coto, e não entre a prótese e o coto. Com isto, segundo ele, o incômodo devido à prótese seria menor. Apesar dele fazer esta sugestão principalmente para próteses de membros inferiores, considerou-se importante mencioná-la e há a possibilidade de se testar este sistema em membros superiores em caso de grande incômodo na fixação da prótese em determinado paciente. Este sistema, embora já existente, não tem uso muito comum. Este assunto também pode estar
relacionado a uma película que poderia ser colocada sobre o coto com o objetivo de evitar o contato entre a pele e a resina, com o objetivo de se diminuir de alguma forma o incômodo causado pelo suor do usuário na região.
- No brainstorming, mencionou-se a existência de pele artificial e de réplicas do braço em borracha, utilizadas para prática em Medicina. Estas réplicas possuem textura e impressão digital, podendo também possuir pêlos. Estes componentes, estudados e utilizados em conjunto por especialistas em próteses e em réplicas, podem possibilitar o surgimento, em uma maior escala, de próteses com uma estética muito próxima da mão humana, e sem um grande acréscimo de peso devido a isto. Este certamente seria um grande benefício para as próteses mais comumente utilizadas atualmente. De fato, já existem fabricantes de peles artificiais para próteses (Livingskin, 2003); (Ortopedia Gonzalez, 2004), porém estas peles atualmente não são utilizadas pela maioria dos usuários das próteses de membros superiores.
- Um outro ponto que pode ser observado é que, para ganho de algum peso, os braços das próteses, feitos atualmente em resina, poderiam ser furados em vários locais sem que seja afetada sua funcionalidade. Para se resolver a questão da aparência, estes braços poderiam ser cobertos com uma grande luva cosmética com o aspecto da pele humana. Poderia haver (este ponto também foi mencionado no brainstorming) duas luvas, sendo uma para o antebraço e outra para a mão, de forma que os movimentos desta não fossem prejudicados de forma alguma pela luva. Esta solução de estudar a retirada de material de um componente, para se diminuir seu peso, sem que se prejudiquem seus requisitos funcionais, é muito comum na Engenharia Mecânica.
- A busca de novos materiais, cada vez mais leves, baratos e resistentes, nunca deve ser deixada de lado nos projetos de próteses, em que o custo e o peso das mesmas, como já visto, são fatores primordiais para sua aceitação pelos usuários.