CHAPTER 5: EMPIRICAL FINDINGS
6.3 Application of Contingency Approach
As entrevistas (individuais ou em grupo) foram gravadas em áudio (em arquivo MP3) e transcritas na íntegra e literalmente pela própria pesquisadora para posterior análise. As transcrições foram analisadas por procedimentos qualitativos, tendo como inspiração a proposta
teórico-metodológica desenvolvida por Spink e Lima (2004), que se refere à produção de sentidos nas práticas discursivas.
Realizamos a análise das entrevistas e dos grupos focais, através dos seguintes passos: a) Transcrição das entrevistas, preservando-se a linguagem coloquial da fala dos
participantes;
b) Leitura em profundidade das transcrições;
c) Construção de eixos temáticos, que nos permitissem fazer um recorte dos principais temas discutidos nas entrevistas;
d) Identificação dos diferentes sentidos construídos, na interação com os participantes, em cada um dos eixos temáticos;
e) Organização destes sentidos em Quadros, que permitem visualizar os sentidos produzidos e as possíveis implicações destes sentidos para a prática cotidiana destes profissionais.
f) Seleção de alguns trechos das entrevistas, como forma de ilustrar os sentidos construídos com os profissionais de saúde no processo de entrevista.
Nessa análise, sempre que possível, buscamos dar visibilidade à dinâmica temporal que atravessa o processo de produção de sentidos, incluindo a análise tanto dos sentidos referentes às linguagens ou discursos sociais mais amplos (tempo longo), como àqueles referentes à experiência de vida e profissão de cada entrevistado (tempo vivido) e às possibilidades de negociação que atravessam o próprio momento interativo (tempo curto), o que inclui a interação entre os próprios participantes do grupo, e entre esses e a pesquisadora. É importante destacar que este tipo de método tem sido usado tanto como recurso para análise de entrevistas individuais (Spink & Lima, 2004), como em grupo (Pinheiro, 2012).
É válido salientar que os resultados oriundos desta análise não são estanques, ou sugerem normas ou padrões nas relações dos profissionais envolvidos com as IPC, mas foram construídos através das práticas discursivas no momento da interação da pesquisadora com as equipes e gestores. Conforme Spink e Medrado (2004), a produção de sentidos é um empreendimento coletivo que se dá por meio de trocas dialógicas entre participantes e pesquisadores.
A escolha de analisar as informações produzidas durante pesquisa sem diferenciar as equipes profissionais entrevistadas pareceu mais adequada para os propósitos dessa pesquisa, já que a divisão em setores do hospital pesquisado é muito mais uma questão organizacional, do que propriamente em função dos perfis clínicos dos pacientes assistidos. Foi perceptível
através de uma pré-análise de todos os grupos focais com as equipes e das entrevistas individuais com os gestores dessas mesmas equipes, uma artificialidade na divisão de perfil dos setores, ou seja, que existe apenas em potência, mas que é regulada pela demanda, pelo fluxo de pacientes internados na instituição e pelo melhor acolhimento no decorrer das internações. Como exemplo disso, em muitos dos casos presentes nas entrevistas os pacientes se repetiam, visto que muitas vezes pelo longo período das internações a permanência em uma mesma unidade se tornava de difícil manejo para os profissionais e então havia uma permuta de pacientes entre as unidades.
Além disso, a união em um mesmo corpus permitiu garantir o sigilo dos participantes entrevistados, visto que caso a análise tivesse sido realizada seguindo uma divisão por unidades poderia haver a possibilidade de identificação dos colaboradores envolvidos nas entrevistas durante a pesquisa.
Antes do fechamento do processo de análise do corpus e conclusões da pesquisa, foi feita exposição da análise para os colaboradores da pesquisa. A opção por apresentar a análise das informações da pesquisa antes de seu fechamento para os participantes deu-se como um esforço coparticipante entre pesquisador e colaboradores para a construção de uma forma mais integrada de entendimento dos temas explorados na pesquisa. De acordo com Frank (2005) esse esforço não é realizado para consultar ou obter aprovação dos colaboradores envolvidos no processo de constituição de corpus visto que narrativas não são finais em si mesmas, mas processos abertos para novas possibilidades de entendimento e significação. Nesse sentido, os resultados da pesquisa são compreendidos através de um olhar em relação a um futuro aberto em possibilidades de entendimento, e ao que pode vir a ser.
Além disso, essa opção se orientou pelas proposições de Gergen (2014), que discute a necessidade dos processos de pesquisa serem mais participativos e apresentarem seus resultados para as pessoas diretamente implicadas no processo mais rapidamente. Segundo o autor, com frequência, leva-se muito tempo para que as pesquisas acadêmicas retornem para seus envolvidos. É importante, portanto, que a própria pesquisa seja concebida como uma ação, trazendo efeitos imediatos para o contexto em que se insere.
Buscamos trabalhar com essa concepção, em nossa pesquisa, duplamente: na própria concepção de entrevista como prática discursiva; e na apresentação da pesquisa e sua análise, antes do fechamento, como forma de poder, ainda, incluir possíveis reflexões e comentários dos participantes. Nesse momento, os grupos realizados para apresentação da pesquisa não foram audiogravados, apenas registrados em notas de campo.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com base em nossos passos de análise, construímos cinco eixos de temáticos que se relacionavam com a IPC e o manejo cotidiano dos profissionais são eles:
1. IPC como tratamento.
2. Sentidos sobre o uso de IPC e suas implicações. 3. IPC, relações familiares e tratamento.
4. IPC e RAPS.
5. Sugestões dos profissionais para as práticas em saúde mental.
Buscamos, com esta organização, dar visibilidade para os principais temas discutidos com os profissionais de saúde participantes dessa pesquisa em relação ao seu cotidiano de trabalho com internações psiquiátricas compulsórias, e a diversidade de sentidos negociados no contexto da pesquisa para cada um deles, assim respondendo aos objetivos de nossa pesquisa.