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O tempo é crucial para a planificação e regulação e tem um impacto significativo sobre a vida dos estudantes, em particular sobre aqueles que estudam em instituições de Ensino Superior, nas quais não há supervisão dos pais e professores (Nasrullah & Khan, 2015). É um dos fatores associados ao sucesso de estudantes novel, em particular de Engenharia, nomeadamente pela quantidade de tempo utilizado no estudo e pela forma como esse tempo é utilizado. Para Britton e Tesser (2001), quando os estudantes entram na Universidade, contrariamente ao que se verificava no Ensino Secundário, descobrem que o que aprendem numa aula é, muitas vezes, apenas uma abordagem breve aos conteúdos que individualmente têm que explorar e aprofundar. Ter um tempo determinado para realizar uma tarefa/ação constitui um elemento adicional que os estudantes devem considerar na tomada de decisão e na escolha das ações alternativas (Eilam & Aharon, 2003; Nasrullah & Khan, 2015). Em termos gerais, a gestão do tempo refere-se a atividades que implicam uma utilização eficaz de tempo no sentido de promover um rendimento académico elevado e alívio do stress (Zampetakisa, Bourantab & Moustakisa, 2010). Uma característica comum entre as conceções de gestão do tempo é o "comportamento de planeamento" (Claessens et al., 2007). São vários os estudos correlacionais conduzidos nas últimas décadas apresentando evidências de uma relação positiva entre a gestão do tempo e o desempenho académico (e.g., Britton & Tesser 1991; Macan et al. 1990; Trueman & Hartley 1996). No entanto, muitas vezes o estudante de Ensino Superior não parece atribuir à gestão do tempo a importância merecida (Sevari & Kandy, 2011). Britton e Tesser (1991), por exemplo, nos seus estudos, relataram uma moderada correlação positiva entre a planificação do tempo a curto prazo e a média do rendimento

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académico. Ser bem-sucedido exige, assim, planificar bem o seu tempo. A quantidade de tempo necessária para, por exemplo, realizar uma tarefa em Engenharia, varia de acordo com o estudante: depende da capacidade, disposição e estratégia, com a certeza que mais tempo pode não ser necessariamente melhor para o sucesso académico (van den Bogaard, 2012; Plant et al. 2005). Plant e colaboradores (2005) demonstraram que o tempo de estudo na Universidade está negativamente correlacionado com as capacidades dos estudantes avaliadas à entrada para a Universidade. A explicação apresentada remete para o facto de os estudantes com capacidades e conhecimentos superiores conseguirem alcançar os mesmos resultados académicos com menos tempo de estudo do que os estudantes que chegam menos preparados.

Ao promover a gestão do tempo desenvolvem-se, também, políticas educativas de Ensino Superior mais rentáveis e promotoras do sucesso académico e profissional (Kaushar, 2013). Häfner e Stock (2010) descrevem a gestão do tempo eficaz como “(..) a combination of time assessment, goal setting, planning, and monitoring activities” (p. 430). Este conceito é considerado um instrumento de apoio importante para o estabelecimento de objetivos, para definir e selecionar estratégias, antecipar obstáculos e consequências, aumentar os sentimentos de controlo do tempo (Häfner & Stock 2010; Macan 1994). No estudo de Martin (2007), a gestão adequada do tempo de estudo do estudante constitui uma dimensão comportamental adaptativa do seu modelo de motivação e envolvimento.

A investigação atual tem demonstrado que a gestão do tempo é um problema grave para muitos estudantes do Ensino Superior e uma gestão do tempo ineficaz está associada a elevadas taxas de incidência do stress (Lowe & Cook 2003; Nasrullah & Khan, 2015; Song et al. 2008; Wilcox et al. 2005), em muito relacionadas com o volume de trabalho, a pressão de tempo e o desafio de autorregular a aprendizagem (Häfner et al., 2015). A gestão do tempo é, de facto, um dos processos autorregulatórios mais estudados e mais importantes para a vida do estudante novel com impacto no seu desempenho académico e profissional (e.g., Lowe & Cook 2003; Maguire et al. 2001; Nasrullah & Khan, 2015; Prescott e Simpson 2004; Van der Meer et al. 2010). Já em 1950 e 1960, vários autores propuseram métodos para lidar com as questões do tempo no trabalho (e.g., Drucker, 1967; Lakein, 1973; Mackenzie, 1972; McCay, 1959), tais como elaborar, através da escrita, planos de trabalho (a chamada "listas de tarefas"), a fim de melhorar o desempenho.

Claessens, van Eerde, Rutte e Roe (2007), consideram o termo "gestão do tempo" pouco claro. Em termos precisos, o tempo não pode ser gerido, porque é um fator inacessível. Apenas a forma como uma pessoa lida com o tempo é que pode ser controlada. A gestão do tempo pode assim ser vista como uma forma de monitorização e controle sobre o tempo (e.g., Eilam & Aharon, 2003). A este respeito, seria mais apropriado falar sobre auto-gestão no que diz respeito à planificação e realização de múltiplas tarefas dentro de um determinado período de tempo. Mas na literatura, o termo auto-gestão tem um significado diferente. Portanto, neste trabalho o termo usado é gestão do tempo com foco na planificação do tempo.

29 Claessens e colaboradores (2007), numa revisão de 32 estudos sobre o termo, realizados entre 1982 e 2004, definem gestão do tempo como “(…) behaviours that aim at achieving an effective use of time while performing certain goal-directed activities” (p.262). De acordo com os mesmos autores, estes comportamentos incluem o planeamento de tarefas, a priorização, a elaboração de listas de coisas a fazer, o agrupamento de tarefas (e.g., Britton & Tesser, 1991; Macan, 1994, 1996; Sabelis, 2001). Assim, segundo Zimmerman, Greenberg e Weinstein (1994), a gestão do tempo é influenciada por fatores comportamentais (e.g., os esforços de auto-observação, autoavaliação e auto-reação face ao desempenho académico), fatores ambientais (e.g., o uso de auxiliares na planificação) e fatores pessoais de aprendizagem (e.g., objetivos definidos, atribuições, e autoeficácia). Por isso hoje no sistema de ensino moderno, uma especial ênfase tem sido dada às questões de gestão do tempo, avaliando-se atitudes e comportamentos relacionados com o tempo dos estudantes e sua gestão (Karim & Mitra, 2011), promovendo ações ou programas de desenvolvimento desta competência (e.g., Häfner, Stock & Oberst, 2015). Para Nasrullah e Khan (2015) a gestão do tempo requer procedimentos e comportamentos de planificação de qualidade que, segundo Laurie e Hellsten (2002), dizem respeito à planificação a longo prazo, planificação a curto prazo e às atitudes (i.e., perceção de controle, gestão e utilização construtiva do tempo - Karim & Mitra, 2011). Por sua vez, Britton e Tesser (1991), e também Macan (1994) defendem que a gestão do tempo engloba igualmente as perceções e atitudes do indivíduo sobre o tempo - controle de tempo percebido. Esta variável indica em que medida os sujeitos creem que o tempo afeta a sua ação e também de quanto tempo necessitam para a sua realização (Claessens et al., 2004). Usunier e Valette-Florença (2007) argumentam que há diferenças individuais relativas a aspetos motivacionais de tempo, em particular quando o tempo é encarado como um recurso económico. Neste sentido, os que consideram que o tempo lhes permitirá obter benefícios persistem na tarefa, mesmo que as recompensas sejam a longo prazo; pelo contrário, os que não acreditam têm mais dificuldade em persistir e aguardam um retorno rápido da sua ação.

Na sequência do referido, como referem Claessens e colaboradores (2007) estudos futuros sobre a gestão do tempo devem explorar como as pessoas planificam e priorizam o seu trabalho e atividades, como desenvolvem as suas ações planeadas, e também que técnicas de gestão do tempo utilizam. Acrescentam que as metodologias quantitativas devem ser complementadas com metodologias qualitativas de forma a aceder a comportamentos de gestão do tempo adotados pelo indivíduo na sua experiência prática, por exemplo um diário, no qual as pessoas planifiquem e priorizem as suas tarefas dia a dia, o que aconteceu de novo e como lidaram com isso. A vantagem do diário, referem, é que a informação de como as pessoas usam o seu tempo é obtida on-task aumentando a fidelidade da medida (Conway & Briner, 2002; Pentlan et al., 1999; Reis & Wheeler, 1991; Symon, 1999).

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Em suma a gestão do tempo é essencial para qualquer estudante universitário, e é uma das chaves para melhorar a realização académica (Kelly, 2004).