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Doctoral Theses at The Faculty of Psychology, University of Bergen

As “(…) iniciativas e os esforços dos estudantes para procurarem ajuda dos pares, professores e adultos” caracteriza, de acordo com Rosário e colaboradores (2006), esta estratégia de aprendizagem (p. 136). Newman (2000) descreve-a como ações do individuo para corrigir um deficit de conhecimento que interfere com a conclusão da tarefa académica, e Pintrich (2000a) como uma estratégia comportamental e de interação social. De acordo com este último autor, esta estratégia, quando não é adaptativa, é um recurso que estudantes ativam com o desejo de chegar a respostas corretas sem muito esforço ou persistência, ou para completar tarefas sem um grande esforço. É, portanto, como referem Karabenick e Newman (2006), e White (2010) uma estratégia autorregulatória, através da qual os estudantes procuram a ajuda de outras pessoas para facilitar a aprendizagem, quando confrontados com obstáculos.

À semelhança de outras estratégias autorregulatórias da aprendizagem, inclui aspetos cognitivos (saber quando pedir ajuda), sociais (saber a quem pedir ajuda), motivacionais e afetivos (estabelecer metas, perceção de autonomia e controle, crenças, atitudes e disposição para interagir com potenciais fontes de apoio) (Newman, 2000). De acordo com Weiss (1974), esta estratégia compreende seis funções: relação, integração, afeto, segurança, confiança e orientação; e para House (1981) o apoio pode ser emocional, instrumental, de informação ou de estima.

Newman (2000) explorou o seu desenvolvimento, examinando as influências sociais dos pais, professores e pares, e conclui que a partir de experiências precoces de procura de ajuda, as crianças desenvolvem a capacidade de recorrer e selecionar o outro como apoio na resolução de uma determinada necessidade.

Os estudos sobre o recurso a esta estratégia no ambiente académico são reduzidos (Sakiz, 2012). No entanto, as investigações sobre o apoio social em relação à transição para a universidade, por exemplo, têm demonstrado o quanto este é vital para adaptação e sucesso no Ensino Superior (Lamonthe et al., 1995; McKenzie & Schweitzer, 2001; National Audit Office, 2002; Thomas, 2002), e realçado as diferenças da estratégia de acordo com a fonte: pares, tutores e pais (Tao et al., 2000). James e colaboradores (2010) salientam, também, que concretamente no 1.º ano do Ensino Superior o baixo desempenho académico e o risco de não conseguir “sobreviver” prendem-se com fatores como a baixa perceção de apoio social. Estudos recentes avançam dados coincidentes, por exemplo. Sakiz (2011) num estudo com estudantes universitários da Turquia, relata relações significativas entre a procura de ajuda social, as abordagens profundas ao estudo e objetivos de mestria. Também Bembenutty

31 (2011) refere relações positivas entre autoeficácia, expectativas de resultado e procura de ajuda social. A literatura indica recorrentemente que estudantes eficientes confrontados com desafios académicos recorrem à estratégia Procura de ajuda social (Karabenick, 2011).

As relações positivas entre professores e estudantes, nas quais os professores demonstram comportamentos de afeto, escuta e preocupação, têm também sido apontadas na literatura, como fatores importantes que podem aumentar o recurso à estratégia, especialmente nas salas de aula do Ensino Básico e Secundário (Newman, 2002, 2008; Newman & Schwager, 1993; Ryan, Gheen, & Midgley, 1998) sendo vários os estudos que o comprovam (e.g., Demaray & Malecki, 2002; Perry, VandeKamp, Mercer, & Nordby, 2002). O apoio do professor é, de facto, um elemento chave para a qualidade elevada na relação mas, mais uma vez, tem sido pouco estudado no Ensino Superior (Sakiz, 2012). Chen, em 2000, num estudo qualitativo com estudantes universitários, verificou que o respeito, carinho, interesse e preocupação do professor foram positivamente relacionadas com a sua motivação. Myers, Edwards, Wahl, e Martin em 2007, por seu lado, demonstraram que comportamentos agressivos de comunicação dos professores foram negativamente relacionados com a disposição dos estudantes universitários para colocar questões ou dialogar com o professor. Conjuntamente, estes dados sugerem uma potencial relação entre as perceções dos estudantes sobre os comportamentos do professor e a procura de apoio junto destes. Quanto mais elevada for a perceção do apoio disponível mais positivas e satisfatórias tenderão a ser as vivências académicas dos estudantes, em especial as que se assumem como indicadoras de uma boa adaptação ao curso e à instituição (Pinheiro & Ferreira, 2005).

O apoio social pelos pares tem também sido apontado pela literatura como promotor da adaptação e sucesso académico do aluno novel. Thomas (2002) demonstrou que as novas redes sociais dos estudantes na universidade, são, muitas vezes, o apoio para superar as dificuldades que experienciam sendo este um dos motivos porque o aluno novel recorre à estratégia – Procura de ajuda social - junto dos pares. De acordo com Wilcox e colaboradores (2005) o tipo de apoio que os estudantes recebem de pares e tutores na universidade é diferente do apoio dado pelos amigos; é um apoio mais instrumental e de informação que promove sentimentos de confiança na realização das tarefas académicas e no desempenho do papel de aluno em geral. Na opinião de McKenzie e Schweitzer (2001) a promoção de grupos de estudo (por oposição aos grupos sociais) como socialmente aceitável e incentivado pode ajudar à mudança de comportamentos com impacto positivo no rendimento académico.

Na sequência do referido, a literatura tem realçado o papel da Universidade na promoção de ações e oportunidades de desenvolvimento das relações do aluno novel com o grupo de pares e com os professores favoráveis à sua adaptação e integração social (McKenzie, & Schweitzer, 2001; Sakiz, 2012). Como refere Pinheiro e Ferreira (2005), é “(…) benéfico para o estudante

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percepcionar que os outros se interessam por ele (pais, amigos, família, colegas, professores, etc.), o valorizam, aceitam e, ao mesmo tempo, caso ele necessite, o podem ajudar a resolver problemas e ultrapassar dificuldades. (…) Desenvolver os sentidos de aceitação e de pertença pode ser mesmo considerada uma tarefa importante para o bem-estar e sucesso do estudante” (p. 468). São, no entanto, necessários mais estudos centrados no contexto de Ensino Superior que relacionem esta estratégia com outras variáveis do campo motivacional e da autorregulação da aprendizagem (Sakiz, 2012).