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Appendix B: Algebraic summary of the numerical CGE model – For Online Publication

O grupo das leigas foi e continua sendo o responsável pela organização das mulheres na Igreja Evangélica Congregacional. A história da Sociedade de Mulheres da IECA registra no seu bojo as mulheres leigas. Como se fez referência no capítulo I, dos primeiros quatorze formados e convertidos, a décima quarta pessoa era uma mulher, a Essoko, batizada por Raquel Essoko no Bailundo, na primeira estação missionária328.

A visão de Raquel Essoko era organizar as mulheres para a formação, a fim de que a mesma fosse boa esposa, boa mãe e apta para desenvolver-se na sociedade. Nessa perspectiva religiosa cristã, ela começou a reunir mulheres, tratando e compartilhando questões das famílias, da vida conjugal e social. O programa, a priori, foi denominado “Omuenyo Wepata”, a vida da família, no sentido mais amplo da família africana. Em algumas estações começaram beneficiando esposas de pastores, diaconisas, esposas de catequistas e diáconos. O trabalho foi crescendo e atingiu todas as estações missionárias com êxito329. A perspectiva de Raquel Essoko iniciou a proporcionou a inserção da mulher na vida pública.

A partir deste programa, mulheres e famílias foram incentivadas a irem para as escolas formarem-se e aumentar conhecimentos. As mulheres leigas sempre constituíram a força da Igreja, com uma dinâmica da práxis pastoral na comunidade eclesial. Reúnem-se uma vez por sema na para estudos, ensaios, observação do cronograma de atividades previamente elaborada. Apoiavam os carentes, os doentes e os enlutados da comunidade. Além dessas atividades, também participavam do louvor, da limpeza da decoração, nas comemorações e em todas atividades que a Igreja realiza. Para fazer parte da coordenação de um dos programas da Sociedade de Senhoras, para ser diaconisa ou fazer parte de qualquer comissão na Igreja, buscava-se a organização no grupo das mulheres leigas. Até

328 CAPUCA, Valentina Chilombo. Op. cit, p.2. 329 Idem, p.2.

1974 a Sociedade das Mulheres estava organizada em todas as estações missionárias e centros, sem ter a direção nacional que pudesse coordenar todas as atividades330.

As relações ecumênicas vivenciadas entre as Igrejas Metodista Unida de Angola e a Igreja Evangélica Congregacional em Angola eram visíveis em quase todos os domínios da vida das duas denominações: a formação teológica, a liga missionária, o direito ao espaço e assistência pastoral dos membros. Valentina Chilombo Capuca331conta que em 1974,

quando a Sociedade das Mulheres da Igreja Metodista de Moçambique realizava a sua assembléia, convidou a sua congênere Metodista Unida de Angola, que por sua vez colocou na sua delegação uma mulher da Igreja Congregacional:

Na pessoa de sua Revª. Bispo Emílio Júlio Miguel de Carvalho 3 mulheres para participarem na sua Assembléia Geral como troca de experiências. A assembléia teve lugar em junho. Por sua vez a Igreja Metodista Unida de Angola, gozando de boa harmonia com a Igreja Evangélica Congregacional (Conselho de Igrejas Evangélicas de Angola Central), cedeu um lugar a igreja supra citada ficando assim, duas mulheres para Metodista e uma para Congregacional332.

A Congregacional tendo recebido a proposta, de bom grado nomeou Valentina Chilombo Capuca para fazer parte da delegação Metodista e participar da Assembléia em Moçambique.

Valentina com o seu relatório da viagem a Moçambique contribuiu na criação da direção nacional das mulheres. Em 25 de fevereiro 1975 reuniu-se a primeira Assembléia das Mulheres, que contou com a presença de 30 participantes provenientes de todas as estações missionárias, Huambo e Lobito. A direção da Igreja estava representada pelo Rev. Ricardo Uliengue Epalanga, na época Secretário Geral da Igreja, Sr. Artur Cinco Reis Chalela, Tesoureiro Geral e a missionária Etta May Snow, do Departamento de Educação Cristã. A Assembléia elegeu para a direção as seguintes mulheres:

Valentina Chilombo Capuca... Presidente Celita Chinossanda Epalanga... Vice presidente Celeste Namutinha Catumbela... Secretária Leontina Namuieca... Tesoureira Joana Maliti... Conselheira

330CAPUCA, Valentina Chilombo. Op. Cit, p.2.

331 Valentina Chilombo Capuca é a primeira educadora cristã na Missão do Bunjei e foi professora na Escola

Means até 1975.

Celeste Canutula... Conselheira333

A direção eleita realizou inúmeras atividades e encorajou as mulheres a se encontrarem sempre que pudessem, no tempo de guerra. Organizavam assembléias regionais e nacionais, onde tratavam do trabalho e seu desenvolvimento e renovação de mandatos. Desde 1999, instituiu-se um dia especial para a comemoração da Unidade da Mulher da IECA.

2.5.2– Contribuição das diaconisas

Duncan A. Reily revela que o diaconato é uma das funções exercidas pelas mulheres desde a Igreja Antiga até a Idade Média. Este tipo de ministério tinha desaparecido por algum tempo, surgindo novamente na Alemanha e depois na Inglaterra, mais tarde na América do Norte. Em 1817 Elizabeth Fry, ministra da Igreja dos Amigos em Londres, fundou uma associação das mulheres para melhorar as condições de vida das mulheres encarceradas. Theodor Fliedner, na época pastor da Igreja Luterana em Kaiserwerth, Alemanha, em sua visita a Londres, se impressionou com o trabalho da Elizabeth Fry. Quando chegou na Alemanha, Fliedner e sua esposa criaram no jardim da casa pastoral a Casa das Diaconisas e Escolas de Enfermagem, em 1836, para abrigo de

ex-prisioneiras. Deste centro nasceram 100 casas maternas ou casas da expansão das diaconisas334.

Nessas casas eram formadas enfermeiras que trabalhavam entre os pobres e órfãos. Devido a falta de reconhecimento das funções, as diaconisas trabalhavam também como enfermeiras em asilos de mulheres. Segundo Duncan A. Reily, as ações pastorais desenvolvidas pelas diaconisas influenciaram vários tipos de ministérios femininos. Nos Estados Unidos da América o Dr. Samuel Gridley Howe trabalhou com os cegos e na causa da abolição dos escravos. Florence Nightingle, após a sua formação na Alemanha, na Casa das Diaconisas, dedica todo o seu tempo trabalhando nos hospitais militares e organização dos mesmos na França. Ela é considerada a pessoa que deu origem à enfermagem moderna. Percebe-se que a Alemanha foi a origem e o modelo da enfermagem moderna espalhada pelo mundo335.

333 CAPUCA, Valentina Chilombo. Op., cit, p.2. 334REILY, Duncan A. Op. cit, p.193.

O ministério das diaconisas atingiu outros países, por intermédio da formação de diaconisas para o estrangeiro, dentro do serviço missionário. Tudo indica que as associações femininas, para o serviço nas áreas missionárias, ajudaram a criar, organizar e cuidar das comunidades locais no estrangeiro336.

Não temos dados de quando começou a formação das diaconisas, porém as diaconisas e os diáconos eram parte integrante da liderança leiga nas comunidades da Igreja nos Centros. Ajudavam a administrar a área, desempenhavam suas tarefas especificamente dentro da sua formação e mordomia. As diaconisas e diáconos eram considerados, na Igreja Congregacional, auxiliadores dos pastores em serviços pastorais em geral e preparação dos sacramentos.

2.5.3 – Contribuição das esposas de pastores

A precisão exata de quando a contribuição da esposa do pastor passou a ser um ministério especial aberto aos protestantes é incerta. No entanto, existem teóricos que tratam da esposa do ministro nos tempos modernos e sobre os deveres dela, dos quais se considera que “a mulher do ministro devia se considerar casada com a paróquia do

marido, e com os melhores interesses do rebanho”337.

A este respeito, Duncan A. Reily conta como eram as atividades de Catarina Von Bora, esposa de Martinho Lutero que, além dos seis filhos que tinham, a casa pastoral parecia ser mais uma combinação de hospedaria e internato, do que casa de família. Na casa pastoral, além da família, viviam parentes, hospedavam-se estudantes universitários, visitantes, protestantes exilados e outros338. Reily acrescenta que Catarina cozinhava, cuidava da casa e dos filhos, era responsável pela plantação, pelos animais, pela fabricação da cerveja e demais afazeres. Catarina é tida como uma mulher de caráter, bom senso, corajosa, meiga, resoluta. Ela discutia com Lutero os assuntos ligados à Reforma e foi a primeira mulher a presidir a primeira casa pastoral339.

Segundo Reily, a idéia de que a mulher do ministro devia se considerar casada com a paróquia do marido e com interesses do rebanho, ganhou consistência na igreja protestante. Muitos missionários que foram para a África, passaram essa idéia durante a

336Idem, p. 196. 337 Idem, p.161. 338Idem, p.162. 339Idem, p.162.

expansão do cristianismo340. Em Angola as igrejas protestantes, desde a sua implantação, receberam o conceito de que a esposa do ministro da igreja ou comunidade tinha que ser uma mulher que se comprometesse com o ministério pastoral do marido.

Há esposas de pastores que entraram no ministério já casadas e outras que se casaram em preparação ao ministério. Em ambos os casos, a mulher normalmente segue a decisão vocacional do marido e se submete ao processo de conscientização de servir a Deus e comprometimento com os valores do cristianismo. Nas igrejas protestantes o ser esposa do pastor é considerado função de prestígio no seio da comunidade. Geralmente, as igrejas procuram receber pastores casados, que possam auxiliar na área de ministrar cursos de formação para as mulheres. O que no fundo significa querer dois obreiros, mas com o salário de um.

As nossas comunidades têm pouca experiência de trabalhar com pastoras cujos maridos não são pastores. E quando isso acontece, geralmente os maridos dificilmente se comprometem com o ministério da sua esposa, que é pastora.

Os membros consideram a casa e família do pastor como espelho que reflete a imagem a ser referida. A esse respeito, Nancy Gonçalves Dusilek comenta que:

(....) os membros da comunidade observam todos os detalhes: a educação dos filhos, a forma como o casal se trata como marido e mulher, a maneira de se vestirem, decorarem a casa, administrarem o tempo. Tudo é motivo de comentários velados ou não341.

Este conceito das comunidades com relação à família do pastor deixa a esposa preocupada e sempre ocupada em colocar as coisas em dia. Embora algumas mulheres tenham cultivado a postura de dona de casa, ela procura evitar o reflexo distorcido da família.

Na Igreja Congregacional em Angola, na época da formação do pastor, ela também tem aulas relacionadas com a organização das mulheres na Igreja e sobre sua responsabilidade como esposa de pastor. No processo de ordenação à mulher é dirigida perguntas e uma delas que nunca falta é: ungombo helie – quem é o pastor? E ela tem que responder: ungombo ame - o pastor sou eu. Significa que a igreja exige da esposa do pastor trabalhar para a boa imagem dele e da família. Que seja conselheira do seu marido, o que

340Idem. p. 162.

341 DUSILEK, Nancy Gonçalves. Mulher sem nome. Dilemas e Alternativas da Esposa de Pastor. São Paulo,

muitas vezes não funciona342. As exigências feitas pela Igreja em relação à esposa do pastor a deixam em estado de preocupação, ao exercer a função343.

A mulher do pastor era também responsável pela organização da Sociedade das Senhoras, acolhiam visitas, trabalhava para manter e completar o sustento da família e para que o ministério do marido fosse um sucesso na Igreja. Participava em diversas atividades assim como evangelização por meio do Fogo Cristão e, na sua maioria, eram parteiras formadas pela Igreja.

Muitas delas chegam a ser como a primeira esposa protestante, Catarina Von Dora esposa de Martinho Lutero.

2.5.4– Evangelização pelas mulheres por meio do programa denominado Fogo Cristão.

O Fogo Cristão fazia parte do programa global de Educação Cristã da mulher, utilizado para transmitir e passar não só as verdades bíblicas e sua conversão, mas também abarcava aspectos da vida da mulher cristã, conforme aspectos do programa.

Analisar a contribuição das mulheres da Igreja Congregacional por meio do programa do Fogo Cristão é importante, pois o mesmo serviu de instrumento de evangelização. Estabelecia-se uma relação entre o “Fogo ” na cultura angolana nos povos ovimbundu e o “Fogo Cristão”.

Augusto Chipesse, ao referir-se ao programa, disse que:

(...) os grupos do Fogo Cristão foram muito ativos, dando na Igreja e na sociedade um calor especial. Isto tudo contribuiu para o desenvolvimento não só das mulheres, mas muito mais da sociedade angolana344.

Na África e, em particular em Angola, o fogo tinha vários significados. Um deles reside na utilização do mesmo para o cozimento dos alimentos, iluminação de ambientes escuros, usado na arte de moldagem do ferro, endurecer a madeira e outras. Outro está ligado a questões culturais. O fogo é ligado culturalmente a questões vitais. Para os ovimbundu, por exemplo, numa família, quando um dos membros estivesse em viagem, o

342 Experiências registradas em eventos de ordenações dos pastores na Igreja Congregacional.

343CARR, Anne; Elisabeth Schusser Fiorenza. Mulher-Mulher: In Teologia Feminista. Concilium 238 –

1991, p 44.

restante ficava cuidando do fogo de maneira especial, isto é, observando preceitos para que o membro da família em viagem pudesse retornar à casa e pudesse ter sucesso na viagem. Pode-se afirmar que eram atitudes de perseverança e oração. No caso de um casal, dias antes de um deles partir para a viagem, abstinha-se de relações sexuais345.

No tempo da comercialização da borracha e cera a longa ou a curta distância ou por qualquer outro motivo que obrigasse a ausência das pessoas na comunidade, era necessário a família e a comunidade toda perseverar e evitar atitudes tais como: chorar por motivos de coisas mesquinhas, no apanhar a lenha para o fogo era necessário selecionar, isto é, do tipo de árvore que uma vez acesa conservava brasas por muitas horas, o que concorreria para o sucesso da pessoa ausente na família, assim como para a família que ficou e a comunidade. A atitude era de solidariedade.

As liturgias realizadas pelas mulheres nos acampamentos do Fogo Cristão eram inspiradas por tais memórias e por isso se referenciavam às épocas em que o fogo tinha a utilidade simbólica de perseverança, solidariedade e desejar êxitos de um reino estabelecido para o bem estar das comunidades e indivíduos nas sociedades, assim como na preservação da vida.

Em resumo, era símbolo de poder, pois no tempo passado o fogo uma vez acesso para a comunidade no palácio (ombala) tinha que se manter aceso todo o tempo. Assim, o fogo do reino de Deus tinha que se manter aceso e levado para as outras comunidades.

O que quer dizer que cada membro cada comunidade do Fogo Cristão tinha a missão de levar a mensagem do Reino de Deus e mantê-lo aceso. Por isso, o Fogo Cristão designa o processo da expansão do Reino de Deus entre as mulheres nas comunidades.

No Antigo Testamento, o Reino de Deus indicava a soberania Dele, que exigia obediência da pessoa e que ela prestasse ajuda e proteção. No Novo Testamento, a expressão Reino de Deus indica o núcleo central da pregação de Jesus Também diz respeito ao cumprimento das profecias, a chegada do tempo, a aproximação de todos para a conversão e crença no Evangelho, conforme Mc 1.15. É o tempo da chegada do Messias que para muitos daquela época, não era o Salvador esperado. Os Judeus esperavam o Messias, que os libertasse do jugo romano. A mesma expressão encontra a sua variante em S. Mateus “Reino dos Céus”, que no hebraico é malkut Shamain, usado no judaísmo pelos rabinos para evitar a pronúncia do nome sagrado de Iahweh346.

345 JAMBA; Celestina. Entrevista concedida à pesquisadora. São Bernardo do Campo, Julho de 2004. 346 Léxicon Dicionário Teológico Enciclopédico. Tradução de João Paixão Netto; Alda da Anunciação

Considera-se que a mensagem de Jesus foi compreensível, principalmente em termos de linguagem, conforme o dicionário teológico enciclopédico relata:

Contudo, diante do anúncio de Jesus, elas se mostravam inteiramente inadequadas por causa da novidade inerente aquele “evangelho”, passível de ser resumida em poucas palavras na identificação entre o Reino e a pessoa de Jesus. É por esse motivo que embora sempre anuncie o reino, Jesus jamais o descreve, mas apenas alude a ele por meio de comparação e parábolas. Descobrir o Reino significa, de fato, descobrir Jesus; entrar no Reino significa aderir à sua pessoa347.

Assim, a vinda de Jesus Cristo é a vinda do Reino de Deus e, conseqüentemente, a instauração da Graça e Salvação gratuitas, remissão dos pecados. O Reino de Deus é expresso no amor de Deus à humanidade através de Jesus Cristo. A prática do Reino são os milagres, os sinais, a relação de Jesus com os marginalizados, os pobres, as mulheres, as crianças. O Reino, segundo Júlio de Santa Ana, seria uma convivência onde os famintos

repartiam os alimentos e eram saciados, os pobres já não sofriam os efeitos da miséria e não sentiam o impacto da escassez, a utopia tantas vezes pressentimento deixaria de ser um pressentimento para transformar-se em algo concreto348.

As mulheres sentiram-se motivadas a proclamar essa graça do amor de Deus através de Jesus. Perceberam que Jesus é vida, pão e água para a humanidade. Da concepção de que o Reino de Deus inflama os corações, provém a designação Fogo Cristão, que em umbundu é “ondalo yomuenho”, que na tradução literal significa “o fogo

da vida”. Para as mulheres na Igreja Congregacional a expressão simbolizava o Reino de

Deus.

As mulheres acreditavam que Jesus Cristo, o líder, chama para o Reino todas/os como o fez naquele tempo. E isto era expresso pelo cântico, conhecido como cântico da promessa dos membros dos grupos do Fogo Cristão:“Ndeci Yesu a kovonguele olondonge

ko palaya haco yesu a tu kovonga hati amanu enjui ñuami” “ tal como Jesus tinha convocado os primeiros discípulos na praia é da mesma forma que nos convoca hoje dizendo: vinde e sigam-me”349.

Os membros do Fogo Cristão tinham como alvo seguir Jesus Cristo por intermédio de praticar a caridade, expandir a mensagem do Reino de Deus. Elas também entendiam que para servir a Cristo era necessário aprofundar o conhecimento das Escrituras Sagradas.

347Idem, p.649.

348 SANTA ANA, Júlio. Op. cit., p.56. 349Idem, p.4

Jesus, o Reino de Deus, Sua presença de amor e de Sua salvação, tem lugar no centro de uma relação de amor entre pessoas, solidariedade, dentro de uma vida de fé.

O acolhimento da mensagem levada pelos missionários favoreceu o estabelecimento da Igreja, porque os valores africanos (a valorização da vida humana, a solidariedade, o dedicar tempo para o bem comum da coletividade, da cultura, o amor e o respeito) não eram diferentes da mensagem transmitida350.

O programa do Fogo Cristão, difundido pelas mulheres, contribuiu para a evangelização em toda a região do Huambo e em outros estados onde a Igreja Congregacional se fazia presente. Em termos orgânicos, o programa subdividia os membros em categorias: Lenheiras, Flamejantes, Acendedoras e Mensageiras351.

Lenheiras: eram aquelas que, dentro dos grupos, procuravam realizar com zelo as

tarefas administrativas que lhes eram incumbidas, criar o hábito de ler a Bíblia, freqüentar a Escola Dominical, participar das reuniões, orar, participar regularmente dos cultos, participar nos acampamentos do Fogo Cristão, promovido pela área uma vez por ano, na perspectiva do fortalecimento e crescimento espiritual. Ela deveria saber interpretar e memorizar os textos de Jo 14.6; Jo 3.3-16 e Sl 23352.

Flamejantes: eram membros que auxiliam as dirigentes nas suas comunidades com

disposição e alegria, colaborar nas contribuições ou coletas dos grupos, saber cantar os hinos do grupo de seguidoras do Fogo Cristão e da categoria, conhecer e obedecer às regras do membro da Igreja. Textos bíblicos: Lc 9:23-25; Sl 1; saber interpretar o resumo dos mandamentos do Senhor Jesus em Mc 12.30-31.

Acendedoras: saber ler e escrever corretamente para o crescimento espiritual e por

si mesma, ler bem a Bíblia e testemunhar Cristo em todo lugar, por meio de boas ações, ter o hábito de orar a sós e coragem de orar em público e saber dirigir uma devocional. Tem também a função de acender o Fogo Cristão na comunidade a que pertence. Aprender jogos e ser apta para ensiná-los, mostrar amor pelos doentes, pobres e a todos.

Mensageiras: aquelas que pregam a mensagem do fogo do Reino de Deus,

deslocam-se de localidade a localidade, levando o testemunho de Cristo como o próprio Reino que, pela graça e amor de Deus veio ao mundo dar a vida em abundância pelos milagres, sinais, amor aos pobres, negros, brancos e outros. Deve ser boa pregadora que

350 Departamento de Mulheres. Manual de Seminários e Conferências das Senhoras da I.E.C.A. Luanda

Angola, Igreja Evangélica Congregacional em Angola, 1987, p.3.

351Missão do Dôndi. Programa do grupo do Fogo Cristão. Bela-Vista (Catchiungo) Huambo Angola,

Tipografia do Dôndi, 1971, p.4.

não duvida da mensagem, estudante da Bíblia. Coordena também algumas comunidades e