1. Introduction
1.6 Antioxidants
3.2.1. Usos da água
Os corpos de água podem ter diversos usos que podem ser considerados consuntivos ou não consuntivos. De acordo com Mota (2003), os consuntivos são aqueles em que se retira a água das condições hídricas em que se encontram enquanto nos não consuntivos a quantidade de água no corpo de água continua a mesma. Os usos de cada corpo podem ser múltiplos e neste caso eles devem atender aos parâmetros de qualidade para cada finalidade prevista simultaneamente.
A legislação brasileira (CONAMA, 2005) classifica os corpos de água em cinco classes de acordo com os usos aos quais a água pode se destinar, sendo a classe especial a de maior qualidade e as classes de 1 a 4 tem qualidade decrescente. Para cada uma dessas classes também foram estabelecidos padrões e condições de qualidade. A Tabela 3 mostra os usos possíveis com qualidade adequada a cada classe proposta pela legislação.
Tabela 3: Classificação de águas doces (Fonte: CONAMA, 2005)
Classe Usos possíveis com qualidade adequada
Especial • Abastecimento para consumo humano, com desinfecção; • Preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas;
• Preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação e proteção integral. Classe 1 • Abastecimento para consumo humano após tratamento simplificado;
• Proteção das comunidades aquáticas;
• Recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático em mergulho;
• Irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película;
• Proteção de comunidades aquáticas em Terras Indígenas.
Classe 2 • Abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional; • Proteção das comunidades aquáticas;
• Recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático em mergulho;
• Irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto;
• Aqüicultura e atividade de pesca.
Classe 3 • Abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional ou avançado; • Irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
• Pesca amadora;
• Recreação de contato secundário; • Dessedentação de animais. Classe 4 • Navegação;
• Harmonia paisagística.
Von Sperling (2005) acrescenta alguns usos aos que já foram mencionados e constrói uma tabela (Tabela 4) associando usos e requisitos de qualidade da água.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG Tabela 4: Associação entre os usos da água e os requisitos de qualidade (Fonte: Von
Sperling, 2005)
Uso geral Uso específico Qualidade requerida Abastecimento de
água doméstico
• Isenta de substâncias químicas prejudiciais à saúde;
• Isenta de organismos prejudiciais à saúde;
• Adequada para serviços domésticos; • Baixa agressividade e dureza;
• Esteticamente agradável (baixa turbidez, cor, sabor e odor);
• Ausência de microorganismos. Água é incorporada ao produto (ex. alimentos,
bebidas, remédios)
• Isenta de substâncias químicas prejudiciais à saúde;
• Isenta de organismos prejudiciais à saúde;
• Esteticamente agradável (baixa turbidez, cor, sabor e odor);
Água entra em contato com o produto • Variável com o produto Abastecimento
industrial
Água não entra em contato com o produto (ex. refrigeração, caldeiras)
• Baixa dureza; • Baixa agressividade.
Hortaliças, produtos ingeridos crus ou com casca • Isenta de substâncias químicas prejudiciais à saúde;
• Isenta de organismos prejudiciais à saúde;
• Salinidade não excessiva. Irrigação
Demais plantações • Isenta de substâncias químicas
prejudiciais ao solo e às plantações; • Salinidade não excessiva.
Dessedentação de animais
• Isenta de substâncias químicas prejudiciais à saúde dos animais; • Isenta de organismos prejudiciais à
saúde doa animais; Preservação da fauna
e da flora
• Variável com os requisitos da fauna e flora que se deseja preservar.
Criação de animais • Isenta de substâncias químicas prejudiciais à saúde dos animais e dos consumidores;
• Isenta de organismos prejudiciais à saúde doa animais e dos consumidores; • Disponibilidade de nutrientes. Aqüicultura
Criação de vegetais • Isenta de substâncias químicas prejudiciais à saúde dos vegetais e dos consumidores;
• Disponibilidade de nutrientes. Contato primário (contato direto com o meio
líquido; ex. natação, esqui, surfe)
• Isenta de substâncias químicas prejudiciais à saúde;
• Isenta de organismos prejudiciais à saúde;
• Baixos teores de sólidos em suspensão e óleos e graxas.
Recreação e lazer
Contato secundário (não há contato direto com o meio liquido; ex. navegação de lazer, pesca, lazer contemplativo)
• Aparência agradável.
Usinas Hidrelétricas • Baixa agressividade. Geração de energia
Usinas nucleares ou termelétricas (ex. torres de resfriamento)
• Baixa dureza.
Transporte • Baixa presença de material grosseiro que
possa por em risco as embarcações. Diluição de despejos
É importante ressaltar que os parâmetros apresentados dizem respeito apenas à qualidade da água e para cada uso proposto podem existir outros requisitos relacionados ao curso de água.
Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG 3.2.2. Inundações
De acordo com Milograna (2009) cheias são elevações no nível da água e quando elas estão associadas a uma ocupação vulnerável elas podem constituir uma inundação. Estes eventos podem ter várias consequências de diferentes intensidades dependendo da sua magnitude. Lima-Queiroz et al (2003) mencionam várias possíveis consequências deste tipo de evento:
• Perdas de vidas humanas;
• Degradação de condições de saúde coletiva;
• Perdas materiais diretas decorrentes da ação física, química e biológica das águas e da deposição de sedimentos;
• Perdas indiretas, resultantes de interrupção ou perturbação de serviços (transportes, comunicações, abastecimento de água e sistemas de esgoto, etc.);
• Ruptura do processo produtivo, o qual pode afetar o bem-estar econômico de uma comunidade e, possivelmente, as economias regionais e nacionais.
Milograna (2009) explica ainda que inundações são constituídas de processos físicos, naturais, que levam ao transbordamento de um corpo de água e da exposição de pessoas e de bens na planície de inundação.
A vulnerabilidade a inundações pode ser caracterizada pelas conseqüências diretas ou indiretas, advindas ou esperadas para a população em decorrência das inundações, sendo baseada em critérios da ocupação do solo na área inundada e o risco pode ser definido como a probabilidade ou possibilidade de ocorrência dos eventos indesejáveis, no caso, inundações.