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3.4 Anti-inflammatory and immunostimulatory bioscreening

O II PND (1975-1979) tinha como objetivo contornar o desaquecimento da economia “pós-milagre”. Para tanto, acentuou investimentos nas indústrias de base e de bens de capital. Tendo em vista a manutenção do desenvolvimento, o planejamento do II PND elaborava junto à Eletrobras o Plano 90, com vistas de ampliar a oferta de energia em mais de 10% ao ano. No sentido de chegar a tal fim, priorizava a construção de usinas de grande porte, como Itaipu e Tucuruí, bem como o projeto nuclear e a interligação dos sistemas Sudeste-Sul e Norte-Nordeste (Dias, 1996: 208).

Com a recessão dos anos 1980, já nítida em contenção de gastos desde 1976, o SEB se reestruturou, promovendo o Plano 2000. Da redução dos gastos públicos, a alternativa foi reformular a operação do sistema elétrico interligado. Paralelamente, reflexo da recessão econômica que o país enfrentava, o consumo de energia reduziu, gerando uma capacidade ociosa no sistema interligado. Para diminuí-la, o governo criou tarifas especiais de substituição do petróleo por energia elétrica: Energia Garantida por Tempo Determinado, Energia Excedente para Produção de Bens de Exportação, Energia Excedente para a Substituição de Petróleo (Dias, 1996: 209).

Para entendermos como se deu o quadro recessivo nas particularidades do SEB, servimo-nos novamente das memórias de ex-ministros e outros funcionários de primeiro escalão que traçaram as características do SEB daquele momento, num ciclo de palestras. Entre os renomados Mauro Thibau, Dias Leite e José Luiz Lima, parte do depoimento de João Camilo Pena76 se destacou. Ao invés de criticar a caducidade do Projeto de Angra dos Reis, elogiou a administração de Furnas por colocar Angra I em funcionamento em 1985, numa posição diametralmente oposta a Rosa (1988).

O acordo nuclear Brasil-Alemanha foi negativo, se levarmos em conta as avaliações da comunidade científica brasileira e os setores diretamente atingidos

103 pelos custos da construção do projeto. Propunha a criação de um parque nuclear com 58 reatores, no valor inicial de US$ 30 bilhões, o que, evidentemente não foi realizado (ver detalhes no capítulo 1). Em 1985, Rosa sugeria que o Governo Federal deveria utilizar o potencial hídrico e outras fontes menos dispendiosas. Sobre os riscos do projeto nuclear, sintetizava que a oposição a esta fonte se encontrava entre os ecologistas, ao passo que a defesa estava no corpo tecnoburocrata (Rosa, 1988: 59).

O período de transição entre o fim do regime autoritário e o fim do governo Collor foi marcado por estagnação econômica, sobretudo na oferta de energia. Estagnou-se a produção de álcool combustível, que só havia apresentado crescimen- to entre 1975 e 1986. Tal fonte alternativa de energia, criada para suavizar o abasteci- mento de combustível fóssil entre os dois choques do petróleo, conseguiu, além deste feito, mobilizar amplos recursos financeiros (Magalhães, 1991). A queda de produção de álcool entre 1986-1987 foi consequência do baixo índice pluviométrico naqueles anos. Porém, a maior causa do declínio do PROÁLCOOL foi a redução de investi- mentos do Estado no setor a partir deste período (Borges, 1988; Magalhães, 1991).

Mesmo assim, Magalhães (1991) admitia aumento da produção de álcool combustível, de 11,8 milhões de metros cúbicos para 20 milhões entre 1985 e 1992, que, entretanto, precisaria de um investimento governamental na ordem de US$ 1,7 bilhão. Apesar do declínio do PROÁLCOOL, este cumpriu as metas de preservar a indústria automobilística multinacional e economizar divisas que seriam utilizadas na importação do petróleo. Foram dois os motivos de abandono do PROÁLCOOL: o retorno da recessão, entre o início dos anos 1980 e 1987, e o surto inflacionário a partir de 1986, agravado continuamente até 1990. Também contribuiu para aban- dono do projeto a queda do preço do petróleo, de US$ 26,81 dólares em 1985 para US$ 17,49 em 1987. Com este quadro, o governo Sarney taxou o PROÁLCOOL como projeto não-prioritário. As críticas mais ferozes a este projeto vinham da equipe alemã coordenada por Uta Borges (1988), que defendia a falta de economicidade do álcool combustível em relação ao açúcar. A produção de álcool seria viável somente se o barril de petróleo tivesse custos iguais ou superiores a US$ 95,5, o que era praticamente impossível, como já observamos anteriormente.

104 O último problema da matriz brasileira, para agravar o quadro dos projetos nuclear e PROÁLCOOL, foi o fato de que o SEB endividara-se, sobretudo em 1984. Para contornar este problema, o SEB aperfeiçoou os sistemas de transmissão e distribuição de energia, via sistema interligado. Entretanto, na segunda metade dos anos 1980, a matriz hídrica foi afetada por estiagens na região Sul, o que induziu a um racionamento, quadro que não havia há duas décadas:

Assim, o crescimento do mercado, aliado à severa estiagem e à paralisação e/ou não-realização de importantes obras, cuja execução vinha sendo adiada havia vários anos, determinou o esgotamento dos recursos do sistema elétrico na região Sul (Dias, 1996: 218).

A consequência foi um racionamento de energia para os estados de região Sul, decretado pela Portaria n° 46 (16/1/1986). Em 1987 foi decretado o maior racionamento da história do SEB, nas regiões Norte e Nordeste, atingindo diretamente 5,3 milhões de consumidores. O maior racionamento foi da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), em razão do baixo índice pluviométrico na bacia do São Francisco no verão 86/87. Conforme observado acima, houve uma série de fatores síncronos que implicaram num desgaste de toda a matriz energética: degringolamento do projeto nuclear, corte nos investimentos ao PROÁLCOOL, visto como projeto não-prioritário, racionamento da matriz hídrica. Todo este estrangulamento em termos da matriz energética, que vai além do SEB, foi reflexo de uma ação ineficaz do Poder Público, seja pelo superfaturamento e inconclusão do projeto nuclear, pelo conflito de interesses financeiros do setor sucroalcooleiro no que tange ao PROÁLCOOL, ou ainda pela fragilidade da matriz hidrelétrica tradicional, suscetível à imprevisibilidade do clima.