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5 Discussion

5.4 Antenatal care utilisation

O modelo de análise proposto por Chouliaraki e Fairclough (1999), baseado na crítica explanatória de Bhaskar (1998), pode ser observado na tabela abaixo:

Tabela 2: A abordagem Metodológica para a ADC, de Chouliaraki e Fairclough (1999, p. 60).

Desse modo, na Identificação do Problema, nossa pesquisa apresenta um problema de representação e identificação do corpo feminino gordo construído pelo discurso midiático no contexto contemporâneo. Isso pode ser visto a partir do grande

37 apelo das publicidades, do culto ao corpo com a criação de um jogo de imagens e sedução, com potencial de criar padrões, por meio de vestuário, artigos de beleza, higiene, cuidados e manipulação do corpo de modo geral, o que inclui intervenções cirúrgicas, salões de beleza, clínicas que incentivam a modificação do corpo a todo o momento.

A investigação gira também em torno da influência da moda europeia no Brasil e das consequências negativas que isso pode trazer, uma vez que a maioria das brasileiras não se encaixa nos padrões de beleza ditados por essa cultura. No entanto, percebemos que o corpo gordo feminino está sendo evidenciado, especialmente na moda plus size, criada nos Estados Unidos, na década de 90, defendendo a ideia de democratização da moda e aceitação do corpo real, o que tem levantado várias discussões e reflexões ultimamente. Para tanto, buscamos compreender mais sobre o que é esse corpo plus size, como se deu sua origem, como veio para o Brasil, quem são suas representantes nas capas de revistas, o que isso tem causado na sociedade, enfim, uma série de dados qualitativos.

Quanto aos Obstáculos para a resolução do problema, iniciam-se a partir de uma perspectiva socio-histórica (análise da conjuntura) e estrutural sobre o corpo, tomando como maior comparação a cultura ocidental, desde a civilização grega, em que o corpo era rigorosamente cultivado, visto como sinônimo de saúde, beleza e juventude; na Idade Média, em que o corpo foi reprimido, construído com base em crenças religiosas, estando este ligado à sexualidade e à concepção de pecado; no Renascimento, em que o corpo está para fins biológicos e todas as atividades físicas passam a ser controladas, voltadas para a saúde; na Modernidade e no período industrial, em que o corpo passa a ser visto como corpo-máquina, vigiado e disciplinado para a produção e o consumo de mercadorias; e, por último, o corpo na contemporaneidade, ligado a novos significados que giram em torno da aparência, da estética, no investimento intenso, a fim de se obter dele mais prazer e estímulo social.

Em seguida, analisaremos o discurso midiático sobre o corpo plus size nas capas de revistas brasileiras na versão eletrônica (análise da prática particular) em conjunto com outros momentos da prática social: atividade material; relações sociais; fenômenos mentais e discurso. Isso significa voltar o olhar para várias características do texto em termos de vocabulário e gramática, fazer uma conexão entre a estrutrura mais concreta social e as práticas sociais mais abstratas, analisando que tipos de gêneros, discursos e

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estilos se articulam no texto (FAIRCLOUGH, 2003, p. 28) na constituição da análise do discurso.

Podemos afirmar que, em termos de gêneros, o significado acional “focaliza o texto como modo de inter (ação) em eventos sociais” (RESENDE; RAMALHO, 2006, p. 60). Isso inclui, segundo Fairclough (2003, p. 135), olhar para as categorias de função de fala, tais como a Declaração e a Oferta e, em Modo Gramatical, que pode ser declarativo, interrogativo, imperativo. Fairclough (2003, p. 39) destaca também a intertextualidade, formada pelos discursos direto e indireto, verificando a inclusão e exclusão de vozes, assim como a valorização ou depreciação do que foi dito e por quem foi dito, o que contribui para identificação de relações de poder.

Quanto ao discurso e ao significado representacional, de acordo com Fairclough (2003, p. 135), as perspectivas e as categorias são diferentes, uma vez que as orações podem ser compreendidas como tendo três principais tipos de elemento, que são denominados: tipos de processos, participantes e circunstâncias. Os processos são geralmente percebidos como verbos; os participantes, como sujeitos, objetos ou objetos indiretos de verbos; e as circunstâncias, como vários tipos de elementos adverbiais, como o tempo ou o lugar (como neste caso).

Para Fairclough (2003), podemos ter vários tipos de participantes, processos e circunstâncias. A lexicalização e o significado das palavras, segundo o autor, não são construções individuais, mas, sim, construções sociais, isto é, são “facetas de processos mais amplos” (FAIRCLOUGH, 2003, p. 230). Além disso, deve-se observar o grau de repreentatividade do discurso, olhar o que está em destaque, os atores sociais, a fim de identificar seus posicionamentos ideológicos a partir da interdiscursividade, ou seja, quais os tipos de discursos que estão sendo evocados na análise e como isso acontece.

Em relação aos estilos e ao significado identificacional, a análise parte do entendimento da constituição dos modos de ‘ser’, isto é, da formação de identidades, que, conforme Chouliaraki e Fairclough (1999), podem ser pessoais e sociais. Um aspecto utilizado na identificação tem a ver com o modo como as pessoas se comprometem em termos de obrigação, assuntos da modalidade e avaliação, valores (FAIRCLOUGH, 2003, p. 17). É preciso lembrar que as categorias de análise são: Afeto, Julgamento, Apreciação, Modos de Ativação (direto e implícito).

Na Função do problema, analisamos o modo como o corpo gordo feminino vem sendo estereotipado, discriminado no Brasil, principalmente no que se refere às

39 revistas de moda. Assim, também, as mídias têm contribuído na reprodução de discursos preconceituosos em relação ao assunto em estudo. Enfim, analisamos os desafios que a questão em foco apresenta na prática, as relações de poder que se instalam através das representações e identificações na sociedade.

Nas Possíveis maneiras de superar os obstáculos, analisamos como podemos contribuir para a superação de discursos preconceituosos e a marginalização do corpo feminino gordo, como romper com a invisibilidade e a exclusão de sujeitos e grupos, ou seja, o reconhecimento e a aceitação da sociedade referente a outros tipos de beleza e corpos. Por último, atemo-nos à Reflexão sobre a análise, ou seja, os questionamentos sobre esta pesquisa e as contribuições para a emancipação social.