Os Tabuleiros são a unidade geomorfológica mais extensa da BHRS, sendo representada, segundo Brasil (1979, 1999), por extensos terrenos tabulares em grande parte dissecados com topos pouco acima do nível do mar. No Brasil, os tabuleiros costeiros aparecem do Amapá até o Rio de Janeiro, sendo no entanto, bem típicas do litoral nordestino (EMBRAPA, 1994). Predominam no médio e alto curso da bacia, sendo constituídos principalmente por sedimentos do Grupo Barreiras e pela exumação das rochas sedimentares (sobretudo arenitos, folhelhos, siltitos e argilitos) das formações São Sebastião e Marizal nos tabuleiros dissecados e do Grupo Ilhas nos vales encaixados.
O relevo se apresenta retalhado em interflúvios pequenos, de modo geral convexizados, com ocorrência de residuais de topo tabular quase sempre limitados por ressaltos ou pequenas escarpas, encostas principalmente côncavo-convexas (BRASIL, 1979; 1983). Com base em sua forma e grau evolutivo na paisagem são classificadas na BHRS três Unidades Geomorfológicas associadas aos tabuleiros: Os Tabuleiros, os Tabuleiros Dissecados e os Vales Encaixados.
Essas unidades localizadas desde os terrenos mais altos constituem-se nas áreas fontes de sedimentos até as terras mais baixas. Os sedimentos são carreados por processos de escoamento superficial, predominantemente difusos no topo dos tabuleiros, difusos e concentrados nas encostas e nas áreas mais dissecadas do relevo, alcançando os rios que drenam a bacia que os levam até os ambientes costeiros.
Tabuleiros
Os tabuleiros (Figura 19) são formas de relevo suavemente dissecadas, com topos planos e alongados e vertentes retilíneas resultantes de dissecação fluvial recente (CPRM, 2010). A superfície dos topos, geralmente é plana ou ligeiramente ondulada (EMBRAPA, 1994), os gradientes são suaves e as declividades raramente passam dos 5%, embora as vertentes possam ter gradientes entre 15 e 50%. Os topos têm amplitudes entre 20 e 50 metros (CPRM, 2010), nestes os baixos gradientes topográficos e os mantos de alteração, bastante desenvolvidos, favorecem a agricultura mecanizada.
Dada sua distribuição, ocorrem, na BHRS em altitudes que variam entre menos de 100 a mais de 300 metros, desde o baixo curso até os trechos mais altos da bacia, no alto curso, formados a partir de sedimentos das duas principais unidades geológicas da bacia: o Grupo Barreiras e a Formação Marizal.
Figura 19 – Ao fundo topo de tabuleiro reflorestado com eucalipto, nas vertentes fragmentos da mata nativa na Bacia Hidrográfica do Rio Subaúma - BA.
Foto: Amom Teixeira – 26 de junho de 2013
Os solos formados sobre os tabuleiros possuem texturas que variam entre argilo-arenosos a arenosos, com granulometrias variadas, mas morfologicamente uniformes. Possuem poucos impedimentos físicos para a agricultura, embora sejam registradas na literatura casos de camadas coesas (VIEIRA et al., 2002), mas dado a natureza de seu material sedimentar tendem a ter baixa fertilidade natural.
Segundo a EMBRAPA (1994) e a CPRM (2010), a sensibilidade a erosão destes tabuleiros é baixa a moderada e há predomínio da pedogênese sobre a morfogênese. A baixa sensibilidade a erosão ocorre, especialmente, por conta do nível do lençol freático, dos atributos do manto de alteração e dos sedimentos que favorecem a infiltração das precipitações em detrimento do escoamento superficial. Apesar disso, técnicas agrícolas inadequadas associadas a climas úmidos, à natureza sedimentar dos terrenos, ao grau de coesão dos solos e às altas declividades das bordas dos tabuleiros podem provocar erosão regressiva.
Segundo BAHIA (2003), ao dissertar sobre a Formação São Sebastião e Grupo Barreiras no litoral norte da Bahia, o equilíbrio deste sistema está diretamente relacionado a manutenção das taxas de erosão sobre essas unidades, tendo a vegetação desempenhado um papel vital na manutenção desse equilíbrio. Além disso,
cuidados são necessários para evitar que processos erosivos laminares se estabeleçam nos solos desses sistemas, caso sejam constantemente mecanizados ou pisoteados pelo gado (CPRM, 2010).
É importante ressaltar que as bordas dos tabuleiros são protegidas – em uma faixa nunca inferior a 100 metros – pela Resolução CONAMA, nº. 303 de 20 de março de 2002 (BRASIL, 2002) e pelo Código Florestal (BRASIL, 1965).
Tabuleiros Dissecados
Os tabuleiros dissecados correspondem a relevos de degradação das rochas sedimentares, com formas dissecadas por uma rede de canais com densidade de drenagem mais alta que as demais partes da bacia. Apresentam relevo movimentado de colinas com topos tabulares ou alongados e vertentes retilíneas e declivosas nos vales encaixados em forma de “U”, resultantes da dissecação fluvial recente que condicionaram os processos morfogenéticos nestas formas de relevo (Figura 20).
Nesse relevo, predominam os processos de pedogênese formando em geral solos espessos e bem drenados. O tipo de solo depende principalmente do material de origem: materiais mais argilosos tenderão a formar Argissolos e materiais pobres tenderão a formação de Latossolos bastante profundos.
Figura 20 – Área de tabuleiros dissecados no alto curso da Bacia Hidrográfica do Rio Subaúma - BA.
Foto: Amom Teixeira – 26 de junho de 2013
Tal como nos Tabuleiros as vertentes podem ter declividades entre 15 e 50% e os topos planos declividades de 0 a 5%. A maior incidência de vertentes com relevo de gradiente mais acentuado tende a acelerar e concentrar o escoamento superficial que carreiam os sedimentos pouco consolidados da formação São Sebastião e Grupo Barreiras provocando processos erosivos laminar e linear e desencadeando voçorocas nas áreas desse domínio.
Vales Encaixados
Os vales encaixados são uma forma de relevo de degradação que ocorre predominantemente em rochas sedimentares embora também possa ser verificada em áreas de rochas do embasamento cristalino (CPRM, 2010). Na BHRS, encontram- se principalmente no alto e médio curso, pela denudação do Grupo Barreiras, pelo escoamento das precipitações, tanto de forma difusa como concentrada, exumando camadas sedimentares mais antigas e profundas tais como os grupos Ilhas e Brotas. Os relevos são em geral mais acidentados, constituídos de vertentes predominantemente retilíneas a côncavas, fortemente sulcadas, declivosas, com sedimentação de colúvios e depósitos de talus (CPRM, 2010) formadas por um sistema de drenagem principal responsável por uma incisão vertical nos tabuleiros, formando vales. A amplitude dos topos dos vales encaixados podem passar dos 100
metros e as declividades variam em função de sua posição no relevo, podendo estar entre 0 e 60%, ocorrendo vertentes muito declivosas que ultrapassam os 100% (CPRM, 2010) (Mapas 12 e 13, pp.104 e 105).
Os solos formados nesse sistema são em geral bastante rasos e altamente susceptíveis à erosão. A erosão pode ser acelerada pelo desmatamento e por formas de uso inadequadas que desconsiderem os processos dominantes. Tal relação é corroborada por diversos trabalhos que fazem a ligação entre o desmatamento e aceleração do processo de erosão no sistema deste relevo (MEDINA et al., 2000; DANTAS et al., 2002; VALE JUNIOR et al., 2009; OLIVEIRA et al., 2011)
Via de regra, há nos vales encaixados o franco predomínio de processos de morfogênese e atuação frequente de processos de erosão laminar e movimentos de massa bem como a geração de depósitos de talus e coluvios nas vertentes baixas (CPRM, 2010). Assim como, as escarpas e os rebordos erosivos, os vales encaixados apresentam quebras de relevo abruptas em contraste com o relevo plano adjacente. Em geral, essas formas de relevo indicam uma retomada erosiva recente em processo de reajuste ao nível de base regional (CPRM, ibidem).
Quadro 11 – Síntese Geomorfológica das Unidades da Bacia Hidrográfica do Rio Subaúma - BA
Unidade Declividade Amplitude
dos Topos
Estabilidade Planície Costeira 0 a 5° (até 10º na face de praia) 0 m Morfogênese
Campos de Dunas 3 a 30° 5 a 40 m Morfogênese
Planície Flúvio-Marinha 1° 0 m Morfogênese
Planície Aluvionar 0 a 3° 0 m Morfogênese
Colinas Amplas e Suaves 3 a 10° 20 a 50 m Equilíbrio
Tabuleiros 3° (10 a 25° nas vertentes) 20 a 50 m Pedogênese
Tabuleiros Dissecados 3° (10 a 25° nas vertentes) 20 a 50 m Pedogênese Vales Encaixados 0 a 30° (vertentes podem passar de 45°) 100 m Morfogênese