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Família Leguminosae e subfamília Fabaceae (Papilionoideae), nativa do México e América Central, encontrada em regiões localizadas desde o nível do mar até 1500 m de altitude, com precipitação de 600 a 3500 mm ao ano, suportando até oito meses de seca (DUNSDON & HUGHES 1991; PARROTTA, 1992). Planta perene, caducifólia, porte arbóreo com 12 a 15 m de altura e diâmetro do caule com até 0,30 m, crescimento rápido, fácil reprodução (sexuada e assexuadamente) e excelente capacidade de rebrota. O sistema radicular é bem desenvolvido e associa-se a bactérias do gênero Rhizobium, originando um grande número de nódulos, responsáveis pela fixação de nitrogênio (FRANCO, 1988; FRANCO et al., 2003).

Na conservação de solos, Perino (1979), recomenda o uso da espécie para controle de erosão, estabilização de terraços e recuperação de ecossistemas degradados. Corrêa et al., (2006) observaram, em sistema agroflorestal, uma produção anual de serrapilheira para a G. sepium de 3,43 t ha-1. Costa et al., (2004) observaram que a concentração de nutrientes e polifenós solúveis na serrapilheira da G. sepium utilizada na revegetação em área degradada em Kg ha-1 foram de; N - 67,98; P -3,17; K – 11,88; Ca - 63; Mg – 25,08 e polifenóis 42,9 perfazendo um total de 171 Kg ha-1 de nutrientes na serrapilheira.

6.2.2 MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi realizada entre fevereiro de 2009 e abril de 2010, com o monitoramento do lençol freático no interior do canal e a implantação de leguminosas arbóreas objetivando avaliar o seu desenvolvimento no interior de uma voçoroca que apresenta lençol aflorado em determinado período do ano. A quantificação da umidade é de fundamental importância quando se que estabelecer espécies vegetais para a recuperação de área degradada, pois a mesma pode limitar o desenvolvimento vegetativo.

O experimento consiste no plantio de mudas de Gliricidia sepium, produzidas a partir de sementes, tendo como variável o local de plantio (dentro do canal e na área de cerrado no entorno da voçoroca) utilizando recomendações padrão de plantio e adubação com o objetivo de avaliar a mudança de comportamento da planta dentro da voçoroca com relação à planta no campo em condições físico ambientais de cerrado. O delineamento do experimento foi o inteiramente casualizado com três repetições. As leguminosas arbóreas (Gliricidia sepium) foram distribuídas de forma aleatória nas duas áreas delimitadas.

As plantas de Gliricidia sepium utilizadas no experimento foram produzidas no Instituto Federal do Triângulo – Campus Uberaba (Figura 54) em viveiro de produção de mudas que apresenta tela sombrite com retenção de 50 % da luminosidade.

As sementes apresentaram impermeabilidade do tegumento a água por isto foram submetidas ao tratamento de quebra de dormência com ácido sulfúrico (10 minutos no ácido sulfúrico e na sequência lavadas em água corrente), logo após a lavagem foi efetuada a inoculação nas sementes que foram deixadas para descansar a sombra antes de se efetuar o plantio.

O substrato comercial utilizado foi o Bioplant com a utilização de 2 partes de substrato para 1 parte de esterco de gado curtido e peneirado e 18 Kg de Termofosfato (Yoorin) / m3 de

substrato. O substrato foi bem homogeneizado antes do enchimento dos tubetes com capacidade individual de 280 cm3. O semeio foi realizado no dia 23 de setembro de 2008. Antes do semeio, foi introduzido ao substrato, em cova feita manualmente, o fungo micorrízico, sobre ele foi feita a distribuição das sementes inoculadas, colocando-se 3 sementes por tubete, fazendo-se a cobertura com o substrato e na sequência a irrigação.

Figura 54. Produção de mudas de Gliricidia sepium. A figura A mostra as sementes de gliricidia inoculadas com rizobium. Na figura B observa-se as mudas de gliricidia, semeadas em tubetes, 32 dias após o plantio e a figura C uma muda de gliricidia aos 6 meses mostrando o desenvolvimento do sistema radicular.

As análises físico-químicas (textura, propriedades químicas e teores de matéria orgânica) do solo foram realizadas nas duas áreas selecionadas para o estudo onde em cada

área foram coletadas amostras de solo a 20 e 40 cm de profundidade com o auxílio do trado holandês.

O experimento foi instalado em duas datas distintas, na área do cerrado realizado no dia 06 de fevereiro em covas de 0,40 x 0,40 x 0,40 m, previamente preparadas, para aproveitar o período de chuvas. Dentro da voçoroca, como havia excesso de umidade, o plantio foi realizado no dia 1 de maio em covas de 0,30 x 0,30 x 0,30 m preparadas no momento do plantio. A adubação teve por base a análise da fertilidade do solo, sendo colocado por cova 150 g de calcário dolomítico; 50 g de Termofosfato (Yoorin); 12 g de FTE Br 12 (composição: 9% Zn; 1,8% B; 0,8% Cu; 2% Mn; 3,5% Fe; 0,1% Mo) e 1(um) litro de adubo orgânico de origem animal (esterco de curral curtido) misturados ao solo retirado da cova.

Ao longo do período experimental foram necessárias algumas intervenções para facilitar o bom desenvolvimento das plantas: na área dentro da voçoroca, foram realizadas roçadas manuais no entorno das plantas de gliricidia, com a utilização de tesoura de poda, para eliminar as plantas herbáceas; na área de cerrado foram realizadas capinas com enxada, no entorno das mudas de gliricidia (coroamento), para a retirada das plantas herbáceas. Foi realizado ainda, o controle de formigas com iscas formicidas e com a utilização de garrafas PET recortadas e colocadas junto ao solo envolvendo o caule para dificultar o acesso das formigas, esta prática realizou-se no período inicial de estabelecimento das plantas.

O acompanhamento do desenvolvimento da espécie foi executado por meio de avaliações fitométricas iniciadas aos 140 dias após o plantio para o tratamento 1 (Gs V) “mudas plantadas no interior da voçoroca” e 224 dias após o plantio para o tratamento 2 (Gs C) “mudas plantadas em área de cerrado”. Foram realizadas oito medições mensais, sendo a primeira em setembro 2009. A altura da planta foi tomada a partir do colo até a gema apical, o diâmetro tomando-se por parâmetro a maior abertura de ramos, para este fim utilizou-se régua e fita métrica graduadas. O diâmetro do caule foi mensurado com um paquímetro manual e

tomado a 0,05 m do nível do solo. Utilizou-se para análise estatística o programa SISVAR, os dados foram submetidos à ANAVA (Proc. SISVAR), aplicando-se, o teste de Scott-Knott, às médias dos tratamentos. Além dos dados fitométricos as plantas foram fotografadas sistematicamente. O acompanhamento fotográfico iniciou 15 dias após o plantio, período em que as mudas estavam em fase de adaptação e pegamento.

Para a determinação da umidade, foram delimitadas três áreas dentro do canal e ao longo do corpo da voçoroca. O critério utilizado foi de acordo com a umidade aparente no solo, a área 1, a montante, início do canal e aparentemente mais seca, a área 2, mediana, apresentando umidade elevada (encharcado) e a área 3, a jusante, com umidade aparente, porém sem sinais de encharcamento.

Os pontos para coleta de solo, para avaliação da umidade, foram centralizados nestas três áreas. A coleta de solo para a determinação de umidade foi realizada semanalmente, no decorrer de um ano. Utilizou-se trado espiral para coleta a duas profundidades: 20 e 50 cm nos três pontos pré-estabelecidos. As amostras foram depositadas em sacos plásticos hermeticamente fechados e devidamente identificados.

A umidade foi determinada por método gravimétrico, através da razão entre peso da água contida na amostra e o peso da parte sólida, após completa secagem em estufa a 105oC. Além do monitoramento da umidade do solo os dados pluviométricos foram coletados através da estação meteorológica instalada na Universidade Federal de Uberlândia - UFU, mais especificamente na Fazenda do Glória local do experimento.