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7 The risk of introducing new diseases when introducing and releasing

7.1 Animal health and zoonoses: hazard identification and descriptions

É sabido que as sociedades com enormes massas populacionais possuem uma divisão social do trabalho muito complexa, independente do grau de sua participação no comércio internacional. Portanto é também complexo o mecanismo de poupança-investimento. O Brasil, que em seu processo formativo, combinou fases de expansão com outras de estagnação, não deixou de apresentar flutuações muito fortes com a industrialização. Quer dizer, o processo de industrialização, acelerado após a crise de 1929-1932, deu-se em certa medida à revelia do grau elevado de concentração da renda e da propriedade. Pondo-se sob lente tal problema, a industrialização avançou de modo mais espontâneo nas áreas que haviam sido objeto de ocupação por fortes novos contingentes imigratórios (1880-1960), que não haviam vivido a sociedade de escravidão do país. Naquelas regiões onde a sociedade escravista tradicional havia sido mais extensa, verificou-se aí uma maior inibição das forças industrializantes, que só progrediram sob a ajuda do ‘’forceps’’ do Estado Modernizador de Vargas e Kubistchek (1932-1960).

Uma vez que o excedente econômico aparenta haver tido dificuldades para socialização como poupança, então, há de compreender-se a intenção de uma ‘’política keynesiana’’ de investimento de modo independente no modelo MSI. A poupança induzida pelo Estado, sob a forma de emissões financiadoras do déficit, revelou-se importante instrumento da política do crescimento e da redistribuição de renda, até o governo Kubistchek. A partir de Kubistchek, foi eliminada a capacidade do Banco do Brasil para criar crédito, ficando subordinada sua função de banco de fomento a eventuais encontros de conta com o Tesouro e inscrição contábil do resultado das contas de crédito.

As políticas governamentais para o desmanche do modelo da ISI chegaram à prática do Estado com o governo Café Filho (1954-1955), após a defenestração do governo Vargas; e se aguçaram com a administração Quadros (1961) e a crise de sua substituição (1962-64). Desde aí, as dificuldades para a obtenção de

divisas capazes de financiar a contraparte externa do poder-de-compra, evoluíam

para bloqueio da mesma. Dessa forma, o problema da poupança passou a expressar as dificuldades para: (1) materializar o excedente como capacidade doméstica de investimento; e (2) materializar o excedente como ganho do comércio exterior, sob a forma de divisas.

O problema da poupança aparece assim em diferentes modos. Primeiro, devido à pobreza geral e à forte concentração de renda, uma massa enorme de poupança compreende uma riqueza de que é proprietária uma pequena parte da população. 10% dos portadores de rendimento possuem mais de 50% do mesmo. (IBGE, Anuário estatístico,1988). A propriedade produtiva está ainda mais concentrada. Dessa forma, ter-se-á que grande parte da poupança é esterilizada para efeitos sociais: (a) entesourada como jóias ou divisas; (b) enviada ao exterior; (c) imobilizada como patrimômio material subutilizado (prédios, fazendas, haras, etc.)

Da parte restante, grande parte (1) é dedicada á especulação com títulos, papéis do governo, etc; (2) outra parte – em geral menor – aplicada produtivamente.

A decisão dos monetaristas para fazer crescer o crédito interno do país subdesenvolvido a uma taxa inferior à procura por moeda também contribuiu para a redução do volume de investimento, particularmente nas atividades tradicionais, e, consequentemente, acarreta um montante de poupança menor.

A poupança induzida se constitui aquela apropriada coletivamente pelo governo sob a forma de financiamento do déficit (paga pela taxa de inflação e novas formas de arrecadação) e uma boa parte investida em atividades produtivas (Apec, 1986 & 1988). Através da poupança induzida, pode o governo orientar as alocações em capital produtivo do setor privado, na expectativa de taxas remunerativas mais elevadas. Dito keynesianamente, a expectativa dos empresários é muito importante para determinar o volume do investimento produtivo. Se o empresário convencer-se de que ganhará com a expansão da produção, ele o fará investindo. A margem de rendimento sobre o custo, ou seja, a rentabilidade de um bem de capital, também depende da escala. A eficácia ou

poder de ganho de qualquer bem de capital se expressará na taxa de rendimento sobre o custo. Quando o governo toma a iniciativa de investir dinheiro público (poupança induzida muitas vezes) em determinado empreendimento, ele sinaliza uma expansão econômica por (1): sua despesa (que os capitalistas ganham), (2): aumento da capacidade produtiva futura e (3): aumento do consumo.

Nesse processo histórico, a novidade introduzida pelos militares à estrutura de poupança nacional, foi o mecanismo de correção monetária61, transformando algo incomum em comportamento corriqueiro. Demonstrava-se assim, a preocupação em assegurar o capital, evitando que este se “perdesse” ao longo do tempo. Atuava-se sobre o sistema de poupança com mecanismos de seguro (proteção contra a inflação). Propriedades foram reajustadas em mais de 100%. Aluguéis também passaram a ser corrigidos em seguida. Logo depois, toda a economia foi contagiada. Desenvolveu-se assim um mecanismo de alimentação da inflação tolerado e praticado pelo governo.

Mário Henrique Simonsen Explica:

“Um dos mais notórios efeitos da inflação sobre o mercado de capitais fora, até então, a procura pelos títulos da dívida pública federal”, (...) as ORTN´s, (obrigações reajustáveis do tesouro nacional) restauraram o prestígio da dívida pública federal e iriam desempenhar importante papel no financiamento do déficit da União

nos anos subseqüentes”62

Assim, o governo militar asseguraria o capital através da indexação, complicando ainda mais o sistema econômico. Novos mecanismos econômicos foram introduzidos, multiplicando a necessidade de cálculo. Cresceram as possibilidades de especulação, produzindo um clima de incerteza. Logicamente, quanto mais um pagamento demorasse a sair, mais poderia render em uma aplicação paralela. Tornou-se comum a partir de então, atrasar pagamentos para

61

Fishlow, Albert. 2004: 69. 62

fazê-lo render no mercado. Todo tipo de especulação com defasagem de tempo foi desenvolvida. O mesmo acontecia em relação a previsões futuras de inflação. A aplicação em títulos do governo, segurados por reajuste, passou a ter grande importância no mecanismo de financiamento, que necessitava cada vez mais de aumento de poupança das famílias, com conseqüente redução do consumo, para realizar investimentos em grandes obras públicas, tais como: Itaipu, expansão da Petrobrás, Unicamp, Transamazônica, Angra I, Angra II, CVRD, CST, COSIPA, Embrapa, expansão de rodovias, construção de prédios públicos, etc.

O governo forçava a População Economicamente Ativa (PEA) a imobilizar uma parcela crescente de seu rendimento em alguma atividade, bem ou segura-lo financeiramente. A ironia desse processo é que a necessidade de aumentar o grau de poupança para financiar grandes projetos, com a inflação, incentivou também o consumo. Ou seja, o gasto rápido de dinheiro. Potencialmente, um programa de crescimento liderado pelo Estado que não é acompanhado pela iniciativa privada gera inflação, pois o governo emite grande quantidade de papel para pagar suas obras e aquecer a economia, sem que o setor privado cubra (acompanhe) as lacunas de consumo causadas pela tentativa de aquecimento econômico. Pessoas corriam para gastar seus ordenados pois se “a posse do dinheiro mitiga as pessoas”, como disse Keynes, a posse do dinheiro em deterioração, mais ainda.