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Angst og depresjon som begrensende for en god sorgprosess

4.1 Resultatdiskusjon

4.1.2 Angst og depresjon som begrensende for en god sorgprosess

Uma importante perspectiva dada ao desenvolvimento estrutural das relações econômicas em um ambiente de mercado é representada pela teoria dos sistemas complexos adaptativos (SCA). Segundo Agostinho e Castro (2002), podem ser considerados SCAs os arranjos de “organizações em rede formadas por inúmeros agentes, cujo comportamento é determinado por um conjunto de regras e pelas informações a respeito do seu desempenho e das condições do ambiente imediato” (AGOSTINHO, CASTRO, 2002, p. 6). Entretanto, não somente as organizações interagem como mínima parte do sistema, tendo em vista que ela é composta pelos indivíduos, e são esses que na verdade desempenham o processo decisório de forma individualizada, ainda que seus desdobramentos ocorram ao nível da coletividade. A rede de relações econômicas não se baseia apenas nas conexões entre organizações, mas nas relações estabelecidas entre indivíduos e organizações.

O conceito de Sistemas Complexos Adaptativos foi estabelecido por Holland (1975) como:

uma rede dinâmica de vários agentes (que podem representar células, espécies, indivíduos, firmas e nações) atuando em paralelo, constantemente agindo e reagindo frente àquilo que outros agentes estão desempenhando. O controle de um SCA tende a ser bastante disperso e descentralizado. A existência de um comportamento coerente do sistema ocorrerá pela competição e cooperação entre os próprios agentes (HOLLAND, 1975, p. 97).

Dessa forma, pode-se dizer, segundo a análise de Silva e Santos (2010), que o conceito de sistemas complexos adaptativos “instiga uma abordagem que enfoca os diferentes sistemas (como, por exemplo, as organizações) sob uma nova perspectiva que rompe com a linearidade unidirecional, cartesiana e racionalista” (SILVA; SANTOS, 2010, p. 9). Tendo em mente a

complexa composição entre sistemas, com o estabelecimento de relações nos diversos níveis de alinhamento entre os agentes socioeconômicos, demanda-se uma mudança de paradigma para análise da estrutura como um todo, aos moldes das observações de Esteves de Vasconcellos (2005).

Sabendo que há pleno alinhamento entre a dinâmica de mercado e o comportamento observado nos estudos dos SCAs, é possível dizer que o conceito de desenvolvimento sistêmico, se aplicado aos contextos macro e microeconômicos, demanda o balanceamento das relações estabelecidas no intuito de controlar os resultados da atividade sistêmica, tornando-os coerentes com as premissas em torno do conceito de sustentabilidade. Para tal, outro termo se torna recorrente na literatura, sob a denominação de equidade.

O conceito de equidade, em sua acepção econômica, tange à questão do nivelamento das oportunidades de acesso aos recursos sociais e econômicos. Como ocorre com outros termos, não há uma definição universalizada de equidade (SMITH, 2010), sendo que o termo possui sentidos múltiplos em cada área de sua aplicação. Em sua forma original, o termo designa a adaptação de uma regra aceita pelo senso comum a uma situação concreta verificada no mundo real (AMARANTE, 1998), conceito utilizado amplamente pelo direito e matérias derivadas desse. Entretanto, o conceito assume diferentes conteúdos quando utilizado pelas diferentes áreas das ciências sociais aplicadas. No caso da equidade social, por exemplo, tem-se como significado mais aceito como justiça social, no âmbito da distribuição igualitária de benefícios e oportunidades entre os diferentes agentes sociais (CAMPBELL, 1988).

O conceito de equidade remonta aos clássicos gregos, e impactou diretamente a formação do Direito Romano (CARVALHO FILHO, 2003). O termo é derivado do latim equitas, que tem como sentido a lisura ou correção do modo de agir e opinar. Outro sentido naturalmente atribuído ao termo é o de imparcialidade e justiça, ou mesmo a isenção e a neutralidade. No âmbito da administração de recursos humanos, Adams (1965) desenvolveu, enquanto sentido da equidade, a relação inversa da percepção de privações e injustiça nas relações entre indivíduos. No contexto da psicologia aplicada à administração, a equidade encontra referência na teoria do comportamento de troca social (THIBAUT; KELLEY, 1959) e a teoria do equilíbrio cognitivo (HEIDER, 1946; FESTINGER, 1957). Seu sentido está alinhado ao uso econômico do termo, tendo em vista que também representa a noção de equilíbrio proporcional entre duas dimensões de análise nas relações interagentes. No caso do uso de Adams (1965), a equidade é verificada quando os indivíduos têm a noção de que há compatibilidade entre o nível de esforço e conhecimento empregado em suas funções e sua

remuneração, comparando sob as mesmas dimensões de análise os seus resultados individuais com os de outros sob as mesmas condições de execução de tarefas. Transpondo o contexto da teoria da equidade em recursos humanos para o plano econômico, significaria dizer que, dadas as mesmas condições de atuação, um agente aferiria resultados semelhantes ao de outro, diferenciando-se ao passo que os principais fatores relacionados às características de sua interação com o meio se alterem.

A noção de equidade não encontra relação de sinonímia direta com o conceito de equilíbrio, uma vez que demanda a observação da ponderação valorativa sobre as características detidas por cada um dos agentes inseridos no contexto de relações em rede. Entretanto, ambos os termos têm em sua origem a noção de balanceamento das variáveis a um parâmetro de referência, que nos termos da pesquisa social pode ser considerado o parâmetro de legitimação dos resultados frente à sociedade ou um parâmetro socialmente aceito.

Todo o estudo sobre a equidade em economia derivou dos primeiros trabalhos de Vilfredo Pareto, principalmente a sua enunciada Lei de Pareto (SEN, 1970). No estudo que originou a Lei de Pareto, observou-se que na Itália do século XIX, 80% da riqueza do país se concentravam nas mãos de apenas 20% da população. A teoria de Pareto se desdobrou mais tarde em uma aplicação prática na administração de estoques denominada curva ABC, que é “um método de classificação de informações para que se separem os itens de maior importância ou impacto, os quais são normalmente em menor número” (CARVALHO, 2002, p. 226). Pode-se dizer que através da pesquisa de Pareto legitimou-se a constatação do desequilíbrio de recursos entre os agentes sociais, ensejando a busca pela equidade. A partir desse momento, a equidade ganhou o sentido de nivelamento socioeconômico visivelmente preponderante nos dias de hoje. Segundo Pazner e Schmeidler (1975), o “problema cerne da teoria da equidade econômica (...) é a suplementação dos critérios de Pareto por critérios distributivos com apelos éticos ao papel daquilo que poderia essencialmente restringir o conjunto de alocações admissíveis sob a eficiência de Pareto” (PAZNER, SCHMEIDLER, 1975, p. II-1).

Em sistemas complexos interagentes, a busca pela equidade não poderá alcançar êxito sem que haja uma programação de parâmetros culturais voltados para o desenvolvimento social pleno, e não somente focado nos benefícios de um grupo de agentes em detrimento de outros. A sinergia necessária para alcance da equidade pode ser expressa como um fenômeno cooperativo, que demanda vínculos estabelecidos em diversos níveis para ocorrer. Esses vínculos transbordam as fronteiras do eixo de atividades econômicas. Como mostra Lorenz (1999):

A teoria econômica padrão tem dado pouca importância ao papel que as relações socialmente estabelecidas, tais como confiança, amizade ou lealdade no mercado de trocas. Elas podem ser explicadas pela aceitação de uma racionalidade perfeita que habilita aos agentes, sob baixos custos, a negociar contratos abrangentes para todas as contingências futuras que sejam relevantes para suas trocas. (LORENZ, 1999, p. 301)

Relações de cooperação entre organizações emergem com maior facilidade em ambientes culturais que permitam a preservação da noção de comunidade entre seus agentes individuais, o que significa dizer que o perfil histórico de desenvolvimento contará muito sobre as possibilidades de estabelecimento de relações cooperativas entre os agentes econômicos locais (VAITSOS, 1978). A predisposição à cooperação aponta para a aceitação de uma condição de maior equidade no ambiente de realização de negócios, que pode ser resultado de convenções culturais ou de condições que levem à necessidade de integração interagente para a própria sobrevivência dos atores sociais. É o caso do elevado nível de cooperação entre agentes observado na Europa, que se baseia na “crença de que a cooperação entre os povos é fruto da confiança mútua” (CARNEIRO, 2001, p. 227), tornando-se necessários elementos culturais que permitam maior senso de comunidade para que os laços necessários aos vínculos colaborativos se estabeleçam. Como afirma Sigmund (2002), “padrões éticos e sistemas morais diferem entre culturas, mas podemos presumir que estes são baseados em capacidades universais e biologicamente enraizados; do mesmo modo como centenas de linguagens diferentes são baseadas no mesmo instinto de linguagem universal” (SIGMUND, 2002, p. 5). Em outras palavras, ainda que haja diferenças entre os padrões éticos das diferentes comunidades, há uma inclinação biológica à cooperação entre os seres humanos. Essa característica é alterada de acordo com as premissas culturais que determinam o relacionamento entre indivíduos.

Apesar de diversos estudos mostrarem que a cooperação em busca da equidade em arranjos produtivos seja a opção mais indicada para a obtenção de um modelo de desenvolvimento sustentável, o estabelecimento de redes de relacionamento com equilíbrio de importância entre suas partes esbarra na questão da tomada de decisão sobre qual forma operar frente aos demais agentes do ambiente. Como as decisões humanas encontram fatores subjetivos, nem sempre são baseadas na busca de um encadeamento lógico de causas e consequências, sem a observação de uma norma racional do processo decisório. Como observa Rapoport (1998) acerca da teoria dos jogos aplicada às normas de todo tipo de cenário humano:

Tais normas não são lógicas, e sim arbitrárias, e podem ser extremamente variadas. Deste ponto em diante, portanto, não pode haver uma única teoria dos jogos, mas sim uma grande variedade de tais teorias, cada qual baseada em normas diversas. Aqui, o cientista experimental deveria naturalmente entrar em cena para explorar as normas que atuam na realidade nos assuntos humanos. (RAPOPORT, 1998, p. 171)

Sob a lógica da teoria dos jogos, a cooperação é uma forma racional de chegar a um equilíbrio onde as perdas sejam minimizadas ou os ganhos acessíveis, no âmbito de todos os componentes de um sistema (NASH, 1951), observando-se que em sistemas equânimes, a cooperação tem maior possibilidade de se consolidar.