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ANDRE FYSISKE OG KJEMISKE PARAMETERE i VREG

Para os gregos, a palavra método significava caminho a ser seguido. No entanto, há na ciência inúmeros caminhos possíveis, muitas linguagens, muitos métodos. A metodologia é o que em grande parte identifica não só os caminhos trilhados pela pesquisa, mas também as escolhas do pesquisador sobre o que é importante ser estudado, quais são as prioridades e a própria conduta política de democratização ou não dessas escolhas, incluindo ou não outros atores na discussão.

Segundo Bourdieu (1994), a ciência, assim como outras instituições humanas, possui campos de disputas e conflitos entre os grupos adeptos de metodologias diferentes que buscam cada um a vitória da sua razão, no sentido de teoria científica e de sua razão, no sentido de motivo, interesse.

Thomas Kuhn (1978) em “A Estrutura das Revoluções Científicas” afirma que a maioria dos cientistas está ocupada nas atividades cotidianas daquilo que ele chama de ciência normal, e grandes transformações de ruptura dentro da ciência são inibidas por aqueles que já estão instituídos e legitimados dentro das instituições científicas. Esses cientistas na maioria das vezes não têm interesse em grandes revoluções científicas porque estas poderiam negar proposições por meio das quais eles construíram suas carreiras, títulos, reputação e prestígio.

A falta de diálogo entre a comunidade científica e as pessoas que não fazem parte dessa comunidade, e que direta ou indiretamente sofrem as influências dos resultados de suas pesquisas, ou as financiam com impostos, são questões que

na maioria das vezes não são resolvidas democraticamente na relação entre as partes.

Isabelle Stengers (2002), em “A Invenção das ciências modernas”, procurando, distanciar-se tanto dos que acreditam, quanto dos que combatem a idéia de uma singularidade das ciências teórico-experimentais na antiga discussão sobre saber e poder, trilha um caminho que não é nem o da veneração nem o da denúncia, mas que busca acompanhar o nascimento e a constante reinvenção da questão da autonomia da ciência. Para Stengers, são as ciências políticas que poderiam oferecer instrumentos para colocar em discussão a singularidade das ciências. Nesse momento ela associa razão científica à razão política, sem reduzir as ciências a um simples exercício de poder. A política, para ela, é parte intrínseca da atividade científica.

Stengers (2002) associa racionalidade científica e racionalidade política em termos da inseparabilidade de princípio entre a qualidade democrática do processo político e a qualidade racional da controvérsia posta em debate, e propõe o retorno do enunciado sofista, segundo o qual o homem é a medida de todas as coisas, no sentido de que é necessário assumir o espaço da política como o legítimo produtor de juízos sobre o devir. Ela discute ainda outros problemas como o da invenção de dispositivos que permitam aos cidadãos comuns se tornarem capacitados a participar, ao lado dos cientistas da prospecção de um destino comum. Trata-se também, segundo a autora, de inventar outro modo de fazer política.

Uma análise sobre a relação entre comunidade científica e sociedade está no estudo de caso sobre a comunidade científica de São Carlos, cidade do interior do estado de São Paulo, considerado um dos maiores pólos de desenvolvimento tecnológico do país, elaborado por Furnival (2001), intitulado “Investigando o papel de cientistas em estratégias de desenvolvimentos sustentável local: visões e perspectivas da comunidade científica”. Este estudo analisa a relação entre a comunidade científica citada e a comunidade política local, verificando a empregabilidade prática do discurso da Agenda 21 que diz que: o êxito das estratégias de desenvolvimento sustentável depende, substancialmente, do envolvimento/comprometimento da comunidade científica local e da incorporação da problemática ambiental na agenda da pesquisa científica e tecnológica de forma que

os conhecimentos resultantes de pesquisas científicas possam vir a ser traduzidos em ação política.

Ao investigar a percepção que essa comunidade tinha do papel a ela atribuído na Agenda 21 e os aspectos motivacionais que orientam as suas ações na comunidade local, Furnival (2001) apontou que tanto aspectos internos da dinâmica da academia e da institucionalização da ciência e da tecnologia, quanto o estado das relações comunidade científica/comunidade política local, num dado momento histórico, podem vir a inibir ou a restringir a possibilidade de concretização desse papel. A autora afirma que nos dias de hoje, é inegável o impacto social do papel desempenhado pela pesquisa cientifica, cujos resultados, muitas vezes são traduzidos em avisos e têm contribuído para conscientizar o público em geral, e os políticos em particular, sobre os problemas ambientais do planeta.

A autora afirma ainda que o papel da ciência e tecnologia é rodeado por controvérsias, pois muitos segmentos da opinião pública também atribuem a culpa da degradação ambiental ao próprio avanço tecnológico e científico das sociedades modernas, e as repercussões da ciência e da tecnologia vêem atingindo cada vez mais as mais variadas dimensões da vida (FURNIVAL, 2001).

Segundo Beck (1992) em “Sociedade de Risco”, hoje os seres humanos vivem numa sociedade de risco na qual há conseqüências desconhecidas, não intencionais e imprevisíveis dos avanços científicos e tecnológicos ao mesmo tempo em que é a própria ciência que resolve inúmeros problemas socioambientais causados pela própria forma de organização desta mesma sociedade.

Esses problemas socioambientais redirecionam discussões sobre a cultura científica departamentalizada e começam a revisar os próprios princípios epistemológicos da ciência.

A formação de uma nova cultura socioambiental sustentável ultrapassa a necessidade intelectual e se torna uma necessidade material. Repensar a racionalidade científica e tecnológica se tornou imperioso para a sobrevivência da humanidade diante da situação histórico-concreta dos problemas socioambientais que impuseram a necessidade de rever a ciência moderna e propor um olhar complexo e transdisciplinar para a solução de tais problemas, que envolvem todas as esferas da vida.