• No results found

Andre endringer knyttet til skatt

Da análise de variância efectuada, que se apresenta de forma resumida, nos Quadros 14 e 15, verifica-se que, de um modo geral, o efeito da aplicação de níveis crescentes de água-ruça sobre os valores de pH(H2O) do solo, dependeu de forma significativa (p≤0,05) do tipo de solo considerado. Constitui excepção o efeito observado aos 112 dias após a aplicação de água-ruça proveniente do lagar com sistema de prensas. Observa-se ainda, que a variabilidade observada nos valores do pH se ficou a dever ao factor solo que contribuiu, em todos os casos, com uma percentagem de variação superior a 90%.

Nos Quadros I.1 e I.2 do Anexo I apresentam-se os valores de pH(H2O) dos solos, obtidos por tratamento experimental e bloco, após cada período de incubação com a aplicação das águas-ruças. Os valores médios de pH(H2O) observados ao longo do ensaio, seguidos dos resultados do teste de Duncan, e ainda os valores dos desvios padrão da média e dos coeficientes de variação apresentam-se nos Quadros I.3 e I.4 do mesmo anexo.

Quadro 14 – Tabelas resumidas das análises de variância relativas ao pH dos solos observado após cada período de incubação com a aplicação da água-ruça do lagar com sistema contínuo de 3 fases

Dias de incubação

1 7 14

Origem da variação g.l.

F calc. % SQ F calc. % SQ F calc. % SQ

Blocos 1 14,94*** 0,0 5,90* 0,0 125,81*** 0,4 Dotações de AR (A) 4 119,49*** 1,1 5,59** 0,0 18,14*** 0,2 Solos (B) 3 14288*** 98,5 77021*** 99,5 9722*** 94,9 (A)x(B) 12 10,92*** 0,3 4,86** 0,3 8,57*** 0,3 Dias de incubação 28 56 112 Origem da variação g.l.

F calc. % SQ F calc. % SQ F calc. % SQ

Blocos 1 1,09ns 0,0 24,37*** 0,1 6,22* 0,5

Dotações de AR (A) 4 102,75*** 0,8 81,54*** 1,5 39,14*** 1,2

Solos (B) 3 16485*** 98,2 7273*** 97,3 4328*** 97,4

(A)x(B) 12 38,95*** 0,9 20,28*** 1,1 13,37*** 0,1

ns- p> 0,05; * - p≤ 0,05; ** - p≤ 0,01;*** - p≤ 0,001

Quadro 15 – Tabelas resumidas das análises de variância relativas ao pH dos solos observado após cada período de incubação com a aplicação da água-ruça do lagar com sistema de prensas

Dias de incubação

1 7 14

Origem da variação g.l.

F calc. % SQ F calc. % SQ F calc. % SQ

Blocos 1 0,22ns 3,3 2,44ns 0,0 266,00*** 0,6 Dotações de AR (A) 4 246,71*** 7,4 1,04ns 0,0 27,67*** 0,3 Solos (B) 3 4034*** 91,5 9095*** 99,8 13581*** 98,8 (A)x(B) 12 9,54*** 0,9 2,63* 0,1 8,55*** 0,2 Dias de incubação 28 56 112 Origem da variação g.l.

F calc. % SQ F calc. % SQ F calc. % SQ

Blocos 1 0,06ns 0,0 13,57** 0,0 0,98ns 0,0

Dotações de AR (A) 4 51,28*** 1,2 121,89*** 1,9 11,73** 3,7

Solos (B) 3 5486*** 97,7 8227*** 96,5 398,61*** 94,7

(A)x(B) 12 13,51*** 1,0 30,46*** 1,4 0,96ns 0,9

ns- p> 0,05; * - p≤ 0,05; ** - p≤ 0,01;*** - p≤ 0,001

As Figuras 9 a 16 representam a evolução, ao longo do período de incubação, dos valores de pH(H2O) observados nos quatro solos após a aplicação das duas águas-ruças.

5,5 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 0 7 14 21 28 35 42 49 56 63 70 77 84 91 98 105 112 dias de incubação p H 0 m3 125 m3 250 m3 375 m3 500 m3/ha 5,5 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 0 7 14 21 28 35 42 49 56 63 70 77 84 91 98 105 112 dias de incubação p H 0 m3 125 m3 250 m3 375 m3 500 m3/ha

Fig. 9- Evolução do pH(H2O) no solo VReu com água-ruça de 3 fases

Fig. 10 - Evolução do pH(H2O) no solo VReu com água-ruça de prensas

4,0 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 0 7 14 21 28 35 42 49 56 63 70 77 84 91 98 105 112 dias de incubação p H 0 m3 125 m3 250 m3 375 m3 500 m3/ha 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 0 7 14 21 28 35 42 49 56 63 70 77 84 91 98 105 112 dias de incubação p H 0 m3 125 m3 250 m3 375 m3 500 m3/ha 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0 0 7 14 21 28 35 42 49 56 63 70 77 84 91 98 105 112 dias de incubação p H 0 m3 125 m3 250 m3 375 m3 500 m3/ha 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0 0 7 14 21 28 35 42 49 56 63 70 77 84 91 98 105 112 dias de incubação p H 0 m3 125 m3 250 m3 375 m3 500 m3/ha 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0 0 7 14 21 28 35 42 49 56 63 70 77 84 91 98 105 112 dias de incubação p H 0 m3 125 m3 250 m3 375 m3 500 m3/ha 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0 0 7 14 21 28 35 42 49 56 63 70 77 84 91 98 105 112 dias de incubação p H 0 m3 125 m3 250 m3 375 m3 500 m3/ha

Nos Quadros 16 e 17 encontram-se os valores da variação de pH (pH final – pH inicial) observados ao 1º e 7º dias de incubação. Da análise destes quadros e das figuras 9 a 16 verifica-se que, apesar de ocorrer uma descida inicial no valor de pH(H2O) em todos os solos, cuja intensidade depende do solo e da dotação e tipo de água-ruça utilizada, rapidamente ocorre uma recuperação do pH para valores próximos, ou mesmo significativamente (p≤0,05) superiores, aos iniciais (aproximadamente ao 7º dia). Della Monica et al. (1978, cit. in Levi- Minzi et al. 1992), Potenz et al. (1985, cit. in Levi-Minzi et al. 1992), Morisot e Tournier

Fig. 11 - Evolução do pH(H2O) no solo CMhu com água-ruça de 3 fases

Fig. 12 - Evolução do pH(H2O) no solo CMhu com água-ruça de prensas

Fig. 13 - Evolução do pH(H2O) no solo LVfr com água-ruça de 3 fases

Fig. 14 - Evolução do pH(H2O) no solo LVfr com água-ruça de prensas

Fig. 15 - Evolução do pH(H2O) no solo CMca com água-ruça de 3 fases

Fig. 16 - Evolução do pH(H2O) no solo CMca com água-ruça de prensas

(1986), Monpezat et al. (1999, cit. in Niaounakis e Halvadakis, 2006) e Ferreira (2003), observaram, igualmente, ligeiros aumentos nos valores de pH do solo algum tempo após a aplicação de quantidades elevadas de água-ruça ao solo.Della Monica et al. (1978) e Potenz et al. (1985, cit. in Levi-Minzi et al., 1992) atribuem este efeito à produção de amoníaco, como consequência da degradação da matéria orgânica incorporada com as águas-ruças.

Quadro 16 – Valores da variação de pH(H2O) (valor final - valor inicial) ocorridos nos diversos solos

depois de 1 e 7 dias de incubação com a aplicação da água-ruça do sistema contínuo de 3 fases

VReu CMhu LVfr CMca

Dotações de água-ruça

(m3/ha) 1º dia 7º dia 1º dia 7º dia 1º dia 7º dia 1º dia 7º dia 0 + 0,20c + 0,25bc + 0,38b + 0,60a + 0,10bc + 0,20a + 0,05ab + 0,18a 125 + 0,13cd +0,35ab + 0,23c + 0,60a - 0,10e + 0,15ab - 0,17c + 0,25a 250 + 0,05de +0,43a + 0,15c + 0,65a - 0,15ef + 0,10bc - 0,42cd + 0,18a 375 + 0,03de + 0,43a + 0,15c + 0,68a - 0,17f + 0,05cd - 0,55cd + 0,10ab 500 0,00e + 0,40a + 0,28b + 0,60a - 0,25g 0,00d - 0,62d - 0,10b

valores seguidos de letras iguais, em cada solo, não diferem significativamente entre si p=0,05

Quadro 17 – Valores da variação de pH(H2O) (valor final - valor inicial) ocorridos nos diversos solos

depois de 1 e 7 dias de incubação com a aplicação da água-ruça do sistema de prensa hidráulica

VReu CMhu LVfr CMca

Dotações de água-ruça

(m3/ha) 1º dia 7º dia 1º dia 7º dia 1º dia 7º dia 1º dia 7º dia 0 + 0,23a + 0,28a + 0,40b + 0,60a + 0,05b + 0,20a 0,00b + 0,08ab 125 - 0,35b + 0,25a - 0,20c + 0,55a - 0,27c + 0,10b - 0,52c + 0,20a 250 - 0,52b + 0,33 a - 0,35d + 0,58a - 0,35d + 0,03b - 0,90d + 0,05ab 375 - 0,82c + 0,33a - 0,50e + 0,63a - 0,40d + 0,03b - 1,05de + 0,05ab 500 - 0,97c + 0,30a - 0,50e + 0,55a - 0,40d + 0,05b - 1,20e + 0,10ab

valores seguidos de letras iguais, em cada solo, não diferem significativamente entre si p=0,05

Os acréscimos de pH(H2O), em cada solo e para cada água-ruça, aumentam com a dotação desta, sendo superiores no caso da água-ruça do sistema de extracção com prensa hidráulica. Estes acréscimos estarão, muito provavelmente, associados a diferentes efeitos de substâncias fitotóxicas, especialmente de alguns compostos fenólicos, existentes em maior quantidade nessas águas, sobre a actividade microbiana do solo relacionada com a mineralização dos compostos orgânicos azotados (Pérez e Gallardo-Lara, 1987).

A quantidade de argila e de matéria orgânica, bem como a natureza dos minerais de argila, são determinantes no poder tampão do solo. Solos que contenham altos teores de

matéria orgânica e de minerais de argila possuem, normalmente, um maior poder tampão e, como regra geral, a presença predominante de minerais de argila do tipo 2:1 confere, também, maior poder tampão aos solos (Tisdale et al.,1985).

Neste ensaio observou-se que as alterações iniciais nos valores de pH diferiram não só com o tipo de água-ruça utilizada, mas também com o tipo de solo onde foi aplicada, dependendo do pH inicial e do poder tampão de cada solo. As menores variações ocorreram no Luvissolo férrico, que era o solo que, antes de se aplicar água-ruça, apresentava o pH(H2O) mais baixo (4,60). Possivelmente, a natureza dos seus minerais de argila proporcionou-lhe um grande poder tampão, já que o seu teor em matéria orgânica era baixo.

De facto, o poder tampão dos solos é muito variável de solo para solo. Em igualdade de circunstâncias, quanto maior é a capacidade de troca catiónica do solo, maior é o seu poder tampão. Num solo com alta capacidade de troca catiónica, maior é a fracção da acidez titulável e de reserva que tem de ser neutralizada, ou aumentada, para provocar uma alteração no pH do solo (Brady e Weil, 2002).

Os resultados obtidos confirmam os que já foram apresentados por Sempiterno e Soveral Dias (2002), correspondentes à aplicação de uma água-ruça proveniente de um lagar com sistema de prensa hidráulica, em que o período de incubação máximo foi de 56 dias. Nesses ensaios, também foi observado que o efeito acidificante das águas-ruças no solo, quando existe, é temporário, mantendo-se por um período no máximo de sete dias, nas condições em que foi realizado o ensaio.

Sendo as nitrobactérias mais sensíveis à acção de alguns compostos fenólicos do que os microorganismos responsáveis pelas transformações do azoto orgânico que precedem a nitrificação (Pérez e Gallardo-Lara, 1987), ficarão temporariamente inibidas de converter o azoto amoniacal em nitritos (bactérias do género Nitrosomonas) e depois em nitratos (bactérias do género Nitrobacter). Deste modo, a amonificação, fase alcalinizante com a produção de azoto amoniacal, será menos afectada que a fase seguinte, a nitrificação, fortemente acidificante. O acréscimo do valor do pH do solo dever-se-á, assim, ao aumento da concentração de azoto amoniacal no meio. Logo que, ao fim de algum tempo, variável com o tipo de solo e as características da água-ruça, o processo de nitrificação se restabelece e a mineralização da matéria orgânica prossegue o seu curso normal, o pH do solo baixa para valores da mesma ordem de grandeza dos valores iniciais.

3.1.2 Efeito da aplicação de águas-ruças sobre a condutividade eléctrica do solo