3. Kartlegging av avtaler og tegning av et «avtalelandskap»
3.6 Andre dimensjoner
Não me considerando escritora, assumo, no entanto a minha predileção pela escrita. Não tenho textos publicados, à exceção de crónicas no Jornal do Fundão. Possuo, porém, alguns escrevinhados guardados na gaveta, uns contos de influência tradicional, inspirados em vivências e histórias de avós; um caderno de contos (A Chave da Memória), em que parto de memórias de infância, desde África a Portugal, para ficcionar situações com personagens que viveram o retorno à terra dos pais ou que ficaram perdidas nos lugares que foram deixados para trás. Falo precisamente de sonhos que não se concretizaram e de novos sonhos que surgiram para preencher o vazio deixado pelos primeiros; um pequeno romance (O Enigma Mora Cá
Dentro), que também fala de sonhos, sonhos demasiado ambiciosos de um pai em relação a
uma filha, numa terra algures no interior do país. Sonhos que caíram por terra e cuja perda causou danos irreversíveis. O regresso da filha-narradora à terra natal para tentar resolver o enigma interior, reencontrar-se e recuperar o sentido da existência; e muitos, muitos poemas, cerca de quinhentos poemas, alguns reunidos num caderno que intitulei Lastro de Poesia. Sem pretensões de publicação, escrevo porque a escrita me dá a lufada de ar fresco que preciso, fazendo-me recuperar a força de vontade que, às vezes, a vida teima em tirar, porque me permite partilhar sentimentos e vivências, me faz viver e sonhar.
Remexendo nestes meus poemas, encontrei alguns em que o sonho constituiu o mote para a escrita. O sonho do poeta, que guia os seus passos e a sua poesia, num poema intitulado
Poeta mensageiro de sonhos (“Caminheiro errante segue caminho/Pela Via Láctea, ele vem
descendo…/ Vagueia assim só, sem ter um destino/ E pelo caminho vai aprendendo./Segue pelo mundo, mas não vai sozinho./ Há em si a fé que o vai movendo./ Traz o coração pleno de carinho, /Na alma o sonho e o amor que vão crescendo./ Quem será este errante, quem ele é?/ Todos questionam este ser sombrio/ Quando escreve é um deus que se agiganta/ A poesia uma voz que ele levanta,/ Deus errante no combate ao vazio).
O sonho surge também através de histórias contadas pelo vento, no poema Histórias do
vento (Conta-me histórias, meu vento do Norte,/Histórias de amor que me façam
sonhar,/Histórias de amor sem guerras e sem morte/Daquelas que permitem divagar […] /Serei no meu sonho princesa amada/ Em histórias que tão bem sei que tu calas,/ Serei até capitã afamada).
Há ainda o sonho que transmite confiança, que leva a acreditar na vida e que é a própria poesia, no poema Sol da Poesia ([…] Mas a poesia é paciente./ Sentou-se ao meu lado,/ na relva do jardim,/ embalou-me até adormecer./ Invadiu o meu sono,/ Remexeu no meu sonho,/até a sentir em mim./ A minha lágrima secou,/ o sorriso abriu-se/ e a mão procurou a caneta/ para fazer a folha de papel/ dançar ao som da poesia […]).
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O sonho germina tal como as sementes, no poema O meu sonho, planta que germina (O meu sonho está povoado/de sementes de esperança./ Pequenas sementes que germinam/ainda antes de serem plantadas […]).
Por vezes, o sonho esmorece, como o do poema Sonhos verde-cinza ([…]/Sinto o sonho/ escorrer-me por entre os dedos/ e os olhos fecham-se em nevoeiro).
Alguns sonhos são recuperados pelas histórias das avós, por exemplo no poema Conta-
me histórias, avó! (Quantas histórias na mente guardamos,/ contadas, adormecidas,
imaginadas,/ reveladas, escondidas, sonhadas,/ histórias que esquecemos, lembramos […]). A infância é o momento dos sonhos, em que tudo é possível e o futuro uma ilusão que aconchega, por exemplo no poema A minha casinha de lajes cinzentas (Quando eu era muito pequenina/ pegava em pequenas lajes cinzentas/ e construía uma casa de sonho/ onde moravam as minhas emoções […]), no poema Onde está a minha infância? ([…]/ Levava o coração cheio,/ de grandes sonhos e ilusões,/ o meu triciclo era o meio/de seguir as emoções […]/Porque cresci, meu Deus?/ Já não caibo na infância./ O triciclo onde está?/ A enferrujar na distância […]) e no poema Quando a saudade aperta ([…]/ Água de nascentes, que me refrescavam/ corpo e alma. E eu lia, lia e pensava,/ meditava acontecimentos do dia,/
recordava momentos passados/ e sonhava, sonhava com o futuro./Era tudo ainda tão simples,/ Era tudo ainda tão puro!).
O sonho surge também enquanto desejo de renovação da crença e da esperança no poema Escadaria dos Sonhos (Hoje quero subir os degraus/ azuis até ao último andar…/E, no terraço, tocar as nuvens,/ confessar-me ao sol,/ beber um refrescante sumo de sonhos,/aspirar as ilusões que pairam no ar/ e trazer nos meus olhos o infinito […]).
A morte é a que chega para nos levar em sonhos que se perpetuarão, como se pode ver no poema Quando a morte vier ([…]/Quando a morte vier/ que seja como a noite,/ que me acolha lentamente nos braços,/ me envolva com suavidade/ e me leve a alma/ em doces sonhos eternos).
O sonho é uma réstia de esperança que devemos resgatar para não sermos derrotados pelos nossos fracassos, como sugere o poema Poder dos sonhos ([…]/Mas, escondidos.../ Resguardados dos vendavais da vida,/continuam persistentes sonhos/ à espreita. À espera de uma aberta,/ de uma ténue luz solar/ que os acalente e os faça/ novamente acreditar./ Maior é a força dos sonhos/ que a rajada da desilusão,/porque, por maiores que sejam/as pancadas do vento da vida,/ os sonhos, qual Sísifo,/ acreditam na superação,/ têm o poder/ da renovação/ e da reinvenção do meu mundo.../Um mundo interior/feito de rosas em botão).
Estes são apenas pequenos excertos de poemas que escrevi, de imensos poemas onde o sonho é o protagonista dos sentimentos. Porque sonhar vale a pena!
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Conclusão
Optei por desenvolver o tema escolhido no texto poético de expressão portuguesa, concentrando-me num corpus textual dos séculos XIX ao XXI. Porém, para abordar um tema destes, que foi mote de vários textos ao longo de vastos períodos literários, não pude deixar de fazer uma pequena contextualização da temática, que permite, ainda que de uma forma sucinta, ver a real dimensão que este tema sempre teve na literatura.
Comecei, num primeiro capítulo, por abordar a temática do “sonho ao leme da leitura”, dada a intrínseca ligação entre o sonho e a leitura. O sonho que move à leitura, a leitura que abre caminhos ao sonho, o sonho do conhecimento que nos é ampliado pela própria leitura, a leitura como caminho intrínseco de autoconhecimento e de conhecimento do mundo, o sonho da leitura e o sonho da escrita. Não fossem os escritores, artífices da palavra, o sonho não se configurava em livros que permitem ao ser humano empreender viagens ao mundo dos sonhos.
Foi, então, pela mão dos escritores, que se percorreu o vasto caminho a que esta temática me conduziu.
Optei por dividir a temática em três temas mais vastos, em termos temporais: o passado (que intitulei “um olho no passado”), o presente (que designei como “um pé no presente”) e o futuro (que concebi como “uma asa no futuro”). Esta tripartição temática permitiu-me estudar a abordagem do sonho nestas três fases temporais. Olhando para o passado, selecionei textos que me permitiram falar do sonho da infância como um paraíso perdido, do amor sonhado no passado, da desilusão que esse sonho passado trouxe ao se constatar da sua inutilidade e o sonho glorioso de um passado de navegadores em que o sonho superou todos os obstáculos que se pudessem interpor. No presente, não quis deixar de contemplar o poder dos sonhos, que tudo move e promove, dos sentimentos que continuam a justificar a vontade e a necessidade de sonhar. Mas, o presente confronta, também, de alguma forma, o ser humano com o desmoronar dos sonhos, num contraste com o passado em que tudo parecia possível e plausível. E esta desilusão é cantada pelos poemas de forma exímia. O futuro afigura-se possível, se se continuar a acreditar na poderosa capacidade de sonhar. Quando os sonhos se ausentam, há uma natural tendência para se fugir à realidade que dói e de projetar sonhos irreais. Mas nem sempre o sonho subsiste, nem sempre corresponde às expetativas. Resta o ludíbrio e a morte dos sonhos.
Não quis deixar de partilhar a minha paixão pela leitura e pela escrita, quer enquanto mãe, quer enquanto amante das palavras, de que humildemente ouso fazer uma breve referência de cariz mais pessoal.
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Posfácio
Comecei a minha dissertação movida pelo sonho. O primeiro momento, a fase das ideias que fervilham na mente, impulsionou a escolha do tema. Escolhido o tema e antes de passar para a fase do projeto, li. Li todos os poemas que consegui encontrar em livros, em casa e em bibliotecas e na Internet. Seguiu-se a fase da proposta escrita do projeto. Ainda movida pelo deslumbramento que tantos poetas e poemas me tinham provocado, considerei a possibilidade de abordá-los todos.
Quando o sonho em estado puro começou a ser laminado pela razão, com um auxílio precioso da minha orientadora científica de mestrado, consciencializei-me da dificuldade e mesmo impossibilidade de dissertar sobre um espólio tão abrangente. Comecei por delimitar as épocas a trabalhar e optei por versar sobre autores séculos XIX ao XXI. No momento subsequente, integrei os poetas lidos na tabela de capítulos e subcapítulos que tinha delineado no projeto. Mais uma vez me deparei com um espólio de textos e de poetas demasiado extenso. Não foi fácil selecionar e as opções que fiz prenderam-se com a temática abordada em cada subcapítulo, de entre um conjunto de poemas e autores não menos dignos de mérito e de estudo.
Estabelecido o plano, feita a seleção de textos e autores, parti para uma leitura de toda a literatura que encontrei e que me pareceu pertinente sobre os autores escolhidos. Em casa, na grande janela para o mundo, que é a Internet, e, em especial, em bibliotecas (universitária, públicas, escolares e pessoal), consultei livros, capítulos, passagens de livros, outras dissertações e teses, artigos de publicações académicas, revistas, jornais, entre outros documentos, o que foi feito à dimensão da Bibliografia e Webgrafia que apresento.
Apesar de muito trabalhosa, a realização desta dissertação tem sido muito enriquecedora. Permitiu-me o reencontro com poemas e poetas que já tinha lido há muito tempo, a descoberta de novos escritores de que me fiz leitora, contribuindo, assim, para ampliar os horizontes dos meus conhecimentos, despertar o estímulo e curiosidade em conhecer sempre mais e ler sempre mais.
A contribuir para a execução do meu trabalho, esteve o gosto que sempre tive pelo estudo. Nunca deixei de estudar e comecei a estudar ainda mais desde que comecei a dar aulas. Outro contributo que não podia esquecer de mencionar, é o prazer que sempre me deu escrever, como o referi no último capítulo.
Considero, portanto, que atingi os objetivos a que me propus, concretizando um de muitos dos meus sonhos. Sonhar torna a realidade mais suportável, amplia e reforça os objetivos, move a vontade, semeia o estímulo e dá sentido à existência. Como tive oportunidade de constatar ao longo da dissertação, o sonho é extremamente abrangente, o que torna difícil defini-lo com exatidão, até porque o sonho é subjetivo e cada ser humano tem os (s) seus (s) sonhos (s). Espero ter contribuído para a compreensão da dimensão deste tema, tão rico e sobre o qual ficará sempre muito por dizer e que, ao mesmo tempo, tenha despertado o interesse no aprofundamento do mesmo por alguém que o leia com interesse.