2 Materials and methods
2.3. Methods
2.3.1. Analytical methods for laboratory samples – I
Nas sequencias de atividades de design thinking diferentes conteúdos podem ser trabalhados e, desse modo, diferentes capacidades podem ser desenvolvidas. O destaque está na maioria das vezes em conteúdos procedimentais e atitudinais, no entanto, diferentes conceitos também são compreendidos pelos sujeitos envolvidos. Na realização das sequencias didáticas deve-se estar atento a alguns preceitos na relação professor-aluno (SCHÖN, 2007):
1. Apresentação de tarefas fundamentais: no início de uma aula prática o professor irá apresentar ao aluno certas tarefas fundamentais. O aluno deve aprender a reconhecer uma prática competente;
2. Construção da imagem da prática: o aluno deve aprender a construir uma imagem da prática proposta e estabelecer seu lugar em relação á prática. Seu lugar será estabelecido por meio de um mapa do caminho aonde ele pode chegar por meio do lugar aonde se encontra até onde quer chegar;
3. Pressupostos da prática: o aluno precisa compreender os pressupostos que estão implícitos na prática – que existe uma prática, que ela é boa o suficiente para ser aprendida, que ele é capaz de entendê-la e que é representada pela aula prática; 4. O aluno precisa entender a prática do ensino prático: o aluno na
aula prática irá conhecer as ferramentas, os métodos, os projetos envolvidos e as demais possibilidades. À medida que o aluno conhece e assimila à prática ele pode aprender melhor o que quer.
Alguns exemplos de unidades didáticas serão apresentados com base nas oficinas realizadas com educadores, nas práticas relatadas nas entrevistas e experiências em escolas da educação básica.
Unidade1
Oficina de formação de educadores nas abordagens de design thinking 1. Apresentação por parte do (a) facilitador (a) sobre o design thinking na
O (a) facilitador (a) expõe aos participantes da oficina conceitos de design thinking com suas características históricas, sociais e teóricas. Posteriormente explica a abordagem de interesse que será trabalhada durante o curso, assim como, suas etapas ou fases.
2. Formação de equipes de trabalho
O grande grupo é dividido em equipes de trabalho que irão desenvolver atividades de modo colaborativo.
3. Apresentação da problemática
Apresentação por parte do facilitador (a) de uma situação problemática na educação.
4. Gerar o desafio
As equipes irão gerar um desafio a partir da problemática apresentada pelo facilitador (a).
5. Fases/etapas da abordagem escolhida
O desafio gerado pela equipe será utilizado dentro das fases definidas na abordagem escolhida no curso de formação. A partir de então os participantes irão compreender melhor a problemática e chegar a uma determinada solução. A solução será experimentada pela equipe e apresentada ao grupo.
6. Avaliação
A partir das observações que fez ao longo da oficina e das apresentações de cada equipe o (a) facilitador (a) comunica aos participantes as aprendizagens realizadas. Os participantes comunicam o que aprenderam com a oficina e o que acreditam que pode melhorar.
Unidade 2
Professores sugerem um desafio aos alunos por meio do design thinking 1. Apresentação do desafio aos alunos
O (a) professor (a) apresenta um determinado desafio que os alunos precisam trabalhar na forma de uma pergunta, por exemplo, uma questão ligada à saúde: “Cuidados com os alunos – como podemos transportar o material escolar do trajeto casa-escola de forma ideal?”; ou então uma questão social “Combatendo o bullying – como podemos lidar com os conflitos decorrentes de questões sociais ligadas as identidades dos sujeitos na escola?”, ou uma questão curricular de geografia: “Preservação do planeta – como podemos melhorar o descarte de lixos e resíduos na nossa casa/comunidade?”, entre outras muitas questões a depender do contexto educativo e das intenções pedagógicas.
2. Formação de Equipes de trabalho
Divididos em equipes com cerca de cinco alunos os mesmos devem trabalhar com o desafio do mundo real proposto.
3. Fases/etapas da abordagem escolhida
abordagem escolhida pelo (a) professor (a). A partir de então os alunos irão compreender melhor a problemática e chegar a uma determinada solução. A solução será experimentada pela equipe e apresentada à classe. 4. Avaliação
A partir das observações que fez ao longo da construção da solução e das apresentações de cada equipe o (a) professor (a) comunica aos alunos as aprendizagens realizadas por meio de critérios de avaliação e instrumentos de avaliação utilizados durante o processo. Os alunos comunicam o que aprenderam durante o desenvolvimento de determinada solução e o que acreditam que pode melhorar.
Unidade 3
Alunos sugerem o desafio por meio do design thinking
1. Apresentação de uma abordagem de design thinking aos alunos
O (a) professor (a) apresenta uma das abordagens de design thinking e explica como funciona. A abordagem irá servir como guia para os alunos. 2. Pensar no problema
Aqui os alunos irão expressar o que os incomoda ou agrada e problematizar. Os exemplos são diversos, como por exemplo, problemas pessoais e de convívio; uso de drogas; problemas estruturais, de espaço e deslocamento; problemas de aprendizagem; entre outros.
A partir da compreensão do problema será possível gerar um desafio a ser trabalhado.
3. Geração e escolha de ideias
A partir do problema escolhido pela escola, classe, equipes ou alunos individualmente os mesmos serão encorajados a pensar em ideias para a solução dos mesmos. Depois da geração de ideias os alunos irão escolher uma das ideias propostas com base em critérios de avaliação que podem ser definidos pelo (a) professor (a) ou coordenador (a) pedagógico (a) de acordo com o seu potencial de replicação, o número de pessoas impactadas, a duração do impacto, entre outros que considerem a ingerência e tangibilidade.
4. Fase de construção
Aqui os alunos irão trabalhar e tornar a ideia visível ou real. Os alunos irão fazer um planejamento de ações que envolvem recursos materiais, financeiros e humanos, o tempo de construção, entre outros. Depois de planejarem as etapas podem realizar prototipação da ideia ou então fazer uma determinada intervenção social.
5. Fase de compartilhamento
Os alunos nessa fase apresentam suas ideias a classe, escola, comunidade, pais e mídias sociais, e podem servir como inspiração para outras escolas e sujeitos.
Os professores, coordenadores, alunos e comunidade podem avaliar a (s) ideia (s) apresentada (s) e sugerir possíveis adequações e melhoramentos. Além disso, o professor pode realizar avaliações das equipes e das performances individuais de cada aluno de modo que seja possível melhorar o relacionamento entre professor e alunos, alunos com alunos, alunos e comunidade, alunos e pais/responsáveis e tantos outros elos que sejam possíveis de estabelecer dentro dos objetivos da atividade.
Por meio das unidades didáticas explicitadas acima é possível perceber os conteúdos de aprendizagem envolvidos em cada uma das etapas das sequencias de atividades (quadro 11). Chama a atenção pelos critérios definidos no desenvolvimento dessas práticas os conteúdos Conceituais (C), Procedimentais (P) e Atitudinais (A) que estão presentes em quase todas as suas etapas.
Quadro 11 - Conteúdos das unidades.
UNIDADE 1 CONTEÚDOS
1. Apresentação da atividade C
2. Formação das equipes P
3. Apresentação da problemática C
4. Gerar o desafio C P A
5. Fases/etapas da abordagem C P A
6. Avaliação C P A
UNIDADE 2 CONTEÚDOS
1. Apresentação do desafio aos alunos C
2. Formação de Equipes de trabalho P
3. Fases/etapas da abordagem escolhida C P A
4. Avaliação C P A
UNIDADE 3 CONTEÚDOS
1. Apresentação de uma abordagem C
2. Pensar no problema C P A
3. Geração e escolha de ideias C P A
4. Fase de construção C P A
5. Fase de compartilhamento C P
6. Avaliação C P A
Fonte: desenvolvido pelo autor.
Por meio disso é possível perceber que quem controla o ritmo das atividades são os alunos/participantes que podem utilizar uma série de técnicas e habilidades como o diálogo, debate, trabalho em equipes, pesquisa bibliográfica e documental, trabalho em campo, elaboração de
questionários, entrevistas, observações, geração de protótipos, formas de divulgação e apresentação de ideias, intervenções sociais, entre outros. Ao mesmo tempo com todo este convívio entre os sujeitos envolvidos nos processos educativos se estabelecem uma série de conflitos sociais pessoais e grupais que envolvem o aprender a “ser” e nisso se praticam: empatia, colaboração, cooperação, respeito, autonomia, tolerância, aprender a falhar, entre outros. Outra característica relevante é que nas atividades de design thinking aqui explicitadas aparecem conteúdos das três categorias, no entanto, se comparado com um modelo tradicional de educação aqui há um grande destaque para os conteúdos atitudinais e procedimentais. Isso propõe que exista uma consciência educativa, embora, tais parâmetros sejam complexos de avaliar e podem não estar explícitos na aprendizagem.