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Analytical Framework

2. Literature Review and Analytical Framework

2.2 Analytical Framework

Os dados recolhidos apresentam-se sob a forma de produções verbais espontâneas, construídas a partir das entrevistas semi-directivas, revelando-se importante a aplicação de uma metodologia como é a análise de conteúdo, a única capaz de uma função heurística que aumente a propensão da descoberta da realidade subjacente às produções recolhidas (Bardin, 2000).

Após a recolha das produções linguísticas presentes nas entrevistas, procedemos à sua análise através de uma leitura flutuante em planos horizontal e vertical, estratégia que tornou possível comparar a adequação dos nossos objectivos e construir a grelha de análise elaborada a partir dos elementos constantes nas entrevistas como refere Vala (1998:104), “trata-se da desmontagem de um discurso e da produção de novo discurso através de um processo de localização-atribuição dos traços de significação, resultado de uma relação dinâmica entre as condições de produção do discurso a analisar e as condições de produção da análise”.

149 Optando, assim, pela análise de conteúdo por ser uma técnica que permite ao investigador, para além da análise objectiva e rigorosa, conseguir ir mais além, pois ajuda-nos a fazer a interpretação dos conteúdos dos documentos através de inferências, de acordo com as conceptualizações teóricas do próprio investigador, mas tendo sempre em conta o contexto de produção de tais documentos (Amado, 2000).

Esta análise permitiu-nos estruturar as ideias hierarquicamente, identificar as categorias, subcategorias, ou seja, decompor as entrevistas nos seus elementos essenciais e classificá-los. Tendo em conta que “uma categoria é uma noção geral resultante de um esforço intelectual para integrar indicadores que se originam, em unidades de registo recortadas nas mensagens” (Esteves, 2002:230). Concordamos com Bardin (2000), quando refere que através desta técnica devemos retirar até à exaustão toda a informação contida no texto relacionada com o tema em estudo, apresentando-se recortes do texto com um grau de significância desejável para a análise, são as unidades de registo (vide Anexo IV), que, por sua vez, estão inseridas em várias categorias e sub- categorias.

O processo de categorização regeu-se pelas regras da exclusividade mútua, homogeneidade, pertinência, objectividade, fidelidade e pela produtividade das categorias inventariadas e classificadas, só desta forma nos puderam dar elementos profícuos, em inferências, cuja organização se reflectiu nas respectivas grelhas de análise (Bardin, 2000). Por último, sendo a análise da informação um “processo cíclico e sistemático, integrado em todas as fases do processo” de investigação, o investigar em educação “conduz necessariamente o investigador a enfrentar a densa rede da opinião estabelecida, sob formas que variam da declaração explícita à evidência implícita” (Chevallard, 2001:27).

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5.2.1. A análise de conteúdo

Os resultados emergentes do processo das entrevistas semi-directivas descrito anteriormente, foram posteriormente tratados através da técnica de análise de conteúdo, que parece ser aquela que melhor se adapta ao tratamento dos dados obtidos nas mesmas. Para levarmos a cabo esta análise, seguimos as orientações metodológicas de vários autores como, Amado (2000); A. Estrela (1994); Bogdan e Biklen (1994); Bardin (2000); Huberman e Miles (1991); Patton (1990); Quivy e Campenhoudt (1998); Gonçalves (2000), referidos anteriormente. De acordo com a concepção dos autores, esta técnica ou o conjunto de técnicas são consideradas o processo mais adequado para transformar os dados brutos, obtidos nas entrevistas semi-directivas, num corpus de informação relevante e passível de interpretações fundamentadas.

A análise de conteúdo é uma técnica que pretende classificar, descrever, sistematizar e, até, quantificar as categorias de significados inscritos num corpo documental escrito, de imagem e audiovisuais (Berelson, 1954; in Amado, 2000). Um dos aspectos mais importantes da análise de conteúdo “é o facto de permitir, além duma rigorosa e objectiva representação dos conteúdos das mensagens, o avanço fecundo, à custa de inferências interpretativas derivadas dos quadros de referência teóricos do investigador, por zonas menos evidentes que constituem o contexto de produção” (Amado, 2000:54). Neste sentido, a análise de conteúdo visa a explicitação e sistematização do conteúdo das mensagens e da expressão desse mesmo conteúdo, com o fim de serem elaboradas deduções lógicas e fundamentadas tendo em consideração o autor do discurso, o seu contexto e o efeito desse discurso (Bardin, 2000). Outro aspecto importante sobre esta técnica, é que permite ir mais além da análise objectiva e rigorosa

151 do conteúdo dos documentos e, realizarmos a sua interpretação através de inferências, de acordo com as conceptualizações teóricas do próprio investigador, produtor das visões subjectivas da realidade (Amado, 2000). Assim sendo, a análise de conteúdo centra-se no discurso, não na compreensão da linguagem enquanto tal, mas sim na interpretação dos seus significados pessoais, sociais ou políticos e nos sentidos sociais que o autor do discurso lhe imputa (Quivy e Campenhoudt, 1998).

Assim, as referências conceptuais e teóricas, permitiram-nos categorizar adequadamente algum conteúdo das entrevistas, no entanto, as restantes categorias e subcategorias foram criadas a partir de inferências resultantes da leitura interpretativa e heurística do texto das entrevistas semi-directivas realizadas. Porque, como é referido por Bogdan e Biklen (1994:225), “as categorias de codificação são períodos da vida do sujeito que parecem separar segmentos importantes” que reflectem a forma como o indivíduo classificou a sua vida, não com uniformidade nem impostos pelo investigador, mas sim de acordo com a própria história de vida do indivíduo.

Optamos pelo processo de análise de conteúdo proposto por (2000), que passamos a descrever.

Recorremos à prática tradicional de análise de conteúdo que efectuamos em duas fases, que são descritas posteriormente, constituídas por diferentes momentos, de acordo com a natureza dos dados e dos objectivos a atingir.

Numa primeira fase de análise procedemos à organização e sistematização da informação das seis entrevistas, de acordo com os temas e respectivas categorias e subcategorias, como podemos analisar através dos quadros 4 e 5 do próximo capítulo.

Aqui foram consideradas duas etapas, a primeira consistiu numa análise individual de cada entrevista que, através da sua leitura em profundidade surgiram sete núcleos semânticos que passamos a considerar como temas, assim como as categorias e

152 subcategorias que os sustentam. A leitura levada a cabo ficou favorecida pelo facto de todo o trabalho de realização e transcrição das entrevistas ter sido efectuado por nós, o que permitiu um maior domínio sobre os textos e uma leitura mais profícua. Seguidamente efectuámos o processo de desmontagem do texto pela ordem: recorte, enumeração, classificação e agregação. O processo de categorização respeitou as regras de exclusão mútua; homogeneidade; pertinência; objectividade; fidelidade e produtividade (Bardin, 2000). Este procedimento foi utilizado para o tratamento dos dados das seis entrevistas. A partir deste momento foi concebida uma grelha de categorização onde foram sistematizados os temas, categorias, subcategorias, sendo operacionalizados através de um conjunto de indicadores e unidades de registo. A grelha completa desta análise constitui o anexo IV deste trabalho de investigação.

A segunda etapa consistiu na comparação do tema e respectivas especificações, da globalidade das seis entrevistas.

Na segunda fase de análise procedemos à construção de quadros ou matrizes, de forma a poder estruturar e apresentar melhor os dados por tema, categoria e subcategoria com as respectivas contagens das frequências de ocorrência e dos sujeitos intervenientes, bem como os valores percentuais, como poderemos observar no capítulo seguinte.

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