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3 Theoretical background

4.7 Data analysis

Estabelecimento da situação: Por ocasião do “X Seminário Municipal de Itajaí”, realizado em 14 de julho de 2006, a pesquisadora foi convidada pela Supervisora de Gestão Escolar do Departamento de Ensino Fundamental da Secretaria de Educação de Itajaí, a ministrar oficina que atendesse ao tema do evento “Escola... espaço de mudanças e conquistas”. O seminário tem periodicidade anual e oferece oficinas de formação continuada para os professores do ensino fundamental. As imagens do material de divulgação e apoio do evento e a matéria publicada no portal da Prefeitura Municipal de Itajaí e da Secretaria de Educação de Itajaí encontram-se no anexo A.

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A pesquisadora aproveitou a oportunidade do convite para aplicar o trabalho de campo e, assim, enviou à Secretaria de Educação a proposta apresentando a capacitação, que recebeu o título “A Educação Através do Design (EdaDe): Mediando a aprendizagem de conteúdos curriculares por meio das Histórias em Quadrinhos”. A proposta, no entanto, se diferenciava das outras 38 oficinas do seminário, pois a capacitação foi dividida em dois módulos, com carga horária e modalidade de ensino presencial e a distância. O módulo I aconteceria no dia do seminário e o módulo II posteriormente e on-line, com o apoio do AVA:

Módulo I: “Fundamentação Básica da Educação Através do Design (EdaDe)” – interação presencial.

Módulo II: “Aprendizagem de conteúdos curriculares por meio da Atividade de Design Gráfico: Histórias em Quadrinhos” – interação on-line. A comunicação entre a pesquisadora e a Secretaria de Educação foi mediada pela supervisora2 e estes contatos aconteceram, inicialmente, por e-mail e telefone

e, posteriormente, por contatos pessoais.

A pesquisadora visitou o laboratório de informática do Centro Educacional Cordeiro no dia 2 de junho de 2006, para verificar os equipamentos e instalações, visto que estava programado um encontro presencial nesse local, para a apresentação do ambiente virtual, através do qual se realizaria a aprendizagem on- line. Nessa oportunidade a pesquisadora entrevistou a professora de informática da escola que forneceu as seguintes informações: o laboratório contava com conexão banda larga, 8 computadores em rede (um deles com problema na placa mãe), além de scaner e impressora. Assim, constatou-se que, o laboratório atendia às condições técnicas necessárias para o acesso ao ambiente virtual. Quanto à utilização deste laboratório, posteriormente, como pólo de acesso, foi informado que devido ao local ser muito utilizado pelos alunos haveria dificuldades para os professores agendarem horário durante a fase on-line da capacitação.

Amostragem da pesquisa / Público alvo: A amostragem facilita o trabalho de pesquisa com uma dada população e a amostra compreende o subconjunto da população. Neste estudo, a amostragem é do tipo não-probabilístico e por

2 Todas as vezes que houver referência à supervisora, alude-se à Supervisora de Gestão

acessibilidade, pois se baseia unicamente em critérios e características determinadas pela pesquisadora. A amostragem por acessibilidade também se caracteriza por ser aquela em que a amostra foi a possível de ser conseguida, assim, é a mais aplicada em pesquisa qualitativa (GIL, 1999).

A população envolvida, que representa a amostragem da pesquisa, foi constituída por professores do ensino fundamental, de 1ª a 8ª séries, da rede pública do município de Itajaí – SC e participantes do “X Seminário Municipal de Itajaí”.

Pré-requisito e número de participantes: O número de participantes foi fixado, inicialmente, pela Secretaria de Educação, em 30 professores por oficina do seminário. O único pré-requisito estipulado pela pesquisadora foi o da participação de professores do ensino fundamental. Não houve limite quanto ao nível de conhecimento de informática, mesmo que se soubesse da importância deste pré- requisito e que ele poderia se constituir em evasão na fase da aprendizagem on-line. A decisão levou em consideração o fato deste projeto ser experimental, ter como princípio a prática da inclusão educacional e digital e acreditar que os professores poderiam ser estimulados, a partir deste evento, a se tornarem usuários de computadores.

Instituições de apoio: O projeto AVA_AD apoiou com os recursos instrumentais e de suporte da estrutura tecnológica e a Secretaria de Educação disponibilizou espaços, equipamentos, materiais e lanche para as aulas presenciais.

Certificação: Secretaria de Educação de Itajaí.

Recursos financeiros: Não se teve acesso aos dados financeiros das instituições envolvidas, não sendo possível estimar valores.

Recursos instrumentais: Módulo I - computador, softwares de apresentação e data show. Modulo II - estrutura existente do AVA_AD e da UFSC: redes, servidores, computadores, periféricos e sistemas.

O sistema base do AVA_AD é o LMS Moodle (2006), que é distribuído dentro da filosofia de Código Aberto, é de uso gratuito e tem princípio pedagógico — chamado pelos idealizadores do sistema de Social Constructionist Pedagogy — centrado no construtivismo, no construcionismo e no sociointeracionismo, bem como, na idéia da formação de comunidades de aprendizagem colaborativas. Conseqüentemente, o sistema conta com uma série de ferramentas, tais como: cadastro e autenticação de alunos, perfil do aluno, controle da navegação no

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ambiente, sistema de nota, calendário, agendamento de atividades, bate-papo, fórum, wiki, glossário, livro, pesquisa de opinião, avaliação e exercícios e outros. Ainda foram adicionados, pela equipe do AVA_AD: midiateca, hiperlivro e quadro branco. O Moodle suporta arquivos de texto, imagens, sons e vídeo em diversos formatos: rtf, doc, txt, jpeg, gif, avi, wma, mpg, pdf, swf, ppt e outros.

Design da interface: As figuras 5.2 e 5.3 apresentam, respectivamente, a tela de autenticação do usuário e a tela de apresentação inicial do estudante. O Moodle vem sendo adaptado para atender às necessidades do projeto AVA_AD e a mudança consiste, principalmente, na neutralidade no design da interface, para que receba cursos diferentes na área de arquitetura e design.

Figura 5.2: Tela de autenticação do usuário no AVA_AD.

Pólos de acesso para os professores: De acordo com a supervisora, os professores poderiam acessar o ambiente a partir do laboratório de informática de 9 escolas.

Recursos humanos: No que corresponde ao módulo I, a Secretaria de Educação, com o seu pessoal, foi a responsável pela organização do seminário. Quanto ao módulo II, contou-se com a equipe de pesquisadores bolsistas do AVA_AD e especialmente com a orientação da professora Alice Theresinha Cybis Pereira, coordenadora do ambiente e orientadora desta pesquisa. Tendo este projeto um caráter experimental, a pesquisadora acumulou as seguintes atividades: gestão estratégica, design instrucional, roteiro, design gráfico, autoração, diagramação, preparo do plano de aula e conteúdo, dar aula e tutoria, serviços de cadastramento dos alunos, avaliação do ambiente e conteúdo, acompanhamento da estratégia, avaliação e manutenção.

Plano de trabalho e Cronograma de atividades:

O plano de trabalho seguiu os estágios já apresentados na tabela 5.3 e o cronograma das atividades foi estabelecido conforme a tabela 5.4.

Tabela 5.4: Cronograma de atividades

5.5 Design

Proposta da Capacitação: Plano de aula

Conhecidos os recursos disponíveis, foram selecionados os conteúdos e definida a proposta da capacitação, que foi enviada à Secretaria de Educação no dia 20 de junho 2006. Na proposta (Anexo B) constaram informações gerais e

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específicas de cada módulo, tais como: título da capacitação, modalidade de educação, número de participantes, pré-requisitos, ementa, objetivo geral e específico, resultados esperados, métodos, atividades de aprendizagem, recursos tecnológicos, materiais para atividade prática, conteúdo programático, duração das atividades, cronograma de aulas, local e data dos encontros. A proposta da capacitação consta do anexo B onde podem ser conhecidos seus detalhes. O mapa da figura 5.4 auxiliou no planejamento da proposta.

Conteúdo:

O conteúdo constante da proposta compreendeu:

Conceitos básicos sobre design e atividades de design – o design; o design gráfico e conexões entre o design, artes, tecnologia e ciência (com base no capítulo 3 desta dissertação).

Fundamentação teórica básica da Educação Através do Design (EdaDe) – contexto e conceituação; bases pedagógicas e experiências internacionais e nacionais (com base no capítulo 3 desta dissertação).

As histórias em quadrinhos – conceito; criação de histórias (estrutura de três atos) e personagens (arquétipos básicos); estilos; expressão corporal; caracterização de personagens; folha de modelo; o requadro; planos de enquadramento; linhas de movimento; ponto de visão; balões; letreiramento; onomatopéia; cenários; duração do tempo (timing); cor nas HQs; roteiro textual e storyboard (com base em Comparato (2000), Eisner (1999ª) e McCloud (2005)).

Aprendizagem por meio das HQs: abordagem do ponto de vista da EaDe - a importância da brincadeira; interdisciplinaridade; metodologia da aprendizagem baseada em problemas (ABP); aprendizagem cooperativa e avaliação na EdaDe (com base no capítulo 3 desta dissertação).

O ambiente virtual de aprendizagem AVA_AD. Apresentação do ambiente aos participantes com explicações sobre o plano de aula, conteúdos, metodologias e como se daria a aprendizagem on-line.

Figura 5.4: Mapa auxiliar do planejamento da proposta da capacitação.

Definição do modelo didático-pedagógico e atividades de aprendizagem: A EdaDe foi escolhida como base pedagógica e, tendo em vista que na ABP a aprendizagem é centrada no problema, foi estabelecido o desafio do desenvolvimento de história em quadrinhos, com tema que contemplasse os conteúdos curriculares e até mesmo os temas transversais. O trabalho prático para a aula presencial consistiria em transformar uma letra de música, poesia ou conto em uma storyline em três atos e representá-la por meio de desenho e/ou colagem. Na fase on-line seria desenvolvida uma HQ com formato final em storyboard digital. Para a aprendizagem ocorrer em cooperação as equipes de trabalho seriam criadas durante as etapas presenciais e on-line, agrupando os professores por diferentes disciplinas que ministram oportunizando, desta forma, a troca de conhecimentos. As equipes receberiam nomes, como: Manda-chuva, Gato Félix, Mafalda, Mônica, Pimentinha e outros personagens de HQs. Outras atividades programadas foram:

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leitura de artigos, resumos e debates e o desenvolvimento de plano para aplicar a atividade de HQ em sala de aula.

O conteúdo foi dividido em dois módulos e o plano de trabalho e o cronograma foram respeitados. As etapas eram vistas como pequenos sistemas dentro de outros sistemas maiores, como uma espiral interligando ciclos menores de atividades e, quando necessário, retornava-se a ciclos anteriores para acertos. Em alguns casos acontecia a sobreposição de atividades, por exemplo, quando a concepção de um objeto de aprendizagem já estava concluída, se iniciava o design de outro e, ao mesmo tempo, ocorria a produção do primeiro sem a necessidade de aguardar o término total da fase de design para iniciar a produção.

Roteiro do módulo I: O módulo I foi dividido em unidades de estudo e as unidades em tópicos conforme demonstrado na figura 5.5.

Figura 5.5: Mapa do conteúdo do módulo I – aula presencial.

A roteirização dividiu o conteúdo em artigo e apresentações. Neste módulo, devido a não fazer parte dele as técnicas e linguagem da HQ, a atividade prática consistiria na criação do tema, story line e caracterização dos personagens. O trabalho seria elaborado em equipes e os professores poderiam desenhar ou fazer colagens em composições livres, que representassem visualmente os três atos da

história. As revistas seriam utilizadas para pesquisa, para ajudar na inspiração do tema e para as colagens.

Roteiro módulo II: o módulo II compreendeu duas etapas: a primeira constituída pela aula presencial para a apresentação do ambiente virtual, dos métodos didáticos e do roteiro de aprendizagem da capacitação. A segunda etapa consistiu na aprendizagem on-line.

Para a aula presencial foram concebidos os seguintes documentos: tutorial de navegação, requisitos para a configuração do computador, links para baixar os programas necessários, guia de uso do AVA_AD, roteiro de aprendizagem e lista das escolas que serviriam de pólos de acesso.

Para a segunda etapa, fase on-line, os conteúdos foram distribuídos conforme representado no mapa da figura 5.6, divididos em unidades de aprendizagem. A figura 5.7, mostra a tela de programação da capacitação, com a organização dos conteúdos na interface do sistema.

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Figura 5.7: Tela de programação da capacitação de professores no AVA_AD.

Ressalta-se que, devido à estrutura herdada do Moodle, a página da programação da capacitação (Figura 5.7) aparenta uma estrutura hierárquica, mas nesta capacitação, as unidades relativas aos conteúdos poderiam ser acessadas sem uma ordem previamente estipulada. As ferramentas hiper-livro e livro, utilizadas para a publicação dos conteúdos, possuem índice remissivo e, desta forma, sugerem a linearidade encontrada nos livros convencionais. No entanto, o fato não impede que os tópicos sejam roteirizados de maneira autônoma e a permitir acessos por meio de palavras-chave enviadas durante as conversas nos fóruns ou qualquer outra ferramenta de comunicação. O propósito é propiciar o acesso dinâmico dos conteúdos de forma não linear, o que é característico do hipertexto.

O conteúdo on-line foi dividido em objetos de aprendizagem, compostos por: textos, ilustrações, imagens, objetos interativos em flash e artigos em arquivos pdfs (Figuras 5.8 e 5.9). As ferramentas utilizadas do AVA_AD foram: hiperlivro, livro, bate-papo, fórum, diário, mural, quadro de aviso e ferramenta de entrega de atividades.

Figura 5.8: Telas dos objetos de aprendizagem.

Figura 5.9: Telas dos objetos de aprendizagem e expansão dos conteúdos para páginas externas.

Estratégia de interação professor-aluno e alunos-alunos:

Várias ferramentas de comunicação suportam a interação entre professores e alunos e alunos entre si. Nesta capacitação o mural e o quadro de avisos foram usados para informações extra-aulas, o bate-papo e as salas de discussão, para a interação entre todos e a mensagem rápida e o diário, para a comunicação individual e privada com a possibilidade de retroalimentação. Destaca-se que o AVA_AD, mantendo as características do Moodle, permite aplicar estratégias de comunicação diferenciadas, por exemplo, as mensagens postadas na sala de discussão geral e no quadro de avisos podiam ser visualizadas e respondidas por todos sendo, também, enviadas por E-mail a todos os participantes. No entanto, para promover o trabalho em equipe, nas salas de trabalho de grupo, as mensagens publicadas eram “espiadas” por todos, mas só os integrantes do grupo poderiam postar e receber as mensagens por E-mail. Para responder às mensagens recebidas por E-mail, o

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participante obrigatoriamente deveria entrar no ambiente, para ter a oportunidade de conhecer o contexto que originou a mensagem.

Para o serviço de tutoria, atendimento ao aluno e retroalimentação aos participantes foram escolhidos o bate-papo, as mensagens rápidas, o diário e as salas de discussões. Para o acompanhamento dos acessos dos participantes o ambiente possui mecanismo de registro da navegação e do tempo de permanência de cada participante, por página visitada. Esta facilidade permite a elaboração do modelo de comportamento e domínio de cada participante e tomar medidas para ajudar os alunos com dificuldades.

Questionários: o questionário inicial (Anexo C) foi elaborado com os objetivos de obter dados para: cadastrar os professores no AVA_AD, obter forma de contatá-los, saber quais disciplinas ministram, a série e escolas onde trabalham, conhecer os seus saberes prévios, a familiaridade deles com programas básicos de computador e com o uso da internet.

Dois questionário finais de pesquisa de opinião também foram desenhados e encontram-se no anexo C: um para os professores e outro para a supervisora de gestão. Os questionários foram divididos em três blocos: dados mais informativos, opinião sobre a capacitação e informações complementares. O objetivo era compreender os fatos e motivos de acontecimentos durante o processo de implementação.

5.6 Produção

Nesta etapa foram selecionadas as imagens, elaboradas as ilustrações, montadas as apresentações, autorados os objetos em flash, diagramado todo o material no livro e hiperlivro, gerados os pdfs e confeccionados os formulários.