5.2 A NALYSIS OF LIVE LEUKOCYTES
5.2.6 Analysis of PD-1 expression on T cells
As mudanças no cenário político, econômico e produtivo possibilitaram o crescimento do setor de serviços nos seus mais variados tipos (Sznelwar; Lancman; Wu; Alvarinho & Santos, 2004). Na lógica econômica capitalista, a saúde está situada no setor de serviços, possibilitando condições necessárias para que a sociedade viva como tal, ou seja, envolvem a prestação de bens de manutenção social e de vida (Machado, 1997).
Baseada em análises de censos nacionais e fontes estatísticas, a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2006) estima que exista no mundo um total de 59,2 milhões de trabalhadores de saúde assalariados. Esses trabalhadores integram equipes de saúde multiprofissional e são convocados a desempenharem diversas habilidades e funções, se amoldando aos novos conhecimentos e tecnologias que surgem todo o momento.
De acordo com a OMS (2006), os trabalhadores dos sistemas de saúde em todo o mundo apresentam sintomas de estresse e insegurança provocados em grande parte pelas políticas de financiamento do setor, desequilíbrios concernentes às necessidades de habilidades e competências cada vez maiores, ausência de políticas de gerenciamento, condições de trabalho precárias, baixos salários, insuficiente reconhecimento social, e, ainda, muitos países apresentam um fraco desenvolvimento de planos de carreira e concentração urbana de profissionais.
No contexto brasileiro, a criação do SUS representou para os gestores, trabalhadores e usuários uma nova forma de produzir serviços assistenciais. Além disso, o SUS representa uma grande expansão no setor da saúde nunca vista anteriormente, podendo ser considerada um dos maiores do mundo com cerca de dois milhões de empregos (Machado, 2006).
A saúde é um campo de inesgotável conhecimento e prática profissional e o SUS é um dos maiores empregadores da economia brasileira. No entanto, a conjuntura brasileira de trabalho na saúde não é diferente de outros países, no sentido que afirma Machado (2006), isto é, que os anos de consolidação do SUS contrariaram seus próprios princípios quando desvalorizou seus profissionais. Para esta autora, a negligência que se deu na adoção de políticas para os profissionais do SUS é um fato. O SUS passou o período de sua consolidação sem se preocupar com seus trabalhadores. A precarização nas contratações criou uma multidão de trabalhadores sem direitos sociais e trabalhistas, além de não ter proporcionado estruturas competentes e modernas na administração pública para lidar com tais questões. Apesar de ter sido criada em 2002 uma secretaria para gestão e educação de trabalho na saúde (que conta com vários trabalhadores precarizados), não se verifica ainda dados de modificação desse quadro na atualidade.
No meio de todas essas constatações, o trabalho médico tem se desenvolvido por meio desses espaços, no qual o setor público passou a ocupar o primeiro lugar de empregadores com 55,5% dos médicos registrados no ano de 2012 (Scheffer et al., 2013). Desta forma, a lógica liberal do trabalho médico em consultórios particulares e independentes coexiste atualmente com a lógica do trabalho cooperativo e trabalho público (Moliani, 2006). Nesse sentido, a maioria dos médicos brasileiros têm múltiplos vínculos (o que equivale a toda ocupação, posto, cargo, função ou emprego médico remunerado) com cerca de 48,5% dos profissionais possuindo três ou mais vínculos (Scheffer, 2015). Ou seja, os médicos geralmente ocupam mais de um posto de trabalho no SUS e também compartilham sua jornada com consultórios particulares e o setor privado. A maioria desses profissionais cumprem carga horária de trabalho excessiva e acúmulo de vários empregos. Sendo assim, a jornada de trabalho dos médicos é, em média, superior a 40 horas semanais e quase um terço dos profissionais
trabalham mais de 60 horas por semana (Machado, 1997; Carneiro & Gouveia, 2004; Scheffer et al., 2013; Scheffer, 2015) 1.
No que concerne à jornada de trabalho em forma de plantão, segundo Moliani (2006), para o trabalho médico essa modalidade foi criada para que este estivesse no posto de trabalho e assim pudesse atender alguma emergência, não necessariamente trabalhando o plantão inteiro. Contudo, para esta autora a realidade atual é diferente, devido à lotação é possível que em alguns casos o médico não tenha um momento de descanso como seria de se supor e trabalhe durante todo o plantão.
De maneira geral, as características do mercado de trabalho em Saúde Pública, no qual o médico está inserido, são: contratação de profissionais especializados, seja através de curso superior ou técnico, a maioria precisa desenvolver um conhecimento básico devido à alta tecnologia e informações do mercado; uso intenso e diversificado de mão-de-obra, uma vez que dois milhões de funcionários atuam em quase sete mil estabelecimentos distribuídos em mais de cinco mil municípios; diversidade de contratação, já que os concursos e os contratos temporários somam-se ao grande volume de terceirização e jornadas de trabalho estabelecidas de 12, 20, 24, 32, 40 e até 44 horas, por exemplo (Machado, 2006).
O trabalho médico também tem se desenvolvido através de espaços institucionais, nos quais o hospital se apresenta como o principal deles. É nele que o médico realiza seus principais e fundamentais atos, como atendimento e acompanhamento de pacientes, realização de exames e atividades técnico-cirúrgicas, é também onde ocorrem as trocas de experiências clínicas e a formação de aprendizes, seja alunos no início da graduação, internos ou residentes (Machado, 1997).
1 É possível compreender que a longa literatura a esse respeito, corroborando os dados afirmados demonstra que essa característica da profissão (longas jornadas de trabalho) tem se perpetuado ao longo dos anos.
O ambiente hospitalar é caracterizado pela grande estrutura organizacional, processos de produção de trabalho e diversos insumos e materiais, de modo que para garantir um serviço de qualidade o desafio é muito grande. Questões de logística, organização do trabalho, infra- estrutura básica, acidentes de trabalho e doenças laborais apresentam-se nos hospitais brasileiros como obstáculos para o bom funcionamento do sistema (Sznelwar, et al. 2004).
A maioria dos médicos se sentem honrados e satisfeitos com a escolha profissional e contam com remunerações que são superiores à maioria dos trabalhadores brasileiros. Contudo, muitos médicos afirmam que a profissão é desgastante e se sentem insatisfeitos em relação a sua vida laboral e pessoal (Machado, 1997; Carneiro & Gouveia, 2004; Barbosa et al., 2007; Scheffer et al., 2013). Outras pesquisas apontam que se encontra no trabalho médico fatores de risco para a saúde mental, como privação de sono, sobrecarga, tensão, jornadas de trabalho superiores ao convencional e uma baixa quantidade de férias; para tanto, a profissão tem apresentado altas taxas de suicídio (Nogueira-Martins, 2002).
Em relação à área de atuação, o trabalho médico é detentor de amplas possibilidades. Soma-se em 53 o número de especialidades reconhecidas no Brasil, sendo Ginecologia/Obstetrícia uma das áreas mais numerosas, 8,6% dos registros obtidos pelos profissionais, dos quais a maioria são mulheres (Scheffer et al., 2015). O estado com maior índice de médicos com registro em Ginecologia e Obstetrícia é São Paulo. Já na Paraíba somam-se 512 o número de médicos registrados nesta especificidade (Scheffer, 2015).